Vida cristã

Abril 15, 2008

Ontem, numa reunião, uma catequista referia que estava chocada porque perguntou aos seus adolescentes que influência tinha Cristo no dia-a-dia deles, ao que alguns responderam que nenhuma.

Dá para pensar no tipo de catequese que estamos a transmitir. Refiro isto no geral, não em concreto a esta catequista. Quantos não há que diriam a mesma coisa. E dizem-nos, em atitudes de afastamento à Igreja.

Diante disto, partilho duas ideias: a primeira, é que devemos tornar as nossas catequeses mais significativas; isto é, que tenham mais em conta a vida deles e que eles possam levar uma mensagem cristã para a vida. Para isso, devemos deitar mãos a todos os recursos possíveis, e não manter uma pedagogia, que pode ser muito bem estruturada, mas ineficaz. Com isto, não quero dizer que sou apologista da descida de fasquia de exigência. Devemos é encontrar alternativas para tentar fazer passar a mensagem de uma forma mais agradável e atractiva. Não tenhamos medo de algum se perder. Jesus também perdeu um. E os outros também o abandonaram no momento mais decisivo da sua vida. A resposta à mensagem tem de ser livre, nunca imposta.

A segunda ideia, é esta: Muitas vezes ficamos com a sensação de que nada do que fazemos resulta. É normal sentir isso. Muitas vezes, quem semeia a planta não chega a colher os frutos. Isto não é apenas trabalho humano. Existe uma Força por detrás, que é a razão de ser de todos o nosso trabalho. Somos instrumentos nas mãos de Deus. A Ele compete fazer o resto que nós não conseguimos. Mas quando muitos dizem que Deus não está presente no seu dia-a-dia, eles querem afirmar que não pensam nele quando tomam decisões. Isto é, não o fazem de forma consciente. A mensagem está, no entanto, presente na sua identidade, na sua forma de pensar, sentir e agir. Só que nem dão por ela. Podem afastar-se da Igreja, mas não o fazem em relação a Deus. Ele está entranhado na formação deles. E um dia, Ele estará presente de uma forma mais consciente. Tenhamos paciência.

Por isso, esta situação é motivo para reflexão, mas não vejo necessidade de pessimismo. Continuemos a semear, conforme o terreno; e confiemos a Deus o resto.

Entry Filed under: Catequese, Deus, Partilha. .

10 Comments Add your own

  • 1. miná ( Famalicão)  |  Abril 15, 2008 at 18:26

    P. Zé Carlos: as suas palavras veem de alguém que tem grande experiência em catequese e são muito importantes em duas «frentes», como aliás frisou; de facto a catequese tem que ser muito motivadora e atraente, ou então a mensagem não passa mesmo; por outro lado, nós catequistas ás vezes somos tentadas a cair no desânimo, por isso bem-aja pelo seu incentivo; de vez em quando faz falta…

  • 2. Carla (Catequista 2º Ano&hellip  |  Abril 16, 2008 at 07:52

    Olá…Já tive oportunidade de expressar a minha opinião durante essa reunião, e concordo plenamente com o P.Zé Carlos..A realidade é que no final de 10 anos de catequese, temos de ter consciencia que nem todos vão seguir AQUELE caminho que nós idealizamos, mas garanto-vos que é muito gratificante ver que um ficou como catequista, outros no grupo de jovens, outros vêm-nos passados anos, e falam de coisas que fizemos na catequese que eu francamente já tinha esquecido…

  • 3. Carla (Catequista 2º Ano&hellip  |  Abril 16, 2008 at 07:54

    Perdi alguns claro, (depois que os pais deixaram de “obrigar”, nunca mais souberam o caminho da Igreja) mas a gratificação daqueles que ganhei (ganhamos) é ENORME!!!

  • 4. Carla (Catequista 2º Ano&hellip  |  Abril 16, 2008 at 07:55

    Ao mesmo tempo, também acredito que mesmo esses que se afastaram da Igreja, têm algo semeado dentro deles e no seu dia a dia, ainda que sem darem por isso, guiam-se por alguns valores que a catequese ajudou a incutir. Uma catequese mais dinâmica, com mais actividades, com mais inovação, com mais …….ajudará a cativar mais os catequizandos de hoje, e a fazê-los “prender” a uma Igreja mais JOVEM E ACTIVA.

  • 5. José Sá  |  Abril 16, 2008 at 13:17

    Olhem para a imagem que ilustra esta entrada: todos temos sementes nas mãos. Sementes que são as nossas crianças, jovens, adultos e até nós mesmos. Quando olhamos para elas, o que vemos? Apenas sementes, ou grandes árvores?
    Dizia alguém que “ser grande é uma atitude”. Sejamos grandes. Mas para sermos grandes, pensemos em grande.

  • 6. miná ( Famalicão)  |  Abril 16, 2008 at 20:47

    Volto a este tema depois de ler os comentários destas catequistas e dou comigo a pensar: na verdade quantos já são os jovens que outrora passaram pelos meus grupos?
    Alguns até já homens feitos!!
    Afinal não sou assim «servo taõ inútil» como por vezes penso!
    Peço ao Senhor que me continue a ajudar a ser «semeador» da Sua Palavra da melhor forma que puder e souber, pois sem Ele «nada posso»
    Força, catequistas ousadas que remais contra as «marés» dos tempos fáceis e atraentes dsta sociedade em que estamos inseridos

  • 7. José Sá  |  Abril 16, 2008 at 21:19

    O que me dá muita alegria é ver este blogue a crescer porque as pessoas partilham as suas experiências e apoiam-se umas às outras. Não nos sentimos tão isolados nesta missão. Criamos uma onda de solidariedade. Vemos que as nossas dúvidas são as de outras pessoas. Recebemos incentivo e incentivamos. É lindo este espírito cristão.Cada vez mais somos uma família.

  • 8. Sonia  |  Abril 17, 2008 at 07:33

    Sempre fui catequista da Infância. Geralmente acompanho desde o 4º até ao 6º ano.
    Também já perguntei a alguns dos meus catequizandos quem era Deus para eles e porque vinham à catequese aprender mais sobre Ele.
    As respostas não foram aquelas que eu gostaria de ouvir. Alguns vão porque os pais mandam, outros porque os pais dizem que eles têm que fazer o Crisma, etc, etc. Mas também já ouvi respostas de desilusão com Deus, do tipo: “Deus não existe. Se Ele existisse não tinha deixado morrer o meu avô. Eu rezei para nada!”. Confesso que nestas situações me sinto um pouco frágil sem saber o que dizer.

    Ora, o que eu acho, é que acima de tudo, uma boa educação cristã começa em casa. Se os pais não são os primeiros catequistas, pouco ou nada adianta o que nós fazemos numa hora semanal.
    Como a Carla disse, no meio de algumas “desilusões” há sempre um ou outro que se vai destacando, e que nos faz continuar.
    E claro, temos que apostar sempre uma Catequese dinâmica e Jovem. Com diversas actividades que os façam sentir bem no meio da Família Cristã!
    Lançamos as sementes à terra, mas sem cuidados elas não florescem para dar bons frutos.

  • 9.  |  Abril 17, 2008 at 09:48

    Uma vez, nos encontros de preparação para o crisma, fiz esta pergunta: que imagem fazem de Deus?
    Diante das respostas, eu respondi: concordo convosco. Diante desse Deus, eu também não quereria nada com Ele. Mas o Deus que eu acredito é outro.
    Talvez o problema se encontre aqui. Uma vez diz uma dinâmica para ajudar os adolescentes a pensar: peguei em várias fotografias (policia, pai, mãe, trabalhador, bombeiro, etc) para que cada um escolhesse a que mais tinha a ver com a imagem que faziam de Deus. Dá para ver muita coisa.
    As pessoas podem conhecer coisas acerca de Deus. Mas não têm uma relação intima com Ele. Aqui reside o problema.

  • 10. Daiana Kuhn  |  Janeiro 15, 2009 at 14:06

    “Não é preciso fazer grandes coisas para o próximo… é a quantidade de amor que colocamos naquilo que fazemos, é que torna bonita aos olhos de Deus a nossa oferenda”.

    Ser Catequista é ser perseverante… é ser fiel à Deus.

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