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Mulheres
Hoje quero lançar uma reflexão, e dar uma oportunidade para que façam a vossa, sobre o papel das mulheres na vida da Igreja.
Há dias, vi um programa televisivo em que abordava as cotas das mulheres na vida pública e política da sociedade. Esta foi a motivação para esta reflexão.
Embora eu não me reveja nessa questão de cotas, porque não considero que seja dessa forma que se coloca a mulher na vida activa da sociedade, com a dignidade que elas merecem. As pessoas deveriam ser escolhidas para os cargos nunca em função do seu sexo, mas da sua competência.
Na Igreja qual o papel da mulher? Nos documentos da Igreja, a mulher pode subir ao altar, mas dão prioridade aos homens. As mulheres ainda são vistas como pecado. Consequência, talvez, da história de Adão e Eva. Mas porque é que havemos de interpretar que Eva tentou Adão? Em primeiro lugar, essa não é a intenção do livro. Depois, o homem é um ser racional e livre, e se caiu em pecado é porque quis. Não consigo concordar com a filosofia barata de que as mulheres são sempre as culpadas e os homens as vítimas. Além do mais, os homens não estão a ver que estão a perder a sua dignidade ao afirmar uma barbaridade destas?
Depois, ao homem tudo é permitido, à mulher tudo é proibido. Será que estamos a reduzir a dignidade da pessoa humana apenas a uma parte do corpo diferente? Pobrezinhos de nós se pensamos dessa forma. Mas esta é uma questão cultural e de educação que precisa de ser reajustada.
A mim, não me repugna nada ver uma mulher nos lugares de decisão da Igreja. Quem sabe até como padres. Que têm elas a menos que os homens? Será que nós ainda não reparamos que se as mulheres fizerem greve na Igreja, ela não funciona? Pensemos nos papeis que é representado maioritariamente por mulheres: catequese, grupo coral, leitores, zeladoras, limpeza, assistência social, e até Ministros Extraordinários da Comunhão. Embora que neste movimento, ainda há muito para andar, porque já estão muito perto de Nosso Senhor, dizem alguns.
Há que mudar de mentalidade. Não por causa de cotas, mas por justiça e dignidade. Se não forem as mulheres a darem um pouco de humanidade à sociedade e à Igreja, ficamos demasiado secos, racionais, autoritários, insensíveis. Mudemos de mentalidade nos pequenos pormenores, para depois chegarmos às grandes decisões. Se um homem tem uma amiga mulher, que pensa toda a gente? Estão a ver que é aqui que precisamos de mudar?!
Tenhamos cuidado com a forma como falamos das pessoas do sexo oposto. Falemos com respeito e respeitemos a dignidade da pessoa humana, seja homem ou mulher. Purifiquemos a nossa mente e o nosso coração da maldade e do preconceito. Deixemos de nos centramos em falsas questões, como a da tentação,em que Jesus apenas escolhe homens, e outras, e não tenhamos medo de tocar na ferida. Não defende que seja apenas uma questão de igualdade, mas de dignidade. A sociedade e a Igreja precisa das mulheres. Só temos a ganhar com isso.
Termino com um obrigado às mulheres das minhas paróquias, pelo seu trabalho, dedicação e carinho a Deus e à Igreja. (E porque estamos a falar de igualdade, obrigado aos homens pela sua colaboração.) Juntos, homens e mulheres, faremos uma sociedade e uma Igreja melhor, mais humana.
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