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Experiência humana

Setembro 10, 2008

o primeiro passo para uma catequese bem dada, depois do acolhimento, é a experiência humana. É verdade. Mas como a fazemos? Um faz de conta? Ouvimos efectivamente as crianças, no seu mundo concreto e com as experiências vividas? Damos importância a isso, ou estamos a brincar ao faz de conta?! Já se lembraram que, muitas vezes, as crianças não ouvem o catequista, porque este não os ouve primeiro a eles?

Temos de repensar muito bem este passo, reajustar a metodologia, utilizar novas linguagens, incentivar a pesquisa e a reflexão crítica, desenvolver o espírito de respeito pela diferença.

Não podemos fazer das crianças um mero depósito de conteúdos, que o catequista quer transmitir, de uma forma absoluta e inquestionável. Elas desempenham um papel activo no seu próprio crescimento. É preciso envolvê-las na construção da sua identidade e do seu percurso de fé. Caso contrário, o cenário que hoje nos aflije, vai-se agravar: crianças que frequentam a catequese, por obrigação, mas que andam afastadas da prática religiosa, sem uma experiência de fé concreta.

Quando é que abrimos os olhos, somos sinceros e humildes, e reconhecemos que podemos estar a utilizar uma pedagogia e uma linguagem desadequada à realidade de vida das nossas crianças?! Vamos continuar orgulhosamente sós, convencidos de que está tudo bem e continuar a insistir no mesmo discurso e práticas? Temos medo de quê? De tornar Deus mais próximo da humanidade? Mas não foi isso que Cristo veio fazer? E nós a fazer o contrário… a afastar Deus da vida dos homens.

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7 Comentários leave one →
  1. fatima permalink
    Setembro 11, 2008 10:02

    Ler as suas postagens deixam-me sempre terrivelmente insegura, porque concordo inteiramente consigo, mas é muito dificil cominhar por ai…
    Para uma experiencia humana centrada nas necessidades reais dos catequizandos, principalmente aquelas que são mais importantes para eles,

    precisamos conhecer as suas capacidades, interesses,os traços essenciais da sua personalidade, o seu ambiente,nas várias vertentes, não esquecendo a fé…

    (já o nº 152 do DGC, me deixa muito preocupada, entre o que faço e o que deveria fazer!)

    porque o que acontece quando tenho atenção a essas vertentes, é não conseguir (às vezes)sair da experiência humana,
    porque eles mesmo alargam, encontram na sua memória uma Parábola de Jesus que ilumina e dá luz ao assunto.

    Tudo o que tínhamos preparado ficou no saco.

    E quando tenho que avaliar…
    Mais uma catequese sem a rede do”guia”

    Obrigada por me ajudar a reflectir.
    Que o Espírito Santo ilumine todos os catequistas e catequizandos.

  2. Setembro 11, 2008 14:31

    É boa essa insegurança, desde que ela não seja sinónimo de desistência. Esse deve ser o nosso papel com os educandos: retirar o tapete, retirar certezas, questionar, problematizar. Problematizar significa reflectir sobre o porquê do facto e sobre as ligações com outros factos. É o “porquê)”, o “como?”, “será assim?”, “que relação vês entre a tua afirmação e a feita por fulano?”, “haverá contradição entre elas?”, “porquê?”.
    O papel do catequista não é o de encher o educando de conhecimentos, mas sim o de proporcionar, através de uma relação dialógica entre catequista e crianças, a organização de um pensamento correcto, em que se partilha conhecimentos, reflectindo dobre eles, de uma forma crítica.
    O objectivo da Experiência humana é fazer com que as crianças reflictam na sua vida e possam encontrar caminhos diferentes, onde a criança não se limite a repetir, mas a fazer de novo, numa situação nova.
    Se for necessário um encontro inteiro só para isso, se valer a pena, qual o mal? Acho muito bem. O que disse não é o mesmo que deixar as crianças falarem do que querem. É aprofundar, ao máximo, as experiências de cada um. E todas as experiências são legítimas, nenhuma deve ser desvalorizada. Não podemos é ficar só por aqui. Depois precisamos de iluminar essa experiência com uma nova perspectiva: a da Palavra de Deus (falaremos a seguir deste tema).
    Temos de ser pessoas livres, que se adaptam às circunstâncias. O guia é apenas isso: uma orientação. O catequista tem de saber adaptar. O importante é envolver as crianças, de uma forma activa.

  3. Setembro 12, 2008 01:03

    A catequese deve ser um encontro em que se busca o conhecimento, a partilha, a reflexão, e não o lugar em que temos apenas de transmitir algo. Por isso se fala em “fazer catequese” e não em “dar catequese”.

  4. Manuel permalink
    Setembro 13, 2008 18:28

    - “Era uma vez um ratinho que vivia numa cidade muito famosa pelas universidades e centros de pesquisa que ali existiam. O ratinho achava-se muito inteligente, principalmente porque morava dentro da biblioteca de uma das universidades e todos os dias comia pelo menos 1 livro. Ficava entusiasmado com a quantidade de conhecimento que estava adquirindo e muito motivado pelos elogios que recebia, pelos cargos que estava conseguindo alcançar junto da comunidade dos ratos. Coitado do ratinho, vivia tomando remédios para fazer logo a digestão. Um certo dia estava muito animado com as novas pesquisas que estavam fazendo na faculdade que resolveu se alimentar de todos os estudos feitos sobre um determinado assunto. Ficou com a barriga enorme e,…, passou mal o dia todo. Nessa noite, o ratinho morreu de tanto ‘conhecimento’ que havia adquirido naquele dia. Bem, pelo menos morreu feliz. Ele ficou conhecido em toda comunidade como o ratinho mais inteligente do mundo”. (extraído de um texto da Arquidiocese de Belo Horizonte)

    Não estava a pensar fazer qualquer comentário a este tema, os pensamentos que tinha sobre o assunto eram vagos, sem consistência, aliados ao facto de não estar inserido no movimento evangélico catequético. Só que hoje precisei de me refugiar, de estar comigo, com a minha consciência, de buscar ajuda. Foi nessa procura de ajuda que encontrei esta fábula e que me pareceu oportuna.

    Quase sempre agimos da mesma maneira, buscamos o conhecimento ou divulgamo-lo sempre da mesma forma. Mesmo que, com isso, só estejamos a “comer papel” (ou a dá-lo).

    Não mudamos, não queremos mudar, temos medo de mudar.

    Ficámos satisfeitos com os resultados finais e, para o ano, há mais crianças a evangelizar.

    Parece-me uma atitude cómoda, confortável… mas preocupante.

    A comunidade católica está a diminuir, pelo menos em Portugal, não por culpa dos catequistas ou catequizandos, que se esforçam, mas pelos métodos que, o Padre José Sá, questiona serem os mais adequados.

    Aliás, este não é um problema novo, já em 2005 estava identificado, pela Conferência Episcopal Portuguesa, como poderão consultar em:

    http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=21007&seccaoid=9&tipoid=3

    Pois é! Nada mudou e nada muda!

    Já no “meu tempo” de catequese me enfadava com aquela “lenga-lenga” (desculpem-me a expressão), mas era cansativa, amorfa, parada e sempre mais do mesmo. A Catequista falava e nós, os catequizandos, ouvíamos e/ou repetíamos, em uníssono, as rezas que “forçadamente” tínhamos que aprender.

    Hoje, tenho dificuldade em motivar o meu filho em ir para a catequese, as queixas dele são as mesmas que eu tinha há 35 anos atrás.

    Já me perguntei… porquê?

    Permitam-me colocar quatro questões:

    - Porque é que as aulas de Religião e Moral nas escolas são, pelo menos para mim foram, mais apelativas?

    - Porque é que as crianças são mais participativas, partilham mais, convivem mais, nos Grupos de Jovens?

    - O que está a faltar à Catequese para se tornar numa Religião e Moral ou num Grupo de Jovens?

    - Porque não se aproveita a vivacidade das crianças, a suas sinergias, as suas curiosidades, principalmente a curiosidade em aprender, em conhecer, em saber mais?

    Há que desembrulhar, aquilo que o Padre José Sá dizia num dos seus artigos, “um belo presente” e dá-lo de outra forma, mais entusiasta, mais alegre, mais perceptível.

    Quem sabe, se a culpa deixa de ser das famílias desagregadas e são as próprias crianças a dizer “mãe/pai, hoje tenho catequese, eu quero ir à catequese”.

    Não há que ter medo de transgredir, pode até ser bom.

  5. Setembro 13, 2008 19:37

    Ainda há uns dias um Bispo, que ainda não entrou no sistema, dizia que cada um deve desenvolver o seu projecto, e não estar à espera de aprovação. Sejamos ousados. Saibamos justificar a nossa ousadia, mas avancemos. Cito uma frase de Jesus: “Não deitem um remendo de pano novo em vestido velho”. É verdade. Não andemos a maquilhar as coisas, tal operação cosmética. É preciso pensar criticamente, conhecer o nosso público-alvo, e utilizar uma prática nova.
    “Uma sociedade fechada, quando sofre pressão de determinados factores externos, despedaça-se, não se abre” (Paulo Freire). A igreja tem de abrir, e parece que esse trabalho tem de começar pelas bases. De cima já vimos que não se espera nada, apenas tudo do mesmo. Procuram tratar as pessoas como crianças para que continuem sendo crianças. Precisamos de desenvolver um atitude que face ao novo, não repele o velho por ser velho, nem aceita o novo por ser novo, mas aceita-os na medida em que são válidos.
    O segredo do sucesso está em envolver as crianças no seu processo de educação. Ouvi-las, entrar no mundo delas, para que elas aceitem vir ao nosso. O importante, hoje, na igreja, não é levar as pessoas para o céu, mas como trazer o céu à terra e à vida das pessoas.

  6. Manuel permalink
    Setembro 14, 2008 01:19

    “Não deitem um remendo de pano novo em vestido velho”

    Gostava de citar um amigo de há 30 anos, um tirsense que me ajudou, que me ensinou muito das coisas que sei, hoje já reformado. Dizia-me, o Sr. Trepa, que: – “só sabemos que uma ideia é boa, quando a colocarmos na prática, depois de a experimentar”.

    Sendo o “vestido velho” as práticas catequéticas evangélicas vigentes, cujos resultados se traduzem na perda, cada vez mais acentuada, de praticantes católicos, nomeadamente após a 1ª. Comunhão, julgo ser oportuno remendá-lo com “panos novos”, tantos (remendos), quantos os necessários para que o vestido se torne novo.

    Não devemos mudar bruscamente os métodos, por muito maus que sejam, sob pena de se perder as coisas boas que tem, para além de não sabermos se resulta.

    Discordo da citação de Paulo Freire. É obvio que os factores de pressão são internos. Como bem diz o Padre José Sá, existe “um sistema” que quer tratar todas as pessoas como crianças para que elas continuem a ser crianças.

    Permita-me terminar com os últimos versos da “Pedra Filosofal”
    “…
    Eles não sabem, nem sonham,
    Que o sonho comanda a vida.
    Que sempre que um homem sonha
    O mundo pula e avança
    Como bola colorida
    Entre as mão de uma criança.”
    (António Gedeão)

    Não sonhem apenas, mostrem do que são capazes, tal como o mundo, uma criança não pára.

  7. marisa permalink
    Setembro 16, 2008 18:11

    Uma amiga contou-me um pouco estupefacta com a resposta que o filho de 8 anos lhe deu quando o avisava da consulta do dentista
    - “Mãe nesse dia tenho catequese não posso ir ao dentista”
    A mãe disse-lhe que faltava, porque é difícil marcar as consultas.
    Resposta ” Isso não pode ser, o dentista está lá todos os dias e catequese é só neste dia, e eu não quero faltar!”

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