Posts filed under 'Catequista'

Estilos de animação

Nos últimos artigos, temos vindo a reflectir sobre a catequese como um projecto e do que isso significa. Esta é uma ideia que precisa de ser ainda muito amadurecida e reflectida. Neste espaço desejamos promover a mudança de mentalidade, o despertar a reflexão, e a consciência audaz de que melhor é possível. Pretendemos realizar um encontro com todos os catequistas interessados nesta temática. Pretendo depois sujeitá-la à opinião de pessoas credenciadas no domínio das ciências da educação. Faz falta à igreja a humildade de dialogar com as diversas ciências. Eles estão disponíveis e apreciam. Sou testemunha disso mesmo.

Com a implementação desta metodologia do projecto, os papeis do catequista terão de ser substancialmente distintos. Já falamos um pouco acerca disso. Não nos vamos repetir. Apenas partilho os diferentes tipos de animação, o mesmo será dizer, os diferentes tipos de catequistas.

Irão descobrir, facilmente, qual o estilo que se recomenda…

ESTILO TIPO DE PARTICIPAÇÃO
Autoritário - Tudo o que é feito é obra do animador.
- A participação do grupo será pouca e a sua criatividade inexistente; consistirá “no que fizer o animador”.
- Os membros não se sentem motivados para a tarefa a desenvolver.
Permissivo (laisser faire) - Amálgama de realizações ditadas por impulsos, pelos líderes da altura, por preferências: disto gosto, não gosto daquilo, apetece-me, não me apetece.
- Normalmente, as concretizações são banais.
- É possível que o que foi começado seja abandonado.

- Cada um faz o que quer, como quer e quando quer.
Democrático ou
Cooperativo
- Participação de todos, orientada e sustentada.
- Procura-se que cada um se sinta bem fazendo o que sabe e aquilo em que pode fazer render as suas capacidades e contribuir com a sua originalidade.
- Acaba-se o que se começou.
- O animador ensina a ver o caminhar para o objectivo programado como objectivo em si, investindo também na relação afectiva com cada membro do grupo. Esta combinação multiplica a eficácia.

2 comments Junho 29, 2009

Catequese:projecto como veículo promotor de mudança

Num artigo anterior, abordamos esta ideia: em vez de uma catequese orientada por um programa, realizarmos uma catequese como projecto.

Uma catequese por programa, é baseada, quase exclusivamente, por um catecismo, com um programa rígido, inflexível, abstracto e distante da realidade existencial do público-alvo a quem se dirige. O catequista é um fiel transmissor desses conteúdos, e a criança, o fiel receptor, que não precisa questionar, adoptando uma postura passiva. Estamos a falar de uma catequese uniformizada e de estratégias únicas. A simples inclusão de conteúdos digitais e multimédia, não resolve o problema.

Uma catequese como projecto, é substancialmente diferente. A ideia é formular um tema por ano, que seja progressivo. As crianças/adolescentes são convidados a desmembrar a temática, seguindo o seu ritmo, e escolhendo o seu tema, que mais se aplique à sua situação. Todo o trabalho é desenvolvidos, tendo o público-alvo, como sujeito principal do processo. Cada um assume um papel activo, pessoal e comunitário. O tema será desenvolvido com base na descoberta pessoal, por meio de pesquisa, de trabalhos, etc. Esse projecto será apresentado aos colegas e avaliados por todos os interveniente: o sujeito que o realizou, o grupo e o catequista. Os conteúdos multimédia, ou outros, que se opte por apresentar, devem ser feitos a pensar no público em concreto, nas suas motivações, linguagem, caminhada. Não podemos simplesmente mudar o suporte de apresentação para julgarmos que já temos uma catequese moderna, actual e interactiva. A catequese como projecto também deverá ser transversal a todas as áreas de formação da pessoa, tendo em conta a teoria sistémica (tem em conta a influencia, dada e recebida, de um conjunto da teia de relações do individuo).

Uma das estratégias que penso utilizar, é o aproveitamento do canal “Partilhar TV”. Qual a ideia? Elaborar uma grelha de programas. Os diferentes grupos, que queiram aderir, irão desenvolver temas, documentários, entrevistas, que serão apresentados e publicados. Este canal também servirá para a transmissão da Eucaristia (a principio em diferido).

A grande ideia que subjaz a este projecto, é que o mais importante não é chegar depressa a uma meta, mas sim sair, fazer caminho, cada um ao seu ritmo e pelo caminho que escolheu, não se perdendo nas encruzilhadas, mas capaz de recriar e reaplicar todo o conhecimento que construiu.

O papel do catequista passa por ser um facilitador do processo, isto é, alguém que escute, acompanha, dá liberdade, que orienta em vez de impor, que ajuda na escolha que cada um precisa de fazer, que ajuda e orienta a reflexão, e não alguém que pensa em substituição, e ajuda a que cada criança/adolescente, conheça o seu ritmo, as suas competências e os seus limites.O catequista é aquele de faz fazer. Mas este novo papel que o catequista precisa desenvolver, exige muito mais ao catequista, muito mais formação, muito mais preparação. Pode parecer que delega toda a responsabilidade no grupo, mas não. O conhecimento profundo e reflectido de cada elemento do grupo, e a necessidade de preparar materiais, orientar a caminhada de cada um, estando atento às necessidades individuais, exige um trabalho esmerado e uma flexibilidade orientada.

Não podemos reduzir a catequese a conteúdos estáticos que precisam de ser assimilados. Evidentemente que existe alguns que precisam de ser aprendidos. Mas a forma como isso se processa é que deve ser questionado: talvez se deva primeiro criar as condições para que as crianças nos questionem, ao invés de criarmos um ambiente artificial, isto é, explicar sem que ninguém tenha mostrado interesse em saber, sem que ninguém tenha questionado. Isto pode demorar tempo. E, em catequese, parece que não temos tempo, estamos sempre cheios de pressa de chegar a algum lado. E curioso, raramente chegamos a algum sitio. Para educar é preciso dar tempo e ter tempo. É preciso conhecer e respeitar o ritmo de cada um. Caso contrário, todo o trabalho pode não ter qualquer consequência positiva, podendo mesmo, provocar repúdio.

É esta a catequese 2.0, uma catequese de segunda geração. Esta metodologia não é fácil de concretizar. Mas considero que merece uma reflexão profunda e responsável. Pretendo levantar a discussão em torno deste assunto. Serei o único a pensar desta forma? Será que ainda não sentimos a necessidade de mudança de estratégias e metodologias? Aguardo os vossos contributos.

11 comments Junho 22, 2009

Ver mais longe

Na catequese precisamos de ver mais longe. Quando inquirimos as nossas crianças, precisamos de desenvolver a competência que nos ensina a saber fazer perguntas abertas, para que as crianças, ou nós mesmos, não nos fiquemos por uma resposta superficial e evasiva. Precisamos de ir mais fundo, ir às raízes de nós mesmos, conhecer ao máximo os diversos nós da  teia sistémica da nossa vida e das nossas relações.

A título de exemplo, citamos um extracto de Paulo Coelho, em 11 minutos:
“Vê este licor de anis diante de si? Pois você vê apenas um licor de anis. Eu, porém, como preciso de entrar dentro do que faço, vejo a planta de onde nasceu, as tempestades que esta planta enfrentou, a mão que colheu os grãos, a viagem de navio de um outro continente até aqui, os cheiros e as cores que esta planta, antes de ser colocada no álcool, deixou que a tocassem e que fizessem parte dela. Se algum dia eu pintasse esta cena, pintaria isto tudo – embora, ao ver o quadro, você acreditasse que estava diante de um simples copo de licor de anis.”

1 comment Março 16, 2009

Celebração na catequese

Um terceiro momento na dinâmica da catequese, e que a distingue de uma aula de moral, é o momento celebrativo. Começamos com o acolhimento, sabendo receber, criar empatia, conhecer o nosso público-alvo, passamos para o momento de análise da vida. A Revelação de Deus acontece na história de cada pessoa, nas circunstâncias específicas do indivíduo. Esta experiência, esta história, esta presença de Deus na vida, deve ser reflectida criticamente, aprofundada, encontrando o sentido. A reflexão desta história individual e colectiva, não pode ser uma mera desculpa para a escuta da Palavra, mas manifestar real interesse. Esta vida deve, de seguida, ser apreciada pela ótica de Cristo. O que é que Cristo nos tem a dizer, que é que Ele nos ensina.  A escuta da Palavra, sua reflexão e consequente interiorização. Mas esta interização não deverá ser considerado um passo da catequese. Ela acontece na individualidade de cada ouvinte, no confronto com a sua história e a Palavra de Deus. Ou acontece naturalmente ou simplesmente não acontece. E não é por o catequista dizer “que bom”, que vai acontecer. Tal como nos discipulos de Emaús, Jesus nunca disse “que bom”. Primeiro meteu conversa. Depois ouviu, com interesse, utilizando perguntas abertas. Nunca se armou em sábio. Depois interpelou e confrontou com as Escrituras. Explicou o sentido das mesmas. E repondem eles, sem ninguém perguntar: “não nos ardia o coração enquanto Ele nos explicava?”. Depois Jesus, celebra com eles. Mas só o faz, porque houve um convite. Se o grupo não fez a caminhada, não interiorizou, fará sentido a celebração na catequese, porque é mais um passo a seguir, obrigatoriamente? O catequista deverá fazer como Jesus: fazer de conta que quer seguir viagem, para ser convidado a celebrar, fruto de uma interiorização. Esta, deve ser a consequência, e não a causa. É quase o culminar. É o auge. É a expressão mais intensa de um sentimento que despertou no íntimo de cada um. Por isso, demos ênfase, dinâmica, emoção, à celebração da catequese. E que ela esteja plenamente relacionada com a caminhada que foi feita. Não revistamos a celebração na catequese, ou fora dela, de um ritualismo vazio, numa imposição estéril.

Professar a fé é dar-se conta que o Pai chama, nomeia e torna a criatura humana partícipe da própria vida por meio de seu filho, no Espírito Santo. Professar a fé, celebando-a, é permitir que o Senhor transforme “um coração de pedra em um coração de carne” (cf. Ez 36, 26) em seu Espírito, para encontrar o amor do Pai. Celebrar a fé é agradecer. Celebrar a fé é viver imerso no amor e na paz de Deus, é saborear o colinho de Deus, é sentir o olhar amoroso de Deus, que nos embala e protege, com um sorriso nos lábios, e um olhar intenso e vidrado de emoção e orgulho.

3 comments Março 11, 2009

Alegria e orgulho

Permitam-me que partilhe convosco a minha alegria pelo que está a acontecer na catequese: 7 grupos já construíram o seu blogue. E verifico o entusiasmo dos catequistas, das crianças e dos próprios pais. Está a ser um autêntico momento de catequese para além do espaço e do tempo restrito da catequese. Sinto um grande orgulho e satisfação. Ainda temos muito para caminhar, mas alegra-me ver que estamos a dar passos significativos. Estamos a concretizar esta frase de Carl Rogers, padagogo: “A questão é saber se podemos permitir que o conhecimento se organize no e pelo indivíduo, em vez de ser organizado para o indivíduo.” Isto é, é bom que orientemos as nossas crianças para a reflexão crítica, para a construção das suas próprias experiências e conhecimentos. Criemos oportunidades para operacionalizar essas experiências e emoções.

Isto é a verdadeira presença da multimédia na catequese. Não se limita a apresentação de uns filmes ou powerpoints. Pressupõe, mas vai muito além: envolve-os na catequese, na construção de conhecimentos, na partilha e aprofundamento de experiências. Não fazemos das crianças um depósito de conteúdos, atribuindo-lhes um papel passivo na construção da sua identidade humana e cristã. Desta forma, nada ou pouco se constrói de verdadeiramente significativo. Só aquilo que passa pelas nossas emoções, é que fica enraizado e tem influencia no nosso pensamento e comportamento. Não é por me dizerem que isso me transforma, mas porque experimentei. As pessoas só se conseguem lembrar das coisas do seu ponto de vista pessoal.

Obrigado aos meus catequistas. Parabéns pelo trabalho desenvolvido. Parabéns às crianças que estão a participar, e muito bem. Parabéns aos pais pela colaboração e pela partilha. Já começam a perder a timidez. Não tenham medo de comentar e de pensarem que irão repetir a mesma ideia.  Bakhtin “entende que cada enunciado é em si mesmo completo e irreproduzível. O simples repetir já muda o sentido do que foi repetido. Um enunciado é sempre inédito, embora criado sobre algo de antemão dado, um sentimento, uma visão do mundo: ‘o objecto vai edificando-se durante o processo criador’”. Por outras palavras: as palavras, embora sejam parecidas, a interpretação que lhe damos é muito diferente, e pode completar outras ideias.

O próximo passo, é tornar as crianças co-autores na publicação de entradas. Isto é, terem a possibilidade de colocarem entradas, coisas que descobrem sozinhos e querem partilhar com os outros. Eu sei que vai demorar. Mas é um desafio. Para já convido-vos a visitar os diversos blogues. Aqui, no partilhar, na coluna da direita, encontram os blogues da catequese. No site partilhar.wetpaint.com também. Já agora, volto a falar da vantagem da utilização de um serviço de agregação de feeds. Leiam sobre a sua utilidade e a sua utilização neste ficheiro.

É esta a CATEQUESE 2.0 de que já vos falei. Sei que é um conceito novo dentro da Igreja, mas ou progredimos, ou ficamos a perder… talvez irremadiavelmente.

4 comments Março 2, 2009

A pedagogia de S. Paulo

Estamos no ano paulino. Também ele foi um autêntico pedagogo, como ele mesmo o descreve na 1ª carta aos Tessalonicenses, capitulo 2, versículos 1 a 13.

1Irmãos, vós próprios bem sabeis que não foi vã a nossa estadia entre vós; 2mas, tendo sofrido e sido insultados em Filipos, como sabeis, sentimo-nos encorajados no nosso Deus a anunciar-vos o Evangelho de Deus no meio de grande luta. 3É que a nossa exortação não se inspirava nem no erro, nem na má fé, nem no engano. 4Como fomos postos à prova por Deus para nos ser confiado o Evangelho, assim falamos, não para agradar aos homens mas a Deus, que põe à prova os nossos corações. 5Por isso, nunca nos apresentámos com palavras de adulação, como sabeis, nem com pretextos de ambição. Deus é testemunha. 6Nem procurámos glória da parte dos homens, nem de vós, nem de outros.

7Quando nos poderíamos impor como apóstolos de Cristo, fomos, antes, afectuosos no meio de vós, como uma mãe que acalenta os seus filhos quando os alimenta. 8Tanta afeição sentíamos por vós, que desejávamos ardentemente partilhar convosco não só o Evangelho de Deus mas a própria vida, tão queridos nos éreis. 9Na verdade, irmãos, recordais-vos dos nossos esforços e das nossas canseiras: trabalhando noite e dia para não sermos um peso a nenhum de vós, anunciámo-vos o Evangelho de Deus.

10Vós sois testemunhas, e Deus também, de como nos comportámos de modo recto, justo e irrepreensível para convosco, os que acreditastes. 11Sabeis que, tal como um pai trata cada um dos seus filhos, também a cada um de vós 12exortámos, encorajámos e advertimos a caminhar de maneira digna de Deus, que vos chama ao seu reino e à sua glória.

13Por isso, damos continuamente graças a Deus, porque, tendo recebido a palavra de Deus, que nós vos anunciámos, vós a acolhestes não como palavra de homens, mas como ela é verdadeiramente, palavra de Deus, a qual também actua em vós que acreditais.

Aguardo os vossos comentários.

1 comment Fevereiro 18, 2009

Ser catequista…

Catequistas… vejam este filme… parftilhem as lições que tiraram para o vosso trabalho como catequistas. Estamos habituados a ver coisas muito claras, que nem nos fazem pensar. Isso tudo está bem presente neste filme.

4 comments Fevereiro 7, 2009

Tecnologias na catequese

Temos ouvido falar das novas tecnologias que devem estar ao serviço da educação. Mas que tipo de utilização é que se pode fazer das tecnologias na catequese?

Há quem pense que passa por fazer umas apresentações para mostrar às crianças.
E muitos catequistas já o fazem. Desta forma, estão a utilizar o computador apenas como um recurso pedagógico. É bom… mas é preciso ir mais longe.

Quando se fala da integração das tecnologias na educação, estamos a falar de recursos e de estratégias. Isto é, é preciso repensar a forma de fazer catequese, optando por outra pedagogia. É bom que se tenha conteúdos (apresentações/filmes) para apresentar. Mas não podemos esquecer que precisamos de questionar a metodologia que vem sendo adoptada.

O catequista não deve ser apenas o fiel transmissor da doutrina, fazendo das crianças depositários passivos, sem espírito crítico, não valorizando as suas experiências de vida e saberes construídos previamente. O catequista deve assumir o papel de facilitador, de orientador, menos directivo, promovendo a interacção dentro do grupo, o trabalho de pesquisa e a capacidade de reflexão crítica. Assim, a criança aprende de uma forma mais autónoma, activa, com respeito pela diferença, com espírito crítico (capacidade de reflexão) e, por isso, mais significativa, isto é, cujo efeito perdure e se concretize na vida.

Os saberes construídos em cada encontro, juntamente com os conhecimentos prévios, e a interacção com o grupo e outras pessoas externas ao mesmo, permitirão a construção de novos caminhos para novas situações. Para melhor entendermos, apresentamos uma imagem: a forma de manter a areia na mão, é mantê-la aberta; se a fecharmos, com medo de perder a areia, esta escapa-se por entre os nossos dedos, e quando abrirmos a mão, restam poucos grãos.

Uma das situações problemáticas, com que nos deparamos na sociedade actual, é as crianças fruto de famílias desagregadas. Estas, sem culpa, terão que faltar frequentemente à catequese, em virtude de terem de passar fins-de-semana, alternados, com os progenitores. Consequência: faltas contínuas à catequese, falta de acompanhamento, e consequente desmotivação e desvinculação. Não esquecendo a pseudo questão da justiça em relação aos outros que são assíduos.

Será que não podemos fazer nada que minimize esta situação? Será que vamos ficar impávidos e serenos, ou a apregoar contra esta situação, em vez de procurarmos soluções?

Dentro do espírito de uma nova metodologia, e tentando encontrar uma resposta a esta situação problemática e desafiante, a Internet reúne uma séria de potencialidades que podem e devem ser aproveitadas ao serviço da catequese.

Não diabolizemos a Internet, culpando-a de todos os males. Encontremos, antes, soluções motivadoras, capazes de atrair e apostando em bom conteúdo. Não falo da simples navegação na Internet, mas de aproveitar os diversos serviços e ferramentas que ela disponibiliza.

Para não me alongar mais, fico por aqui, mas deixo a porta aberta para o debate sobre estas e outras questões. Não pretendo oferecer soluções perfeitas, mas estimular o debate e a reflexão, com espírito aberto.

8 comments Agosto 29, 2008

Os “5 S” da catequese

Vou inventar um, não custa nada. São, na verdade, acções e sentimentos simples que precisamos ter, para que a nossa caminhada como catequista aconteça de forma mais organizada.

O primeiro S que eu sugiro para transformar a nossa catequese e o da Sensibilidade. Parece estranho dizer isso, mas muitos catequistas mostram-se insensíveis diante das ameaças do mundo. Os catequistas precisam ser sensíveis e isso significa observar melhor o comportamento das crianças e jovens, de seus pais e da sociedade como um todo. A sensibilidade do catequista fará com que os encontros sejam melhores. É importante para o catequista saber interagir com a catequese e na relação com crianças e jovens. A sensibilidade é importante para isso, pois nos tráz a emoção de trabalhar pelas coisas de Deus e nos ensina a como agir;

O segundo “ S” é o da Serenidade, tão necessária para que nos momentos de angústia e desânimo, possamos, através da oração, ter a devida tranquilidade de resolver questões difíceis que sempre aparecem na caminhada pastoral; São os chamados conflitos. Eles existem, aparecem a todo o momento, e precisamos de os resolver. Com serenidade, a tarefa torna-se menos dolorosa;

O terceiro “S” é o da Superação, fundamental para o desempenho da nossa missão como catequistas. E são várias as barreiras que aparecem durante a nossa caminhada: falta de tempo, ausência de formação adequada, desinteresse dos pais e jovens pelas coisas de Deus, falta da estrutura de algumas paróquias e tudo mais. Por isso, precisamos de superação. Ela vem acompanhada de algo que não pode faltar nunca na vida de um catequista: a oração.

O quarto “S” e do Sorriso. Às vezes é difícil sorrir quando o mundo nos pede para chorar. Mas precisamos sorrir mais para cativar, encantar, transformar relações e mostrar que estamos num caminho diferente dos demais que nos são oferecidos. Um sorriso é fundamental na catequese. Catequista que vive sempre com a cara amarrada não cumpre a sua missão com eficiência. A catequese não combina com o azedume.

E por último, o quinto “S”, o da Sabedoria, para indicar um caminho mais ético, justo e próximo das coisas de Deus. Isso não significa que tenhamos que ser mestres em teologia e profundos conhecedores de tudo. Não. Sabedoria significa saber dosear a nossa vontade de transformar o mundo, e tornar as nossas acções úteis, com o conhecimento que devemos ter de métodos e dinâmicas para tocar corações sedentos das coisas de Deus. Claro, precisamos do mínimo de conhecimento, mas não precisamos ser doutores e mestres para os transmitir na catequese.

Se juntarmos estes cinco “S” nas nossas acções como catequistas e agentes pastorais, a nossa catequese será melhor. E se junto com estes “S” juntarmos situações concretas como pontualidade, clareza na comunicação, desenvoltura, interesse na formação pessoal e se encontrarmos formulas atractivas para reunir os pais, praticando uma comunicação mais eficiente tenho certeza que a nossa caminhada será muito menos cansativa do que é.

Sem comunicação, nada funciona.

artigo de Alberto Meneguzzi

2 comments Julho 13, 2008

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