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Família: dom e compromisso

Dezembro 29, 2007

Este é o tema deste ano pastoral na diocese de Braga. A família é o dom mais precioso que temos, e de que nós nem nos damos conta disso. Este dom exige compromisso, dedicação, empenho… porque vale a pena. Muitas vezes só nos damos conta desse dom quando o perdemos… quando as coisas já não têm conserto.

Este domingo é o dia da sagrada família. Lembro-me de todas as famílias que são um exemplo de amor e entrega uns aos outros. embora não sendo perfeitos, esforçam-se por se merecerem mutuamente. Lembro-me das famílias em fase de ruptura… ou das que estão separadas…

Muitas pessoas podem pensar que hoje em dia as pessoas se separam por qualquer coisa. Que fazem de pequenos nadas, grandes batalhas. eu não sou dessa opinião. considero que por detrás de um divórcio existe sempre muitos anos de sofrimento, e uma sensação de frustração de não ter conseguido manter um sonho, um projecto de vida a dois. Quem está de fora, só vê o que quer ou lhe mostram. O telhado encobre muitas coisas. E quando nos deparamos com um divórcio, queremos encontrar logo um culpado. Não é esse o caminho. As coisas não são sempre preto e branco… existem muitas zonas cinzentas, e de várias tonalidades. Não nos precipitemos a tirar conclusões…

E depois do divórcio… a pessoa tem de sofrer toda a vida sozinha por causa de um erro? Não concordo. E também acho que a Igreja deveria mudar de atitude em relação a isso. O casamento é um sinal do amor de Deus… e como o amor de Deus não tem fim… o casamento também não… diz a doutrina da Igreja. Bonita, mas…. nós não somos Deus, e se esse sinal já não tem sentido, vale a pena mantê-lo, causando tanto sofrimento? Acho que não. Que a atitude da Igreja em acolher os divorciados recasados passe das palavras aos actos concretos… como em recebe-los na comunhão, como padrinhos de baptismo… etc, etc… Considero que se o casamento não fosse considerado uma “prisão para toda” a vida, talvez as pessoas se esforçassem mais… e houvesse menos divórcios. O mal é que o sentimento de posse faz com que as pessoas se descuidem porque acham que não podem perder o que já é deles.

Muitos casais optam por manter um casamento de aparência por causa dos filhos, para que não sofram. Respeito essa opção. Mas se o fazem, que ao menos se respeitem. Porque os filhos não sofrerão mais ao ver os pais a ofenderem-se? E se os pais não estão bem, podem dar todo o amor e atenção aos filhos? Alguns conseguem, mas são poucos.

Eu respeito demais a família. Mas ela tem de ser um local de amor, de entrega, onde certas palavras não podem ser ditas e certas fronteiras não podem nunca ser ultrapassadas. O diálogo é sempre um valor imprescindível… e na maior parte dos casos ele não existe. Não sejamos cegos e injustos: muitas vezes o que nos fazem não tem qualquer valor e o que fazemos é imensurável. O que nos fazem não tem perdão e o que fazemos tem sempre desculpa.

Vejamos esta história, e reflictamos.


O menino e a flor

“Eu ia a correr e de repente um estranho veio contra mim. Oh,
desculpe por favor”, foi a minha reacção. E ele disse: “ Ah, desculpe também, eu simplesmente nem a vi”. Fomos muito educados um para o outro, aquele estranho e eu. Despedimo-nos e foi cada um para o seu lado.
Mas em nossa casa, acontecem histórias diferentes. Como nós tratamos aqueles que amamos… “Mais tarde, naquele dia, eu estava a fazer o jantar e meu filho parou ao meu lado, tão calado que eu nem me apercebi. Quando me virei, ralhei com ele: “Sai do meu caminho!”
E eu disse aquilo com uma certa aspereza. E ele foi embora, certamente com seu coração partido. Eu nem imaginava como tinha sido rude com ele. Quando me fui deitar, ouvi a voz calma e doce de Deus que me dizia: “Quando falaste com um estranho, quanta cortesia tu utilizaste! Mas com teu filho, a criança que amas, nem sequer te preocupaste com isso! Repara no chão da cozinha, verás algumas flores perto da porta. São flores que ele trouxe para ti. Ele mesmo as colheu; a cor-de-rosa, a amarela e a azul. Ele estava quietinho para não estragar a surpresa, e tu nem viste as lágrimas nos olhos dele”. Nesse momento, senti-me muito pequena e agora, o meu coração era quem derramava lágrimas.
Então eu fui até a cama dele e ajoelhei-me ao seu lado. “Acorda filho, acorda. Estas são as flores que tu colheste para mim?”
Ele sorriu, “encontrei-as debaixo da árvore e colhi-as porque as achei tão bonitas como a mãe! Eu sabia que você iria gostar, especialmente da azul”. Eu disse: “filho, desculpa-me pela maneira como agi hoje. Eu não deveria ter gritado contigo daquela maneira.” E ele disse: “Ah mãe, não há problema, eu amo-te mesmo assim!” Eu disse: “Filho, eu também te amo. E adorei as flores, especialmente a azul.”
Já parou para pensar que, se morrermos amanhã, a empresa para a qual trabalhamos poderá facilmente substituir-nos em poucos dias. Mas as pessoas que nos amam, a família que deixamos para trás, sentirão essa perda para o resto das suas vidas. E nós raramente paramos para pensar nisso.
Às vezes colocamos o nosso esforço em coisas muito menos importantes que a nossa família, que as pessoas que nos amam, e não nos damos conta do que realmente estamos a perder.
Perdemos o tempo de ser carinhosos, de dizer um “Eu amo-te”, de dizer um
“Obrigado”, de dar um sorriso, ou de dizer o quanto cada pessoa é importante para nós. Ao invés disso, muitas vezes agimos com rudeza, e não nos percebemos o quanto isso magoa os que nos amam. A família é o nosso maior bem!

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2 comentários leave one →
  1. Carla (Catequista 2º Ano) permalink
    Janeiro 2, 2008 09:04

    São 8.45 h e ainda bem que visitei o partilhar logo pela manhã….É engraçado que ainda há minutos atrás, durante o 1º cafézinho do dia, um colega dizia-me a propósito desta quadra festiva, prendas etc: – com a idade parece que ao que damos verdadeiramente valor é à saude e àqueles de quem gostamos, o restante é mesmo secundário…Nem a propósito.!!!Sem dúvida que a Família é o nosso maior tesouro, prenda ou dádiva….Digo também, tal como o meu colega: Não sei se é da idade ou não, mas para mim a minha Familia é tudo!!!

  2. miná permalink
    Janeiro 8, 2008 00:20

    Ao ler este texto reflexão sobre a família e o «divórcio», imediatamente veio á minha memória um episódio que se passou com o meu filho mais novo, hoje já um homem, mas nessa altura com uns 5anos: jantávamos todos num restaurante w vimos um senhor com um miúdo numa mesa também a jantar. Eu disse: que esranho a esta hora os dois a jantar sozinhos! Talvez a mãe esteja a trabalhar ou talvez os pais estejam separados Se isso te acontecesse com quem queras ficar? Resposta pronta e imediata : nunca pensei nisso , porque convosco isso não vai acontecer.. Ficámos mudos, a olhar um para o outro. Afinal tão novo e já se apercebia de tanta coisa que a nós nos passava depercebida, tal como a história citada:Conclusão: as crianças observam e julgam-nos mais do que nós(pais( imaginamos!). Cada gesto, cada palavra são marcas que ficam gravadas na sua mente, por isso há que ter muito cuidado perante elas ainda que muito pequenas

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