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Ser pai

Setembro 27, 2007

O caso Esmeralda, que conhecemos tão bem, faz-me levantar a questão: quem é são os verdadeiros pais?

Para quem não conhece o caso Esmeralda passo a fazer um breve resumo da história: uma senhora brasileira, engravida e comunica-o ao pai do seu filho. Este não reconhece o filho e suspeita de que não seja seu. A criança nasce, e ao fim de 3 meses é entregue, pela mãe, a uma família que a acolhe. A criança está com 5 anos e meio, e só há cerca de um ano o pai biológico se preocupou, requerendo a guarda da criança, dizendo que desconhecia a sua existência e que a ama muito. Pergunto: porque não fez o teste de paternidade logo após o nascimento? O tribunal decidiu, já por duas vezes, entregar a criança ao pai biológico, ignorando, ao que parece, vários relatórios que o desaconselhavam.

Efectivamente as crianças devem estar com os pais. Mas quem é pai?

Sabemos que para conduzir, não chega saber pegar no carro. É preciso ter aulas teóricas e práticas e sujeitar-se a exames. Sabemos que agora é obrigatório 9º ano e será o 12º daqui a algum tempo. Sabemos que somos multados se andarmos sem cinto, ou a conduzir com o telemóvel, porque podemos por em risco a nossa vida e a dos outros. Ser pai é só saber fazer um filho? Alguém o aprovou como capaz de ser pai? Ser pai não será amar incondicionalmente? Não será oferecer equilibro emocional, psicológico e físico? Não será ajudar a  criar um grupo de pertença com quem nos identifiquemos? Um pai e uma mãe não têm a vida de terceiros em risco também? Eles são responsáveis por vidas… não só físicas mas também emocionais e psíquicas. Que preparação se oferece e se recebe para ser pai e mãe? Podem dizer que não há manuais e todos somos diferentes. Certo. Mas por ser algo tão difícil e incerto, não mereceria uma melhor preparação?

Mas parece que isso nada conta. É ditado velho: “coitado de quem é criança”. Porque não se preocupou o tribunal ou outra instituição em saber da existência desta criança quando ela nasceu e agora querem interferir de uma forma tão desumanizante?

5 comentários leave one →
  1. Setembro 27, 2007 17:13

    Este caso é muito estranho e a justiça também agiu de forma muito estranha…

  2. Setembro 27, 2007 17:39

    Shakespeare dizia que ” Sábio é o pai que conhece o seu próprio filho!”
    Como pode alguem conhecer o seu filho se nunca esteve ao seu lado?
    Pai será apenas ser pai? Penso que não! O que torna um pai ser pai são as suas acções no seu dia a dia, as horas passadas ao lado do seu filho.

  3. Álvaro permalink
    Novembro 30, 2007 21:06

    Coitado de quem escreve aqui sem saber o que diz.
    O pai (verdadeiro…) interessou-se pela filha logo que soube que ele era o pai. Ainda ela não tinha un ano de idade.
    O sargento é que fugiu à justiça durante mais de quatro anos e não entregou a criança, como devia fazer.
    Por isso agora deve ter um prémio e devemos dar-lhe razão???
    Tenham paciência e….. juízo.
    A criança deve ser entregue ao pai e quanto mais depressa melhor, para ir minorando o trauma que é a mudança que isso lhe acarreta. Mas um trauma, e isso é para mim claro como água, que o próprio sargento contribuiu para arranjar à criança.
    E agora, ele dizer que não deve preparar a criança para viver com o pai, só vai aumentar o trauma.

    Sabem o que se passa?? Não fosse ele uma pessoa bem conhecida das elites sociais nada disto se passava.
    Nem ele tinha andado fugido à justiça tanto tempo.

  4. permalink*
    Dezembro 4, 2007 02:26

    Olá Álvaro. Posso efectivamente não ser conhecedor de todos os factos. Mas faço-lhe esta pergunta, para esclarecimento, já que me parece um bom conhecedor da matéria: é verdade ou não que o pai não aceitou a gravidez da mãe dessa criança? Este foi o testemunho da própria mãe. Para muitas pessoas talvez possa estar errado, mas para mim ser pai começa ainda antes da gravidez. Outra pergunta: também está de acordo que os “pais afectivos” não deveriam amar esta criança para que ela não se apegasse a eles? Porque quando se vive e cria uma criança, criam-se laços que depois são difíceis de quebrar. Os sentimentos não podem ser legislados. Os comportamentos sim… mas sentimentos?….
    Outra pergunta, para a qual também desconheço a resposta: a partir de que idade é que o pai biológico procurou lutar pela custódia da criança?

  5. Carla (Catequista 2º Ano) permalink
    Dezembro 4, 2007 14:13

    Olá Álvaro…Correndo o risco de ser uma das pessoas que vai escrever sem saber o que escreve, gostava de lhe perguntar o seguinte (tomo esta liberdade porque me parece muito conhecedor de factos): Os pedopsicólogos que acompanharam o caso e que deram os pareceres (nota: por discordar da decisão do tribunal toda a equipa que trabalha com a criança decidiu afastar-se do caso) farão eles parte dessas elites sociais, que referiu (só assim entendo que tenham dito que a criança poderá sofrer danos psicológicos profundos por ser retirada do meio familiar que conhece)??? Quando escrevemos, falo por mim, que sou MÃE, fazêmo-lo com o coração, e a pensar apenas na felicidade da menina, e nunca no protagonismo dos intervenientes (quem quer que eles sejam, e de que lado estejam)….Deste modo, e ressalvo uma vez mais, mesmo correndo o risco de não saber o que escrevo, o meu coração aponta para os pais afectivos, acho que aí está a felicidade e serenidade da menina. Ser pai por amor, transcende qualquer laço biológico.

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