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Jesus subiu ao cimo do monte

Fevereiro 25, 2008

Tomando três dos discípulos, Pedro, Tiago e João, subiu ao monte para orar. Não interessa aqui o nome do monte, nem a sua situação geográfica. Interessa sim que subiu ao monte com os seus companheiros.
Uma vez aí, fez silêncio dentro de Si e orou. No momento de intensa e reflectida oração, o seu rosto tornou-se resplandecente e como que se transfigurou.

Não podemos contudo “olhar” para este episódio do evangelho, como se fosse crónica de acontecimentos. Não, o evangelho não é história e não se lê com os olhos.
É catequese e lê-se com a Fé de um coração disponível.
É um momento de catequese e um testemunho fruto da vivência directa com Jesus e também resultado da reflexão das primeiras comunidades cristãs: “estes sinais foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Messias, o Filho de Deus; e para que acreditando tenhais a vida em Seu nome “(Jo 20, -31)

A Transfiguração de Jesus, como nos aparece narrada, descreve este Jesus de rosto resplandecente, com uma luz que não se podia encarar de tão forte e branca que era.
É mesmo assim. Cada momento com Deus transfigura o rosto do homem. Foi assim com Moisés a quando da travessia do deserto rumo à terra prometida, foi assim com Jesus e será assim com todos aqueles que, pela Fé, e na oração se encontrem com Deus.
É ou não é verdade que quando regressamos de uma celebração que foi vivida intensamente nos sentimos diferentes, mais alegres, mais felizes, mais dispostos, mais generosos, capazes de coisas até aí nunca pensadas?

A subida ao monte com Jesus é uma caminhada que todos devemos e temos que fazer, para orar, para reflectir, para ouvir, para escutar. Este escutar com o sentido de obedecer e um compromisso de O seguir em todas as circunstâncias.
Por isso não podemos querer, como os discípulos, ficar e fazer tendas no cimo do monte.
Fazer tendas é sinal da acomodação, que se apodera de nós facilmente, é o ficar ali, é o ficar longe dos acontecimentos, é o ficar longe das dificuldades da vida, é o ficar a ver à distância, longe dos irmãos e da comunidade. Mas a mensagem de Jesus é clara: depois da oração, depois de ouvida a mensagem, é preciso descer do monte, descer à terra, entrar no mundo real passar à acção e pormo-nos a caminho.

Em cada celebração de encontro na Eucaristia, subimos ao monte, vemos o rosto transfigurado de Cristo, vivemos o espírito da sua ressurreição, experimentamos a escuta da Sua voz, vivemos a Sua intimidade e partimos em caminhada.
Esta caminhada pode bem ser a nossa Quaresma. Tempo litúrgico favorável para a escuta da palavra de Deus, tempo de deixar a planície da nossa comodidade e segurança, da nossa auto-suficiência e do nosso egoísmo e subir, subir à montanha, a montanha onde se faz ouvir a voz de Deus, com um espírito generoso e solidário, para com os nossos companheiros de jornada, e procurar lá o rosto de Jesus transfigurado que nos transforme também a nós e nos acorde para podermos regressar à vida com um espírito diferente:
Um espírito de
Transfiguração no nosso trabalho, campo de pão para todos
Transfiguração na nossa dor, caminho de purificação e graça
Transfiguração nas nossas alegrias, dádiva de amor aos outros
Transfiguração do nosso eu, na dignidade de uma vida
Transfiguração do nosso meio, na construção da paz
Transfiguração de cada dia, no caminho para a Páscoa.
Na Tua ajuda, o meu obrigado, Senhor!

ZéLuiz (Fevº 2008)

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11 comentários leave one →
  1. miná permalink
    Fevereiro 26, 2008 00:28

    Quem me dera saber ou conseguir fazer algumas destas « transfigurações»; teria feito uma quaresma a sério!
    Obrigada pela sua reflexão

  2. Fevereiro 26, 2008 01:15

    Na minha opinião, a pessoa que é capaz de reflectir criticamente sobre ai mesmo já está a fazer transfiguração. Esse é o primeiro passo.
    A certeza de que somos amados por Deus, independentemente do que somos, faz-nos desejar estar na presença dele. Esse sentimento é o início de uma verdadeira transfiguração.
    Faz-me lembrar da história: toda a gente dizia a uma jovem que ela deveria mudar. Toda a gente, até os pais. Tu tens de mudar. Ela esforçava-se por mudar. Mas nunca ninguém estava satisfeita com essa mudança, e ela também não. Tentava… e quanto mais tentava, menos parecia conseguir.
    Até que um amigo lhe disse: “Não mudes. Eu gosto de ti assim.”
    E milagre dos milagres: sem saber… mudei.

  3. Fevereiro 26, 2008 02:39

    Apesar do sacrifício, a mudança para o bem é sempre gratificante.

  4. Carla (Catequista 2º Ano) permalink
    Fevereiro 26, 2008 09:08

    Olá Zé Luis…

    “Transfiguração na nossa dor, caminho de purificação e graça”

    Como é que consigo??? Isto é muito importante para mim, pois quando atravesso uma fase difícil, faço um esforço para ver algo positivo, mas é um esforço mecânico e de segundos, que logo se desvanece, e a procupação volta sempre.

    Ps _ Se és o Zé Luis que eu acho, somos primos, não é verdade???

  5. José Sá permalink*
    Fevereiro 26, 2008 17:09

    Não Carla,este é outro Zé Luis.

  6. ZéLuiz permalink
    Fevereiro 26, 2008 17:23

    Olá a vós!
    Olá Carla!
    Li as vossas participações e gostei de vos saber activos.
    Não quero no entanto criar muitas expectativas relativamente à minha competência e capacidade para “dar” muito mais do que uma modesta opinião de partilha.
    Contudo sempre direi que quando escrevia “Transfiguração na nossa dor, …” entendia que nos purificamos na dor e dela saímos resgatados e mais fortes, tal e qual o metal se transforma no cadinho do ferreiro para surgir regenerado e vivo.
    Pela Fé e as narrações dos primeiros cristãos dão-nos disso testemunho, podemos conseguir encontrar na dor a oportunidade de crescer e fazer o nosso apostolado, começando logo por nós próprios. Isto é uma graça que não podemos desperdiçar.
    Esta transfiguração é uma caminhada. O termo do caminho não se encontra logo com os primeiros passos, so ao fim de muito e muito caminho andado. Se queremos mesmo chegar ao fim, atingir a maturidade, temos sempre de persistir, mesmo que seja custoso.
    Quantas vezes é mesmo o esforço de toda uma vida.

    Então Carla na dificuldade já consegues, mesmo que mecanicamente, pensar positivo durante alguns segundos?!
    Boa. É esse o caminho, segue em frente. Coragem. Olha que não estás sozinha…
    ZéLuiz

  7. Fevereiro 26, 2008 18:20

    Há uma força que brota em nós… se escutarmos a voz que fala lá no nosso interior, vamos ouvir novamente: “Eu não vos deixarei sós… estarei sempre convosco até ao fim dos tempos”. Efectivamente Ele está… e de muitas maneiras… ousemos escutar e queiremos enfrentar o desafio.
    Aquilo que não nos mata só nos fortalece.
    É nos momentos mais dificeis que crescemos.
    Num momento de crise é preciso deixar cair o s (crie). Não podemos nunca é resignar-nos passivamente. Acreditemos mais em nós. Os sofrimentos deixam marcas. Mas se aprendermos com elas, se aprendermos a conviver com elas, sairemos da situação mais maduros. Acredito que é nos momentos mais dificeis que Deus pega em nós ao colo.
    Muitas vezes estamos a ver as coisas do lado errado, sobre o efeito de lupa. Quebremos essas lupas e vejamos as coisas na sua real dimensão. Descobriremos que afinal somos capazes.

  8. miná permalink
    Fevereiro 27, 2008 23:16

    «Aquilo que não nos mata só nos fortalece», afirma.~Eu pergunto: será que nós nos apercebemos disso? Receio bem que não; é que o sofrimento por vezes é tão intenso que nos tira a capacidade de avaliar as consequências, positivas e não positivas; refiro-me ao sofrimento psicológico e emocional, que é mais duro por vezes que o físico!
    De qualquer forma é bom que alguém nos alerte para estas situações; quem sabe se daqui pra frente possamos ver o mundo e a nossa vida por um outro prisma de mais optimismo e felicidade

  9. Fevereiro 28, 2008 01:26

    Estas coisas não acontecem por magia. Fazem parte de uma atitude que vamos cultivando, quando estamos bem. E nos momentos menos bons, elas seguram-nos porque estão interiorizadas. Por isso devemos viver intensamente todas as experiências, positivas e negativas, para fazermos sempre caminho. Podemos fazer caminho de duas maneiras: uma indo a dormir e a outra é apreciar toda a paisagem. Chegaremos sempre ao destino, mas de uma forma mais rica de que outra.
    Uma coisa essencial e que falta muito é a auto-estima. Lembremo-nos do que Cristo disse: “ama os outros como a ti mesmo”.
    Precisamos de nos amar em primeiro lugar, precisamos de nos abraçarmos…
    E precisamos dos amigos que nos recordem isto mesmo.. e que abraçando-nos nos digam: vai em frente… não estás só… isso vai passar.

  10. ZéLuiz permalink
    Fevereiro 28, 2008 16:47

    Olá!
    Ora bom, este tema “Jesus subiu ao cimo do monte” que nos é apresentado muito a propósito em plena Quaresma, já deu muito que falar… Isto é bom !
    O objectivo era mesmo este que fossemos dizendo alguma coisa a propósito dos temas apresentados e assim criassemos uma dinânica de comunicação.
    É necessário antes de mais perder o acanhamento, tacanho, de comunicar, de falar, de criar comunidade.
    É necessário depois, quebrar algumas amarras que ainda nos inibem de emitir a nossa opinião e assumi-la.
    Estando correcta produzirá o seu efeito, catequizando. Não estando tão certa assim, permitirá o ensejo de podermos ser corrigidos e esclarecidos, crescendo na Fé e na autoestima .
    Senvirá tambem de “ignição” para outras participações, que estão tantas vezes só dependem, de uma pequena faísca para se porem em marcha e aparecerem.
    Estou certo que dentro de alguns dias mais gente estará a partilhar connosco este espaço. A caminhada da Quaresma e o nosso crescimento na Fé tambem pode ser feito desta maneira e terá certamente muiito mérito.
    Afinal é facil ser diferente e está mesmo aqui ao nosso alcance!!
    ZéLuiz

  11. izaias marapodi gusmao permalink
    Junho 26, 2008 22:15

    qts montes jesus subiu para orar

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