Posts filed under 'Igreja'
Semana dos Seminários
Poderemos ver o filme com a mensagem do Sr. Arcebispo de Braga para a semana dos seminários que começa este fim de semana. Mas também gostaria de lançar um desafio a todo o povo cristão: O padre é um enviado de Deus e da Igreja, para as comunidades, situados num tempo muito preciso. Seria bom ouvir as as expectativas do povo de Deus: de que tipo de padres precisamos nós, de forma a que a mensagem de Cristo seja anunciada e vivida de forma convicta e inteligível? Que precisará mudar na Igreja, hierarquia e povo de Deus, para haver mais vocações?
2 comments Novembro 6, 2009
Ser padre
Hoje comemoro 13 anos de vida sacerdotal (não contabilizando os anos de formação, desde os 11 anos). Muitos anos dedicados a esta causa, abdicando e conquistando muito.
Neste dia, partilho este pensamento (creio ser da minha autoria):
- Gosto do que faço, porque faço como gosto. Quando não fizer como gosto, deixarei de gostar do que faço. -
Para mim, ser padre é estar, primeiramente, ao serviço do Deus que descobri, creio e amo, e não do que me impuseram. Servir o povo, enquanto poder ser útil. A Igreja? A Igreja é todo o povo de Deus. A Hierarquia, um instrumento, que toco como a minha consciência dita. Quanto mais conheço a igreja (hierarquia)… mais gosto de Deus. Recuso-me a ser como querem que os padres sejam: estúpido, cego, surdo e mudo.
8 comments Julho 21, 2009
João Paulo II e as mulheres
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As conversas reservadas entre o Pontífice e as ‘mulheres de gênio’ |
| O “gênio feminino” inspirou João Paulo II a um dos documentos mais importantes do pontificado, a carta apostólica “Mulieris dignitatem”, fruto de um compromisso ininterrupto para tornar mais visível, também em postos de responsabilidade, o papel das mulheres.
A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no jornal La Stampa, 04-06-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Na origem, está a sensibilidade do Papa polonês para com a outra metade do céu testemunhada pela correspondência de 50 anos com a amiga da juventude, Wanda Poltawska, e atribuída, por Dom Adam Boniecki (desde 1964 estreito colaborador em Cracóvia e em Roma), também ao fato de que, “não tendo frequentado regularmente o seminário, a sua esfera sentimental e afetiva não foi sufocada”. Circunstância pouco notada, Wojtyla teve uma série de encontros entre 1987 e 1988 com personalidades da cultura feminina e, particularmente, com um dos nomes de liderança da esquerda feminina pós-68, Maria Antonietta Macciocchi, deputada do Partido Comunista Italiano e parlamentar radical da União Européia, uma intelectual que provinha de praias distantes, as dos marxismo-leninismo. João Paulo II iniciou essas conversas no Palácio Apostólico com uma frase que se tornou um totem: “Creio no gênio das mulheres”. E acrescentou: “Deve ser promovida a autêntica emancipação feminina. Certa ciência se serve das mulheres como negócio para a mercantilização mais desenfreada e sem escrúpulos. É a mulher-negócio sobre a qual os bancos especializados calculam, como nos EUA”. Uma solicitação, documentada também no relato de Marie-Claude Decamps, que deu voz também à “Carta a todas as mulheres do mundo”, enviada ao Congresso da ONU de Pequim. “Até nos períodos mais obscuros da história encontra-se o gênio das mulheres que é o fermento do progresso humano e da história – sustentava Wojtyla. Cristo fazia tudo o que estava ao seu alcance para que as mulheres reconhecessem no seu ensinamento e no seu agir a subjetividade e dignidade que lhes são próprias.”. A “abertura” wojtyliana (“Que cada mulher possa expressar plenamente a riqueza da própria personalidade, a serviço da vida, da paz e do autêntico desenvolvimento humano”) apoiava-se na mensagem final do Concílio Vaticano II que anunciava: “Chegou a hora em que a mulher adquira no mundo uma influência, um alcance, um poder jamais alcançados até agora. Por isso, no momento em que a humanidade conhece uma mudança tão profunda, as mulheres iluminadas e vivificadas com o espírito do Evangelho, são elemento decisivo para que a humanidade não decaia”. Para Wojtyla, a mulher “é chamada a fazer parte da estrutura viva e operante do cristianismo”. Também por isso ele elevou centenas de mulheres às honras dos altares, em grande parte missionárias no Terceiro Mundo. http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=22937 |
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2 comments Julho 3, 2009
Fé=força interior
A fé será importante? Em que é que a fé contribui para a minha felicidade?
Fé e vida coexistem numa relação profunda e interdependente. Uma deve estar implicada na outra. A fé deve impregnar a nossa vida, e a vida deve estar presente na fé.
A nossas decisões, as nossas escolhas, são condicionadas mais pelas nossas emoções, por aquilo que acreditamos, que pela nossa razão. Por isso, Jesus nos convida a olhar bem para as nossas crenças, a termos consciência profunda delas.
Embora a nossa fé possa parecer algo insignificante, tal como o grão de mostarda, se ela crescer irá fazer toda a diferença no jardim da nossa vida. De que forma?
A fé não existe para alterar os acontecimentos da nossa vida. Ela ajuda-nos a olhá-los de outra perspectiva, e a controlar o efeito que eles provocam em nós, na nossa forma de pensar e de sentir. Embora não seja um exclusivo de quem acredita, mas a fé faz toda a diferença na nossa vida. Não aquela fé que nos abstrai da nossa vida para estarmos com Deus, mas aquela que traz Deus para a nossa vida.
Já reparam que a escola, a família, sociedade no geral, nos preparam para o sucesso, para o termos saúde, para o acertar sempre, para os elogios, para o sucesso profissional e pessoal, tal como a felicidade no amor e na amizade? Pergunto: quem nos prepara para o fracasso, para aprender com o erro, para as desilusões, para a falta de saúde?
A fé e a psicologia, em conjunto, desempenham um papel fundamental neste processo. Nos momentos mais difíceis, não é a razão que nos aguenta. Mas isto não se improvisa. Constrói-se, dia a dia, ininterruptamente. Tem de fazer parte da nossa identidade, do nosso crescimento e amadurecimento. A ajuda dos outros é muito importante, mas o ajudar-nos a nós mesmos, é muito mais. E esta força interior, esta energia positiva, é fruto de uma vida interior muito profunda e esclarecida, que a fé tão bem influencia.
É esta dimensão da fé que precisamos desenvolver na igreja e na catequese. A fé num Deus abstracto e distante não é, na minha opinião, a fé que Jesus dá e pede que desenvolvamos. Jesus apresentou-nos um Deus próximo, simples, meigo, “paizinho”. Não podemos ser nós a afastá-lo novamente em nome de um sagrado, justificado pelos preconceito humano e da ideia pretenciosa de saberem, com exclusividade, o que Deus quer. Aprendamos com Jesus, a utilizar uma linguagem adaptada aos ouvintes, a aproximar-nos das pessoas, e perdoar, a sermos tolerantes, simpáticos, com força interior positiva, abertura à novidade, à utilização da perspicácia e da psicologia, etc etc
Add comment Junho 14, 2009
Mudanças…
Esquecendo o verdadeiro motivo
Numa aldeia do deserto, as frutas eram raras. Deus apareceu a um profeta, e deixou um mandamento: “cada pessoa só pode comer uma fruta por dia”.
O costume foi obedecido por gerações.
O povo da aldeia irrigou o deserto, e plantou mais árvores. As frutas começaram a surgir em abundância. Mas todos respeitavam o mandamento, e as frutas apodreciam no chão.
A lei continuava, pois o profeta que a recebera havia morrido.
Um novo profeta surgiu: “agora já podem comer quantas frutas quiserem”, dizia.
Foi apedrejado.
As pessoas começaram a achar Deus ridículo, por permitir apenas uma fruta por dia. Os jovens abandonaram a religião, para comer o que queriam. E na igreja ficaram os que se achavam santos. Mas na verdade eram pessoas que tinham pavor de mudar qualquer coisa.
Paulo Coelho
Efectivamente, quantas vezes estamos agarrados a tradições, por medo e não por convicção, desconhecendo o porquê e o para quê, as razões da sua origem, e se as mesmas se mantêm actuais. O mais importante é o nosso crescimento interior, e isso só se consegue com reflexão, sem medo, com ousadia e o conhecimentos dos porquês.
3 comments Junho 6, 2009
Celibato
Alguns bispos, não em Portugal, começam a levantar a questão do celibato obrigatório.
“O celibato dos padres não é um preceito teológico”, afirma presidente da Conferência Episcopal Alemã. Segundo o arcebispo de Friburgo, “o celibato não é um preceito de direito divino mas eclesiástico”. As declarações do arcebispo foram dadas à revista Der Spiegel apresentando-se assim, poucos dias depois de ser eleito presidente da Conferência Episcopal Alemã, como muito progressista senão revolucionária.
O arcebispo afirma estar “contra a proibição de reflectir” sobre o abandono do celibato e explica:
Constatamos a diminuição das vocações, o desafio do Evangelho é difícil de ser transmitido. É óbvio que a ligação entre o ser padre e o celibato não é teologicamente necessário”. O arcebispo afirma estar consciente de que permitir o casamento dos padres “seria uma revolução que uma parte da Igreja não aceitaria” e por esta razão pensa que nada pode ser mudado sem a convocação de um Concílio “já que a abolição do celibato incidiria muito sobre a vida interna da Igreja”.
Faltando poucos dias para se aposentar, o cardeal e arcebispo da Arquidiocese de Nova York até o próximo dia 15 de Abril, Edward Egan, disse que a Igreja católica deveria rever o fim do celibato e permitir o casamento dos sacerdotes. “É uma discussão perfeitamente legítima”, afirmou o cardeal em Albany, a capital de Nova York, durante uma entrevista a uma emissora de rádio, a Talk 1300.
“Superar a dogmatização em torno do celibato obrigatório e da não ordenação de mulheres está entre os grandes desafios da Igreja na actualidade. Admitir essa necessidade é o primeiro e grande passo!”, escreve Dirceu Benincá, padre, doutorando em Ciências Sociais, PUC/SP. Em geral, a hierarquia tem séria resistência a tratar desse assunto, tomado quase sempre como doutrina certa, única e dogmática. Na Conferência de Aparecida, por exemplo, destacou-se o celibato como um dom (DA 196), o que não deixa de ser. Porém, há pessoas que não tem o dom do celibato, mas tem o dom da vocação sacerdotal. Por falta daquele, anula-se esse.
Artigo completo
Vale a pena lançar o debate. Será que o celibato deveria terminar? Justifica-se, hoje, a insistência da Igreja neste princípio puramente humano? Estarão os cristãos preparados para isso? (Todos dizer ser a favor, mas se algum deixa e casa, todos criticam e condenam a mulher)
E sobre a ordenação de mulheres? Que tem a mulher a menos, ou a mais, que os homens, que as impeçam de ser sacerdotisas? (Talvez a ideia, inconsciente, de mulher sinónimo de pecado, ainda enraizada na cultura da Igreja, por causa de Eva)
14 comments Março 26, 2009
O Papa e o preservativo
Ouvimos a afirmação que o Papa Bento XVI proferiu àcerca do preservativo na prevenção da Sida. Já ouvimos um coro de reacções contra esta ideia. Evidentemente que concordo com o princípio do Papa, que é, a valorização do ser humano, o respeito por si e pelo outro, que as pessoas não se convertam em “exploradores sexuais”.
Mas no que diz respeito ao preservativo, seja na prevenção da sida, ou não, considero que o Papa não está a viver no mundo de hoje, com as exigências que hoje se vivem. Em que é que o preservativo prejudica a nossa relação com Deus e com os outros? Estará o Santo Padre preocupado com a depravação sexual? Por amor de Deus: esses não querem saber das ideias do Papa. E a imagem que a Igreja está a passar é negativa. Mais: já ninguém liga ao que o Papa diz. E quanto mais se insiste neste assunto, e noutros, mais afasta as pessoas e mais credibilidade perde.
Fale-se dos valores cristãos, e esqueça-se o preservativo. Não é isso que interessa. A Igreja precisa de olhar para a sexualidade com naturalidade, e não com medo e o sentimento de pecado. Os pequenos passos que a Igreja foi dando já a deveria ter alertado para este assunto: em tempos, a relação sexual do casal era só para a procriação. Só muito mais tarde, foi vista, em segundo lugar, como fonte de união do casal. Mas impõem-se mudanças mais arrojadas. Sexo não tem de ser sinónimo de pecado. Eduque-se para os afectos e para a sexualidade, e deixemos de parte coisas que não têm importância nenhuma. Ouçamos o apelo que Senhor fez aos doutores da lei: “Ai de vós doutores da lei, que carregais as pessoas com fardos pesados e vós, nem com um dedo sequer, tocais nesses fardos”.
8 comments Março 19, 2009
Igreja a perder…
D. António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro, disse: “Alguém já disse que, em tempos passados, a Igreja perdeu os operários porque não os entendeu, nem entrou nas suas lutas pela justiça. Pela mesma razão, diz-se agora, está perdendo a gente nova sempre que não entra no seu mundo e teima em lhes proporcionar esquemas, que já não se quadram com o mundo de novas possibilidades e horizontes que se lhes foi abrindo e por onde entraram sem regresso.(…)
O mundo dos jovens é, por vezes, um mundo dentro de outro mundo, que lhes vai sendo cada vez mais alheio e distante. Assim se empobrece um património vivo.
Na sociedade, por si cheia de opções e contradições, interesses e preconceitos, com semeadores, alheios a projectos de bem comum, não se afigura fácil a recuperação dos jovens, mormente quando antes foram aliciados para objectivos determinados, com propostas e dádivas efémeras. A Igreja pode tentar sempre caminhos que tornem os jovens protagonistas integrados na comunidade que os acolhe, que não tem que ser a de residência porque o seu mundo não é o do bilhete de identidade.
Acolher, que é uma forma de amar, significa escutar, dar lugar, apreciar ideias e propostas, proporcionar vida em grupo, incentivar iniciativas próprias, tomar a sério, ser paciente e compreensivo. Tudo isto com gente, padres ou leigos, que permanecem novos por dentro, mesmo que o não sejam de idade, mas capazes de fazer caminho sem impor rumos, de empatia solidária, de dar testemunho da libertação interior, que a fé e o seguimento de Jesus Cristo cada dia alimentam.”
9 comments Fevereiro 7, 2009
Passo atrás (Entrevista com Hans Küng)
Encontrei esta entrevista, à qual não deixo comentários, pois seria recorrente no tema. Mas vale a pena ler nas palavras de um grande teólogo. Isto. no dia em que soube da notícia de mais um padre que abandonou o serviço, sendo muito dinâmico e competente.
| ‘Há uma restauração em curso na Igreja’. |
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| “Espero tomar uma posição sobre esta polêmica porque estão em jogo problemas de fundo. Quero me preparar para dizer a minha palavra sobre os aspectos cruciais do processo em curso.Porque a questão destes quatro bispos só é possível ver no contexto geral de uma restauração”. Assim o famoso “teólogo rebelde”, o professor alemão Hans Küng comenta a situação da Igreja católica depois do cancelamento da excomunhão ao bispo negacionista Williamson e dos outros bispos da ultraconservadora Fraternidade fundada por Marcel Lefebvre, em entrevista concedida ao jornal La Repubblica, 27-01-2009.
A entrevista é de Andrea Tarquini. Na Igreja católica alemã prevalecem posições fortemente contrárias à decisão tomada. A teóloga Uta Ranke-Heinemann fala de “responsabilidade vergonhosa”. Eis a entrevista. Professor Küng, qual é a importância da revogação da excomunhão dos quatro bispos? Os significados fundamentais foram propostos pelo processo geral em curso. A questão da revogação da excomunhão dos quatro bispos, segundo minha opinião, sozinha, não é tão importante, mas tem um significado e deve ser vista e enquadrada no contexto geral de restauração. Qual o significado deste contexto geral e os últimos acontecimentos? No contexto geral os últimos acontecimentos são um sinal do contínuo enrijecimento do Vaticano, a contínua marcha para trás, a contínua sequência de passo após passo para trás. Penso em tomar uma posição mais clara sobre os acontecimentos neste contexto. Estou refletindo ainda como fazê-lo. Quanto é preocupante e sério este processo? É muito preocupante. Mas quero esperar ainda alguns dias para fazer ouvir a minha voz. Williamson é somente um aspecto do contexto geral. Não o único. Por mais que o antisemitismo seja nojento, o conjunto do desenvolvimento em curso é muito mais carregado de conseqüências. Estamos falando de pessoas que não ainda não subscreveram a declaração sobre a liberdade religiosa e o decreto sobre os judeus (documentos do Concílio Vaticano II, nota da redação) Ou seja, o problema não somente a polêmica cristãos-judeus, mas as idéias de fundo da Igreja sobre o seu lugar no mundo moderno? Sim. A questão é o conjunto do curso que o Papa Ratzinger desencadeou na Igreja. Sem dúvida, um percurso que volta, significativamente, para trás. Isso também diz respeito ao Papa Wojtyla? Sim. Certamente, Papa Wojtyla soube evitar alguns erros, e sabia falar melhor às pessoas. E foi ele que excomungou os bispos de Lefebvre. Eis um outro exemplo de um passo para trás. Em geral, a vontade de reconciliação com os membros da Fraternidade Sacerdotal Pio X pode ser avaliada positivamente. Mas, insisto, mas não está ainda claro que estes bispos reconhecem o Concílio Vaticano II ou que respeitam o decreto sobre a liberdade religiosa. O Papa vive verdadeiramente no mundo moderno, ele entende os fiéis? O Pontífice vive no seu mundo. Ele se afastou dos homens e, além de grandes procissões e pomposas cerimônias, não enxerga mais os problemas dos fiéis. Por exemplo, a moral sexual, a cura pessoal das almas, a contracepção. A Igreja está em crise. Espero que ele reconheça isso. Serei feliz se der passos de reconciliação também na direção dos ambientes dos fiéis progressistas, Mas Bento não está vendo que está alienando a si mesmo de grande parte da Igreja católica e da cristandade. Não vê o mundo real. Somente vê o mundo vaticano. |
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2 comments Janeiro 29, 2009
Os excluídos
Ainda este dias falei deste assunto, para muito considerado anátema, isto é, assunto proibido. Uma coisa são as pessoas que se auto-excluem da Igreja, outra os que a Igreja exclui. Estou a falar dos divorciados, dos que refazem a sua vida e dos ex-padres. Agradou-me ver a seguinte notícia, no site da ecclesia: “Esta será a primeira vez que representantes de divorciados – que para o magistério da Igreja Católica não podem receber a Comunhão se iniciarem um novo relacionamento – serão recebidos em audiência oficial no Vaticano. Na Sexta-feira, durante a apresentação do VI Encontro Mundial das Famílias, o Cardeal Ennio Antonelli ressaltara que o evento da Cidade do México será aberto a todos, pois a Igreja não exclui ninguém.“A Igreja é próxima e acolhedora também para os casais irregulares e convida-os a fazer todo o bem possível e a rezar, porque Deus os ajuda”, disse o Cardeal italiano respondendo a uma pergunta sobre divórcio e filhos gerados fora do casamento.O presidente do Conselho Pontifício para a Família, o Cardeal Ennio Antonelli receberá, no próximo dia 23 de Janeiro, o presidente da Associação das Famílias Separadas Cristãs, Ernesto Emanuele. A notícia é adiantada pela Rádio Vaticano, que cita fontes do referido Conselho.”
Na prática excluimos a classe de pessoas que atrás referi. Não podemos entrar num interpretação simplista e redutora sobre as situações dessas pessoas. Não chega falar de acolhimento e depois barrar todos os acessos: não pode comungar, não pode fazer leituras, não pode ser padrinho, e muitos padres nem aceitam baptizar os filhos de casais divorciados recasados. Olhamos para a situação e não para as pessoas. Colocamos tudo no mesmo rol, e reduzimos a solução da vida dos outros a pequenos preconceitos e ideias feitas. Tantas pessoas nessa situação, e que são boas pessoas e bons cristãos, por ventura, melhor do que muitos socialmente e religiosamente inseridos.
Pergunto: haverá alguém melhor preparado do que um ex-padre para fazer catequese, substituir um padre nas celebrações da palavra, e na distribuição da própria catequese? O facto de a pessoa procurar a felicidade em outra forma de vida, é assim tão grave que os afastemos de tudo e não os aproveitemos para o serviço eclesial? E na crise de vocações sacerdotais que existe, esta era uma boa solução a ponderar. Acolhamos essas pessoas, enquanto desejam pertencer à Igreja. Um dia, a Igreja vai querer, e serão eles a excluir a Igreja das suas opções.
Defender estas pessoas, não é sinal de defender o divórcio fácil, nem que agora tudo vale, como alguns pensam, talvez para justificar as suas opiniões, na falta de argumentos superiores. Não acredito nisso, como já o referi em artigos anteriores. Devemos ver caso a caso, e não sermos redutores e simplistas, e excluir toda e qualquer pessoa.
É preciso coragem para mudar mentalidades, para mudar posturas, para mudar de doutrinas puritanas. Será que Deus rejeita essas pessoas ao ponto de não querer que elas comunguem? Não acredito. Esse Deus não é Pai, nem é Amor, nem Perdão, como Jesus O revelou. Não acredito nesse Deus fabricado pelas conveniencias puramente humanas, e modelado por doutrinas humanas. Acredito no Deus de Jesus Cristo, que nos desafia a sermos mais e a irmos mais longe, mas que está sempre connosco, porque nos ama incondicionalmente… mesmo quando fazemos asneiras e vamos por caminhos diferentes, mas de amor, de respeito.
1 comment Janeiro 10, 2009