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Menos católicos

Março 31, 2008

Igreja“Cidade do Vaticano, 29 Mar (Lusa) – O número de muçulmanos ultrapassa actualmente o de católicos, segundo o responsável pelo Anuário Pontifício, monsenhor Vittorio Formenti, em entrevista ao diário Osservatore Romano.
A situação, que monsenhor Formenti defende dever ser alvo de reflexão no seio da Igreja Católica, decorre do facto de 17,4 por cento da população mundial professar a religião católica, enquanto que o número de muçulmanos representa 19,2 por cento daquele universo”. (RTP)

Esta é uma reflexão que deve ser feito no seio da Igreja, mas ouvindo as pessoas que estão dentro e as que já saíram. Algo tem de mudar na Igreja… e urgentemente. Está mais que provado que as estratégias que as hierarquias querem impor à Igreja não estão a resultar em nada de bom. Pode até ser muito bom para eles, mas não o é para o povo cristão, que é para eles que a Igreja existe. Muito a Igreja tem de mudar… a começar pelo embrulho. Explico: podemos ter uma presente muito bom para oferecer a alguém. Mas se o embrulhamos em papel fraco, roto, a cheirar mal, a pessoas para quem se dirige o presente não o vai querer, ou não lhe dará importância. Vale o que vai dentro, dizem alguns. Hoje as pessoas não pensam assim. Isso é para os “certinhos” que já não fogem por nada.

A Igreja está a perder o comboio. Antigamente, quando o comboio era a carvão, dava-se uma corrida e sempre se apanhava. Hoje, os comboios são eléctricos, e se nos atrasamos, perdemos de vez. E pior, ainda se pode apanhar um chique ao correr atrás dele.
Não adianta reflectir só pelas nossas convicções. Temos de querer ouvirir ao encontrosurpreender (e a Igreja já pouco surpreende, a não ser pelos piores motivos). E não impedir que alguém o faça…

Não estou contra a Igreja. É por amor a ela que me debato e falo… não quero que ela morra… ainda faz muita falta neste mundo. Mas precisa de ouvir o mundo. A igreja deve ser serva e mãe… e não outra coisa qualquer. Tem de haver regras… mas a Igreja é muito mais. Não nos esqueçamos que para manter a areia na mão, não a podemos fechar. Aí ela foge por entre os dedos. Só mantendo a mão aberta e o espírito atento a conservamos. Vale a pena pensarmos nisto.

E já agora: se eu mandasse, que alterava na Igreja?

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4 comentários leave one →
  1. miná permalink
    Março 31, 2008 20:58

    É bom que alguém com sabedoria e experiência nos vá alertando para o que se passa na nossa Igreja, que consideramos pura, santa e imaculada( ensinaram-nos os nossos pais), porque assim acreditavam que fosse!
    É com muita tristeza que hoje se verifica que assim já não acontece, não porque a doutrina tenha mudado,mas sim porque a hierarqiuia se fechou ao mundo.Eu também amo a Igreja de Jesus Cristo, mas a igreja como os homens querem que seja já é mais difícil de amar!
    É muito pertinente a sua questão que coloca no final do texto; irei pensar nela e um dia deste vou dar a minha «sugestão»,ok?

  2. Carla (Catequista 2º Ano) permalink
    Abril 1, 2008 07:50

    Olá.

    No meu dia a dia, debato-me muitas vezes com colegas, amigos, conhecidos que me confrontam com as inúmeras incoerências da nossas Igreja, questionam-me como é que posso amar e defender uma Instituição assim…Respondo-lhes sempre com o que sinto: Amo a Jesus Cristo, mas desde sempre a Sua Igreja é formada por homens e estes já sabemos, há os melhores e os piores, mas o que importa é que amemos Jesus, e que o nosso papel na Sua Igreja seja activo, positivo, porque de nada serve criticar se nada fazemos. Não me identifico com esses que criticam, sem nunca terem feito nada, por isso, sinto-me com ligitimidade para criticar uma Igreja da qual faço parte. Penso que nos dias de hoje se verifica na Igreja uma situação BIPOLAR: por uma lado temos as paróquias, os pequenos grupos apostólicos que trabalham por uma Igreja moderna, actual, por transmitir uma mensagem de Cristo VIVA e que chega ás pessoas – VEJAM O EXEMPLO DESTE PARTILHAR….e depois temos o lado das hierarquias máximas da Igreja, que se apresentam do alto dos seus cadeirões e não se aproximam das pessoas, limitam-se a reunir, lesgislar e cumprir leis..E então que podemos fazer?? Penso que se cada um de nós, na nossa paróquia lutar por ter uma comunidade activa onde se respira um Cristo VIVO, vamos contribuir certamante para uma mudança na Igreja.

  3. Manuel permalink
    Abril 3, 2008 09:38

    Julgo que um dos actuais problemas da igreja católica apostólica romana é tentar manter os tiques de um passado absolutista inquisidor, do eu posso quero e mando. Mas parece-me que essa mão fechada com pouca areia ficará.

    Não sei se alguma vez os católicos estiveram em maior número que os muçulmanos. Também não me parece que a quantidade seja sinónimo de qualidade, apesar de, em sensos recentes, existirem 2,107 milhões de Cristãos e 1,283 milhões de Islamitas.

    É fundamental perceber que o importante não é saber quem cresce mais ou agrega mais fiéis, o valor está na mensagem que se transmite e no modo de o fazer.

    O Islamismo ainda está assente no controlo do sistema político e económico, para além do religioso. Na total dependência social da vida humana. Por empatia essas sociedades tendem a ser mais fechadas, agressivas, oprimidas.

    O Cristianismo foi, ao longo dos tempos, afastando-se desse absolutismo, procurando os ensinamentos da vida, através das práticas e exemplos de Jesus Cristo. Sendo uma religião monoteísta, consegue ser plural nos meios de divulgação dos seus ideais. Essa pluralidade permite que a sociedade cresça, conheça novos e bons valores (às vezes nem tanto), evolua. Esta sociedade religiosa permite-me embrulhar um bom presente – “Cristianismo” – no papel que achar mais bonito, porque o que realmente tem valor é o que se vai oferecer.

    É tempo dos fiéis da igreja perceberem que a grandeza do Cristianismo está, também, na sua pluralidade, perceberem que cada uma das tendências cristãs não é melhor ou pior que a outra, é tempo dessas quezílias de grandeza acabarem sob pena de cada uma delas finar. Há que saber transmitir os nossos valores sem nos julgarmos superiores. Há que saber escutar, mesmo aqueles que estão fora ou nada fazem, porque, às vezes, muito nos dizem. Há que saber esperar pelo próximo comboio.

    Mas afinal quem são os que semeiam o Catolicismo, quem divulga a fé Cristã? Não são os homens, as mulheres, os jovens e as crianças de hoje?!

    Nesta agricultura tem o Padre José Sá, pelo que me é permitido saber, efectuado um trabalho meritório, quer junto dos jovens quer na comunidade da Lama e Sequeirô. Sendo a inveja um pecado mortal, permita-me, José Sá, esta confissão, pois é o que sinto em relação aos jovens da sua comunidade e à falta que fazia aos jovens de há 30 anos atrás.

    Continue por aí, o terreno pode ser penoso, dificultado, ingrato, mas é de grande valor.

    Vaticinam-se grandes e saborosas colheitas no futuro.

  4. Abril 3, 2008 17:01

    Obrigado Manuel pelas suas palavras e pela partilha das suas ideias. Continue assim.
    O meu objectivo, é espicaçar a mente das pessoas. E o resultado é este testemunho. Obrigado… e Manuel (se me permite) apanhe o próximo comboio. Não fique na estação.

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