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o segredo é… amar

Fevereiro 20, 2008

“O poeta beija tudo, graças a Deus…. e aprende com as coisas a lição de sinceridade… e diz assim: “é preciso saber olhar… ” e pode ser, em qualquer idade, ingénuo como as crianças, entusiasta como os adolescentes e profundo como os homens feitos… e levanta uma pedra escura e áspera para mostrar uma flor que está por detrás… e perde tempo (ganha tempo…) a namorar uma ovelha… e comove-se com coisas de nada: um pássaro que canta, uma mulher bonita que passou, uma menina que lhe sorriu, um pai que olhou desvanecido para o filho pequenino, um bocadinho de sol depois de um dia chuvoso… e acha tudo importante…. e pega no braço dos homens que estavam tristes e vai passear com eles para o jardim… e reparou que os homens estavam tristes… e escreveu uns versos que começavam desta maneira: ‘o segredo é amar…'”

“Mas nós temos vergonha de beijar tudo, de amar as flores, de se enternecer com os animais, de dar um passeio. Se beija uma árvore é parvo; se traz uma flor na mão, é maricas; se se enternece, é fraco. Temos vergonha de ser sinceros, de que nos creiam parvos, ou maricas, ou fracos. E perdemos então o melhor da nossa vida a ludribiar os outros e a insultar as nossas intenções mais belas e generosas”.

Diário de Sebastião da Gama

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  1. Manuel permalink
    Fevereiro 24, 2008 21:47

    Na realidade nós temos medo da sociedade. Regemos-mos pelos seus valores (ou não valores) e temos receio de ser catalogados ou marginalizados.
    O mundo sofreu transformações ao longo dos tempos porque sempre existiram homens e mulheres que perderam o “respeito” à sociedade, deixaram de ter medo, arriscaram ser diferentes, foram vencendo o pudor.
    Nos tempos que correm muitos homens já deixaram de ter vergonha só porque se encantam com o chilrear dos pássaros, ou se enternecem com a beleza de uma flor, ou porque o tempo é passado junto do cão, do gato…da ovelha, ou porque se comovem com as ternuras do filho (o seu sorriso, as suas diabruras, as suas conversas de homenzinho já crescido).
    Não queria deixar de vos relatar uma imagem que me acompanha desde o dia 24 de Dezembro último, véspera de Natal. Seriam 13 horas, o dia estava lindo, o sol brilhava e aquecia todo aquele frenesim consumista característico desta época. O pai coloca, com todo o amor, carinho e cuidado, o seu filho, de 2 ou 3 anos de idade, sobre um patamar junto ao passeio. Entusiasmado, vai à bagageira do carro e trás um presente para o filho que, expectante, o desembrulha e faz-lhe uma carícia. O pai repete mais duas vezes a ida ao carro e volta de lá com mais prendes. O filho desembrulha as prendas e acaricia-as. De todas as vezes que o pai trazia uma prenda, o filho seguia-o fixamente. Naquele momento lembrei-me do meu filho, quando tinha aquela idade, as prendas poderiam ser roupas, brinquedos ou livros, mas a alegria dele era imensa, agarrava-se ao meu pescoço ou da mãe e enchia-nos de beijos e mimos. Vislumbrei uma lágrima que escorria no rosto daquela criança, ou seria a lágrima que, teimosamente, fugia dos meus olhos. Por instantes, coloquei-me no lugar dessa criança e finalmente percebi o que ela esperava receber de prenda, o que lhe iria fazer saltar, efusivamente, para o colo do pai, era que numa dessas prendas viesse a mãe. O que aquela criança queria receber de prenda era uma família. A sua família.
    Hoje o homem já se comove com coisas de nada, porque também descobriu: – “o segredo é amar…”.

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