Posts filed under 'Aprender'
Estratégias… que façam pensar
Os grupos, seja na catequese, ou na escola, passam por momentos de tensão, rivalidade, situações problemáticas. A reacção, mais frequente, da catequista, ou do professor, conforme o caso, é passar logo à repressão, com um longo sermão moralista e o castigo correspondente. Este é o caminho mais fácil, mas talvez o menos produtivo.
A solução poderá passar por encontrar estratégias que façam pensar, de uma forma crítica, sobre as situações em causa. Se o grupo chegar às soluções sozinho, com a orientação do formador, então, essas lições são fortes, perduram e transformam a realidade.
Diz Paulo Freire, grande pedagogo, que a pessoa que é “enchido” por outra de conteúdos, lições, cuja inteligência não percebe, e de conteúdos que contradizem a forma própria de estar no seu mundo, sem que seja “desafiado”, não aprende. Aprende-se melhor na problematização crítica das situações complicadas.
Não há remédios absolutos e defnitivos para todos os males. Existem é estratégias capazes de ajudar a minimizá-los. Ouçamos, e ajudemos a reflectir, de uma forma crítica. Não acusemos, logo à partida. Utilizemos a arma da compreensão e do diálogo, intenso, coerente, lúcido, aberto e crítico, capaz de fazer pensar. Não esperemos uma resposta coerente, de imediato. Muitas vezes, os resultados aparecem posteriormente, em situações concretas. Talvez não precisemos convencer ninguém. No silêncio da consciência, a voz interior fala mais alto. Sem confrontos, sem sermos acusados, torna-se mais fácil a correcção. Acho eu!! Da vossa experiência, que vos parece?..
2 comments Setembro 3, 2008
Transgredir… também pode ser bom!..
Quando falamos de transgressões, facilmente somos levados a pensar numa visão negativa e a pensar mal da pessoa que transgride. Evidentemente que essa realidade pode estar presente. Mas não haverá uma perspectiva mais positiva da transgressão? Transgredir, de trans-gredior, significa dar um passo além de. Só quem ousa transgredir, de uma forma responsável, encontra novos caminhos, jamais trilhados. Falo de responsável, porque exige-se consciência e reflexão. Pode não sair bem à primeira, mas deixa um trilho. Devemos aprender a ter uma atitude crítica que nos leve a questionar e a procurar novos caminhos.
Uma história para ajudar a reflectir:
A tartaruga acaba de deixar o seu esconderijo para um passeio nocturno. O sapo vê-a a sair de casa àquela hora, e adverte-a: “A esta hora não é muito aconselhável sair, tartaruga”. Mas a tartaruga continua, e, arriscando um passo mais longo, vê-se virada de patas para o ar, sobre a sua própria couraça. O sapo exclama: “Eu bem te avisei, tartaruga; é uma imprudência sair a esta hora; morrerás aí!” “Bem sei, mas é a primeira vez que estou a ver o céu estrelado!”
2 comments Agosto 20, 2008
Comentários
Olá a todos. Eu não tenho lançado muitos artigos neste blogue, porque pretendo que os visitantes aprofundem os temas já lançados. Existe uma tendência acentuada para os esgotar numa simples leitura, numa passagem por um ou outro comentário, por uma impressão, e pouco em reacção concreta. Gostaria que os visitantes não se limitassem a ler. Mas que reflectissem, de uma forma crítica, aquilo que aqui é exposto. Gostariam que lessem os comentários inseridos, e que também eles fossem considerados como um artigo do autor, e que merecem ser lidos e comentados. Comentem os comentários. Este blogue não pretende ser apenas um diário pessoal. O nosso objectivo é reflectir, partilhar, aprender, divulgar. Aguardamos por vocês.
4 comments Julho 14, 2008
Do saber calar
Tão pertinente este artigo de Paulo Coelho:
Existem pessoas que estão sempre falando obsessivamente sobre si mesmas, e estas nunca conseguem resolver seus problemas.
Precisamos saber calar. Existem momentos em que a melhor maneira de resolver nossas coisas é aguentando firme. Nestas horas, fica difícil até mesmo procurar um sentido espiritual para nossa vida. Este sentido existe, independente de compreendermos ou não, mas se não conseguimos vê-lo, não adianta forçar a barra.
Os hindus chamam isto de “yoga da inacção”: sair de si mesmo e olhar–se como se fosse outra pessoa. Observar os próprios gestos, as preocupações, o medo.
Quando conseguimos isto, todos os falsos problemas desaparecem. Então temos tempo e calma necessários para resolver o que realmente precisamos.
3 comments Junho 3, 2008
Educar
Diz Cury: “Educar é viajar pelo mundo do outro sem nunca penetrar nele. É usar o que passamos para nos transformar no que somos.
O melhor educador não é o que controla, mas o que liberta. Não é o que aponta erros, mas o que previne. Não é o que corrige comportamentos, mas o que ensina a reflectir. Não é o que observa o tangível, mas o que vê o invisível. Não é o que desiste facilmente, mas o que estimula sempre a começar de novo.
O educador por excelência abraça quando todos rejeitam, anima quando todos condenam, aplaude os que nunca subiram ao pódio, vibra com a coragem de competir dos que ficaram em último lugar. Não é viciado em ensinar, mas o mais ávido em aprender.”
Add comment Maio 5, 2008
Boas embalagens
Os padres dos dias de hoje devem saber competir na grande feira da comunicação onde a mensagem do evangelho, transmitida por meio da pregação, está arrumada a um canto e não passa de um produto de pequena dimensão. Este foi o desafio deixado em Braga, Arturo Merayo, professor da Faculdade de Ciências Sociais e da Comunicação de Múrcia, Espanha.
No decorrer do encontro de formação para o clero, continuava alertando para a necessidade de preparar “boas embalagens” que sejam capazes de “aguçar o apetite” para o conteúdo. É necessário estar desperto para as “necessidades e motivações do auditório” que se tem pela frente, numa adaptação constante ao mundo real. “Às gentes do século XXI só se chega pelo coração“. Uma vez chegados ao coração, também se pode chegar à cabeça, à razão.
Isto que o orador disse para os padres, aplica-se a todos os agentes da evangelização.
Esperemos que quem o ouviu, e quem o convidou (bispos) dêem eco às suas palavras, e mudem as estratégias enquanto é tempo. Amanhã é tarde.
1 comment Maio 2, 2008
Catequese e tecnologias
Vi na revista catequistas, de Janeiro de 2008, ed. salesianos, esta pergunta de uma catequista:
“É possivel concorrer com as novas tecnologias? Os miúdos usam tudo o que é tecnologia. Na catequese estamos limitados a uns cds, uma ou outra apresentação Powerpoint, e pouco mais. Não é uma luta desigual? Porque é que não se investe em ‘imagem’, em ‘vídeos’ de qualidade, em ‘jogos de computador’, coisas para telemóveis, sei lá, para tornar a catequese mais actual?”
A resposta da revista é a seguinte (em síntese): Muito do que se refere a “Igreja” tem cheiro a mofo e a sacristia. A catequese tem grandes concorrestes (a televisão, a playstation, os telemóveis, os mp3…) e uma necessidade cada vez mais urgente de novas propostas: menos discursos sisudos, parcos de experiências significativas, e mais propostas do nosso tempo e para o nosso tempo. Mais dinâmica e mais vida com os tempos. Ao responder à tua questão, quero ser uma provocação: se a necessidade é assim tão sentida, porque é que não aparecem coisas ‘bem feitas’ e catequeticamente ricas? Nunca foi tão fácil fazer um vídeo, gravar uma canção, fazer um powerpoint… mas no entanto, não vemos nada! Em encontros com catequistas vejo que a malta anda à procura da novidade. Do novo que não existe. Das críticas que tenho ouvido aos novos catecismos é que não trouxeram nada de novo: é palavra e mais palavra. Pouco ‘estar com os tempos novos e as suas linguagens’. E se perdemos o âmbito das novas linguagens na catequese, perdemos a possibilidade de comunicar o evangelho de Jesus às crianças, aos jovens, às mulheres e homens do nosso tempo. Mas reconhecer isto não me parece suficiente. Sabemos analisar a realidade mas sem darmos respostas concretas e coerentes.
Temos de nos deixar de lamúrias e dar um passo em frente. Com coragem e coerência. (…)
Temos de aprender a partilhar mais e melhor o bom que vamos fazendo. Criar plataformas de encontro e partilha autêntica. Criar uma mentalidade nova. Que arrisca. Que dá cartas. Com qualidade e com gosto”.
Assino por baixo a resposta do Sérgio Morais. Eu sou um defensor daquilo que ele fala. Este espaço é uma tentativa de concretizar o que defendemos. Mas que os salesianos me permitam este desabafo: em 1º lugar dou-lhes os parabéns porque são quase a única instituição que faz algo. O secretariado da catequese precisa melhorar muito os conteúdos. Em 2º lugar, porque é que os preços que pedem pelos seus trabalhos são tão proibitivos? Quando se fala em partilha, concretizemos isso com outros preços mais acessíveis ou de graça. Estou em pensar num cd “viver no amor” que tem um custa demasiado alto. Peguei no texto, refiz toda a montagem e gravação e está no youtube e neste blogue…. de graça. Não quero elogios. Apenas desejo que a partilha que todos apregoamos seja uma realidade. E que não fiquemos apenas à espera daquilo que os outros fazem. Vamos à luta. Façamos a nossa parte. Outros fazem melhor, podemos pensar. Está bem. Mas quando começaram também foram dando pequenos passos, mas sem medo. Souberam arriscar. Não desistamos. E não tenhamos medo das críticas.
Quem já produziu conteúdos, ou descobriu alguns, partilhem. Mandem para o meu mail e eu os colocarei neste blogue, no espaço partilha, que se encontra na coluna da direita
6 comments Janeiro 31, 2008
Jogos biblicos e outros
Porque a vida não é só reflexão, e porque é importante a diversão, convido-vos a visitar esta página onde poderão encontrar jogos bíblicos e generalistas. Divirtam-se… e aprendam jogando
10 comments Dezembro 11, 2007
Os reais alunos
Neste filme, embora em inglês, conseguimos vislumbrar de uma forma mais clara aquilo que se vai afirmando acerca da nova forma de aprender dos alunos. Isto acontece na escola e o mesmo sucede na catequese. Até quando ficaremos indiferentes a esta realidade?
Add comment Novembro 2, 2007
Música gravada na catequese
A música faz parte da nossa vida. E da vida dos nossos jovens muito mais. Música é vida, é dinamismo, faz sonhar, transmite mensagem.
Fica-me, no entanto, uma dúvida: será que as pessoas prestam atenção à letra que ouvem nas músicas? A melodia deve ser o que mais lhes interessa.
Existem vários cd’s e cassetes de música gravada para apoio às catequeses. Pergunto: será pedagógico colocar um cd a tocar para os jovens ouvirem? Será que conseguimos cativar a sua atenção? Eu tenho as minhas dúvidas. Qual a solução?
Está estudado que nós assimilamos muito mais e melhor aquilo que nos entra por um número maior de sentidos. Quantos menos sentidos estiverem envolvidos, menos eficaz resulta. Na minha opinião, temos duas alternativas: uma passa por se cantar mesmo, mas sem apoio do cd. Isso é para o catequista aprender em casa. Com o apoio de um instrumento seria melhor. Mas para além de cantar, se conseguíssemos dramatizar as músicas com gesto ou mímicas, conseguíamos utilizar mais sentidos, e como consequência, maior eficácia.
Uma outra solução seria a utilização da música gravada. Mas não apenas a música. Se fizermos uma apresentação, por exemplo no Powerpoint, em que utilizamos também imagens e até texto, conseguimos utilizar mais sentidos, e prendemos muito mais a atenção deles.
As pessoas já estão saturadas de tanto ruído. Os jovens já estão saturados de ouvir tanta música, no MP3, nos próprios telemóveis… temos de inovar…. temos de surpreender… temos de apelar ao espírito imaginativo, à capacidade de sonhar.
Mas se eu não sei trabalhar com o computador, ou não tenho meio, ou…. nesse caso… façamos aquilo que sabemos… mas os resultados serão proporcionais…
Pensem sempre…. se eu fosse jovem e me fizessem as coisas deste modo… eu gostaria?
A lei do menor esforço não traz resultados muito positivos e duradoiros.
O ideal até seria que conseguíssemos sintetizar cada catequese numa apresentação multimédia… na minha opinião, seria fechar uma catequese com chave de ouro, porque aquilo que eu vejo, ouço e toco não desaparece tão facilmente da nossa memória. As palavras depressa são esquecidas. Não tenho dúvidas nenhumas.
Argumentação: Eu não sei trabalhar com o computador. Solução: em vez de tantos cursos do mesmo, porque não inovar os conteúdos. Posso dar uma formação de como fazer uma apresentação. Mas isto não tem nada a ver com a catequese. Será? Aprender a apresentar a palavra de Deus de uma forma mais atractiva e eficaz não tem nada a ver com a catequese?
Se recebessem uma prenda, até pode ser muito valiosa, embrulhada num papel de jornal, todo amarrotado… que pensariam? E a Palavra de Deus como a apresentamos? Não adianta pensar que estou a fazer bem. Perguntemos antes: “está a resultar?” Não adiante argumentar dizendo que os jovens agora não ligam. Se não ligam, que podemos fazer para que liguem? Nós é que temos de ir ao encontro deles e cativá-los.
Outros poderão dizer: eu levo o computador paras as reuniões… eles não ligam. Atenção: o computador é apenas uma ferramenta. O que fazemos com ele? O que mostramos?
Não sabemos o que fazer para agradar aos jovens. Respondo:já lhes perguntaram? Já os ouviram? Conhecem os seus gostos e a sua vida?
Add comment Outubro 27, 2007