Catequese Dinâmica

Mais do que dinâmicas na catequese, utilizadas como recurso pedagógico, utilizemos a dinâmica como estratégia. Toda a catequese deve ser dinâmica, interactiva, dialogante, e não apenas uma parte com um recurso esporádico, cuja finalidade poderá passar por ajudar a distrair, mas que de pedagógico poderá ter pouco. Tudo o que utilizamos deve fazer parte de uma estratégia de envolver as crianças no seu processo de caminhada cristã.

Partilho uma pequena apresentação. Que ela seja alvo de alguma reflexão e aprofundamento.

Add comment Novembro 12, 2009

Semana dos Seminários

Poderemos ver o filme com a mensagem do Sr. Arcebispo de Braga para a semana dos seminários que começa este fim de semana. Mas também gostaria de lançar um desafio a todo o povo cristão: O padre é um enviado de Deus e da Igreja, para as comunidades, situados num tempo muito preciso. Seria bom ouvir as as expectativas do povo de Deus: de que tipo de padres precisamos nós, de forma a que a mensagem de Cristo seja anunciada e vivida de forma convicta e inteligível? Que precisará mudar na Igreja, hierarquia e povo de Deus, para haver mais vocações?

2 comments Novembro 6, 2009

Novo guia do 3º ano

Já saiu o catecismo do 3º ano. Mais uma vez a conta gotas. Mas como o catecismo constitui apenas mais uma hipótese entre muitas ferramentas a utilizar…

O Departamento da Catequese da Diocese partilhou o guia num documento em pdf. Podem fazer o download aqui.

Add comment Novembro 4, 2009

Arte de ouvir

Estranho mundo este, em que vivemos. Cheio de contrastes e tão antagónico. Nunca como hoje, temos auto-estradas, carros rápidos, máquinas para tudo, lavar roupa, aspirar. Tudo em nome de mais rapidez e poupança de esforços para termos mais tempo para outras coisas. Nunca como hoje temos tantos modos de comunicar, do qual a internet e o telemovel são o expoente máximo. E talvez, nunca como hoje, se comunica pouco, e se tem menos tempo. Menos tempo para os outros, para a família, para Deus, e até para nós próprios. Não temos tempo para cuidar do nosso asseio, e do nosso interior, como tempo para a leitura, a reflexão , a contemplação. Cada vez mais andamos stressados, angustiados, deprimidos. O processo para atingir a felicidade está a dar provas de impotência.

As pessoas cruzam-se diariamente, participam em eventos sociais,  mas permanecemos sozinhos, isolados dentro de nós mesmos. Falamos de tudo, damos conselhos, mas continua a ser difícil falarmos de nós mesmos, da nossa história, do nosso pensamento.

Algo que também ajuda a esta situação, é a dificuldade de encontrarmos alguém que tenha desenvolvido a arte de ouvir. Alguém que não julgue, que saiba colocar-se no lugar do outro, que não se limite a conselhos superficiais, capaz de entender o outro no seu contexto de vida, respeitador dos limites e fragilidades, capaz de perceber os sentimentos mais profundos e captar os pensamentos que as palavras não expressam.

Esta solidão amplifica a solidão interna, que pode conduzir ao abandono da nossa vida. Não dialogamos connosco, não discutimos os nossos problemas. E uma pessoa que não dialoga consigo, que não se escuta, que foge de si mesma, pode ficar rígida e implacável consiga mesma, desenvolvendo sentimentos de culpa e destrutivos da sua auto-estima. Pode conduzir outros à alienação, à ausência de formulação de objectivos de vida, de tomada de consciência de si e dos outros. Estas pessoas revestem-se de uma carapaça de insensibilidade, dureza, orgulho. Mas no fundo sabem que não são assim, apenas se recusam a confrontarem-se. Daí que, tanto uns como outros, tenham dificuldade de se olharem ao espelho.

Jesus apresenta uma proposta de felicidade que passa pela consciência de nós mesmos, de aceitação dos limites, e de reconhecimentos das qualidades. De amor próprio, e de amor ao próximo. Uma proposta que ajuda a desenvolver a arte de ouvir, por nós e pelos outros. Uma proposta de paz interior. Sem ela, ninguém é feliz. Uma proposta de verdade com o nosso interior, a nossa mente. Uma proposta de abertura à novidade, para sabermos contemplar e apreciar o belo e o prazer, e de aprendizagem com os invernos da existência. A felicidade não é uma estrada apenas com retas. Jesus ensina-nos a sermos felizes nas retas e nas curvas da vida.

Nas sociedades modernos, fazer amigos está a converter-se num artigo de luxo. Porque as pessoas não têm tempo para fazer amigos. Porque é preciso tempo para criar laços, para cativar e deixar-se cativar. O amigo cultiva-se e conquista-se. E se queremos ser felizes, temos de ter tempo… para o essencial. A felicidade não é uma meta, e um estado definitivo. É um caminho…

3 comments Novembro 2, 2009

Pegadas na Areia

Aproxima-se o dia de Todos os Santos e Fiéis Defuntos. Todos perdemos alguém de quem éramos próximos, a quem amávamos. Apesar da esperança na Vida, fruto do Amor de Deus, também existe a saudade. Miguel Torga dizia, no seu diário, ao ver regressar um idoso da missa: “Quem me dera ter-me levantado, ter ido à missa e regressado com a cara que trazia o meu vizinho. Quem me dera sentir-me ligado a um destino extra-biológico que não terminasse com a última pancada do coração”. Acreditamos que fomos criados para muito mais que desaparecer da vida.

Partilho um poema sobejamente conhecido, mas que constitui sempre um bálsamo para a saudade e a tristeza: pegadas na areia. Mas antes, a história deste poema, que é fruto de uma experiência concreta, e que encontrei na net:

Normalmente considerado anónimo, o que poucos sabem é que o autor, ou melhor, a autora de Pegadas na Areia tem nome e sobrenome. Trata-se da Canadiana Margaret Fishback Powers, que, além de ser uma crente convicta, mantém um ministério internacional voltado para a evangelização de crianças.
“Muita gente pensa que Pegadas na Areia é fruto apenas da minha criatividade. Porém, para mim, o poema foi uma experiência bem real, composto num momento de grandes expectativas e poucas certezas na minha vida”, diz a autora.
A história do poema começou quando Margaret foi para um retiro de jovens da igreja, auxiliando o então namorado Paul, um dos responsáveis pelo evento.
“Era o dia de Acção de Graças de 1964 e, ao chegarmos, fui dar uma volta na praia com ele”, recorda. O compromisso era recente – estavam juntos havia apenas seis semanas – e Paul acabara de pedi-la em casamento. Entretanto, o jovem casal tinha poucas esperanças de futuro. “Éramos muito diferentes um do outro. Paul tinha um passado marcado pela violência e drogas. Não tínhamos perspectivas profissionais ou financeiras pela frente e nem mesmo sabíamos se as nossas famílias e a igreja iriam apoiar-nos”, conta Margaret.

De volta do passeio, os dois notaram que as ondas apagaram algumas pegadas, deixando apenas um par visível.
“Talvez isso seja um prenúncio de que os nossos sonhos serão levados água abaixo”, sugeriu ela. “Não!”, protestou
Paul, para, então, tomá-la nos seus braços e concluir: “Teremos turbulências, mas seremos um só na caminhada. E o Senhor tomar-nos-á assim, em Seus braços, se confiarmos e tivermos fé n’Ele”. Aquelas palavras românticas ficaram marcadas no íntimo da jovem. Naquela noite, ela não conseguiu dormir e orou bastante. No dia seguinte, apresentou ao namorado não apenas a sua certeza em Deus do casamento e futuro dos dois, mas o poema que, anos depois, tanto
sucesso faria, ainda com o título «Eu tive um sonho».
Paul fez questão de declamá-lo a todos no encerramento do retiro. Margaret não podia mesmo ter a menor noção da proporção que tomariam os versos simples que acabara de escrever. Anos depois, já casada, ela reencontraria a sua obra de forma completamente inesperada. O seu marido sofreu um acidente e recuperava no hospital.
“Eu estava na UCI, e uma enfermeira, querendo consolar-me, segurou na minha mão e começou a recitar o poema”.

pegadas na areia

 

4 comments Outubro 29, 2009

A ignorância de Saramago

No domingo, Saramago apresentou o seu novo livro, “Caim”, onde conta a história do filho primogénito de Adão e Eva. Quase duas décadas após o escândalo provocado pela sua obra “O Evangelho segundo Jesus Cristo” (1991), Saramago afirmou, em entrevista que “a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana”.

Com este último livro, Saramago mais uma vez revela qual parece ser o seu principal objectivo de vida: desacreditar a Igreja e a Bíblia. Ele bem diz que ela é um livro de horrores, mas viva a custa dela. Já não é o primeiro romance do género.

Com um assunto tão recorrente, talvez este homem viva atormentado porque se dá ao trabalho de gastar tempo a pensar numa coisa que detesta, e ainda por cima, revelando uma profunda ignorância. Quem vive dando importância ao que odeia, não pode ter paz no coração.

Para se poder tecer um pensamento coerente e próximo da verdade, exige-se o mínimo de conhecimentos da matéria que se quer tratar. Um julgamento sem conhecimento das realidades que se pretende julgar, revela o que? Concordo com o porta voz da Conferência Episcopal ao afirmar que este novo romance não passa de mais uma manobra de publicidade. Será que sem esta polémica, alguém daria importância à sua nova obra?

Sabemos que haverá gente, que vive complexada e de consciência pouco tranquila, que irá aplaudir. Permitam-me: Primeiro, estudem bem aquilo que pretender criticar. Segundo, haja respeito pelas diferenças. Terceiro: libertem-se desses complexos que vos prendem a uma necessidade neurótica de atacar e ridicularizar quem acredita e estuda a Bíblia.

10 comments Outubro 19, 2009

Dinâmicas

A catequese deve ter dinâmicas ou a catequese deve ser dinâmica?

Há catequistas que se preocupam em arranjar dinâmicas para fazer na catequese. Mas isso fará, só por si, alguma diferença na catequese? Já ouvi alguns desabafos de que não sabem mais o que fazer, porque se preocupam em arranjar jogos e outras dinâmicas e nada parece cativar os miúdos.

A catequese deve ser activa, participada por todos, envolvendo todos, respeitando/ouvindo todas as experiências, ensinar e fazer pensar cada um, utilizando as linguagens significativas e adaptadas, sabendo materializar as ideias que queremos transmitir. São estas estratégias que tornarão a catequese dinâmica. Concretizo: no post anterior apresentei um texto sobre pessoas balão. Se eu falar disso num catequese, poucos ligarão. Mas se eu pegar num balão, o mostrar, e falar o conteúdos do texto, com o balão na mão, não será que isso vai concentrar mais a atenção das pessoas, e quando elas virem um balão se poderão recordar na metáfora? Estou convencido de que sim.

Mas então as dinâmicas não contribuem para isso? Claro que sim. Elas criam os contextos em que as crianças/jovens poderão exercitar e reflectir, envolvendo não só a componente intelectual, mas também a afectiva, permitindo, de uma forma natural, expressar as convicções, histórias de vida, comportamentos, etc. “As pessoas nunca aprendem nada só porque lhes é dito; precisam descobrir por si mesmas”. Se queremos ensinar alguém a tirar fotografias, não serve de nada ensinar apenas a teoria. Ela aprende muito mais, melhor e mais facilmente, se lhe dermos uma máquina fotográfica para as mãos e aí ensinamos como a utilizar. Na catequese, por exemplo, se eu quero fazer revisões, em vez de me limitar a fazer perguntas e ficar à espera das respostas, o que gera aborrecimento e cansaço, porque não fazê-lo com um jogo? Isto é apenas uma ideia.

As dinâmicas não podem é ser uma desculpa para que nos convençamos de que temos uma catequese dinâmica. Está aqui em questão, uma forma de estar, de ser e de fazer catequese, com uma linguagem e estratégias dinamizadoras. As dinâmicas devem ser bem pensadas, bem preparadas, clarificadas e executadas. Quantas vezes as fazemos sem as entendermos e as adaptarmos ao público alvo e isso provoca confusões, contendas e ineficácia.

Partilho agora um site com muitas dinâmicas. Elas ajudarão, se não reduzirmos a dinâmica da catequese, apenas à sua utilização momentânea. Mas como diz o “outro”, mais vale isto que nada, como ainda acontece. Aqui fica o site e que vos possa ajudar: http://www.catequisar.com.br/

4 comments Outubro 15, 2009

Pessoas balão

compl_baloesUm balão pode ser uma boa metáfora para falarmos de alguns tipos de pessoas, em determinados momentos da sua vida, se parecem com os balões:

1. Alguns estão aparentemente cheios de vida, e preocupam-se em acumular bens e riquezas, apenas o ter, e o interior nada mais têm que ar. Por isso Jesus fala que um rico (não apenas de dinheiro, mas de egoísmo, de intolerância, preconceito…) terá dificuldade de entrar no reino dos céus, um dia, e feliz agora. Não se deve fazer demagogia contra o dinheiro, mas ao que muita gente perde por causa dele. “Quero ficar rico para que não falte nada à família”. Mas já falta… alguém que está ausente por causa do dinheiro… e um dia tem dinheiro, mas não tem família. Preocupemo-nos em investir mais no nosso interior, em aprender a reciclar emoções e pensamentos, a fortalecer o nosso espírito e a nossa mente.

2. Outros parece terem opinião própria, muito seguros, mas deixam-se levar pela mais suave brisa. Jesus diz no evangelho: “Porque me chamas bom? Bom só Deus”. Jesus não se preocupa com a aparência de bondade. Por causa de sermos aceites, de querer que gostem de nós, muitas vezes deixamos de fazer ou dizer aquilo que deveríamos e acreditamos, para que pensem bem de nós. E no fim, nem agradamos aos outros nem a nós. Por isso Jesus nos alerta para não nos preocuparmos em aparentarmos sermos bons para que pensem bem de nós. Não vivamos com essa angústia.

3. Por fim, alguns vivem como se fossem balões cheios, prestes a rebentar; vasta que alguém os provoque com alguma ofensa ou opinião contrária estouram. Quanto mais nos preocuparmos apenas com o exterior, quanto maior for o vazio interior, quantas menos resistências tivermos no nosso interior para gerir as nossas emoções e pensamentos, mais tensos andaremos, e mais facilmente explodiremos, e, tal como o balão, pouco sobra.

5 comments Outubro 12, 2009

Os dois prisioneiros

Um dia, dois homens foram feitos prisioneiros. Os raptores, meteram o primeiro numa jaula, dizendo-lhe: Tens 10 minutos para fugires. Ao fim desse tempo, colocamos um tigre na jaula. O homem debateu-se com toda a energia para se libertar. Avistou a chave da jaula, do lado de fora, no chão, e tentou, por todos os meios, alcança-la. Depois de passado o tempo, entrou o tigre que devorou o prisioneiro.

Ao segundo, deram-lhe as mesmas indicações. Depois dos primeiros momentos de nervosismo, e ao ver que também não conseguia alcançar a chave, respirou fundo, dirigiu-se à porta da jaula, meteu a mão, e a porta abriu-se, conquistando desta forma a sua liberdade.

7 comments Outubro 8, 2009

Casamento e Divórcio

A liturgia deste fim de semana, coloca-nos diante da problemática do casamento e da realidade do divórcio. Sobre este assunto, partilho 4 ideias.

Primeira: O casamento deve começar a preparar-se desde o ventre da mãe. Um ambiente salutar entre pais durante a gestação de um filho, é fundamental para ajudar a estruturar a personalidade da criança. Como é evidente, essa estrutura tem de ser solidificada ou alterada com a educação para os valores, alicerces sólidos de um amor duradoiro. Falamos de valores como: entre-ajuda, solidariedade, gratuidade, tolerância, humildade, simplicidade, diálogo, capacidade de perdoar e pedir perdão, espirito critico, liberdade responsável…. Sem estes valores, não há amor que resista à rotina diária. O amor só por si mudará alguém? Coloco as minhas dúvidas. Será essencial, desde que haja vontade, carácter e esforço.

Segunda: Existe muitos casamentos celebrados na igreja que não deveriam ser realizados. O casamento na igreja deve ser celebrado por pessoas com fé enraizada, sabendo das implicações desse gesto, muito além de um contracto. No entanto, a principal razão não reside na fé, mas na tradição, no mais bonito, na vontade dos pais.

Terceira: Jesus revela-se contra o divórcio? Na minha opinião, não. O que Jesus defende é a dignidade da pessoa humana, homem ou mulher. Em que consistia o divórcio (certificado de repúdio)? A mulher não tinha qualquer importância social. Em solteira, era propriedade do pai, que mediante um dote, passaria a ser propriedade do marido. Se durante a coabitação, a mulher não correspondesse às expectativas, o marido poderia devolver a mulher, pedindo de volta o dote. A mulher era um objecto, sem vontade, negociada. Jesus ao estar contra este divórcio, estava a lutar pela dignidade da mulher. Por isso é que Jesus cita o livro do Génesis, querendo afirmar que homem e mulher são criatura de Deus, e que os dois são iguais em dignidade.  Infelizmente, hoje em dia, as coisas alteraram-se significativamente: se antes, a contestação do divórcio era para defender a dignidade da mulher, hoje, o divórcio é a forma de restituir a dignidade a muitos homens e mulheres, que vivem o pior dos pesadelos num casamento fracassado.

O matrimónio é um sinal do amor de Deus pela humanidade. Amor esse que não conhece rotura. Mas o sinal não é sinónimo de realidade. E se o sinal perder eficácia e for precisamente o contrário? Estamos a defender o divórcio? Não. Estamos a defender a restituição da dignidade do ser humano casado, que ainda continua a ser considerado propriedade de alguém.

Quarta: Aprendamos com Jesus a acolher as pessoas que vivem nesta situação. Ao contrário do que muita gente pensa, esta situação não é fácil. Não julguemos pelas aparências e facilmente. Não compreendo, dizem alguns. Quem é feliz no casamento, não entende. Sé vivendo a situação. Não temos o direito de condenar ninguém, nem que seja em nome da doutrina. Não rotulemos as pessoas e não pensemos que temos remédios milagrosos para situações que desconhecemos. Nunca esqueçamos, que o tempo e as oportunidade não voltam. E se deixamos que o amor se desgaste, é muito difícil recuperar e fazer de conta de que nada aconteceu. Por isso, não facilitemos… é preciso um empenho diário e contínuo.

4 comments Outubro 4, 2009

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