Igreja

Julho 2, 2008

É fácil apontar o dedos. Difícil é calçar as botas dos que criticamos e fazer o mesmo caminho.

A Igreja é boa. Como é cosntituida e gerida por homens, que erra muito. Mas apesar de todos os erros, continua a ser uma instituição boa e útil.

No entanto, não podemos deixar de colocarmos desafios a nós mesmos. Neste blogue, não pretendemos condenar a igreja. Apenas fazer uma reflexão livre e consciente. Não somos a favor do “carneirismos” alienante. Quando criticamos, fazemo-lo com amor e desejo de construir uma Igreja melhor. E continuarei a fazê-lo, porque estou dentro, conheço-a e quero contribuir para que se actualize, vá ao encontro dos homens e mulheres de hoje, com uma linguagem e postura adequada aos desafios dos novos tempos, adaptando os caminhos e doutrinas, que tiveram a sua época mas que precisam de reajustes.

Há dias falamos das taxas que os bispos aumentaram. Manifestamos o nosso desacordo com tamanho aumento. Também dissemos que as taxas referentes à cúria teremos de as cumprir. Em relação às outras, não.

Mas também não gostei da campanha que a comunicação social fez por causa deste assunto. Eu já não diria nada, se esta posição fosse mais coerente. Passo a explicar: é certo que a taxa, por exemplo, dos casamentos é muito alta. Mesmo sabendo que quem tem o trabalho todo são os párocos, que ainda por cima têm de se deslocar à cúria diocesana para tratar do processo. E a taxa estipulada é inferior, que nem paga o combustível. Na cúria, apenas vêem se está tudo certo, carimbo e 25 €, no mínimo. Mas eu gostaria que a comunicação social também tivesse falado da mesma forma em relação ao registo civil. Há alguns anos atrás, quando o Estado aumentam o valor dos processos de casamento para cerca de 100 € (não tenho presente o valor exacto), ninguém fez tanto alarido. E o trabalho é o mesmo da Igreja. Mais… nós temos a delegação do civil para fazer o casamento. O trabalho é todo dos párocos, que é quem menos leva e tem mais fama de explorar.

Embora não estando de acordo com o aumento das taxas na Igreja, não gosto de a ver exposta desta forma na praça pública, sobretudo de uma forma pouco equitativa. Uma coisa é falar do assunto, informando. Outra, é um ataque implícito e escamoteado por detrás de algumas formas de noticiar. Vejam só o título: “A fé está mais cara”. Por amor de Deus. Que ignorância, ou má vontade, sei lá: não é a fé que está cara; são os serviços.

Entry Filed under: Igreja. .

4 Comments Add your own

  • 1. Adelino  |  Julho 2, 2008 at 22:04

    Estou de acordo e asino por baixo é que tudo o que seja para o estado ao telejornais não disem nada.
    Mas tambem e facil criticar a igreja catolica que vai fazem bem ou mal mas faz.
    Mas as ditas ceitas religiosas pouco fazem e cobram todos os meses o disimo que é igual 10% do ordenado e as pessoas não dizem nada.

  • 2. miná ( Famalicão)  |  Julho 2, 2008 at 22:36

    É lamentável de facto como a comunicação social noticia as coisas!
    No que respeita à religião ou assuntos de fé muitos dos nossos jornalistas se estivessem quietos e calados seria muito melhor , do que escrever ou falar com tanta ignorância! ! !
    Tanto realce querem dar às coisas que dizem cada disparate, que só visto! ! !
    A igreja como instituição, tem falhas, todos sabemos disso, mas há que ter cuidado naquilo que se diz e sobretudo do modo como se diz ou escreve

  • 3. Fabio Santos  |  Julho 3, 2008 at 16:33

    sem comentarios… á respeito de igreja, eu prefiro nem opinar

  • 4. Manuel  |  Julho 4, 2008 at 09:37

    Todos sabemos como funciona a comunicação social.
    Os títulos magnânimes cheios de provocações que em nada dignificam, porque também não o pretendem (vende-se mais), o conteúdo do texto ou o objecto em análise. As condições são economicistas, o lucro imediato. Logo tem o valor ou a importância que cada um de nós lhes pretende dar.

    Mas eu compreendo a vossa indignação, afinal “quem não se sente, não é filho de boa gente”

    Quando tomei conhecimento deste assunto, o comentário que proferi foi:.”Mais caro? Porquê? Quem solicita os serviços da igreja, ou outros, não os deve pagar pela medida exacta do seu real custo?”
    Claro que o padre José Sá, veio a terreiro, através deste seu texto (ou desabafo), reforçar, senão mesmo confirmar, as minhas questões.
    Diz-nos, então, o seguinte:
    “…É CERTO QUE A TAXA, POR EXEMPLO, DOS CASAMENTOS É MUITO ALTA… 25 €, NO MÍNIMO.”
    “…O ESTADO, O VALOR DOS PROCESSOS DE CASAMENTO… 100 €”
    “…QUE QUEM TEM O TRABALHO TODO SÃO OS PÁRACOS, QUE AINDA POR CIMA, TÊM QUE SE DESLOCAR À CURIA DIOCESANA PARA TRATAR DO PROCESSO.”
    “TAXA ESTIPULADA É INFERIOR, QUE NEM PAGA O COMBUSTÍVEL.

    Sei que no próximo Domingo (06 de Julho, pelas 14,30) os paroquianos da Lama vão realizar um Leilão de Oferendas, com o objectivo de usufruir verbas para a conclusão do salão paroquial ou algo no género. Faço, aqui, um apelo, apareçam e, se poderem, licitem, quem sabe se não será um negócio proveitoso para todos.
    Mas o meu desafio é para o padre José Sá, actualize…, actualize as taxas ou dádivas ou seja lá o nome que se lhe queira dar, mas actualize-as com justiça (está com um défice de 75€ em relação ao estado) e acabe de vez com as obras que o consomem (segundo me disseram).

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