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A Beleza de Deus

Novembro 28, 2007

Há dias li um artigo na revista Notícias Sábado, nº 97, assinado por Manuel Tavares, o seguinte:

“Comigo a Igreja Católica teria de fazer um esforço grande e urgente para se tornar mais bonita e realista. Tornar-se mais atractiva”. E mais à frente: “Mesmo para o mais devoto dos padres ou dos leigos aspirar a ser bonito, a ter a sua igreja prazenteira, deve ser tanto ou até mais importante que ser caridoso”.

Vale a pena pensar nisto. Melhor: é preciso pensar nisto. A Igreja deve preocupar-se mais em mostrar a beleza de Deus em todos os seus sectores de actividade: celebrativo, catequese, pastoral juvenil, apoio socio-caritativo…

Permitam-me que faça esta pergunta: no que estamos a fazer, inseridos na Igreja, preocupamo-nos em manifestar a beleza de Deus? Preocupamo-nos em cativar as pessoas? Colocamos sentimento nas coisas? Damos beleza à forma de as fazermos? Na minha opinião, a Igreja está a esquecer muito o sentimento. As pessoas cada vez mais vivem carentes, tristes, desanimadas. E é na Igreja que podem e devem encontrar um ambiente acolhedor, de amor, de alegria, de entusiasmo… e não de ameaças, de acusações, de doutores da lei que apenas ensinam aos outros… mas nem com um dedo tocam nos seus fardos (palavras de Jesus).

Jesus“Deus é amor”, diz S. João. Mas o amor é sobretudo sentimento. Isto quer dizer que Deus é sentimento. Então celebremos com sentimento, com vida, com entusiasmo, com festa. Falemos às crianças e jovens com sentimento, de uma forma atractiva, bela. Manifestemos isso mesmo também com as nossas atitudes, com o nosso sorriso, com o nosso olhar, com a nossa forma de falar e cantar. Como é possível ainda haver sacerdotes que se preocupem com se esta ou aquela música é litúrgica ou não, que uma viola ou outro instrumento que não seja o órgão, não possa entrar na igreja… Deus fica zangado? Que Deus é que essas pessoas conhecem? O meu não é certamente.

A Igreja está demasiado racionalizada, exageradamente preocupada com as leis e a transmissão da doutrina, que o faz sem beleza, sem cativar. Será atractivo o modo como fazemos as coisas?

“Cativar é criar laços”, diz Saint Exupery. Será que estamos a criar laços? Será que as pessoas os criam connosco? Será que podemos fazer alguma coisa para alterar este panorama? Ou vamos continuar orgulhosamente sós? Não nos ouçamos a nós mesmos. Perguntemos a opinião a essas pessoas a quem pretendemos chegar. Temos algo muito bonito a apresentar. E o que mostramos é, por vezes, demasiado feio, austero, sem vida, sem sentimento, sem brilho, sem alegria. Não adianta teimar em algo que já está comprovado que não está a atingir os seus fins. Façamos mudanças, avaliemos as metodologias e reajustemos as estratégias.

P.S. Deixo uma nota final. Não pensem que estou contra a Igreja ou que queira justificar quem dela se afastou (embora muitas vezes os compreenda). Apenas pretendo lançar desafios para que a Igreja (Bispos, padres, catequistas, cantores, etc) fique mais bela mostrando a beleza de Deus, com arte e sentimento.

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