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Não chores…

Dezembro 31, 2013

Não chores pelo que perdeste, luta pelo que tens. 
Não chores pelo que está morto, luta por aquilo que nasceu em ti. 
Não chores por quem te abandonou, luta por quem está contigo. 
Não chores por quem te odeia, luta por quem te quer. 
Não chores pelo teu passado, luta pelo teu presente. 
Não chores pelo teu sofrimento, luta pela tua felicidade. 
Com as coisas que vão nos acontecendo vamos aprendendo que nada é impossível de solucionar, apenas segue adiante.

(Papa Francisco)

Jesus, nosso redentor

Novembro 22, 2013
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1. Diante de Jesus, percebemos que finalmente há um ser humano, homem real e verdadeiro como nós, com todas as suas consequências, que está submetido como nós às condições humanas e às estragações desumanas, que como nós experimenta a força da impotência diante do pecado e que, ao mesmo tempo, é todo este mesmo mistério de comunhão e unidade com Deus e com o seu Espírito. Por isso consegue encontrar em si a lucidez e a força para romper, a partir de dentro desta realidade, a nossa impotência, rasgar a blindagem do nosso pecado e abrir-se à possibilidade de uma realização infinita.

 O que está em causa é romper a fatalidade da impotência diante do mal, não pagar uma dívida devida a Deus! O que está em causa na vida de Jesus é abrir a possibilidade de uma realização plena para o ser humano, não pagar um castigo. O que está em causa é dar ao ser humano tudo o que Deus tem para nos dar como Graça, não dar a Deus tudo o que o ser humano lhe deveria dar como expiação.
 A Familiaridade Salvadora à qual a Redenção de Deus nos conduz consigo é uma comunhão de vida animada pelo Espírito Santo. O Projecto de Deus Redentor é sermos Um só com ele. E desse Projecto não desiste até que a Sua Vida e Felicidade, que já é tudo em Jesus, seja tudo em todos.
 Ireneu de Lyon, um dos maiores cristãos do séc. II, escreveu isto de maneira brilhante: “Deus fez-se Homem para que o Homem se torne Divino”.
2. Há uma coisa fundamental que nós, de cultura individualista, muitas vezes esquecemos: tudo o que Jesus viveu e tudo o que nele aconteceu, não vale somente para ele mas para todos. Por outras palavras: a Redenção que anunciamos não é uma teoria vaga, aérea, mas coincide com o mistério pessoal de Jesus de Nazaré e a acção de Deus nele. A Redenção não é uma “coisa” ou “ideia” mas uma pessoa, no processo concreto da sua existência. Por outras palavras ainda: a Redenção não é uma espécie de misticismo invisível mas, antes de tudo, a maneira concreta de Jesus viver!
 Na sua maneira concreta de existir, num mundo marcado pela impotência diante do mal e do sofrimento, Jesus viveu uma vida de abertura total a Deus e aos Homens, uma vida fraterna, leal e valente, capaz de derrotar dentro de si o ódio e o egoísmo. Fez da vida um processo totalmente baseado no amor e, por isso, viveu cheio de sentido, apesar de tudo… Na medida em que viveu tudo isso dessa maneira, faz possível que todo o ser humano, como ele finito e limitado, circunstanciado e malinado, assuma a existência como Hora de Salvação, como Acontecimento de Redenção e Graça. Na vida de Jesus, rasga-se o véu de alto a baixo que nos mantinha prisioneiros da fatalidade de sermos como somos… Com ele e como ele é possível viver uma vida resgatada, libertada do pecado e do poder do mal.
 3. É importante conhecer as duas palavras usadas no NT e que nós traduzimos normalmente sempre pela mesma: “pecado”. Usa-se Paraptôma, que é o pecado enquanto acto, transgressão… E Hamartia que é o pecado enquanto doença vital, mal que nos habita e habitua, fonte de tristeza e impotência… Pois é este que toma conta de nós e nos faz escravos! É daqui que precisamos ser resgatados para a “gloriosa liberdade dos filhos de Deus”.
 Quando o Evangelho nos anuncia um Jesus capaz de vencer todas as tentações, está a unir-nos à Possibilidade nova aberta por ele, a possibilidade de romper a impotência diante da Hamartia, a força de desobedecer à prepotência da Hamartia…
Em Jesus, já não há situação alguma na qual o ser humano se sinta forçosamente vencido pelo mal.
 Jesus, metido até à ponta dos cabelos neste mundo que é o nosso, mergulhado até ao pescoço nas experiencias e consequências do pecado, foi desatando, uma a uma, todas as impotências… foi libertando, uma a uma, todas as possibilidades… foi desmascarando, uma a uma, todas as fatalidades… e, no exacto momento de o fazer, Jesus estava a fazer tudo isso possível para todos!
 A Vida de Jesus é profundamente Redentora porque abre brechas incuráveis na carapaça do pecado. Rasga caminhos de vida no meio desta realidade concreta ainda habitada e habituada à Hamartia, inventa nesgas através das quais é capaz de entrar a Esperança em toda e qualquer situação, até nas mais injustas e incapacitantes.

4. E, ainda por cima, a vida de Jesus não é Redentora apenas pela força da lembrança de quem ele foi, mas pela Fé de que Deus quis que ele continuasse a ser assim e fazer assim para sempre e para todos! É por aí que vai a Boa Notícia da Ressurreição… para o anúncio de que aquele que foi assim há dois mil anos, continua a ser assim HOJE, vivo e activo no meio de nós porque um ReSuscitado é sempre nosso contemporâneo! E aquele que fazia aquelas coisas junto daquelas pessoas lá da Galileia, é o mesmo que está connosco, AQUI mesmo, para fazer exactamente o mesmo…

A Redenção não foi um veredicto que caiu sobre a cabeça de Jesus a nosso favor. A Redenção não foi um momento de sacrifício e sofrimento que agradou a Deus e nos salvou o coiro a nós… A Redenção é uma pessoa, Jesus mesmo, na sua tão concreta maneira de existir, que continua a fazer tudo o que está ao seu alcance para nos resgatar da Hamartia que habita ainda o nosso mundo, que nos habita a nós e que, pior que tudo, nos habitua de tal maneira que até nos esquecemos que somos escravos e há alguém a bater-nos à porta para nos levar a ser felizes.

(Rui Santiago, in http://derrotarmontanhas.blogspot.pt/2013/10/jesus-nosso-redentor.html)

A transfiguração na morte

Novembro 2, 2013

O dia dos mortos, dois de novembro, é sempre  ocasião para pensarmos na morte. Trata-se de um tema existencial. Não se pode falar da morte de uma maneira exterior a nós mesmos, porque todos nós somos acompanhados por esta realidade que, segundo Freud, é a  mais difícil de ser digerida pelo aparelho psíquico humano. Especialmente nossa cultura procura afastá-la, o mais possível, do horizonte pois ela nega todo seu projeto assentado sobre a vida material e seu desfrute etsi mors non daretur, como se ela não existisse.

No entanto, o sentido que damos à morte é o sentido que nós damos à vida. Se decidimos que a vida se resume entre o nascimento e a morte e esta detém a última palavra, então a morte ganha um sentido, diria, trágico, porque com ela tudo termina no pó cósmico. Mas se interpretarmos a morte como uma invenção da vida, como parte da vida, então não a morte mas a vida constitui a grande interrogação.

Em termos evolutivos, sabemos que, atingido certo grau elevado de complexidade, ela irrompe como um imperativo cósmico, no dizer do prêmio Nobel de biologia Christian de Duve que escreveu uma das mais brilhantes biografias da vida sob o título Poeira Vital  (1984). Mas ele mesmo assevera: podemos descrever as condições de seu surgimento, mas não podemos definir o que ela seja.

Na minha percepção, a vida não é nem temporal, nem material, nem espiritual. A vida é simplesmente eterna. Ela se aninha em nós e, passado certo  lapso temporal, ela segue seu curso pela eternidade afora. Nós não acabamos na morte. Transformamo-nos pela morte, pois ela representa a porta de ingresso ao mundo que não conhece a morte, onde não há o tempo mas só a eternidade.

Consintam-me testemunhar duas experiências pessoais de morte, bem diversas da visão dramática que a nossa cultura nos legou. Venho da cultura espiritual franciscana. Nos meus quase 30 anos de frade, pude vivenciar a morte como São Francisco a vivenciou.

A primeira experiência era aquela que, como frades, fazíamos toda sexta feira, às 19:30 da noite: “o exercício da boa morte”.  Deitava-se na cama com hábito e tudo.  Cada um se colocava diante de Deus e fazia um balanço de toda a sua vida, regredindo até onde a memória pudesse alcançar. Colocávamos tudo, à luz de Deus e aí, tranquilamente, refletíamos sobre o porquê da vida e o porquê dos zigue-sagues deste mundo. No final, alguém recitava em voz alta no corredor o famoso salmo 50 do Miserere no qual o rei Davi suplicava o perdão a Deus de seus pecados. E também se proclamavam as consoladoras palavras da epístola de São João: “Se o teu coração te acusa,  saiba que Deus é maior do que o teu coração”.

Éramos, assim, educados para uma entrega total, um encontro face a face com a morte diante de Deus. Era um entregar-se confiante, como quem se sabe na palma da mão de Deus. Depois, íamos alegremente para a recreação, tomar algum refresco, jogar xadrez ou simplesmente conversar. Esse exercício  tinha como efeito um sentimento de grande libertação. A morte era vista como a irmã que nos abria a porta para a Casa do Pai.

A outra experiência diz respeito ao dia da morte e do sepultamento de algum confrade. Quando morria alguém, fazia-se festa no convento, com recreação à noite com comes e bebes. O mesmo ocorria depois de seu sepultamento. Todos se reuniam e celebravam a passagem, a páscoa e o natal, o vere dies natalis (o verdadeiro dia do nascimento) do falecido. Pensava-se: ele na vida foi, aos poucos, nascendo e nascendo até acabar de nascer em Deus. Por isso havia festa no céu e na terra. Esse rito é sagrado  e celebrado  em todos os conventos franciscanos.

O frade que deixou esse mundo, entrava na comunhão dos santos, está vivo, não é um ausente, apenas um invisível. Há celebração  mais digna da morte do que esta inventada por São Francisco de Assis que chamava a todos os seres de irmãos e irmãs e também a morte de irmã?

A percepção da morte é outra. As pessoas são induzidas a conviver com a morte, não como uma bruxa que vem e arrebata a vida, mas como a irmã que vem abrir a porta para um nível mais alto de vida em Deus.
Cada cultura tem a sua interpretação da morte. Estive há tempos entre os Mapuches, no sul da Patagônia argentina, falando com os lomkos, os sábios da tribo. Eles têm bem outra compreensão da morte. A morte significa passar para o outro lado, para o lado onde estão os anciãos. Não é abandonar a vida, é deixar seu lado visível para entrar no lado invisível e conviver com os anciãos. De lá acompanham as famílias, os entes queridos e outros próximos, iluminando-os. A morte não tem nenhuma dramaticidade. Ela pertence à vida, é o seu outro lado.

Poderíamos passar por várias outras culturas para conhecer-lhes o sentido da vida e da morte. Mas fiquemos no nosso tempo moderno. Há um filósofo que trabalhou positivamente o tema da  morte: Martin Heidegger. Em sua analítica existencial afirma que a condição humana, em grau zero, é a de que somos um ser no mundo, este não como lugar geográfico, mas como o conjunto das relações que nos permitem produzir e reproduzir a vida.

condition humaine é estar no mundo com os outros, cheios de cuidados e abertos para a morte. A morte é vista não como uma tragédia e sim como a derradeira expressão da liberdade humana, enquanto o último ato de entrega. Essa entrega sem resto abre a possibilidade para um   mergulho total na realidade e no Ser. É uma espécie de volta ao seio de onde viemos como entes mas que buscam o Ser. E finalmente, ao morrer, somos acolhidos pelo Ser. E aí já não falamos porque não precisamos mais de palavras. É o puro viver pela alegria de viver e de ser no Ser.

Para o homem religioso, este Ser não é outro senão o Supremo Ser, o Deus vivo que nós dá a plenitude da vida.

Leonardo Boff

Catolicidade da Igreja

Outubro 9, 2013

Confessamos que a Igreja é católica, primeiro porque a todos oferece a fé por completo. A Igreja nos faz encontrar a misericórdia de Deus, que nos transforma. Nela está presente Jesus Cristo, que lhe dá a verdadeira confissão de fé, a plenitude da vida sacramental, a autenticidade do ministério ordenado. Na Igreja, como acontece numa família, encontramos tudo o que nos permite crescer, amadurecer e viver como cristãos. Não se pode caminhar e crescer sozinhos, mas sim em comunidade.
Ir à Igreja, disse o Santo Padre, não é como ir ao estádio para ver um jogo de futebol ou ir ao cinema. É preciso nos interrogar sobre como acolhemos os dons que a Igreja oferece: “Participo da vida da comunidade ou me fecho nos meus problemas, isolando-me? Nesse sentido a Igreja é católica porque é a casa de todos. Todos são filhos da Igreja.
Em segundo lugar, a Igreja é católica, porque é universal, espalhada em todas as partes do mundo.

A Igreja não é um grupo de elite, não diz respeito somente a algumas pessoas, a Igreja não faz restrições. Ela é enviada à totalidade do género humano e está presente em todo o lado mesmo na menor das paróquias, porque também ela é parte da Igreja universal, tem a plenitude dos dons de Cristo, vive em comunhão com o Bispo, com o Papa e está aberta a todos sem distinção. A igreja não está somente na sombra do nosso campanário, mas abraça uma vastidão de pessoas, de povos que professam a mesma fé. Todos estamos em missão, temos que abrir as nossas portas e sair para anunciar o Evangelho.

Por fim, a Igreja é católica, porque é a casa da harmonia. Nela, se conjugam numa grande riqueza unidade e diversidade; como numa orquestra, onde a variedade dos instrumentos não se contrapõe, assim na Igreja, há uma variedade que se deixa harmoniosamente fundir na unidade pelo Espírito Santo.
Esta é uma bela imagem. Não somos todos iguais e não devemos sê-lo. Todos somos diferentes, cada um com as próprias qualidades. E esta é a beleza da Igreja. Cada um contribui com aquilo que Jesus deu para enriquecer um ao outro. É uma diversidade que não entra em conflito, não se contrapõe. Onde há intriga, não há harmonia. É luta. Jamais devemos falar mal uns dos outros. Aceitemos o outro, aceitemos que exista uma justa variedade. A uniformidade mata a vida, os dons do Espírito Santo. Peçamos a ele que nos torne sempre mais católicos, ou seja, universais.

(in http://www.news.va/pt/news/audiencia-a-igreja-nao-e-um-grupo-de-elite-mas-a-c)

Sobre a catequese

Outubro 6, 2013

Encerramento Congresso Internacional de Catequistas

Na conclusão, lida por Dom Arenas, “a catequese deve hoje procurar renovar a forma de transmitir a fé com novas abordagens de ensino, reformulando as palavras para facilitar a compreensão dos catequizados”.
“Ao embarcar no caminho da Nova Evangelização, a catequese não pode permanecer com as mesmas características do passado”, disse, apontando o mundo digital e as redes sociais como instrumentos que a Igreja deve utilizar para fazer ouvir a mensagem do Evangelho no mundo contemporâneo.

Catequese do Papa Francisco

Outubro 6, 2013

Aqui fica o video com a conferência do Papa Francisco no Encontro Internacional de catequistas.

http://www.educris.com/v2/tv/catequese/1311-catequese-do-papa-francisco

 

O discurso escrito: http://www.vatican.va/holy_father/francesco/speeches/2013/september/documents/papa-francesco_20130927_pellegrinaggio-catechisti_po.html

Para os ciclistas

Agosto 25, 2013
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Para todos os ciclistas, dedico este texto:

A bicicleta é a igreja, o instrumento que me possibilita fazer o ciclismo.

As rodas serão a fé, que não te deixa instalado, acomodado, paralisado, mas em movimento.

Os pneus é o amor que amortece as irregularidades do piso e te dão conforto na viagem, se levarem a pressão certa.

O guiador é o Espirito de Jesus que te habita, e te guia, se tu não colocares resistências.

Os pedais são a vontade e convicção de querer iniciar uma viagem, sujeita às incertezas do caminho.

A corrente é a comunhão entre irmãos, pois nunca se vai muito longe a andar só com uma roda.

O assento, é a esperança que te permite descansar quando o cansaço aperta e apetece desistir.

Os travões são a dimensão do perdão e a humildade, porque não vás tu embalado e te esqueças de evitar o acidente, contigo mesmo e com os outros.

A garrafa da água é a Eucaristia que sacia as nossas sedes, retempera as nossas energias

O caminho é Jesus que te dá um rumo e um jeito de viajar.

Os sinais e as regras são o Evangelho, que não te limitam, mas orientam para que chegues tão longe onde o teu coração te levar.

ZC

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