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Linguagem simbólica

Na catequese, nas celebrações, na vida, precisamos reaprender a utilização da linguagem simbólica. Ela é um veículo de comunicação excelente.
O Simbolismo constitui a elevação emocional ou espiritual de um objecto. Depois de ter aprendido a beleza e potencialidades dessa linguagem, os objectos deixam de ser simplesmente mais um objecto, para nos fazer entrar no mundo da emoções e experiências. O símbolo é uma realidade que não se pode negar, pois é um meio através do qual a pessoa exprime os seus sentimentos mais íntimos, de uma forma natural.
Educar à simbologia significa levar a pessoa a encontrar-se consigo mesma, com os outros e com Deus:
* A experiência simbólica promove a abertura das portas da vida, dando acesso à interioridade e ao transcendente.
* O símbolo promove um regresso aos valores que tornam o homem mais humano na sua interacção com os outros, cultivando a autenticidade, a sinceridade e a comunicação.
* A acção simbólica é um dos meios privilegiados para a recuperação do espiritual, dando acesso ao belo, ao nobre e ao eterno.

Muitas vezes o símbolo não é valorizado na educação e no processo de socialização porque não se tem uma noção correcta dele. Se eu desconheço o valor de um presente, não lhe atribuo qualquer importância.
Origem da palavra: A palavra grega symbolom significa unir duas partes de um objecto que anteriormente foi partido. Hoje entende-se por símbolo um signo (toda a realidade material que tem um significado que o transcende) no qual convergem simultaneamente diversos significados e que projecta a pessoa para um nível do ser diferente do que podem captar directamente os sentidos.
O símbolo tem a ver com um objecto que adquire o significado de uma realidade transcendente. É um objecto carregado de significação invisível e de dimensão espiritual.
A definição da palavra símbolo desafia-nos a criar o hábito de olharmos para além das aparências. Só quem olha para além da exterioridade é capaz de captar a sua riqueza significativa.

Funções dos símbolos
O símbolo fala à inteligência: estabelece uma relação entre o objecto e a mensagem nele contida, o símbolo dirige-se à inteligência para comunicar uma verdade objectiva e subjectiva.
O símbolo fala ao coração: estabelecendo uma relação entre a mensagem e o emissor, o símbolo toca o mais profundo da pessoa, fazendo sobressair os sentimentos presentes no coração.
O símbolo fala à vontade: uma vez que estabelece uma relação ente a mensagem e o receptor, a pessoa que se confronta com um símbolo reage ao mesmo.
O símbolo fala a muitos ao mesmo tempo: Tem o poder de estabelecer a comunhão entre destinatários de uma acção simbólica. Leva a aprofundar a comunicação entre todos.
O símbolo fala por si: encerra em si beleza e a própria mensagem está contida na sua estética.

Esta educação é possível quando se criam espaços e momentos formativos com algumas condições específicas. Isso pode acontecer com a criação de ambiente: música de fundo, disposição da sala, luz, etc. O símbolo precisa de ser experimentado, tocado. Deve dar espaço à criatividade e à imaginação. Muitas vezes não se trata de criar símbolos novos, mas de viver de uma forma pessoal e original os símbolos humanos de sempre. Esta educação deve ser progressiva: começar pelos símbolos mais próximos da pessoa, passando para os símbolos da natureza. A partir destes símbolos, a pessoa aprende a dar um sentido àquilo que encontra na sua vida quotidiana: deixam de ser coisas habituais e sem importância para serem expressões de uma realidade mais profunda – bondade, amor, dor, morte ou poder.

1 comment Abril 3, 2009

Porquê?

Aqui há dias assisti a uma série de televisão, CSI, onde se investigava a morte um passageiro de um avião, por estar a incomodar e a por a vida dos outros em risco. Todos se colocaram no lugar dos outros passageiros, causadores da sua morte. Era natural, estavam a defender a sua vida. Ao que alguém disse: Nós vivemos cheios de preconceitos, julgamos saber tudo, julgamos os outros segundo o nosso ponto de vista. Se pararmos para olhar para o outro e perguntarmos o porquê, talvez se salve uma pessoa.
Naquele episódio, o homem estava a agir mal, não por maldade, mas por estar verdadeiramente doente. Se parassem para olhar, veriam que algo não estaria bem, e nunca teria chegado tão longe.
Vivemos demasiado ocupados e distraídos. Descuramos e descuidamos. Reaprendamos a olhar, a descobrir os porquês, e talvez salvemos alguém. Não presumamos… perguntemos. A isto se chama empatia: saber colocar-se no lugar do outro, no seu contexto de vida, com a sua formação. Como dizia alguém, é preciso calçar os sapatos do outro para saber onde lhe aperta.
Esta pedagogia deve ser aplicada na catequese e na educação dos filhos.

5 comments Abril 1, 2009

Educação por competências

No contexto educativo, fala-se cada vez mais do ensino por competências. Esse novo modo de ensinar, usado pelos educadores, pode ajudar, em muito, na catequese.
Lembre-se dos últimos encontros catequéticos que deu: reuniu o grupo, falou, explicou, deu exemplos, celebrou e se desdobrou para que o grupo entendesse o tema.
Alguns até levantaram a mão para fazer uma ou outra pergunta, mas, no geral, todos ficaram quietos, “prestando atenção”.
Será que eles estavam realmente interessados? Depende.

É consenso entre os pensadores da educação que a criança só interioriza o que você ensina se estiver de alguma forma, ligada ao conteúdo por um desafio, uma motivação. Ou se perceber a importância e a aplicação de tudo aquilo que você quer transmitir.
Essa contextualização é uma das bases do ensino por competências, palavra de ordem da educação. O objectivo dessa abordagem é ensinar aos catequistas o que eles precisam aprender para ensinar seus catequizandos a serem cidadãos que saibam analisar, decidir, planejar, expor suas ideias e ouvir as dos outros.
Enfim, para que possam ter uma participação activa sobre a sociedade em que vivem.
Não há nenhuma receita simples para aprender a ensinar dentro dessa nova concepção. Pode-se começar por compreender como ela surgiu. Até a conferência de 1990 em Jomtien, na Tailândia — onde foi elaborada a Declaração Mundial sobre Educação para Todos —, os processos educativos estavam calcados no que o físico e educador paulistano Luiz Carlos Menezes chama de ensino cartorial. Ou seja, um agrupamento de assuntos para memorizar ou exercícios para praticar à exaustão.
Naquele encontro, concluiu-se que havia necessidade de mudanças estruturais. Ficou claro que reformar a educação era uma prioridade mundial e as competências seriam o único caminho para oferecer, de facto, uma educação para todos. Tudo havia mudado: a sociedade, o mercado de trabalho, as relações humanas… só a educação continuava a mesma. Então, estava tudo errado? Não. O contexto social de épocas passadas aceitava aquela formação. O problema é que esse contexto não existe mais.
A sociedade tem hoje outras prioridades e exigências, em que a acção é o elemento chave. Simplesmente dar o conteúdo e esperar que ele seja reproduzido não forma o indivíduo. Quem não estiver preparado para o trabalho conceptual e criativo pode estar fadado à exclusão.
A catequese agora tem também o papel de ser espaço onde as relações humanas são moldadas. Deve ser usada para aprimorar valores e atitudes, além de capacitar o indivíduo na busca de Deus.

Mas, afinal, o que são essas competências? E como desenvolvê-las? O dicionário Aurélio define essa palavra como “qualidades de quem é capaz de apreciar e resolver certos assuntos”.
Ela significa ainda habilidade, aptidão, idoneidade. Muitos conceitos estão presentes nessa definição: competente é aquele que julga, avalia e pondera; acha a solução e decide, depois de examinar e discutir determinada situação, de forma conveniente e adequada. É ainda quem tem capacidade resultante de conhecimentos adquiridos.

Sim, agora são todos esses os objectivos que se deve perseguir ao elaborar um projecto pedagógico. Para Philippe Perrenoud, sociólogo suíço especialista em práticas pedagógicas, competência em educação é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos — como saberes, habilidades e informações — para solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações.
Outras necessidades estão ligadas a contextos culturais, profissionais e condições sociais. “Os seres humanos não vivem todos, as mesmas situações e as competências devem estar adaptadas a seu mundo”, teoriza Perrenoud. “Viver na selva das cidades exige dominar algumas delas; na floresta virgem, outras. Da mesma forma, os pobres têm problemas diferentes dos ricos para resolver.”

Diante desse quadro, a primeira dúvida que surge diz respeito aos conteúdos. Eles deixam de existir? Não. Ninguém aprende nada desvinculado do conhecimento teórico. Trata-se de trabalhar essas informações de forma diferente, dando-lhes significado. É o que se chama de ensino contextualizado. Uma coisa é você explicar no grupo um tema. Outra é comparar e testemunhar a vida com este tema.
A motivação é criada a partir da geração de conflitos. Resolver um desafio estimula o grupo. É mais importante que o catequizando saiba lidar com a informação do que simplesmente retê-la. Depois de lançada uma tarefa em que todos se envolvam, até uma catequese expositiva pode ter lugar. Nesse caso, ela estará inserida na resolução de um problema concreto e a teoria ganhará uma finalidade aplicável. Trabalhar assim significa o fim do conteúdo pelo conteúdo.

Todos sabem que, na prática, as mudanças ainda vão consumir muito tempo até serem bem assimiladas. Até lá, continuarão existindo as boas e as más maneiras de catequizar. Mas que ninguém duvide: esse novo jeito de educar, que dá oportunidade a todos de aprender, será “a” referência em educação e, mais cedo ou mais tarde, servirá para diferenciar os melhores catequistas e as comunidades que merecem destaque. Por um motivo simples, quem não se actualizar vai formar pessoas fora do seu tempo.

Fonte: Catequese Express

10 comments Outubro 8, 2008

Experiência humana

o primeiro passo para uma catequese bem dada, depois do acolhimento, é a experiência humana. É verdade. Mas como a fazemos? Um faz de conta? Ouvimos efectivamente as crianças, no seu mundo concreto e com as experiências vividas? Damos importância a isso, ou estamos a brincar ao faz de conta?! Já se lembraram que, muitas vezes, as crianças não ouvem o catequista, porque este não os ouve primeiro a eles?

Temos de repensar muito bem este passo, reajustar a metodologia, utilizar novas linguagens, incentivar a pesquisa e a reflexão crítica, desenvolver o espírito de respeito pela diferença.

Não podemos fazer das crianças um mero depósito de conteúdos, que o catequista quer transmitir, de uma forma absoluta e inquestionável. Elas desempenham um papel activo no seu próprio crescimento. É preciso envolvê-las na construção da sua identidade e do seu percurso de fé. Caso contrário, o cenário que hoje nos aflije, vai-se agravar: crianças que frequentam a catequese, por obrigação, mas que andam afastadas da prática religiosa, sem uma experiência de fé concreta.

Quando é que abrimos os olhos, somos sinceros e humildes, e reconhecemos que podemos estar a utilizar uma pedagogia e uma linguagem desadequada à realidade de vida das nossas crianças?! Vamos continuar orgulhosamente sós, convencidos de que está tudo bem e continuar a insistir no mesmo discurso e práticas? Temos medo de quê? De tornar Deus mais próximo da humanidade? Mas não foi isso que Cristo veio fazer? E nós a fazer o contrário… a afastar Deus da vida dos homens.

7 comments Setembro 10, 2008

Atitude positiva

As leituras deste fim de semana, fizeram-nos fazer reflectir sobre a correcção fraterna, feita com amor e para o bem da pessoa. Muitas vezes, com a ideia de uma pseudo-educação que pretende corrigir os que erram, cometemos verdadeiras atrocidades pedagógicas, com efeitos devastadores na vida emocional e psiquica da pessoa corrigida.

Na catequese, também nos deparamos com estas situações, onde pretendemos corrigir e reprimir comportamentos desviantes de algumas crianças. É legítimo que o façamos. Mas o modo de o fazermos deve ser reflectido, para que os estragos não sejam maiores. Uma história para nos fazer pensar: um dia, um rei teve um sonho. Quando acordou, mandou chamar alguns sábios, a fim de que interpretassem o seu sonho. Depois de terem reflectido, chegaram junto do rei e disseram: “majestade, temos uma má notícia para lhe dar: lamentamos informar que o seu sonho quer dizer que o Senhor vai perder toda a sua família, ficando sozinho”. O rei não gostou, e mandou castigar os sábios. De seguida, mandou chamar outro sábio. Este, depois de ter reflectido, comunicou ao rei: “majestade, tenho uma boa notícia para lhe dar; o Senhor vai sobreviver à sua família”. E o rei, agradado pela notícia, cumulou o sábio com riquezas.

Tem direito a corrigir quem antes soube elogiar. Porque é que a maioria das nossas palavras são negativos e para repreender?  A palavra “não”, está sempre pronta a ser proferida, mesmo antes de ouvirmos o que o outro tem a dizer.Quantas vezes elogiamos os nossos catequizandos por virem à catequese? Por se portarem bem?

Quando olharmos para a pessoa, não olhemos apenas para os seus defeitos. Vejamos a pessoa no seu todos, com virtudes e defeitos. Nessa altura, a correcção pode doer, mas não magoa. E então, surtirá os efeitos desejados.

1 comment Setembro 8, 2008

Tecnologias na catequese

Temos ouvido falar das novas tecnologias que devem estar ao serviço da educação. Mas que tipo de utilização é que se pode fazer das tecnologias na catequese?

Há quem pense que passa por fazer umas apresentações para mostrar às crianças.
E muitos catequistas já o fazem. Desta forma, estão a utilizar o computador apenas como um recurso pedagógico. É bom… mas é preciso ir mais longe.

Quando se fala da integração das tecnologias na educação, estamos a falar de recursos e de estratégias. Isto é, é preciso repensar a forma de fazer catequese, optando por outra pedagogia. É bom que se tenha conteúdos (apresentações/filmes) para apresentar. Mas não podemos esquecer que precisamos de questionar a metodologia que vem sendo adoptada.

O catequista não deve ser apenas o fiel transmissor da doutrina, fazendo das crianças depositários passivos, sem espírito crítico, não valorizando as suas experiências de vida e saberes construídos previamente. O catequista deve assumir o papel de facilitador, de orientador, menos directivo, promovendo a interacção dentro do grupo, o trabalho de pesquisa e a capacidade de reflexão crítica. Assim, a criança aprende de uma forma mais autónoma, activa, com respeito pela diferença, com espírito crítico (capacidade de reflexão) e, por isso, mais significativa, isto é, cujo efeito perdure e se concretize na vida.

Os saberes construídos em cada encontro, juntamente com os conhecimentos prévios, e a interacção com o grupo e outras pessoas externas ao mesmo, permitirão a construção de novos caminhos para novas situações. Para melhor entendermos, apresentamos uma imagem: a forma de manter a areia na mão, é mantê-la aberta; se a fecharmos, com medo de perder a areia, esta escapa-se por entre os nossos dedos, e quando abrirmos a mão, restam poucos grãos.

Uma das situações problemáticas, com que nos deparamos na sociedade actual, é as crianças fruto de famílias desagregadas. Estas, sem culpa, terão que faltar frequentemente à catequese, em virtude de terem de passar fins-de-semana, alternados, com os progenitores. Consequência: faltas contínuas à catequese, falta de acompanhamento, e consequente desmotivação e desvinculação. Não esquecendo a pseudo questão da justiça em relação aos outros que são assíduos.

Será que não podemos fazer nada que minimize esta situação? Será que vamos ficar impávidos e serenos, ou a apregoar contra esta situação, em vez de procurarmos soluções?

Dentro do espírito de uma nova metodologia, e tentando encontrar uma resposta a esta situação problemática e desafiante, a Internet reúne uma séria de potencialidades que podem e devem ser aproveitadas ao serviço da catequese.

Não diabolizemos a Internet, culpando-a de todos os males. Encontremos, antes, soluções motivadoras, capazes de atrair e apostando em bom conteúdo. Não falo da simples navegação na Internet, mas de aproveitar os diversos serviços e ferramentas que ela disponibiliza.

Para não me alongar mais, fico por aqui, mas deixo a porta aberta para o debate sobre estas e outras questões. Não pretendo oferecer soluções perfeitas, mas estimular o debate e a reflexão, com espírito aberto.

8 comments Agosto 29, 2008

Comentários

Olá a todos. Eu não tenho lançado muitos artigos neste blogue, porque pretendo que os visitantes aprofundem os temas já lançados. Existe uma tendência acentuada para os esgotar numa simples leitura, numa passagem por um ou outro comentário, por uma impressão, e pouco em reacção concreta. Gostaria que os visitantes não se limitassem a ler. Mas que reflectissem, de uma forma crítica, aquilo que aqui é exposto. Gostariam que lessem os comentários inseridos, e que também eles fossem considerados como um artigo do autor, e que merecem ser lidos e comentados. Comentem os comentários. Este blogue não pretende ser apenas um diário pessoal. O nosso objectivo é reflectir, partilhar, aprender, divulgar. Aguardamos por vocês.

4 comments Julho 14, 2008

Educação

Uma carta de um sobrevivente dos campos de concentração judeu, ao director do New York Time.
“Caros professores, sou um sobrevivente de um campo de concentração. Os meus olhos viram o que jamais olhos humanos deveriam ver:
- Câmaras de gás construídas por engenheiros doutorados;
- Adolescentes envenenados por físicos eruditos;
- Crianças assassinadas por enfermeiras diplomadas;
- Mulheres e bebés queimados por bachareis e licenciados.
Por isso desconfio da Educação.
Eis o meu apelo: ajudem os vossos alunos a serem humanos. Que os vossos esforços nunca possam produzir monstros instruídos, psicopatas competentes.
A leitura, a escrita e a aritmética só são importantes se tornarem as nossas crianças mais humanas.”

2 comments Maio 29, 2008

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