Posts filed under 'Assertividade'

Arte de ouvir

Estranho mundo este, em que vivemos. Cheio de contrastes e tão antagónico. Nunca como hoje, temos auto-estradas, carros rápidos, máquinas para tudo, lavar roupa, aspirar. Tudo em nome de mais rapidez e poupança de esforços para termos mais tempo para outras coisas. Nunca como hoje temos tantos modos de comunicar, do qual a internet e o telemovel são o expoente máximo. E talvez, nunca como hoje, se comunica pouco, e se tem menos tempo. Menos tempo para os outros, para a família, para Deus, e até para nós próprios. Não temos tempo para cuidar do nosso asseio, e do nosso interior, como tempo para a leitura, a reflexão , a contemplação. Cada vez mais andamos stressados, angustiados, deprimidos. O processo para atingir a felicidade está a dar provas de impotência.

As pessoas cruzam-se diariamente, participam em eventos sociais,  mas permanecemos sozinhos, isolados dentro de nós mesmos. Falamos de tudo, damos conselhos, mas continua a ser difícil falarmos de nós mesmos, da nossa história, do nosso pensamento.

Algo que também ajuda a esta situação, é a dificuldade de encontrarmos alguém que tenha desenvolvido a arte de ouvir. Alguém que não julgue, que saiba colocar-se no lugar do outro, que não se limite a conselhos superficiais, capaz de entender o outro no seu contexto de vida, respeitador dos limites e fragilidades, capaz de perceber os sentimentos mais profundos e captar os pensamentos que as palavras não expressam.

Esta solidão amplifica a solidão interna, que pode conduzir ao abandono da nossa vida. Não dialogamos connosco, não discutimos os nossos problemas. E uma pessoa que não dialoga consigo, que não se escuta, que foge de si mesma, pode ficar rígida e implacável consiga mesma, desenvolvendo sentimentos de culpa e destrutivos da sua auto-estima. Pode conduzir outros à alienação, à ausência de formulação de objectivos de vida, de tomada de consciência de si e dos outros. Estas pessoas revestem-se de uma carapaça de insensibilidade, dureza, orgulho. Mas no fundo sabem que não são assim, apenas se recusam a confrontarem-se. Daí que, tanto uns como outros, tenham dificuldade de se olharem ao espelho.

Jesus apresenta uma proposta de felicidade que passa pela consciência de nós mesmos, de aceitação dos limites, e de reconhecimentos das qualidades. De amor próprio, e de amor ao próximo. Uma proposta que ajuda a desenvolver a arte de ouvir, por nós e pelos outros. Uma proposta de paz interior. Sem ela, ninguém é feliz. Uma proposta de verdade com o nosso interior, a nossa mente. Uma proposta de abertura à novidade, para sabermos contemplar e apreciar o belo e o prazer, e de aprendizagem com os invernos da existência. A felicidade não é uma estrada apenas com retas. Jesus ensina-nos a sermos felizes nas retas e nas curvas da vida.

Nas sociedades modernos, fazer amigos está a converter-se num artigo de luxo. Porque as pessoas não têm tempo para fazer amigos. Porque é preciso tempo para criar laços, para cativar e deixar-se cativar. O amigo cultiva-se e conquista-se. E se queremos ser felizes, temos de ter tempo… para o essencial. A felicidade não é uma meta, e um estado definitivo. É um caminho…

3 comments Novembro 2, 2009

Estilos de animação

Nos últimos artigos, temos vindo a reflectir sobre a catequese como um projecto e do que isso significa. Esta é uma ideia que precisa de ser ainda muito amadurecida e reflectida. Neste espaço desejamos promover a mudança de mentalidade, o despertar a reflexão, e a consciência audaz de que melhor é possível. Pretendemos realizar um encontro com todos os catequistas interessados nesta temática. Pretendo depois sujeitá-la à opinião de pessoas credenciadas no domínio das ciências da educação. Faz falta à igreja a humildade de dialogar com as diversas ciências. Eles estão disponíveis e apreciam. Sou testemunha disso mesmo.

Com a implementação desta metodologia do projecto, os papeis do catequista terão de ser substancialmente distintos. Já falamos um pouco acerca disso. Não nos vamos repetir. Apenas partilho os diferentes tipos de animação, o mesmo será dizer, os diferentes tipos de catequistas.

Irão descobrir, facilmente, qual o estilo que se recomenda…

ESTILO TIPO DE PARTICIPAÇÃO
Autoritário - Tudo o que é feito é obra do animador.
- A participação do grupo será pouca e a sua criatividade inexistente; consistirá “no que fizer o animador”.
- Os membros não se sentem motivados para a tarefa a desenvolver.
Permissivo (laisser faire) - Amálgama de realizações ditadas por impulsos, pelos líderes da altura, por preferências: disto gosto, não gosto daquilo, apetece-me, não me apetece.
- Normalmente, as concretizações são banais.
- É possível que o que foi começado seja abandonado.

- Cada um faz o que quer, como quer e quando quer.
Democrático ou
Cooperativo
- Participação de todos, orientada e sustentada.
- Procura-se que cada um se sinta bem fazendo o que sabe e aquilo em que pode fazer render as suas capacidades e contribuir com a sua originalidade.
- Acaba-se o que se começou.
- O animador ensina a ver o caminhar para o objectivo programado como objectivo em si, investindo também na relação afectiva com cada membro do grupo. Esta combinação multiplica a eficácia.

2 comments Junho 29, 2009

As lições do bambú

Depois de uma grande tempestade, um rapazinho que estava a passar férias em casa do seu avô, chamou-o, da varanda, e disse:
-Vovô, vem cá depressa! Explica-me porque motivo é que o tronco desta árvore tão frondosa e tão grande, que precisava de quatro homens para a abraçar, se partiu, caiu com o vento e com a chuva, e… este bambu tão fraco continua de pé!
-Olha, meu filho, este bambu permanece de pé porque teve a humildade de se curvar na hora da tem­pestade. Aquela grande árvore quis enfrentar o vento. O bambu ensina-nos sete verdades. Se tiveres a grandeza e a humildade dele, vais experimentar o triunfo da paz no teu co­ração.
E o bom do velhinho prosseguiu a sua lição ao seu querido netinho interessado em aprender:

A primeira verdade que o bambu nos ensina, e a mais importante, é a humildade diante dos problemas, diante das di­ficuldades. Eu não me curvo diante do problema e da dificuldade, mas diante daquele que é o único princípio da paz, que é o Senhor.

A segunda verdade: o bambu cria raízes profundas. É muito difícil arrancar um bambu, pois o que ele tem para cima, tem também para baixo. Tu precisas de aprofundar, em cada dia, as tuas raízes em Deus, nas tuas orações.

A terceira verdade: Tu já viste um pé de bambu sozinho? Apenas quando é novo, mas antes de crescer ele permite que nasçam outros a seu lado. Sabe que vai precisar deles. Eles es­tão sempre bem agarrados uns aos outros, de tal forma que de longe parecem uma única árvore, parecem uma família… Às ve­zes tentamos arrancar um bambu lá da moita que eles formam. Tentamos cortar e não conseguimos. Os animais mais frágeis vivem em bandos para, desse modo, se protegerem dos predadores.

A quarta verdade que o bando de bambus nos ensina é não criar galhos. Como a sua meta é o alto e vive em moita, em comunidade, o bambu não quer criar galhos. Nós perdemos muito tempo na vida a tentar proteger os nossos galhos, coisas insignificantes a que damos um valor inestimável. Filho, para ganhar é preciso perder tudo aquilo que nos impede de subirmos suavemente.

A quinta verdade é que o bambu está cheio de “NÓS”, e não de “EUS”. Como ele é oco sabe que, se crescesse sem nós, seria mais fraco. Os nós são os problemas e as dificuldades que superamos, são as pessoas que nos ajudam, aqueles que estão próximos e acabam por ser uma força nos momentos difíceis. Não devemos pedir a Deus que nos afaste dos problemas e dos sofrimentos. Eles são os nossos melhores professores, se soubermos aprender com eles e simplesmente passar por eles.

A sexta verdade é que o bambu é oco, vazio de si mesmo. Enquanto não nos esvaziarmos de tudo aquilo que nos enche, que nos rouba o tempo, que nos tira a paz, que ocupa os nossos pensamentos, não seremos felizes. Ser oco significa estar pronto para ser ocupado pela luz do Espírito santo.

Por fim, a sétima verdade que o bambu nos dá é exacta­mente o título de um livro: “Ele só cresce para o alto“. Ele busca as coisas do Alto. Esse é o seu destino. Essa é a sua meta.
Sejamos como o bambu: ele verga mas… não quebra.
(Padre Léo, do livro “Buscando as coisas do Alto”)

1 comment Junho 26, 2009

É possivel…

2 comments Junho 25, 2009

Coração

A palavra hebraica leb, traduzida por coração, designa o centro da interioridade do ser humano, a sede do conhecimento, da memória, da vontade, das paixões e da coragem. O coração é a nascente, a fonte do ser humano.

A tradição rabínica relaciona leb (coração, com bl (não) para dizer que o coração é importante. É só no coração que se pode dizer sim ou não. Daí é que brotam as verdadeiras palavras, as verdadeiras decisões, as verdadeiras opções. Com a palavra coração, diz-se tudo o que é belo, verdadeiro e bom. Coração evoca bem o mistério de Deus e sigila a verdade mais densa do ser humano. (Adérito Barbosa).

Por isso, façamos as pazes entre o coração e a razão, para que a vontade nos traga paz e não deixe que ninguém no-la roube. Ouçamos a nossa voz interior. É também lá que Deus no fala. Porque teimamos em ouvir mais os outros que o nosso próprio coração (não falo apenas de paixões, mas de sonhos, vontades…)? É la que mora a nossa criança, tantas vezes adormecida. Jesus disse que a vida está em quem ouve e deixa viver a criança que vive em cada um. Porque perdemos a tranquilidade, carregados por um passado que ja não existe, e pela inquietação de um futuro incerto? Diz Jesus: cada preocupação a seu tempo. Vivamos com mais consciência de nós e do que nos circunda.

E se parássemos um pouco, neste momento, fechemos os olhos, e tentemos ouvir o nosso coração, a nossa mente, os nossos sons, imaginar o nosso espaço…

Que tal? Surpreendido?

2 comments Junho 5, 2009

Vida além do nevoeiro…

Não ardia o nosso coração enquanto nos explicava as coisas? Recordo muitos momentos em que o coração se me abrasa. É uma experiência muito simples. Ouço, escuto, e dentro de mim se acende uma luz, uma intuição, uma palavra que brota, uma ideia que se clarifica, que se ilumina, que sinto que é possível, apesar das dificuldades… Outras vezes, esta experiência acontece-me quando falo com alguém que, além de me encher de paz e de me livrar de medos, lança luz sobre um problema ou sobre a minha vida…
Nem sempre a vida pessoal, familiar ou comunitária é luminosa. Como o decorrer do ano, a vida tem estações, e também fenómenos meteorológicos como os nevoeiros.
Nem sempre é fácil atravessar o nevoeiro de quem não sente auto-estima suficiente, de quem perdeu a confiança em alguém, de quem está decepcionado com pessoas ou instituições concretas… Um amigo costuma dizer-me: “Tu dizes-me que o que escrevo é bonito e está bem, mas não penses que é fácil para mim aceitá-lo. Duvido de tudo. Não tenho confiança em mim próprio. Tudo me parece pobre…”.
Um sinal de ressurreição é “abrir os olhos” e descobrir o valor daquilo a que não damos valor ou valorizarmos a nós mesmos e aos outros… E faz falta verdadeira sabedoria para ligar os vários pontos da vida e a façam ser significativa. Assim poderemos acreditar e sentiremos que o coração “arde realmente”.
(in Páscoa, tempo de oração, ed. salesianas)

1 comment Abril 25, 2009

Indisciplina

Quando alguém, sem motivos, se zanga e discute connosco, sendo antipático e agressivo.
“- Certas pessoas vivem zangadas com alguém, zangadas consigo próprias, zangadas com a vida. Então, elas começam a criar uma espécie de peça de teatro nas suas relações, e escrevem o guião de acordo com as suas frustrações.
- Eu conheço muita gente assim. Sei do que falas.
- O pior, porém, é que las não podem representar essa peça de teatro sozinhas – continua. – Então, começam a convocar outros actores.
Foi o que o sujeito lá fora fez. Queria vingar-se de alguma coisa, e escolheu-nos para isso. Se tivéssemos aceite a sua proibição, estaríamos agora arrependidos e derrotados. Teríamos aceite fazer parte da sua vida mesquinha e das suas frustrações.
a agressividade deste senhor era visível, foi fácil evitar que contracenássemos. Outras pessoas, no entanto, ‘convocam-nos’ quando começam a comportar-se como vítimas, reclamando contra as injustiças da vida, pedindo para que nós concordemos, aconselhemos, participemos.
Ele olhou-me dentro dos olhos.
- Cuidado – disse. – Quando se entra nesse jogo, sai-se sempre a perder.” (Paulo Coelho)

Não pensemos sempre que fizemos algo de mal. Muitas vezes, são as pessoas que não estão bem, e precisam de alguém contra quem descarregar as suas frustrações. Não deixemos que a indisposição dos outros nos derrube. Que o nosso estado de espírito não dependa de terceiros, mas de nós mesmos, do nosso querer.
Por vezes optamos ser vitimas das circunstâncias.
“Porque você acreditou que eu podia agir acertadamente, eu agi assim” (Paulo Coelho)

9 comments Março 17, 2009

Só amanhã…

3 comments Março 12, 2009

Criatividade: solução

Aqui fica a solução: para se resolver os problema, unir os 9 pontos com 4 rectas, é preciso não nos limitarmos aos limites que os pontos estabelecem. Ora vejam:

unir-pontos-solQual a mensagem que retiramos deste exercício: nunca foi dito que não se podia sair dos limites dos pontos. Mas, tal como na vida, temos muito medo de inovar, de caminhar por veredas desconhecidas, nunca antes trilhadas. Lembro-me da história do rei que vai nu. Ninguém tem coragem de dizer o que pensa, apenas uma criança. Vivemos com muitos preconceitos e medos. Fugimos ao que sentimos, fugimos a expressar a nossa opinião, com medo do que os outros possam pensar ou dizer. Dependemos demasiado da concordância de terceiros. Vivemos demasiado conformados e instalados na rotina. Muitas vezes, a solução está na forma como resolvemos este jogo: sair fora dos limites, aparentemente impostos, muitas vezes por nós próprios, por acharmos que não somos capazes ou não temos direito. é preciso ser diferente. É preciso sermos iguais a nós mesmos. É preciso, às vezes, sair… não de uma forma irresponsável, mas reflectida e corajosa.

1 comment Fevereiro 10, 2009

Esquece…

Ouvimos e dizemos muitas vezes esta afirmação. Como se isso fosse possível.  E ainda bem que não, caso contrário estariamos com algum problema mental. O que nós somos hoje deve-se à nossa história de vida, às nossas recordações boas ou más. Se as boas não nos importamos de recordar, quanto às más, ou causadoras de sofrimento, seria bom ter um botão para desligar, ao menos de vez em quando.

Não peçam o impossível nem tentem concretizá-lo. O segredo é integrar. É preciso aprender a viver com isso, integrá-lo nos nossos esquemas mentais e afectivos. Se é bom, valorizemos. Se não nos faz bem, desvalorizemos. Não concentremos a nossa atenção nisso. Como é que isso se faz? Com luta, força, coragem, e substituindo esse acontecimento ou situação por algo positivo. Tenhamos pensamento positivos, a começar na opinião que fazemos de nós e na fé nas nossas capacidades e competências. Quantas pessoas pensam mal de si mesmas, e dão demasiada importância aquilo que os outros dizem delas.

Se acreditarmos na esperança, vamos sofrer sem desespero, porque do mal Deus pode fazer surgir algo de bom. O mau é sempre mau. Mas pior é dele não extrairmos nada de bom. As crises são uma constante na vida. Não são agradáveis, mas são com elas que crescemos, e vislumbramos novas oportunidade.

20 comments Janeiro 27, 2009

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