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Cancelamento da celebração do perdão

Fevereiro 29, 2008

O Arcebispo de Braga, Dom Jorge Ortiga, durante uma Celebração Penitencial que teve lugar na Sé Catedral, na quinta-feira, à noite, dia 28 de Fevereiro, disse o seguinte: “Só a confissão pessoal com absolvição individual é permitida na Arquidiocese”. “Se algum sacerdote age de maneira diferente, está contra a comunhão eclesial”. Segundo as suas palavras, procurou “esclarecer de modo claro e inequívoco” a doutrina da Igreja sobre as formas de celebrar o Sacramento da Reconciliação. Assim, lembrou que “durante séculos, a única forma de celebrar o Sacramento era a Confissão e a Absolvição individual.
No que respeita à celebração da reconciliação comunitária e absolvição geral -, o Arcebispo de Braga relembra que “não pode ser adoptada, senão em caso de grave necessidade”, conforme regula o Código de Direito Canónico. Dom Jorge frisou que “existe uma necessidade grave quando se verificarem, cumulativamente, as seguintes condições: falta de sacerdotes suficientes para que, dado o número de penitentes, cada fiel possa ser ouvido dentro de tempo razoável e, sem culpa própria, seja obrigado a permanecer, durante muito tempo, privado da graça sacramental e da sagrada comunhão”. O Prelado refere não se verificar na Arquidiocese de Braga necessidade grave para que se realizem absolvições gerais, e é a ele que pertence, de acordo com a lei da Igreja, o poder de decisão neste assunto. (In Diário do Minho, de 29/2/2008)

Foi na Quaresma de 2002 que, por razões pastorais, começamos a fazer a celebração da confissão incluída numa celebração em que se dava a absolvição colectiva. A única coisa em que difere é o penitente contar ou não a sua vida ao confessor. Qual o interesse disso para o sacerdote?, pergunto eu. Nenhum, na minha opinião. Eu não preciso de saber da vida das pessoas. Pode é ter interesse para as pessoas que talvez precisem de um conselho. E para essas pessoas sempre existiu e existe a celebração tradicional com a absolvição individual. Mas a igreja continua a defender a necessidade da acusação individual dos pecados. O sacerdote nunca saberá se as pessoas estão a dizer tudo e a verdade. Por isso, o que se conta na confissão….
O que é certo, é que esta forma não é aceite talvez pela maioria das pessoas. O número de penitentes que se abeiram da confessor é cada vez menor. E o número de participantes na celebração com absolvição colectiva é cada vez maior. Isto é uma constatação. E não acredito que seja por ser mais fácil. Alguns sacerdotes e muitas pessoas têm esta dupla experiência. Só fala assim quem nunca participou.

Os sacerdotes que optaram pela celebração colectiva quiseram encontrar uma alternativa para essas pessoas se aproximarem de Deus e sentirem o Seu amor e o Seu perdão. Não foi por comodismo ou preguiça, mas por razões pastorais. Tentou-se cativar as pessoas que se afastaram da igreja ou da confissão mantendo sempre a possibilidade da confissão individual para os outros. Nunca se substitui a forma tradicional. Apenas se encontrou uma solução para a situação referida.

Temo que, colocando a lei acima do evangelho, que é o que está a ser feito neste caso, na minha opinião, venhamos a perder essas pessoas.
Lamento. Mas por obediência ao bispo, porque é neste patamar que se coloca a actual situação, não faremos a celebração do perdão. Até agora o Senhor Arcebispo nunca tinha tomado a posição que tomou agora. Limitava-se a aconselhar e dar pareceres. Actualmente existe uma proibição formal.

Mesmo não me identificando com a posição do prelado, tenho de obedecer.

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21 comentários leave one →
  1. ZéLuiz permalink
    Fevereiro 29, 2008 19:07

    Olá!

    …. ….
    …. …. ….
    Fiquei sem palavras!
    Fiquei sem palavras e fiquei triste, ou melhor estou triste.
    É a caminhada, JCS, são os tropeções do caminho…
    Estamos em sintonia, como é sabido, quanto à forma como se tem celebrado o perdão e as razões que sustentam o método usado, no entanto neste momento, JCS, o compromisso de obediência manda que se faça de outra maneira.
    Manda que seja como é tradicional. Que seja então.

    Peço a Deus que assista a Sua Igreja e lhe dê a graça de saber encontrar os caminhos mais convenientes para acompanhar a real e imparavel transformação da sociedade.
    Ao longo de toda a história de 2.000 anos a Igreja foi ajustando
    os métodos em função dos comportamentos da sociedade. Acreditamos, pela Fé, que assiste à Igreja o Espirito Santo de Deus, com a sua força e a sua luz.
    Que este Espírito que iluminou as mentes dos que sentiram necessidade de convocar o Concílio do Vaticano II, ajude a que ele seja em toda a sua amplitude uma realidade efectiva ainda nos nossos dias.
    Nós somos a Igreja de Jesus Cristo, de Jesus Cristo morto e ressuscitado, para nos dar a vida e é nisto que eu acredito.
    A Igreja é porque Jesus Cristo é e só por isso.

    JCS, Porque somos de Cristo e não somos perfeitos, vamos celebrar o sacramento do perdão. Vemo-nos por aí.
    ZéLuiz

  2. Fevereiro 29, 2008 19:42

    Obrigado Zé.
    Lamento efectivamente que o discurso antiquado que se utiliza para justificar o que já não tem justificação e também já ninguém convence continue a prevalecer.
    Já reparou que afinal temos padres suficientes? É um dos argumentos utilizados. E tantas vezes apregoam o contrário, sobretudo quando é para pedir que um sacerdote sobrecarregado tome conta de mais uma paróquia porque não há padres. Não entendo. E fico triste porque acho que a igreja de Cristo que Ele sonhou…

  3. ZéLuiz permalink
    Fevereiro 29, 2008 19:48

    Olá de novo!
    Isto não tem nada a ver com o assunto “celebração penitencial cancelada” mas apetece-me falar (escrevendo) para não me sentir tão só.
    Já depois de ter enviado o primeiro texto, encostei-me para trás a pensar nestas coisas e noutras também e dei comigo assim não sei como!…
    Isto da vida não é coisa facil. Há momentos que requerem grande esforço para serem ultrapassados. Ele há momentos …Vai valendo nestas alturas, muitas vezes, a vivência por antecipação de bocadinhos que nos dão prazer. Ele é uma prometida festa de anos, ou um almoço de Domingo em casa de um amigo, que depois se alarga até ao jantar… uma ida aqui ou ali, (uma ida a “S. Pedro” por exemplo), uma escapadela de fim de semana um simples encontro de amigos, mesmo que sem programa e outras coisas. Só o pensar nisto já me dá prazer e o vivê-las nem falo! Estou assim, nesta fase… O encontro do dia 9 ía ser assim também. Para além da celebração litúrgica em si, era para mim um encontro de amigos. Já sentia o gosto do momento, já sentia a alegria do encontro. Sinto-me como uma criança a quem tiraram um bolo prestes a ser abocanhado. Quel mal ! Que vazio! Que…!
    Queridos companheiros do “Partilhar” perdoem esta fraqueza, se calhar estou mais fragil nesta altura e fui apanhado sem saber reagir com ponderação desejada. Desculpem lá.

    Vou fiicar aqui porque tem de haver lugar para todos participarem. Voltaremos a falar noutra altura.
    JCS vamos ter que falar um dia destes…Falar, falar. E se nos encontrassemos????
    ZéLuiz

  4. Fevereiro 29, 2008 21:42

    É com muita pena que vejo esta celebração impossibilitada de se realizar pois a igreja nunca esteve tão cheia de fieis como nesses dias.
    Esperemos que as pessoas não se afastem de Deus com esta medida.
    Também espero que “amanhã” voltem a pensar no assunto.

  5. Fevereiro 29, 2008 23:28

    Eu entendo perfeitamente esses sentimentos. Estas celebrações eram preparadas com muito carinho e com o objectivo de ajudar as pessoas a rezar e encontrarem a paz interior.
    Quando é que a Igreja, instituição, irá mudar?
    Eu procurei fazer a minha parte para trazer Deus ao coração e à vida das pessoas. Dava muito trabalho. Mas sentia-me realizado ao ver os sentimentos das pessoas.
    Lamento que quem proibiu nunca tenha falado com quem participou e viveu estas celebrações nem com quem as preparou.
    Provavelmente será por pressões dos conservadores. Não Sei.
    Mas este espaço pode ser utilizado para, com respeito, ir dizendo o que estamos a sentir.

  6. miná permalink
    Março 1, 2008 00:37

    ´Desde que soube da decisão do sr. arcebispo que não penso noutra coisa, pois a tristeza e a desilução foram de tal ordem que fiquei até confusa e revoltada ao mesmo tempo.Sei do empenho, trabalho, dedicação com que o p. Zé Carlos preparava estas celebrações e o quanto bem faziam aos presentes, e agora? Como vão ficar essas pessoas que ansiosamente esperavam por esses momentos de reflexão, reconciliação e de alegria que experimentavam, como vão ficar???!!!
    Já pensei escrever, educadamente ao sr. arcebispo para de lhe dizer isto mesmo.è que eu sinto-me revoltada com tanta incoerência nas suas atitudes….
    É de lamentar que a Igreja católica esteja em fase de regressão! Eu considero isto regressão! Porque não deixa o sr. arcebispo cada um tomar a sua opção, mediante o conhecimento que cada pároco tem da sua comunidade!??
    Por ventura ele auscultou algum participante nestas celebrações?Não. Então não sabe o que os fiéis pensam e sentem…
    Ainda que o sr. arcebispo proiba estas celebrações, não poderá também proibir a alegria de sermos AMIGOS e isso fará de nós pessoas de força interior para seguoir Cristo Vivo.
    Não deanime, há muito outro apostolado que fará com todo o empenho e dedicação!

  7. Couto permalink
    Março 1, 2008 01:08

    Também não concordo com a posição da Diocese, penso que estamos a dar dez passos para trás.
    Não é esta Igreja, que quer ser actual, jovem e dinâmica?
    Ou será que os Sacramentos vão passar a ser apenas seis?
    A Comunidade não pode pedir autorização, se é essa a vontade da Paroquia?

  8. Daniela Perira permalink
    Março 1, 2008 23:05

    Não podia deixar passar em branco esta falta de conhecimento da nossa diocese sobre a realidade da nossa comunidade cristã.
    Sou uma jovem com um papel activo na comunidade paroquial de Sequeirô e posso afirmar convicção que se continuarem a serem tomadas atitudes retrógradas e antiquadas deste género a Igreja a não terá muito futuro, pois nós jovem deixaremos de a frequentar.

    Em relação ao facto de deixar de existir celebração do perdão deu-me vontade de dizer ao Sr. Arcebispo, para o colocar a par da evolução do mundo e da forma de agir e pensar do Ser Humano, que são poucas as pessoas ou quase nenhumas as que conseguem reflectir sobre as suas atitudes “menos boas” nas confissões individuais, pois não se lembram ou ate não acham que sejam erradas, e de seguida partilhar com o sacerdote da paroquia ou um sacerdote desconhecido por vergonha ou por inúmeros factores internos. Mas se o Sr. arcebispo acha isto, só o temos que respeitar. Mas certamente a igreja só ficara a perder.

  9. Março 2, 2008 13:55

    Não podemos deixar que estas contrariedades nos afastem de Deus e da Igreja. A Igreja é gerida por homens que têm as suas opções e sensibilidades. A história da Igreja fala por si. E nós vimos, no ano 2000, o Papa João Paulo II a pedir perdão pelos erros que a Igreja cometeu no passado. Lembremos o caso de Galileu, e outros. E num passado recente o caso de Leonardo Boff, com a teologia da libertação. Será que teremos algum dia um papa a pedir perdão pelas opções de hoje?
    Deus acima de tudo. O amor de Deus acima de tudo. Deus ama-nos e perdoa-nos. Isso é o mais importante.
    A história saberá dizer quem tem razão. Mudaram as nossas atitudes, por obediência; não mudam a nossa forma de pensar e o Deus em que acreditamos. Esse Deus está presente na Igreja, que é santa e pecadora. Com respeito falemos do que sentimos, mas sem revolta contra ninguém.
    Não nos são apresentadas razões teológias ou pastorais para a proibição. Apenas a tradição e a lei, que é feita pelos homens. O nosso Deus pede paciência; rezemos pela renovação da Igreja.
    Jesus foi o maior revolucionário: quebrou a tradição; tinha tantos dias para fazer os milagres, porque os fez ao sábado? Porque o ser humano está em primeiro lugar. Foi Ele que ousou ir contra a tradição e dizer que podemos chamar a Deus de Papá. O resultado final: cruz.
    Jovens , não desanimem… a igreja precisa de todos… Deus precisa de vós… Deus ama-vos.
    O mundo e a Igreja precisam de pessoas que sabem pensar de forma diferente… mas em comunhão com a Igreja que Jesus Cristo fundou.

  10. Carla Gonçalves permalink
    Março 2, 2008 16:49

    Hoje partilho desde casa, e não do trabalho, como é habitual….É Domingo…é dia da família, mas não poderia deixar de colocar aqui, o meu desabafo, sobre este assunto….Não queria, nem podia esperar para amanhã. Como é possível???? É a minha interrogação. Como é que se aniquila uma celebração que chegava ás pessoas, que enchia o coração das pessoas, que por mais pequenos momentos que fossem, as punha a pensar verdadeiramente nas coisas menos boas que fizeram e as levava a quererem ser melhores????? A reflexão sentida e verdadeira, que se consegue com a celebração colectiva, não se alcança de modo algum, no confesso individual…Para este. as pessoas ensaiam. e dizem uma prole de “larochas”, que se gravadas de uns anos para os outros, seriam as mesmas concerteza….A sociedade evolui, as pessoas têm outras necessidades, e a celebração colectiva ENCHIA E PREENCHIA completamento um vazio que o confesso individual criou…E a verdade é que, esta figura do confesso com o Sacerdote não foi retirada ás pessoas,….., quem quisesse sentar ou ajoelhar perante um sacerdote podia continuar a fazê-lo, ou seja, a celebração colectiva NUNCA aniquilou a individual…..a verdade é que cada vez menos pessoas procuravam o confesso individual, porque concerteza não tinham necessidade dele……Apesar de nestas últimas celebrações colectivas, não ter podido ester presente, sei como me senti qaundo estive e quando participei, e a minha convicção é de que NÃO É JUSTO VOLTAR PARA TRÁS. Temos que ter uma palavra a dizer nesta decisão INJUSTA, RETRÓGRADA, AUTORITÁRIA e que não preza a LIBERDADE. Nesta caminhada quaresmal, na 2ª semana, quando celebravamso o valor “LIBERDADE” retive umas palavras do P. Zé Carlos: somos livres no prolongamento da liberdade dos outros???? E aqui, onde fica a nossa Liberdade??? Quem a respeita???

  11. Adelino permalink
    Março 2, 2008 21:54

    COncordo com tudo que já foi escrito e falado.
    Nós houvimos pratica-mente os Sr. Bispos e o PAPA a falarem de uma Igreja mais humana.
    A onde esta?
    Dizem que Cristo morre por nós a onde?
    Que REssuscitou quandofoi esse acontecimemto?
    CRISTO se viese hoje ao Mundo eu acradito quem o mandava matar eram os proprios chefes da igreja.
    OS Bispos e sertos padres não querem ver a verdade chega de pessoas assim a falarem em nome de Jsus o Salvador.

  12. permalink*
    Março 3, 2008 00:10

    Manifestar os nossos sentimentos é saudável, e bom sinal. Somos cristãos que amam a Jesus, amam a Igreja, querem servi-la. Manifestando os nossos sentimentos é sinal que queremos continuar ligados à Igreja e queremos contribuir para o seu crescimento e melhoria. Pior seria que nos abstivéssemos de expor a tristeza e simplesmente nos afastássemos. É dentro da Igreja e como Igreja que queremos e devemos “lutar” por aquilo que consideramos certo, respeitando sempre os pontos de vista dos outros, mesmo não concordando. Respeitar não significa calar. Mas tenhamos cuidado para não extremar as nossas posições. Isso não faz bem a ninguém.

  13. Março 3, 2008 12:21

    Tenho visitado alguns foruns que debatem este assunto. E vejo que existe muita ignorância sobre o que é feito. Em primeiro lugar, os padres não deixaram de acreditar nem de valorizar a confissão individual. Apenas vão ao encontro dos cristãos que se afastaram do sacramento. A confissão individual é demasiado importante para ser vulgarizada. Estamos a lidar com a consciência das pessoas. Mas também não considero pedagógico, humano e cristão, por exemplo, em 9 horas 13 padres atenderem 1300 pessoas numa paróquia com mais se 12000 cristãos. Em primeiro lugar, onde está a preocupação pelos outros 90% dos cristãos? Em segundo lugar, feitas as contas, cada sacerdote atendeu 100 pessoas em 9 horas, e que para isso ser possível teve de demorar cerca de 5 minutos, sem intervalo de uma pessoa para a outra. Com este tempo, é possível fazer-se uma confissão bem feita, num diálogo franco, aberto e amigo, acolhendo o penitente tal como Jesus o fez? Isto é que é dar dignidade e importância ao sacramento da confissão? Peço desculpa, por isto parecer uma crítica. Não passa de uma reflexão.
    Não desvalorizamos, rejeitamos ou criticamos a existência da confissão individual. Ela tem muito valor, acreditem. Existe muita gente que precisa da confissão individual. Apenas pedimos a possibilidade de existir uma outro forma por motivos pastorais. Dessa forma teríamos esses 1300 na confissão individual e muitos mais na outra forma. Onde está o medo?
    Depois, a celebração com absolvição colectiva não é apenas ler a palavra de Deus, fazer o exame de consciência, absolve-se e ide em paz.
    É feita uma celebração com princípio, meio e fim, em que se procura envolver as pessoas. Começávamos com o acolhimento. Depois reflectia-se, com leituras e resposta do povo, sobre o mal e o pecado no mundo. Estes textos eram acompanhados por música de fundo e imagens. Depois escutava-se a Palavra de Deus. Posteriormente fazia-se o exame de consciência, pedia-se perdão e recebia-se a absolvição (sempre sobre condição de a pessoas estar arrependida e com propósito de emenda. E não tendo pecados mortais. Nesta caso deveria posteriormente aproximar-se do confessor). Depois de perdoados, dava-se graças a Deus e terminava-se com o compromisso de mudança, de paz com Deus, consigo e com Deus.
    O coro ajudava com os cânticos, a música de fundo, de acordo com o momento ajudava a interiorizar a mensagem e a reflectir. As imagens ajudavam a ir mais longe, e a centrar a tenção no texto.
    Mas só vivendo. E para se puder condenar com justiça, era bom fazer a experiência. Sem isso, as opiniões não passam disso mesmo. Muita gente passou por essa dupla experiência. Todas as pessoas que falam sobre este assunto, sabem, em verdade, o que estão a dizer e do que falam?

  14. Miguel permalink
    Março 5, 2008 12:49

    Posso entender a atitude tomada pelo Pe José Carlos Sá. Para quem vive no seio de uma Comunidade, como é a Igreja, o sentir individual não se pode sobrepor ao sentir comum. Mas cito somente as palavras, ditas em conversa privada, por um Arcebispo de Braga, que não é falecido…, sobre este assunto: esta como outras coisas somente mudam quando há alguém que tem a ousadia de transgredir.
    Não são palavras textuais mais foi este o sentido. Certamente que todos percebemos que aqui «transgredir» não tem o sentido «adolescente», daquele que transgride como contestação de uma autoridade ou norma, Mas como expressão clara de um caminho, que mesmo sendo outro, não deixa de ser caminho que conduz a Deus, por Jesus Cristo.
    Estamos claramente numa altura, sobre esta matéria pelo menos, que é preciso alterar a parábola da ovelha perdida: e necessário deixar a que não se perdeu, para ir procurar as 99 que se perderam…

  15. Miguel permalink
    Março 5, 2008 12:52

    Esqueci-me de concluir o que comecei por dizer: claramente, este deixou de ser um sentir individual para ser um sentir comum. É urgente e necessário fazer uma proposta diferente, na forma, para a celebração do Sacramento do Perdão.

  16. Março 14, 2008 21:28

    Por razões várias tenho acompanhado esta temática: esta semana vi igrejas cheias de gente para se confessar, e a irem embora porque não havia sacerdotes para transmitirem o Perdão. Fiquei doente: Há ou não sacerdotes para as “Confissões”? Fiquei com a impressão que não. E os “fieis”, como eu, ficam sem receber a graça de Deus.
    vi mais: sacerdotes santos, mas já alquebrados pela idade, a permanecerem sentados duas horas seguidas a “ouvirem Confissões”. Será humano? Será cristão? Serão de “ferro”? Terão condições para “ouvir”? E para “aconselhar”? Também não me parece. Admiro-os. São “santos”, pela graça de Deus, por vontade própria, e porque os “obrigam”. Saio em favor deles: alguém dizia, há tempos, que, hoje em dia, já não são os “padres” que “dão cabo da Igreja”, mas sim esta que dá “cabo” dos padres!…
    Vi mais, ainda: pessoas de fé a deslocarem-se dezenas de kilómetros para uma “Celebração Comunitária da Reconciliação” que, afinal, não aconteceu, por “obediência” ao senhor Bispo.
    Haverá alguém que fique contente porque nesta ou naquela paróquia se “confessaram” umas dezenas de pessoas, quando a paróquia tem centenas, ou milhares?!
    Até parece que o importante é que “paguem os direitos paroquiais”, as “bulas”, pois “Deus encarrega-Se do resto”.
    Valha-nos Deus e as almas santas!

  17. Março 14, 2008 23:31

    Dou razão à “Adriana”. Também digo que estou arrependido de ter cancelado a celebração. E, se Deus quiser, vou voltar a fazer. Sabem porquê? Porque antes de começar a fazer as celebrações, e já lá vão 6 anos, pouca gente se confessava e a maioria nem sequer se preocupava com isso. Comungava ou não, sem grandes preocupações. Hoje, por não ter havido a celebração, as pessoas andam inquietas, ansiosas, preocupadas se podem ou não comungar, e estão a tomar uma atitude activa. Até agora iam porque o pároco fazia. Agora mudou a atitude. As pessoas escrevem ao Senhor Bispo. E ouvem a resposta do seu Pastor. Se não houvesse o cancelamento, isto não seria possível. Tenho a certeza que na próxima vez que se fizer a celebração, a atitude será muito mais pro-activa.
    Desta forma, falou-se na celebração. Da outra iriam falar do padre que desobedeceu ao bispo. Desta forma, uma causa que era pessoal, de um padre que fazia diferente, agora é uma causa de todos, pois todos os cristãos tomaram uma posição e lutam por ela. O Senhor Bispo agora não tem de lidar apenas com um padre aparentemente desobediente, mas com toda uma igreja que pede renovação.
    Obrigado a todos por esta lição de igreja que é comunhão, igreja peregrina, igreja que luta, igreja desinstalada, igreja inconformada…

  18. Miguel permalink
    Março 15, 2008 15:00

    ah! grande Sá. Muito bem!

  19. Março 16, 2008 17:02

    Houve alguém que me perguntou porque é que o Bispo quer proibir.
    A questão das forma de celebrar o perdão depende da autoridade do bispo. Não existe nenhum impedimento teológico ou doutrinal, apenas de direito canónico. Isto quer dizer que quando o papa ou os bispos quiserem muda. Apenas isto. E como eles só mudam diante da pressão dos fieis, sempre assim foi, e desconfio que sempre será. O que lamento é que a Igreja deveria tomar a dianteira da renovação e não andar sempre a reboque.
    Senhores Bispos, se é que me ouvem, não se limitem a ser arrastados. Criem, venham ao encontro dos fieis, mudem a forma de fazer as coisas. Assim chamam os mesmos, mas menos, e os mesmo que estavam de fora, continuam. Não chega falar de novas linguagens, dos novos areópagos da evangelização, com discursos tão bem elaborados, e na prática é sempre do mesmo. Diz o Senhor, “não fazem e não deixam fazer”. E ele não estava só a falar para os escribas e doutores da lei daquele tempo…

  20. Carlos Azevedo permalink
    Março 16, 2008 22:36

    Já aqui havia dado a minha opinião, mas identificando-me apenas por “CARLOS”, por temer possíveis represálias”. Hoje pensando melhor, chego à triste conclusão que os principais inimigos de Cristo, estão dentro da própria Igreja de Cristo.

    Ainda à pouco tempo andava o Sr.Bispo preocupado com a retirada dos crucifixos das nossas escolas, manifestando-se através da comunicação social e agora uma vez mais utilizando a mesma comunicação num acto “impensável”, Censurável e de uma “ irresponsabilidade sem limites”, proibir as Celebrações do Perdão. Impensável, porque o fez durante uma ocasional celebração. Censurável, pela maneira como o fez, não tendo a sensatez de falar pessoalmente ou em conjunto com os Srs.Padres que procediam a tais Celebrações. Irresponsabilidade sem limites, porque não mediu as proporções a que isto iria chegar e agora vai ter que dar o dito por não dito.
    Tenho conhecimento, que em duas paróquias se realizaram as Celebrações do Perdão. Qual vai ser a posição do Sr.Bispo? Vai excomungar o Padre que por sinal é o comum às duas? Ou vai fazer como Pilatos?

    Acho que o Sr.Bispo deve uma rápida explicação aos cristãos da sua Diocese, afim de evitar possíveis MANIFESTAÇÕES PÚBLICAS DE FÉ, em favor das Festas do Perdão colectivo. Por mim estarei atento e disponível.

    Um grande abraço para todos e que Jesus Ressuscitado, faça crescer sabedoria em quem mais dela necessitar. Uma Santa Páscoa.

  21. ZéLuiz permalink
    Março 17, 2008 17:00

    Apontamento sobre “Confissões”
    PARA LER E “MASTIGAR”

    Olá! Olá a todos!
    Já estamos na Semana Maior!
    Estamos mesmo, mesmo, a um passo de celebrar o memorial da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Queremos certamente viver estes momentos com muita seriedade e paz interior. É por isso que a liturgia nos recomenda a reconciliação para esta altura. Não uma reconciliação de desobriga, nada disso uma reconciliação sim, de banho completo, para vestir roupa lavada para a Festa. Recomendamos uma celebração de vontade e de sentido consciente.
    Este ano não tivemos ocasião de a celebrar da mesma forma dos demais anos, por razões sobejamente conhecidas de todos e de que não vale a pena falar mais por ora.
    AGORA temos sim de procurar reconciliarmo-nos com Deus e com os irmãos para de uma forma mais completa e intersa podermos celebrar os dias que se aproximam (“…se quando estiveres no altar a apresentar a tua oferenda te lembrares que estás de mal com o teu irmão, deixa a tua oferenda no altar e vai primeiro reconciliar-te com ….”).
    Não representa de forma alguma sinal de fraqueza reconhecer que temos faltas, nem tão pouco o penitenciarmo-nos por elas. Não o fazer, só porque não dispomos agora do cerimonial a que estavamos habituados é uma falta de humildade que não nos fica nada bem. Recorrer ao Sacramento da Penitência, entendido como um acto individual de reconhecimento de falta e absolvição pessoal é uma prova de Fé e o caminho que devemos seguir agora. Na falta de uma estrada larga, podemos sempre prosseguir a caminhada por uma vereda estreita.
    Por isso quero aqui lançar um apelo: que ninguem fique em casa por despeito. Que ninguem deixe de celebrar nesta quadra o Sacramento da Reconciliação. Mostremos que não nos derruba quem quer.
    Que ninguem deixe de se reconciliar para viver este momento tão rico da nossa liturgia com entusiasmo e alma lavada para que morrendo para o pecado possamos ressuscitar na Páscoa de Jesus Cristo para uma vida nova. Nada justifica que o não façamos.
    Depois, outros horizontes se nos deparam e aqui estamos nós com todo o entusiasmo para os atingir.
    Santa reconciliação para todos,
    ZéLuiz

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