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O melhor caminho
Quando perguntaram ao abade António se o caminho do sacrifício levava ao céu, ele respondeu:
- Existem dois caminhos de sacrifício. O primeiro é o do homem que mortifica a carne, faz penitência, porque acha que estamos condenados. Este homem sente-se culpado, e julga-se indigno de viver feliz. Neste caso, ele não chega a lugar nenhum, porque Deus não habita a culpa.
- O segundo é o do homem que, embora sabendo que o mundo não é perfeito como todos queríamos que fosse, reza, faz penitência, oferece seu tempo e seu trabalho para melhorar o ambiente ao seu redor. Neste caso, a Presença Divina o ajuda o tempo todo, e ele consegue resultados no Céu.
Paulo Coelho.
1 comment Novembro 15, 2009
Arte de ouvir
Estranho mundo este, em que vivemos. Cheio de contrastes e tão antagónico. Nunca como hoje, temos auto-estradas, carros rápidos, máquinas para tudo, lavar roupa, aspirar. Tudo em nome de mais rapidez e poupança de esforços para termos mais tempo para outras coisas. Nunca como hoje temos tantos modos de comunicar, do qual a internet e o telemovel são o expoente máximo. E talvez, nunca como hoje, se comunica pouco, e se tem menos tempo. Menos tempo para os outros, para a família, para Deus, e até para nós próprios. Não temos tempo para cuidar do nosso asseio, e do nosso interior, como tempo para a leitura, a reflexão , a contemplação. Cada vez mais andamos stressados, angustiados, deprimidos. O processo para atingir a felicidade está a dar provas de impotência.
As pessoas cruzam-se diariamente, participam em eventos sociais, mas permanecemos sozinhos, isolados dentro de nós mesmos. Falamos de tudo, damos conselhos, mas continua a ser difícil falarmos de nós mesmos, da nossa história, do nosso pensamento.
Algo que também ajuda a esta situação, é a dificuldade de encontrarmos alguém que tenha desenvolvido a arte de ouvir. Alguém que não julgue, que saiba colocar-se no lugar do outro, que não se limite a conselhos superficiais, capaz de entender o outro no seu contexto de vida, respeitador dos limites e fragilidades, capaz de perceber os sentimentos mais profundos e captar os pensamentos que as palavras não expressam.
Esta solidão amplifica a solidão interna, que pode conduzir ao abandono da nossa vida. Não dialogamos connosco, não discutimos os nossos problemas. E uma pessoa que não dialoga consigo, que não se escuta, que foge de si mesma, pode ficar rígida e implacável consiga mesma, desenvolvendo sentimentos de culpa e destrutivos da sua auto-estima. Pode conduzir outros à alienação, à ausência de formulação de objectivos de vida, de tomada de consciência de si e dos outros. Estas pessoas revestem-se de uma carapaça de insensibilidade, dureza, orgulho. Mas no fundo sabem que não são assim, apenas se recusam a confrontarem-se. Daí que, tanto uns como outros, tenham dificuldade de se olharem ao espelho.
Jesus apresenta uma proposta de felicidade que passa pela consciência de nós mesmos, de aceitação dos limites, e de reconhecimentos das qualidades. De amor próprio, e de amor ao próximo. Uma proposta que ajuda a desenvolver a arte de ouvir, por nós e pelos outros. Uma proposta de paz interior. Sem ela, ninguém é feliz. Uma proposta de verdade com o nosso interior, a nossa mente. Uma proposta de abertura à novidade, para sabermos contemplar e apreciar o belo e o prazer, e de aprendizagem com os invernos da existência. A felicidade não é uma estrada apenas com retas. Jesus ensina-nos a sermos felizes nas retas e nas curvas da vida.
Nas sociedades modernos, fazer amigos está a converter-se num artigo de luxo. Porque as pessoas não têm tempo para fazer amigos. Porque é preciso tempo para criar laços, para cativar e deixar-se cativar. O amigo cultiva-se e conquista-se. E se queremos ser felizes, temos de ter tempo… para o essencial. A felicidade não é uma meta, e um estado definitivo. É um caminho…
3 comments Novembro 2, 2009
Pessoas balão
Um balão pode ser uma boa metáfora para falarmos de alguns tipos de pessoas, em determinados momentos da sua vida, se parecem com os balões:
1. Alguns estão aparentemente cheios de vida, e preocupam-se em acumular bens e riquezas, apenas o ter, e o interior nada mais têm que ar. Por isso Jesus fala que um rico (não apenas de dinheiro, mas de egoísmo, de intolerância, preconceito…) terá dificuldade de entrar no reino dos céus, um dia, e feliz agora. Não se deve fazer demagogia contra o dinheiro, mas ao que muita gente perde por causa dele. “Quero ficar rico para que não falte nada à família”. Mas já falta… alguém que está ausente por causa do dinheiro… e um dia tem dinheiro, mas não tem família. Preocupemo-nos em investir mais no nosso interior, em aprender a reciclar emoções e pensamentos, a fortalecer o nosso espírito e a nossa mente.
2. Outros parece terem opinião própria, muito seguros, mas deixam-se levar pela mais suave brisa. Jesus diz no evangelho: “Porque me chamas bom? Bom só Deus”. Jesus não se preocupa com a aparência de bondade. Por causa de sermos aceites, de querer que gostem de nós, muitas vezes deixamos de fazer ou dizer aquilo que deveríamos e acreditamos, para que pensem bem de nós. E no fim, nem agradamos aos outros nem a nós. Por isso Jesus nos alerta para não nos preocuparmos em aparentarmos sermos bons para que pensem bem de nós. Não vivamos com essa angústia.
3. Por fim, alguns vivem como se fossem balões cheios, prestes a rebentar; vasta que alguém os provoque com alguma ofensa ou opinião contrária estouram. Quanto mais nos preocuparmos apenas com o exterior, quanto maior for o vazio interior, quantas menos resistências tivermos no nosso interior para gerir as nossas emoções e pensamentos, mais tensos andaremos, e mais facilmente explodiremos, e, tal como o balão, pouco sobra.
5 comments Outubro 12, 2009
Porque ir à catequese?
Muitas pessoas podem perguntar: “Qual a importância de ir à catequese? É sempre a mesma coisa! O importante é a escola…”
Encontramos muita gente que já nem faz a pergunta, nem espera a resposta. Toma logo a decisão de se afastar da catequese, ou de não levar os filhos. A preocupação é puramente social: primeira comunhão, crisma para ser padrinho. Há quem diga que é sacramental. Eu digo social, porque se fosse sacramental exigia uma fé comprometida, o que não parece ser o caso.
Então para que serve afinal a catequese? Para aprender a doutrina. E o que é isso? Leis? A cumprir um regulamento, que muitos, sem conhecer e entender a fundo, consideram desactualizado?
Tenho algum receio da educação que hoje se transmite. Não porque ela esteja de todo errada. Era bom que na vida só pudéssemos fazer o que nos apetece, e que se procure satisfazer as vontades todas das crianças, sem a fazer pensar. O meu receio fundamenta-se nesta inquietação: os pais/sociedade preparam as crianças como se tudo corresse bem e não fossem encontrar nunca dificuldades na vida. Mas quem as prepara para as dificuldades? Quem as prepara para não se deixarem traumatizar pelos obstáculos e sofrimentos? “Quem as ensina a interiorizar, a usar as dores para crescer em sabedoria, a trabalhar as perdas e frustrações com dignidade, a agregar ideias, a pensar com liberdade e consciência crítica, a romper as ditaduras intelectuais, a gerir com maturidade os pensamentos e emoções nos focos de tensão, a expandir a arte da contemplação do belo, a dar sem contrapartida do retorno, a colocarmo-nos no lugar do outro e a considerar as suas dores e necessidades psicossociais”?
Na catequese, pretendemos revelar a pessoa que nos ensinou isso de um maneira extraordinária e inovadora: JESUS. E isso faz-se em diversos anos, para acompanhar a evolução intelectual e afectiva das crianças. Quando se descobre este Jesus, ficamos apaixonados e libertos. Crescemos interiormente. Encontramos força, energia, para vencer, aprender, crescer. Que nós, catequistas, nunca nos esqueçamos de mostrar a beleza de Deus. Não a ofusquemos com doutrinas frias. Elas serão melhor aceites e interiorizadas, depois de nos termos apaixonado por este AMIGO. E então, a doutrina não será uma prisão, mas apenas orientações para crescermos de forma equilibrada e feliz, com saúde mental e espiritual.
6 comments Outubro 2, 2009
“Toma a tua cruz…”
“Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”, termina assim o evangelho deste 24º domingo do tempo comum.
Quantas vezes esta frase de Jesus foi mal aplicada, injusta, causadora de sofrimentos e complexos, ao ser proferida a alguém em sofrimento, seja ele de saúde ou psicológico, conjugal ou pessoal. “É a tua cruz”. E alguns carregam um verdadeiro cruzeiro. Mas foi o que Jesus disse, dizem eles. Isso é verdade. Mas será que ele quereria dizer isso mesmo?!
Pelo conjunto da mensagem e postura de Jesus, esta frase não tinha qualquer sentido alienante e demagogo, mas muito prático e de uma enorme sabedoria e aplicabilidade psicológica e espiritual, potenciadora de uma vida mais feliz e em paz.
O processo de crescimento não anula a nossa memória e a nossa estrutura organizativa do pensamento. Continuamos a recordar-nos do passado, mesmo que façamos a nossa opção de não viver nele. Quando alguns falam em esquecer o passado, estão a falar de algo impossível, a não ser em caso de doença. As memórias não se apagam, apenas se substituem e são vistas de forma diferente. Por causa dessa memória, e das consequências, positivas ou negativas, temos tendência a reagir da maneira antiga. “Mais vale um pássaro na mão…” pensamos nós. Precisamos arriscar mais. Negar-nos a nós mesmo, é procurar substituir esses registos por outros novos, até que os antigos se desvaneçam na memória. Mas este crescimento é muito árduo e moroso.
Será que podemos mudar? Na opinião do psicólogo Mark Baker, não podemos mudar, mas podemos crescer. Aquilo que estabelecemos ao longo na nossa infância como principio organizador marca-nos para toda a vida. Se não podemos esses factos, podemos mudar a reacção em relação ao passado, a nossa reacção e interpretação, para evitar que a sensação estranha de retorno à infância nos impeça a abertura à novidade do presente. É preciso desenvolver a capacidade de reagir, de forma consciente, lúcida e objectiva.
O crescimento tem a ver com avançar para os bons sentimentos e não tentar fugir dos desagradáveis. Não podemos apagar as impressões do passado, mas podemos desenvolver novas impressões, novas abordagens, novas interpretações. Este processo de transformação espiritual é uma tarefa que precisa ser recomeçada continuamente. Ao convidar as pessoas a participarem activamente neste processo de crescimento, Jesus sabia que não era fácil, por isso indicou que é preciso “pegar na cruz”, pois implica muito trabalho e força de vontade. Uma vida melhor implica a difícil tarefa de seguir a Jesus de perto. A pessoa que está presa a si mesma, arrisca-se a não crescer. Liberta-te de ti, não te sintas preso no teu passado, trabalha, segue os princípios de Cristo e então terás a vida. Se te fechas em ti, com a ideia de te salvares, ficas sozinho, fechas-te ao amor, e morres vivendo.
Convido a reler a entrada anterior, “Já não tenho medo de ti, Senhor”. Quando descobrir esse Deus, como tudo se torna belo e motivador… e o único medo é o do não amar o suficiente… a mim, aos outros, a Deus.
2 comments Setembro 13, 2009
Faz o teu próprio caminho
Facilmente seguimos ao caminho que outros nos apresentam. Como consequência, raramente esse será o nosso caminho. Queremos sempre a aprovação dos outros. temos medo de avançar, de arriscar. temos receio do não, da reprovação. E com isso, não viveremos verdadeiramente. Seguir o meu caminho nem sempre é sinal de acerto. Mas, mesmo errando, estamos a caminhar, estamos a prender, estamos a crescer, ao contrário de quem não o faz. Não nos deixemos traumatizar pelos nãos dos outros.
Jesus preparou os discípulos para a rejeição. Para o sucesso é fácil. Viver o insucesso sem traumas exige preparação. Jesus não quer que os discípulos guardem o pó das cidades que os não receberem. Isto é, não guardarem ressentimentos, memórias tristes (sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles). Quanto tempo desperdiçado com coisas inúteis quando poderíamos ter sido muito mais felizes se nos libertássemos dessas traumas…
Ouçamos as vozes que nos orientam, mas não manipulam. Criemos os nossos próprios objectivos.
Ninguém será feliz ou infeliz em nossa vez.
Sobre este assunto, uma história, para nos ajudar a reflectir:
Um dia, um bezerro precisou atravessar uma floresta virgem para voltar a seu pasto. Sendo animal irracional, abriu uma trilha tortuosa, cheia de curvas, subindo e descendo colinas.
No dia seguinte, um cão que passava por ali, usou essa mesma trilha para atravessar a floresta.
Depois foi a vez de um carneiro, líder de um rebanho, que vendo o espaço já aberto, fez seus companheiros seguirem por ali.
Mais tarde, os homens começaram a usar esse caminho: entravam e saíam, viravam à direita, à esquerda, abaixavam-se, desviavam-se de obstáculos, reclamando e praguejando – com toda razão. Mas não faziam nada para criar uma nova alternativa.
Depois de tanto uso, a trilha acabou virando uma estradinha onde os pobres animais se cansavam sob cargas pesadas, sendo obrigados a percorrer em três horas uma distância que poderia ser vencida em trinta minutos, caso não seguissem o caminho aberto por um bezerro.
Muitos anos se passaram e a estradinha tornou-se a rua principal de um vilarejo, e posteriormente a avenida principal de uma cidade. Todos reclamavam do trânsito, porque o trajecto era o pior possível.
Enquanto isso, a velha e sábia floresta ria, ao ver que os homens têm a tendência de seguir como cegos o caminho que já está aberto, sem nunca se perguntarem se aquela é a melhor escolha.
1 comment Julho 13, 2009
As lições do bambú
Depois de uma grande tempestade, um rapazinho que estava a passar férias em casa do seu avô, chamou-o, da varanda, e disse:
-Vovô, vem cá depressa! Explica-me porque motivo é que o tronco desta árvore tão frondosa e tão grande, que precisava de quatro homens para a abraçar, se partiu, caiu com o vento e com a chuva, e… este bambu tão fraco continua de pé!
-Olha, meu filho, este bambu permanece de pé porque teve a humildade de se curvar na hora da tempestade. Aquela grande árvore quis enfrentar o vento. O bambu ensina-nos sete verdades. Se tiveres a grandeza e a humildade dele, vais experimentar o triunfo da paz no teu coração.
E o bom do velhinho prosseguiu a sua lição ao seu querido netinho interessado em aprender:
A primeira verdade que o bambu nos ensina, e a mais importante, é a humildade diante dos problemas, diante das dificuldades. Eu não me curvo diante do problema e da dificuldade, mas diante daquele que é o único princípio da paz, que é o Senhor.
A segunda verdade: o bambu cria raízes profundas. É muito difícil arrancar um bambu, pois o que ele tem para cima, tem também para baixo. Tu precisas de aprofundar, em cada dia, as tuas raízes em Deus, nas tuas orações.
A terceira verdade: Tu já viste um pé de bambu sozinho? Apenas quando é novo, mas antes de crescer ele permite que nasçam outros a seu lado. Sabe que vai precisar deles. Eles estão sempre bem agarrados uns aos outros, de tal forma que de longe parecem uma única árvore, parecem uma família… Às vezes tentamos arrancar um bambu lá da moita que eles formam. Tentamos cortar e não conseguimos. Os animais mais frágeis vivem em bandos para, desse modo, se protegerem dos predadores.
A quarta verdade que o bando de bambus nos ensina é não criar galhos. Como a sua meta é o alto e vive em moita, em comunidade, o bambu não quer criar galhos. Nós perdemos muito tempo na vida a tentar proteger os nossos galhos, coisas insignificantes a que damos um valor inestimável. Filho, para ganhar é preciso perder tudo aquilo que nos impede de subirmos suavemente.
A quinta verdade é que o bambu está cheio de “NÓS”, e não de “EUS”. Como ele é oco sabe que, se crescesse sem nós, seria mais fraco. Os nós são os problemas e as dificuldades que superamos, são as pessoas que nos ajudam, aqueles que estão próximos e acabam por ser uma força nos momentos difíceis. Não devemos pedir a Deus que nos afaste dos problemas e dos sofrimentos. Eles são os nossos melhores professores, se soubermos aprender com eles e simplesmente passar por eles.
A sexta verdade é que o bambu é oco, vazio de si mesmo. Enquanto não nos esvaziarmos de tudo aquilo que nos enche, que nos rouba o tempo, que nos tira a paz, que ocupa os nossos pensamentos, não seremos felizes. Ser oco significa estar pronto para ser ocupado pela luz do Espírito santo.
Por fim, a sétima verdade que o bambu nos dá é exactamente o título de um livro: “Ele só cresce para o alto“. Ele busca as coisas do Alto. Esse é o seu destino. Essa é a sua meta.
Sejamos como o bambu: ele verga mas… não quebra.
(Padre Léo, do livro “Buscando as coisas do Alto”)
1 comment Junho 26, 2009
Coração
A palavra hebraica leb, traduzida por coração, designa o centro da interioridade do ser humano, a sede do conhecimento, da memória, da vontade, das paixões e da coragem. O coração é a nascente, a fonte do ser humano.
A tradição rabínica relaciona leb (coração, com bl (não) para dizer que o coração é importante. É só no coração que se pode dizer sim ou não. Daí é que brotam as verdadeiras palavras, as verdadeiras decisões, as verdadeiras opções. Com a palavra coração, diz-se tudo o que é belo, verdadeiro e bom. Coração evoca bem o mistério de Deus e sigila a verdade mais densa do ser humano. (Adérito Barbosa).
Por isso, façamos as pazes entre o coração e a razão, para que a vontade nos traga paz e não deixe que ninguém no-la roube. Ouçamos a nossa voz interior. É também lá que Deus no fala. Porque teimamos em ouvir mais os outros que o nosso próprio coração (não falo apenas de paixões, mas de sonhos, vontades…)? É la que mora a nossa criança, tantas vezes adormecida. Jesus disse que a vida está em quem ouve e deixa viver a criança que vive em cada um. Porque perdemos a tranquilidade, carregados por um passado que ja não existe, e pela inquietação de um futuro incerto? Diz Jesus: cada preocupação a seu tempo. Vivamos com mais consciência de nós e do que nos circunda.
E se parássemos um pouco, neste momento, fechemos os olhos, e tentemos ouvir o nosso coração, a nossa mente, os nossos sons, imaginar o nosso espaço…
Que tal? Surpreendido?
2 comments Junho 5, 2009
Vida além do nevoeiro…
Não ardia o nosso coração enquanto nos explicava as coisas? Recordo muitos momentos em que o coração se me abrasa. É uma experiência muito simples. Ouço, escuto, e dentro de mim se acende uma luz, uma intuição, uma palavra que brota, uma ideia que se clarifica, que se ilumina, que sinto que é possível, apesar das dificuldades… Outras vezes, esta experiência acontece-me quando falo com alguém que, além de me encher de paz e de me livrar de medos, lança luz sobre um problema ou sobre a minha vida…
Nem sempre a vida pessoal, familiar ou comunitária é luminosa. Como o decorrer do ano, a vida tem estações, e também fenómenos meteorológicos como os nevoeiros.
Nem sempre é fácil atravessar o nevoeiro de quem não sente auto-estima suficiente, de quem perdeu a confiança em alguém, de quem está decepcionado com pessoas ou instituições concretas… Um amigo costuma dizer-me: “Tu dizes-me que o que escrevo é bonito e está bem, mas não penses que é fácil para mim aceitá-lo. Duvido de tudo. Não tenho confiança em mim próprio. Tudo me parece pobre…”.
Um sinal de ressurreição é “abrir os olhos” e descobrir o valor daquilo a que não damos valor ou valorizarmos a nós mesmos e aos outros… E faz falta verdadeira sabedoria para ligar os vários pontos da vida e a façam ser significativa. Assim poderemos acreditar e sentiremos que o coração “arde realmente”.
(in Páscoa, tempo de oração, ed. salesianas)
1 comment Abril 25, 2009
