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Já não tenho medo de ti, Senhor

Já não tenho medo de Ti, Senhor! Sinto-me leve, Livre, Feliz,
E bendigo-Te por isso.
É que, confesso, temia-Te um pouco… Não era muito, pois não?
Mas era demais. Pois, no meu coração silencioso, de quando em quando vagamente inquieto, eu pensava que seguir-Te a tremer não era seguir-Te.
Não é culpa minha, Senhor, disseram-me tanta coisa!
E tanta coisa que já não se diz, mas que nos fica na memória, a envenenar-nos o coração.

Disseram-me que era mau fazer isto, porque era pecado, e pior ainda fazer aquilo, porque era pecado grave,
E que seria castigado pelos meus pecados.
Pelos pequenos levemente e pelos grandes para sempre… A não ser que eu pedisse perdão para evitar o castigo.
Para tanto bastava… passar pelo confessionário, e lá voltar novamente, cada vez que fizesse um pecado grave.
Era assim, Senhor, que eu, como criança, pensava.

— Perdoa-me — Que, para evitar o castigo eterno, bastava não nos andarmos a atormentar a vida toda, mas, “arrependermo-nos” no último momento.
É certo que nos lembravam que não sabíamos o dia nem a hora,
como Tu próprio no-lo tinhas dito. E alguns pregadores sinceros e zelosos Brandiam, assim a ameaça do Inferno
para fazerem voltar a Ti os pecadores extraviados. Quanto maior era o medo, maior o número de regressos e maior a alegria!

Isso era dantes… Mas um antes que marcou os nossos avós de hoje.
E se Te falo disto hoje, Senhor, é porque muitos fiéis têm saudades desse passado. Queixam-se que os padres só falam…
de amor, e já não de pecados e de penas eternas. Se fossem mais severos, dizem eles, Encheriam as igrejas cada vez mais vazias, pois teriam mais medo!
É horrível. Senhor!

Não julgo os corações, creio na sinceridade. Mas como podemos deformar a tal ponto a Tua Mensagem?
E que tudo isso era verdade! Mas será verdadeiramente verdade não falar a um ser vivo senão de doença a curar e de morte a evitar?
Será verdadeiramente verdade fossilizar o amor em gestos calculados e verificar meticulosamente e fielmente as contas? E medir-lhe a pureza pelo respeito de todas as normas estabelecidas?
Como podemos acreditar, Senhor, sem o desnaturar, que o amor possa algum dia nascer do medo.
E, se o céu é amor como Tu és Amor, que um medo qualquer possa preparar-nos para entrarmos nele um dia?

Como podemos acreditar, Senhor,
que, para Te seguir, basta respeitar as leis e cumprir regularmente alguns ritos religiosos,
sem verificar escrupulosamente como vive o nosso coração,
Coração que bate, às vezes, regularmente em atalhos,
deixando de bater em caminhos planos e belos?

Como podemos acreditar que o céu se merece, que temos de o ganhar — e assim lhe pomos um preço, como se o amor estivesse à venda e não fosse gratuito!

… Mas é tão duro, Senhor, acreditar deveras nesse AMOR e viver o dia-a-dia disponíveis, de tal modo que possamos recebê-lo de Ti!

Senhor, devo pedir-Te perdão,
Porque, se não tremi de medo diante de Ti,
Por vezes, como muitos homens, ao pensar na morte e no que está para além dela,
tão inquietante e misterioso, tentei agir como deve ser, para me prevenir.

Contudo, Senhor, dias houve em que Te senti mais perto:
Tinhas-me seduzido. Mas não Te segui, embora “Tu” me acenasses. Contentei-me com uma vida conveniente
e com práticas religiosas mais ou menos regulares, pensando que bastava seguir a regra para poder estar em paz.

Mas o Teu amor é fiel, Senhor, e Tu acompanhas-nos,
E, no meu caminho quotidiano, fui-Te reconhecendo pouco a pouco e descobrindo lentamente.

A TI.

A Ti, que vieste revelar que Deus era AMOR
e nada mais, A Ti, que nos ensinaste a chamar-lhe Pai Nosso,
pois somos Seus filhos, A Ti, que nos deixaste um só mandamento: amar.
A Ti, que, ao confiares a chefia da Igreja
ao Teu primeiro representante na terra, apenas lhe perguntaste: “Pedro, tu amas-Me?”
Era a Ti, Senhor, que eu devia seguir, e seguir por amor.
Eu não lamento, Senhor,
pelo contrário, antes agradeço mil vezes,
aos padres que me fizeram finalmente compreender
que foste Tu que nos amaste primeiro, Que a base da fé é, antes de mais, acreditar
e depois deixar-se amar, E que o essencial da religião é amar-Te e amar todos os irmãos
como Tu nos amaste.
Já não tenho medo de Ti, Senhor!
E não é o medo que me mantém de pé, tentando seguir-Te.
É certo que não sou puro,
Tu sabe-lo,
e estou longe de o ser! Mas, quando rezo a Ti, parece-me que já não é para manter uma relação importante, da qual se tiram não sei que numerosas vantagens, mas, ouso dizer…

é porque Te amo, porque quero desenvolver a nossa amizade
E, Contigo, melhor servir todos os irmãos, os homens.
Agora sonho… por vezes,
E orgulho-me disso, E fico louco de alegria,
Sonho ver-Te face a face,
deixar-me enfim amar,
amar-Te sem reservas e ver um dia reunidos todos os homens, como irmãos, em família, em redor do nosso Pai.

O único medo que me resta, e desse sofro mesmo,
É o medo de não amar bastante como Tu,
GRATUITAMENTE.
(Oração de Michel Quoist)

4 comments Agosto 27, 2009

Conversas e lutas com Deus

Encontrei este texto, de Paulo Coelho, muito interessante:

Em um dos meus livros, “O Monte Cinco”, o personagem principal revela-se contra os desígnios de Deus, e não quer mais escutá-lo.

Inspirei-me em uma passagem bíblica, quando Jacob luta com Deus dentro de uma tenda, e só o deixa partir depois que Ele o abençoa.

Da mesma maneira que um jovem sadio precisa ter uma dose de rebelião necessária para enfrentar-se com seus pais e impor sua Lenda Pessoal, Deus também deseja que exerçamos, a cada minuto de nossas vidas, o poder de nossas decisões.

É muito fácil ficar transferindo a responsabilidade para os outros (e para Ele), só para depois culparmos o mundo pela injustiça a nossa volta, e o fracasso dentro de nós.

Mas aonde isto nos leva? A lugar nenhum.

Deus nos escuta. Deus nos leva a sério. Vale a pena relembrar aqui um outro episódio bíblico onde esta faculdade está claramente descrita:

No livro do Gênesis (18:22-33), o Todo Poderoso resolve avisar a Abraão que irá destruir Sodoma e Gomorra. Abraão não aceita: por que os inocentes devem ser sacrificados junto com os pecadores?

Abraão vai mais além. Diz: “Como ousa o Senhor fazer tal coisa, matar o justo junto com o ímpio?”

E exige que Deus se comprometa a não destruir a cidade, se ali viverem 50 justos. Deus se compromete.

Abraão começa a discutir, dizendo que seria absurdo, caso faltassem apenas cinco para formar 50, que Ele tomasse tal decisão. Deus aceita não destruir a cidade se ali viverem 45 justos, ou 30, ou 20, ou dez… Deus aceita cada um dos argumentos de Abraão, e vai prometendo mudar de ideia.

Sabemos que, na Bíblia, Deus termina destruindo Sodoma e Gomorra, salvando apenas uma família. Mas, antes de tomar esta decisão, Ele estava aberto ao diálogo.

Temer a Deus não significa ter medo de Deus. Deus está muito mais aberto para uma conversa do que imaginamos; é só começar o diálogo, e ficaremos surpresos com os resultados.

(Como em tudo, é preciso saber ter um espírito crítico, para analisar, interpretar e adaptar)

3 comments Agosto 1, 2009

Oração do audio-visual

DEUS AUDIOVISUAL (Lopes Morgado, in Ao Encontro do Sol)

Louvado sejas, meu Senhor,
pelo Irmão SOM, eco da tua voz,
pois do teu Coração nos diz o ritmo.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela MÚSICA, nossa Irmã,
pois da tua Festa nos traz a mensagem.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela IMAGEM, nossa Irmã gémea,
pois da tua Beleza nos reflecte o rosto.

Louvado sejas, meu Senhor,
pelo SILÊNCIO, berço do teu Verbo,
pois da tua Presença tem o enlevo.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela PALAVRA, nossa Mãe, Irmã e Filha,
pois do teu Mistério nos dá notícia.

Louvai e bendizei o meu Senhor
inaudível, invisível, inefável,
pois em JESUS se fez Deus Audiovisual.

1 comment Maio 27, 2009

Pre-conceito

Este fim de semana reflectimos sobre o preconceito. Considero que é impossível não termos preconceitos. A palavra preconceito está dividida em duas parte: “pre” e “conceito”. Ao ouvirmos esta palavra damos logo um sentido pejorativo, esta palavra apenas quer dizer que existe um conceito, um conhecimento, uma ideia feita anteriormente. Considero que seja inevitável que assim seja. É desta forma que nos preparamos para as coisas, e prevenimos algum mal. Além do que, a nossa memória, as nossas experiências interiorizadas são uma fonte de conhecimento que nos preparam para situações novas. O risco do preconceito está quando colocamos rótulos, insubstituíveis. Quando absolutizamos os “pre-conceitos” sem darmos oportunidade a que o conceito novo ocorra. Se deixarmos que ele nos envenene o espírito de abertura, a surpresa, a renovação, então é perigoso e mau.

Existe o preconceito connosco mesmos: quantas vezes somos demasiado preconceituosos connosco. Não acreditamos em nós mesmos, não nos damos ao luxo de novas oportunidades, pensamos mal de nós mesmos, achamos que não somos capazes, culpabilizando-nos de tudo. Os também pode ocorrer o preconceito em pensarmos que somos os únicos bons, os únicos certos, os únicos inocentes. Muitas das vezes, estes preconceitos são criados pro causo de um outro preconceito.

O preconceito com os outros. Passamos a vida a julgar os outros, a rotular as pessoas, sem termos um conhecimento o mais profundo possível da pessoa, dos seus valores, das suas razões, da sua vida. Somos muito bons a dar conselhos sem primeiro “calçar os sapatos do outro”. Sem ouvirmos, sem entendermos, sem nos colocarmos no seu lugar. Quantas vezes pensamos que alguém que nos magoou o fez de propósito, e não vemos que essa pessoa pode estar a sofrer muito e que por isso magoou. Mas como vivemos numa sociedade que julga, que não ouve, e que disfarça e magoa, entramos neste sistema que nos rouba a paz e o discernimento.

Existe o preconceito em relação a Deus. Criamos um Deus à nossa medida, em função das nossas tradições, e a encaixar perfeitamente na doutrina que queremos transmitir. Em nome de Deus já se cometeram muitas barbaridades, se magoou muita gente, e ainda se continua a fazer. A Igreja já queimou muitas pessoas porque pensavam de forma diferente, ou porque tinham opções diferentes, consideradas erradas na época. Já vimos um papa pedir perdão. Mas será que serviu de lição? Ainda hoje se continua a queimar pessoas que pensam diferente, que optam por situações de vida diferente, que falam de um Deus de amor e de perdão, em que a doutrina é apenas uma ajuda para conhecermos melhor Deus e não para controlar as pessoas e aprisionar Deus nesses conceitos puramente humanos. E falo mesmo em queimar. Não na fogueira, graças a Deus. Mas existe muitas formas de se queimar uma pessoa… considerada não grata, ou fora do sistema…

Deus é maior que todos os conceitos que dele fazemos. E precisamos de o descobrir pessoalmente, e não nos prendermos a preconceitos que nos transmitiram, a ideias feitas, sem a descoberta pessoal. Deus não está fora de moda. O que está fora de moda é a forma como muita gente fala dele e para ele. Deus é mesmo fixe. Deus quer que sejamos felizes. Deus ama-nos, olha-nos com amor, leva-nos ao colo, compreende, não julga, esta sempre comigo, ensina-me a acreditar em mim mesmo, a saber perdoar-me e a perdoar os os outros, a saber apreciar a vida, a dar valor ao essencial. Sem Deus… não imagino sem Deus, porque Deus está em mim e não posso existir sem a consciência de mim mesmo.

Para combater o preconceito, utilizemos a arma do amor. Não por palavras, mas em obras e em verdade. Amor que é sinónimo de: diálogo, perdão, tolerância, respeito, empatia, sorriso, atenção, simplicidade, pobreza (no sentido de precisar dos outros), partilha, solidariedade, serenidade, enriquecimento pessoal e dos outros, gratuidade, emoção, ternura, paz, serenidade…..

1 comment Maio 11, 2009

Semana Santa

hediedforyouComeça hoje, domingo de ramos, a semana santa. Vamos celebrar os momentos mais significativos da vida de Cristo, e que são o fundamento da nossa fé.

Jesus salvou-nos. Deu a vida como garantia da ceracidade da Sa mensagem. Fê-lo sem que lhe fosse pedido. Isto é verdadeiro amor. O que nos salvou não foi a cruz, ou Jesus ter morrido na cruz. O que nos salvou, foi o AMOR, do qual a cruz é o sinal máximo.

A causa da sua condenação foi ter pronunciado o nome de Yahve. Quando o sumo sacerdote pergunta a Jeus: “Tu és o filho de Deus?” ele responde: “Eu Sou”. Este eu sou não é um assentimento ao que lhe foi perguntado. Lembremos que este foi o nome dado a Moisés no episódio da sarça ardente. O judeu não podia pronunciar o nome de Deus, Yahve. Por isso, criou outros dois nomes: Adonai e Heloim. Jesus não responde ao sumo sacerdote. Ele diz quem é. Jesus disse um dia: “A minha vida ninguém ma tira… sou eu que a ofereço”. E fê-lo.  Ofereceu porque ama. Por isso pergunta S. Paulo: “Que nos poderá afastar do amor de Deus? A fome, a espada, a nudez, o perigo? O próprio Jesus? Mas como pode ser, se Ele deu a vida por nós?” Ninguém nos pode separar do amor de Deus, nem o pecado tem tanto poder. Só nós poderemos não querer esse amor, mas nem mesmo assim Deus nos deixa de amar.

Add comment Abril 5, 2009

Deus também reza…

3 comments Março 28, 2009

Hoje…

Hoje quero sentir…. e dizer…. “Eu estou no coração de Deus”. “Eu sou muito especial para Ele”. “Que bom é o colinho de Deus”.

6 comments Janeiro 31, 2009

Sentir “a graça” no advento

Começamos mais um ano litúrgico, com o início do tempo do advento. Este tempo deve ser um despertar para a necessidade da vigilância, de uma espera activa pela vinda do salvador. Esta espera activa deve ser caracterizada pelo empenho na construção de um mundo melhor, mais humano e mais divino. Deve ser um tempo de paragem exterior, para nos encontrarmos com o nosso interior. As necessidades do mundo obrigam-nos a correr tanto, que nos esquecemos de nós mesmos, e das coisas que não são materiais. Andamos deprimidos porque divididos. Porque perdemos a alma numa encruzilhada da vida. Para conseguirmos levantar-nos da inércia, precisamos de um incentivo. Deus oferece-nos  “A GRAÇA”, como diz S. Paulo na segunda leitura deste fim de semana.

O que é “a graça”? Tem origem no hebraico “hen”, e traduz a imagem da mãe que embala o seu bebé nos braços, aconchegando-o, olhando para ele com ternura e amor, querendo protegê-lo de tudo, para que se sinta confiante, amado e seguro. A graça define Deus: amor e beleza. O desafio que nos é lançado é duplo; primeiro, para para sentir este olhar e o colo de Deus. Segundo, irmos ao encontro dos irmãos com esta graça, com este olhar.

Add comment Novembro 29, 2008

Porque celebrar missa pelos defuntos?

A missa, seja celebrada numa igreja da aldeia ou na catedral, pelo bispo, tem um alcance universal. O que se faz presente, a saber, o sacrifício de Cristo oferecendo a sua vida ao Pai num extraordinário gesto de amor, é “por nós e por todos”. A Eucaristia, sacramento do amor, converte-nos em contemporâneos do sacrifício de Cristo ao Pai, a fim de nos podermos associar a este gesto de oferenda e participar na obra da nossa salvação e da salvação do mundo.
O alcance universal da celebração da Eucaristia permite, ao sacerdote, que a celebre por intenções particulares.
As intenções são diversas: afectam a vida das pessoas, os acontecimentos que as marcam, e também pelos fiéis defuntos.

A morte: ruptura das relações
A morte é sempre uma separação, uma ruptura da relação com o ser que amávamos.
S. Paulo exorta-nos a não nos deixarmos abater como aqueles que não têm nenhuma esperança. Ele não nos pede, e forma alguma, que neguemos o sofrimento, mas que o vivamos à luz da esperança oferecida pelo Ressuscitado, Jesus. Tendo oferecido a sua vida pela humanidade, Cristo abre-nos o acesso à Vida de Deus.
O núcleo da esperança do cristão está presente em cada Eucaristia: anunciamos a morte do Senhor Jesus e celebramos a sua ressurreição esperando a sua volta. Celebrar a Eucaristia é, de alguma maneira, situar-nos no ponto de passagem entre o nosso mundo e o Reino de amor e de felicidade que é a terra prometida de todos os que passam por Cristo. Ele disse-nos” Eu sou a porta” (Jo 10,99), “ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo 14,6). Cristo presente na Eucaristia reúne todos os que estão ainda a caminhar na terra e reconhecem n’Ele o seu Salvador, o Caminho, a Verdade e a Vida. Mas o Cristo que nos recebe na Eucaristia está também na comunhão com todos aqueles que já deixaram este mundo e partiram para a casa do Pai.

Restabelecer uma ligação na comunhão em Cristo
Quando confiamos uma intenção da missa por um defunto, vivemos em Cristo Ressuscitado um encontro misterioso com aquele ou aquela que já entrou na Vida. A Comunhão dos Santos, estabelecida em Cristo, faz viver em comunhão aos viventes na terra e aos viventes no céu. Unidos a Cristo na celebração da Eucaristia estamos em comunhão com os nossos defuntos. Rezamos a Cristo por eles e eles rezam por nós. A Eucaristia converte-se no espaço de um misterioso intercâmbio e de uma profunda comunhão de amor e de oração com aqueles que já viveram a sua páscoa decisiva para o Pai. Estamos muito além de uma simples recordação dolorosa, vivemos dentro de uma misteriosa presença entre uns e outros, no seio de uma comunhão estabelecida pelo dom do amor de Cristo e vivificado permanentemente pelo Espírito.
Pagamos a intenção da missa e não a missa. Não se trata de comprar a missa como se o mistério celebrado tivesse um valor comercial.
A antiga prática de confiar uma intenção pelos nossos defuntos, é um gesto de afecto e de vinculação com aqueles que já nos deixaram. Permite-nos viver a sua ausência e mantém a nossa esperança. Faz-nos comungar com o mistério de amor em Cristo que nos vincula uns aos outros (Jean-Luc Brunin, Bispo de Ajaccio, in Misa Dominical)

Devemos deixar de parte qualquer reminiscência de magia: mandar celebrar muitas missas levam, automaticamente, as almas para o céu. A missa tem um valor incomensurável. Na minha opinião, Deus não precisa que lhe peçamos para alguém ir para o céu. O Deus que eu acredito, é um Deus cheio de amor, é Pai, e está ansioso por nos receber no seu colo, para nos embalar com a sua doce voz e nos olha com toda a ternura, tal como a mãe que embala o seu bebé. A Eucaristia faz-nos estar ligados a este mistério de amor, a esta comunhão de vida, e à fraternidade entre os cristãos, que se fazem solidários entre si, rezando uns com os outros. Mais do que rezar pelos mortos, rezamos com eles. Será que Deus nos deixa a sofrer, como “vingança” de algumas falhas cometidas e que não quebraram a comunhão definitiva com Ele? Acho que não. O amor de Deus tudo purifica e a todos salva. É incondicional. Deus não ama. DEUS É O AMOR.

2 comments Novembro 3, 2008

Experiência humana

o primeiro passo para uma catequese bem dada, depois do acolhimento, é a experiência humana. É verdade. Mas como a fazemos? Um faz de conta? Ouvimos efectivamente as crianças, no seu mundo concreto e com as experiências vividas? Damos importância a isso, ou estamos a brincar ao faz de conta?! Já se lembraram que, muitas vezes, as crianças não ouvem o catequista, porque este não os ouve primeiro a eles?

Temos de repensar muito bem este passo, reajustar a metodologia, utilizar novas linguagens, incentivar a pesquisa e a reflexão crítica, desenvolver o espírito de respeito pela diferença.

Não podemos fazer das crianças um mero depósito de conteúdos, que o catequista quer transmitir, de uma forma absoluta e inquestionável. Elas desempenham um papel activo no seu próprio crescimento. É preciso envolvê-las na construção da sua identidade e do seu percurso de fé. Caso contrário, o cenário que hoje nos aflije, vai-se agravar: crianças que frequentam a catequese, por obrigação, mas que andam afastadas da prática religiosa, sem uma experiência de fé concreta.

Quando é que abrimos os olhos, somos sinceros e humildes, e reconhecemos que podemos estar a utilizar uma pedagogia e uma linguagem desadequada à realidade de vida das nossas crianças?! Vamos continuar orgulhosamente sós, convencidos de que está tudo bem e continuar a insistir no mesmo discurso e práticas? Temos medo de quê? De tornar Deus mais próximo da humanidade? Mas não foi isso que Cristo veio fazer? E nós a fazer o contrário… a afastar Deus da vida dos homens.

7 comments Setembro 10, 2008

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