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Confissões

Fevereiro 19, 2008

Todos nós conhecemos a doutrina da igreja acerca da reconciliação.
Mas este blogue é pautado pelo livre pensamento, desde que saibamos respeitar as ideias dos outros e saibamos dizer as razões das nossas opiniões.
Por isso, e porque estamos num tempo propício, a Quaresma, vamos reflectir sobre o sacramento da reconciliação.
Errar todos nós erramos. Ao erro, os cristãos chamam pecado. É uma questão de nome. É pecado porque existe uma ofensa, por mais leve que seja, aos outros, a Deus e/ou a nós mesmos. Reconhecer o erro é meio caminho para se aprender, corrigir e recompensar pelo dano causado. Assumir esse erro perante terceiros é mais difícil, mas por vezes é necessário. Não posso magoar uma pessoa, e passar sem lhe pedir perdão.
Nós, os católicos, temos um sacramento chamado de perdão. Acreditamos que sempre que magoamos alguém, estamos a fazê-lo também a Deus. “Tudo o que fizeste a um dos meus irmãos mais pequenos foi a mim que o fizeste”, diz Jesus. Por isso, precisamos também do perdão de Deus.
Para que haja perdão a pessoa precisa de estar arrependida e com propósito de emendar o erro e corrigir-se para não voltar a cair.
Na história da confissão, a prática deste sacramento foi sofrendo alterações ao longo dos séculos. Hoje, muitos cristãos não se aproximam do sacerdote para se confessarem. Dizem que não existe consciência de pecado. Será? Não será antes porque não concordam com a forma?
A confissão individual não serve? Acho-a demasiado importante para ser vulgarizada. Há situações em que a ajuda de alguém é muito importante. Nesse caso as pessos devem abeirar-se do sacerdote. Mas já não com uma fila de pessoas à espera, a ver quanto tempo se demora, mas com calma, para uma conversa amiga.

É preciso humanizar a celebração do perdão. A confissão individual é importante mas considero que não deve ser a única forma de perdão.

Conta o Evangelho que o pastor chama os amigos para fazer uma festa porque encontrou a ovelha perdida. A celebração do perdão é ela uma celebração do amor. Do amor de Deus por nós, porque nos perdoa, e de nós para com Deus, porque O procuramos para Lhe falarmos e até pedir desculpa. É esta realidade que deve ser vivida e valorizada. E nada melhor do que fazê-lo em família cristã. É gratificante ver a atitude e o semblante das pessoas no final da celebração do perdão. A paz e a alegria que irradiam. Devemos retirar a ideia de descarregar o saco dos pecados. Não deve ser essa a preocupação, mas sim a da vivência do amor e do perdão.

A absolvição individual é dada sobre condição de a pessoa estar arrependida, de ter contar tudo e ter propósito de emenda. O sacerdote não é adivinho para saber dessas intenções. A diferença entre a celebração com absolvição colectiva e a individual está, para além da forma como é feita, na confissão (dizer) dos pecados. Será isso o mais importante? Para Jesus nunca foi. Isso só interessa se a pessoa precisar de ajuda. O mais importante não são os nossos erros, mas a atitude, isto é, o que me levou a errar. Se eu crescer no amor vou errando menos. Sem humilhações torna-se mais fácil o assumir individual dos erros e a sua correcção.

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6 comentários leave one →
  1. miná permalink
    Fevereiro 20, 2008 15:26

    Depois da leitura atenta desta reflexão / partilha, a frase que mais me tocou foi:« é preciso humanizar a celebração do perdão».Para mim não faz sentido nenhum as filas que se formam juntos dos confessores, sem privacidade alguma, sem conforto , sem recolhimento !.Para mim celebrar o sacramento da penitência é algo que toca muito na alma, e no coração, às vezes tão contristado, tão amargurado, tão triste, a precisar duma palavra esclarecedora, reconfortante e amiga! Sim, porque eu só concebo a confissão como um acto de amizade comigo, com o sacerdote e com Deus PaiEntão nessas ocasiões eu procuro noutro dia que não sejam« os confessos» um sacerdote amigo, a quem eu posso contar o que realmente me perturba.
    Sou totalmente a favor das celebrações penitenciais onde por diversas formas eu medito, penso e colectivamente eu me assumo »pecadora» e peço perdão a mim, aos meus irmãos na fé e a Deus Pai , que é misericordioso e me cnhece melhor que ninguém

  2. ZéLuiz permalink
    Fevereiro 20, 2008 18:15

    Olá!
    Este tema que agora se aborda “confissões” perturba-me sempre um pouco.
    Vamos lá a ver, eu pessoalmente associo, mesmo sem querer, este momento da nossa prática religiosa ao rito da “desobriga ” como se dizia no tempo dos nossos pais.
    Um momento fechado negro e triste em que todos lá iamos para a igreja saltitar de banco em banco, na disputa do sacerdote que fosse mais ligeiro no ouvir do descarregar dos pecados.
    Uma vez chegada finalmente a nossa vez cumpriamos o ritual com a invocação inicial, o inumerar rotineiro de umas tantas faltas e pronto, ouviamos uma ou outra recomendação, uma penitência talhada, à medida da “carga” deixada, um acto de contrição balbuciado entre dentes e pronto, já está!
    Que pouco! que frio! que desconsolado! aquilo era.

    Felizmente as coisas evoluem, as mentalidades mudam e as formas vão-se ajustanto ao passar dos tempos.
    Hoje já não será bem assim, mas….

    A mensagem de Jesus, aquele Jesus Jovem, que me seduziu um dia e me faz caminhar assim, é a mesma agora como há dois mil anos. atrás. Isso não muda, nem está em questão.
    A forma, essa sim , vai e deve ajustar-se ao longo dos tempos.
    Eu entendo pois assim o acto penitencial.
    Deve ser momento de alegria, momento de festa, momento de coração cheio, porque é momento de perdão.
    É um momento de vida intensa da comunidade que se diz de Cristo. Deve ser vivido em comunidade, respeitando contudo a individualidade de cada um. A celebração penitencial, tal como a temos vivido, experimeitei-a há anos atrás, gostei e repito sempre que posso.
    É em meu entender uma forma de viver o momento da reconciliação e perdão com real aproveitamento, e compromisso alargado. sacudimos o pó da caminhada, retiramos os espinhos que se vão agarrando ao corpo, nas torturas do caminho já andado,ouvimos a palavra do Mestre, e em conjunto refletimos e procuramos novos percursos alternativos para seguir uma vida nova.
    Isto tem que ser vivido assim e é momento de alegria e festa .
    Convertidos para Cristo podemos então, em festa, cumprir a nossa missão de evangelizar “Ide e anunciai a Boa Nova”.
    Mas não precisamos de procurar a Terra de Missão para cumprir este desígnio, poderemos começar para já por ser mais activos neste “partilhar”,
    ZéLuiz

  3. miná permalink
    Fevereiro 20, 2008 21:27

    Zé Luíz:como o conheço bastante bem, não me admirei pelo que escreveu, mas sim por ir de encontro total ao que eu poderia ter escrito, certamente não com tanta clareza e realismo! Não há dúvida que é por aí que a Igreja tem que avnçar.O momento da recnciliação tem mesmo que ser de festa , qual filho pródigo que cai nos braços do Pai!
    Bem-aja por esta sua reflexão

  4. Carla (Catequista 2º Ano) permalink
    Fevereiro 21, 2008 08:33

    Como concordo convosco!!! Lembro-me tão bem dos meus “confessos” de criança…Ensaiava sempre o que dizia antes de entrar, parecia que ia para um palco….e depois era ver quem demorava muito, e claro o comentário: Eh, pá, deve ter tantos pecados!!!!!! De que valia isto??? Em que é que eu estava a crescer em Cristo???
    Felizmente as coisas mudam, e é muito mais fortificante e reconciliador, concosco, com Deus e com o próximo o Sacramento Penitencial feito de forma colectiva, onde tudo nos sai do coração de forma verdadeira e não ensaiada.

  5. ZéLuiz permalink
    Fevereiro 25, 2008 17:15

    Olá!
    Ainda cá volto pelo menos mais esta vez.

    O tempo é propício e continuo a pensar nas confissões.
    Ou melhor, no sacramento da penitência.
    Está na hora de nos decidirmos que caminho a seguir…
    Quão felizes somos nós, que nascemos no seio desta comunidade de Cristo! Quão felizes por podermos ter a oportunidade de pedir perdão e sermos atendidos!
    Só quem já saboreou o momento de ser perdoado quer no campo temporal, porque transviou o caminho e teve de corrigir o percurso, quer no campo espiritual após o reconhecimento da sua falta perante o seu Deus, sabe do gosto, do gosto bom que fica no após.
    É tão bom termos esta oportunidade! O nosso Deus do amor e do perdão é mesmo nosso amigo.
    Já paramos para pensar que outros, tantos outros, de opções doutrinárias diferentes não têm a oportunidade destes momentos? Sujeitos às faltas e imperfeições da vida, como nós, não dispõem entretanto da possibilidade de, reconhecidas as suas fraquezas e as suas falhas poderem ser reconciliados com o seu “deus”?
    Nós temos e quantas vezes não usamos!! Estou em crer que o Jesus, nosso mestre e nosso amigo, quando aparecendo aos apóstolos após a Sua ressurreição e os incumbiu de serem Seus continuadores “Assim como o Pai Me enviou Eu tambem vos envio a vós. Recebei o Espírito Santo os pecados daqueles a quem perdoardes serão perdoados, os pecados daqueles…. .(Jo,21, 21-22)” queria mesmo isto, que fossemos felizes.
    Porque não experimentamos uma vez que seja??
    Que seja mesmo já desta vez, nesta Quaresma.
    Amanhã poderá ser tarde. Já é tarde.
    ZéLuiz

  6. Fevereiro 25, 2008 18:16

    Esta reflexão faz-me lembrar as palavras de um amigo, que não é nada praticante, e que participou numa das celebrações por coincidência: “Parabéns. Mexeu comigo!”. E de outra vez: “Agora vou ter de perdoar a…. pelo que me fez.”
    O ser humano tem sentimentos de culpa e vai ao psicólogo para tentar perdoar-se a si mesmo.
    O cristão, independentemente de precisar do psicólogo, tem a certeza do perdão de Deus, que apesar de tudo continua a amar-nos e aceitar-nos como somos.
    A certeza do perdão é um sentimento libertador.

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