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Saber escutar

Julho 13, 2007

Li este texto na revista Folha dos Valentes. Vale a pena pensar…

“Um dia, numa sala de aula, a nossa professora ensinou-nos que o vento é simples massa de ar. E eu acreditei. Se a professora o diz… Mas não compreendi. E pus-me a cogitar. De volta para a aldeia, onde ninguém estudou, resolvi perguntar.

O Zé Moleiro respondeu:
-O vento é pó de trigo. São velas a rodar. O vento é um amigo.
O Luis Pescador gritou, sem se contar:
– O vento faz ondas e fez meu pai morrer! O vento é assassino. O vento faz doer.
– Nem sempre – lembrei eu – Levanta os papagaios e fá-los ser estrelas num céu azul de sol.
E gemeu a velhinha, num canto do portal:
– O vento é dor nos ossos…
– É roupa no varal sequinha num instante, afirmou a minha mãe correndo entre a casa e o quintal.
Mas logo replicou um velho jardineiro:
– O vento, meus amigos, destuiu-me as roseiras e fez cair as flores das minhas trepadeiras. O vento é muito mau.
Um poeta sorriu:
O vento é beleza, as searas são o mar, se o vento as faz mover, no campo a ondular.

Então sentei-me à mesa e estudei a lição. Já sei o que é o vento:
– É dor, é medo, é beleza e canção. É morte no mar. E por trás de tudo isto, o vento é massa de ar…
E concluí cá para mim que a professora, com tudo o que ensinou, não me soube ensinar, porque nunca escutou”.

Era bom que todos soubessemos aprender na escola da vida para depois enriquecer a vida da escola.

3 comentários leave one →
  1. miná permalink
    Agosto 7, 2007 13:16

    qiz atingir alguém em particular ou, suscitar o modo como não sabemos tantas vezesescutar o vento, o amigo, o próximo ou até nós mesmos?!

  2. Ze Carlos permalink*
    Agosto 7, 2007 16:48

    Ola. Este texto não é da minha autoria. Coloquei-o aqui para fazermos uma reflexão sobre a catequese. Quantas vezes estamos a falar de Deus, da Igreja, da vida delas, dando tantos conselhos, sem lhes perguntar nada e sem elas perguntarem. E isto aplica-se também na escola, e em casa, na relação das crianças com os pais. Ainda existe muita gente a pensar que a opinião das crianças e o que elas querem não interessa. Quando forem adultas… mas que adultos teremos se agora não os escutamos?!
    Boas reflexões…

  3. miná permalink
    Agosto 9, 2007 23:50

    sou de compreesão lenta mas agora percebi perfeitamente. obrigada por estas reflexões. Cada vez sinto mais difícil a missão de catequista e isso assusta-me bastante

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