Posts filed under 'história'
Os dois prisioneiros
Um dia, dois homens foram feitos prisioneiros. Os raptores, meteram o primeiro numa jaula, dizendo-lhe: Tens 10 minutos para fugires. Ao fim desse tempo, colocamos um tigre na jaula. O homem debateu-se com toda a energia para se libertar. Avistou a chave da jaula, do lado de fora, no chão, e tentou, por todos os meios, alcança-la. Depois de passado o tempo, entrou o tigre que devorou o prisioneiro.
Ao segundo, deram-lhe as mesmas indicações. Depois dos primeiros momentos de nervosismo, e ao ver que também não conseguia alcançar a chave, respirou fundo, dirigiu-se à porta da jaula, meteu a mão, e a porta abriu-se, conquistando desta forma a sua liberdade.
7 comments Outubro 8, 2009
Início da catequese
Começamos, este fim de semana, a catequese paroquial de Sequeirô e Lama. Foi bom sentir o reboliço provocado pela presença das crianças. A sua jovialidade faz-nos falta, para nos ajudar a despertar a criança que vive adormecida dentro de nós. Se queremos encontrar a paz, precisamos de a acordar e de viver em paz com ela. A criança vive sem complexos, cria e sonha coisas novas, não se acomoda, continua a fazer perguntas à vida, deixa-se encantar e surpreender pela vida, arrisca, não pauta a sua vida e postura pela vergonha e complexos do que os outros possam pensar.
Ao começar este ano pastoral, vamos começar também a nossa formação e partilha de experiências no âmbito da catequese. Começo com uma história e um desafio. Qual a relação desta história com a catequese?
Dois discípulos procuraram um mestre para saber a diferença entre Conhecimento e Sabedoria.
O mestre disse-lhes:
Amanhã, bem cedo, coloquem dentro dos sapatos vinte grãos de feijão, dez em cada pé. Subam, em seguida, a montanha que se encontra junto a esta aldeia, até o ponto mais elevado, com os grãos dentro dos sapatos.
No dia seguinte os jovens discípulos começaram a subir o monte.
A meio do caminho, um deles passava por um grande sofrimento: os pés estavam doloridos e ele reclamava muito.
O outro subia naturalmente a montanha.
Quando chegaram ao topo, um estava com o semblante marcado pela dor; o outro, sorridente.
Então, o que mais sofreu durante a subida perguntou ao colega:
- Como é que conseguiste realizar a tarefa do mestre com alegria, enquanto para mim foi uma verdadeira tortura?
O companheiro respondeu:
- Meu caro colega, ontem à noite cozinhei os vinte grãos de feijão.
É comum que se confunda Conhecimento com Sabedoria, mas essas são coisas bem diferentes. Se prestarmos atenção, podemos verificar que a diferença é clara e visível.
O Conhecimento é o somatório das informações que adquirimos, é a base daquilo que chamamos de Cultura. Podemos adquirir Conhecimento sem sequer vivermos uma experiência fora dos livros e das aulas teóricas. Podemos tornar-nos Cultos sem sairmos da reclusão de uma biblioteca.
Já a Sabedoria, por outro lado, é o reflexo da vivência, na prática, quer pela experimentação, quer pela observação, da utilização dos conhecimentos previamente adquiridos. Para se ser Sábio é preciso viver, experimentar, ousar, ponderar, amar, respeitar, ver e ouvir a própria vida.
É preciso buscar, sim, o conhecimento, a informação. Deve-se atentar para não se tornar alguém fechado em si mesmo e no próprio processo de aprendizagem.
Fazer isso é o mesmo que iniciar uma viagem e se encantar tanto com a estrada a ponto de se esquecer para onde se está indo.
E isso não parece ser uma atitude muito sábia. Então, sejamos Sábios :
vivamos, amemos e compartilhemos o que há em nossos corações!
E que saibamos cozinhar nossos feijões…
1 comment Setembro 21, 2009
Faz o teu próprio caminho
Facilmente seguimos ao caminho que outros nos apresentam. Como consequência, raramente esse será o nosso caminho. Queremos sempre a aprovação dos outros. temos medo de avançar, de arriscar. temos receio do não, da reprovação. E com isso, não viveremos verdadeiramente. Seguir o meu caminho nem sempre é sinal de acerto. Mas, mesmo errando, estamos a caminhar, estamos a prender, estamos a crescer, ao contrário de quem não o faz. Não nos deixemos traumatizar pelos nãos dos outros.
Jesus preparou os discípulos para a rejeição. Para o sucesso é fácil. Viver o insucesso sem traumas exige preparação. Jesus não quer que os discípulos guardem o pó das cidades que os não receberem. Isto é, não guardarem ressentimentos, memórias tristes (sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles). Quanto tempo desperdiçado com coisas inúteis quando poderíamos ter sido muito mais felizes se nos libertássemos dessas traumas…
Ouçamos as vozes que nos orientam, mas não manipulam. Criemos os nossos próprios objectivos.
Ninguém será feliz ou infeliz em nossa vez.
Sobre este assunto, uma história, para nos ajudar a reflectir:
Um dia, um bezerro precisou atravessar uma floresta virgem para voltar a seu pasto. Sendo animal irracional, abriu uma trilha tortuosa, cheia de curvas, subindo e descendo colinas.
No dia seguinte, um cão que passava por ali, usou essa mesma trilha para atravessar a floresta.
Depois foi a vez de um carneiro, líder de um rebanho, que vendo o espaço já aberto, fez seus companheiros seguirem por ali.
Mais tarde, os homens começaram a usar esse caminho: entravam e saíam, viravam à direita, à esquerda, abaixavam-se, desviavam-se de obstáculos, reclamando e praguejando – com toda razão. Mas não faziam nada para criar uma nova alternativa.
Depois de tanto uso, a trilha acabou virando uma estradinha onde os pobres animais se cansavam sob cargas pesadas, sendo obrigados a percorrer em três horas uma distância que poderia ser vencida em trinta minutos, caso não seguissem o caminho aberto por um bezerro.
Muitos anos se passaram e a estradinha tornou-se a rua principal de um vilarejo, e posteriormente a avenida principal de uma cidade. Todos reclamavam do trânsito, porque o trajecto era o pior possível.
Enquanto isso, a velha e sábia floresta ria, ao ver que os homens têm a tendência de seguir como cegos o caminho que já está aberto, sem nunca se perguntarem se aquela é a melhor escolha.
1 comment Julho 13, 2009
Histórias da vida
ERA UMA VEZ…
4 funcionários chamados Toda-a-Gente, Alguém, Qualquer-Um e Ninguém.
Havia um trabalho importante para fazer e Toda-a-Gente tinha a certeza que Alguém o faria. Qualquer-Um podia fazê-lo, mas Ninguém o fez. Alguém se zangou porque era um trabalho para Toda-a-Gente. Toda-a-Gente pensou que Qualquer-Um podia tê-lo feito, mas Ninguém constatou que Toda-a-Gente não o faria. No fim, Toda-a-Gente culpou Alguém, quando Ninguém fez o que Qualquer-Um poderia ter feito.
Foi assim que apareceu o Deixa-Andar, um 5º funcionário para evitar todos estes problemas.
9 comments Fevereiro 17, 2009
Atitude positiva
As leituras deste fim de semana, fizeram-nos fazer reflectir sobre a correcção fraterna, feita com amor e para o bem da pessoa. Muitas vezes, com a ideia de uma pseudo-educação que pretende corrigir os que erram, cometemos verdadeiras atrocidades pedagógicas, com efeitos devastadores na vida emocional e psiquica da pessoa corrigida.
Na catequese, também nos deparamos com estas situações, onde pretendemos corrigir e reprimir comportamentos desviantes de algumas crianças. É legítimo que o façamos. Mas o modo de o fazermos deve ser reflectido, para que os estragos não sejam maiores. Uma história para nos fazer pensar: um dia, um rei teve um sonho. Quando acordou, mandou chamar alguns sábios, a fim de que interpretassem o seu sonho. Depois de terem reflectido, chegaram junto do rei e disseram: “majestade, temos uma má notícia para lhe dar: lamentamos informar que o seu sonho quer dizer que o Senhor vai perder toda a sua família, ficando sozinho”. O rei não gostou, e mandou castigar os sábios. De seguida, mandou chamar outro sábio. Este, depois de ter reflectido, comunicou ao rei: “majestade, tenho uma boa notícia para lhe dar; o Senhor vai sobreviver à sua família”. E o rei, agradado pela notícia, cumulou o sábio com riquezas.
Tem direito a corrigir quem antes soube elogiar. Porque é que a maioria das nossas palavras são negativos e para repreender? A palavra “não”, está sempre pronta a ser proferida, mesmo antes de ouvirmos o que o outro tem a dizer.Quantas vezes elogiamos os nossos catequizandos por virem à catequese? Por se portarem bem?
Quando olharmos para a pessoa, não olhemos apenas para os seus defeitos. Vejamos a pessoa no seu todos, com virtudes e defeitos. Nessa altura, a correcção pode doer, mas não magoa. E então, surtirá os efeitos desejados.
1 comment Setembro 8, 2008
Transgredir… também pode ser bom!..
Quando falamos de transgressões, facilmente somos levados a pensar numa visão negativa e a pensar mal da pessoa que transgride. Evidentemente que essa realidade pode estar presente. Mas não haverá uma perspectiva mais positiva da transgressão? Transgredir, de trans-gredior, significa dar um passo além de. Só quem ousa transgredir, de uma forma responsável, encontra novos caminhos, jamais trilhados. Falo de responsável, porque exige-se consciência e reflexão. Pode não sair bem à primeira, mas deixa um trilho. Devemos aprender a ter uma atitude crítica que nos leve a questionar e a procurar novos caminhos.
Uma história para ajudar a reflectir:
A tartaruga acaba de deixar o seu esconderijo para um passeio nocturno. O sapo vê-a a sair de casa àquela hora, e adverte-a: “A esta hora não é muito aconselhável sair, tartaruga”. Mas a tartaruga continua, e, arriscando um passo mais longo, vê-se virada de patas para o ar, sobre a sua própria couraça. O sapo exclama: “Eu bem te avisei, tartaruga; é uma imprudência sair a esta hora; morrerás aí!” “Bem sei, mas é a primeira vez que estou a ver o céu estrelado!”
2 comments Agosto 20, 2008
Brigar
Facilmente brigamos e nos chateamos uns com os outros, porque existem opiniões diferentes. E cada um quer vencer o outro. Chega-se ao ponto de já não discutir ideias, mas de atacar pessoas. E só porque eu não concordo com uma ideia diferente da minha, já digo que não presta, e que o seu autor é pouco inteligente, e nem sequer me dei ao trabalho de reflectir sobre isso. Existe sempre vários pontos de vista. Aprendamos a respeitar-nos mutuamente, a valorizar o outro. Ganhamos mais com o diálogo do que com a discussão.
Vejam esta história de Paulo Coelho:
Dois sábios, que viviam na mesma ermida no deserto do Saara, conversavam um dia:
“Vamos brigar para que não nos afastemos do ser humano”, disse um deles.
“Não sei como começar uma briga”, respondeu o outro.
“Pois façamos o seguinte: eu coloco este tijolo aqui no meio, e você me diz: ‘é meu’. Eu lhe responderei: ‘não, este tijolo é meu’. Então começaremos a discutir, e terminaremos brigando”.
E assim fizeram.
Um disse que o tijolo era dele. O outro contestou, dizendo que não.
“Não vamos perder tempo com isto, fique com este tijolo”, disse o primeiro.
“Sua ideia para a briga não foi muito boa”, disse o outro, depois de alguns minutos.
“Quando percebemos que temos uma alma imortal, é impossível discutir por causa de coisas”.
1 comment Junho 10, 2008
A folha de papel
A folha de papel era feliz, tinha vida, tinha alegria. Quando pegavam nela, ela cantava pois tinha música dentro dela. Ela tinha um mar de esperança à sua frente. Sonhava ser útil. Era essa a sua missão.
Mas um dia, uma pessoa pegou na folha. E frustrou os sonhos dessa folha de papel. Pegou na folha e foi-a amachucando. Cada vez mais. Até que ela ficou uma bola de papel.
Ah! Que fiz eu?! Amarrotei a folha e esqueci que precisava dela. Vou estiva-la e voltará a ser a mesma folha.
Oh! Afinal a folha já não é a mesma. Perdeu a alegria, perdeu a música. Já nem dança, pois está toda quebrada.
Façam a experiência com uma folha de papel. Ouçam o barulho que faz quando se mexe. Amarrotem-na. Voltem a esticá-la. Faz o mesmo barulho?
Pensemos na folha de papel sempre que pensarmos amachucar os sentimentos dos outros. Por mais que nos esforcemos, é muito difícil voltar ao que era antes. E para isso, vai ser preciso muito trabalho, muita atenção, muito empenho. Sempre.
1 comment Abril 17, 2008
Segredo da felicidade
Andava um jovem em busca da felicidade. Informado da existência de um sábio que o poderia ajudar, parte em busca dele.
Ao chegar, encontra um grande palácio, com muito movimento. Esperou bastante para ser atendido. Quando chegou a sua vez, faz a pergunta ao sábio, sobre o segredo da felicidade. Este respondeu: “agora não te posso responder. Mas pega nesta colher, e vai visitar o palácio, ver as obras de arte, mas não entornes as duas gotas de óleo que levas na colher”.
Passadas duas horas, volta o jovem, com as duas gotas na colher. Pergunta-lhe o sábio: “Então, conseguis-te apreciar as obras de arte do palácio e os seus jardins?”
“Não, respondeu o jovem. Estive tão preocupado em não entornar as gotas da colher que não consegui apreciar nada”.
“Então volta, e agora preocupa-te em apreciar as maravilhas do palácio”, diz o sábio.
O jovem volta a visitar o palácio e quando chega junto do sábio, diz: “Este palácio é muito bonito. Tem muitas obras de arte, lindas e valiosas. E os jardins são fabulosos!!”
“E as duas gotas na colher?”, pergunta o sábio.
“Desculpe… estava tão entretido a apreciar as maravilhas do palácio que me distraí e entornei as gotas” .
“Pois o segredo da felicidade está em apreciar as maravilhas do mundo e nunca esquecer as duas gotas na colher”, sentenciou o sábio.
2 comments Fevereiro 25, 2008