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Tecnologias na catequese

Agosto 29, 2008

Temos ouvido falar das novas tecnologias que devem estar ao serviço da educação. Mas que tipo de utilização é que se pode fazer das tecnologias na catequese?

Há quem pense que passa por fazer umas apresentações para mostrar às crianças.
E muitos catequistas já o fazem. Desta forma, estão a utilizar o computador apenas como um recurso pedagógico. É bom… mas é preciso ir mais longe.

Quando se fala da integração das tecnologias na educação, estamos a falar de recursos e de estratégias. Isto é, é preciso repensar a forma de fazer catequese, optando por outra pedagogia. É bom que se tenha conteúdos (apresentações/filmes) para apresentar. Mas não podemos esquecer que precisamos de questionar a metodologia que vem sendo adoptada.

O catequista não deve ser apenas o fiel transmissor da doutrina, fazendo das crianças depositários passivos, sem espírito crítico, não valorizando as suas experiências de vida e saberes construídos previamente. O catequista deve assumir o papel de facilitador, de orientador, menos directivo, promovendo a interacção dentro do grupo, o trabalho de pesquisa e a capacidade de reflexão crítica. Assim, a criança aprende de uma forma mais autónoma, activa, com respeito pela diferença, com espírito crítico (capacidade de reflexão) e, por isso, mais significativa, isto é, cujo efeito perdure e se concretize na vida.

Os saberes construídos em cada encontro, juntamente com os conhecimentos prévios, e a interacção com o grupo e outras pessoas externas ao mesmo, permitirão a construção de novos caminhos para novas situações. Para melhor entendermos, apresentamos uma imagem: a forma de manter a areia na mão, é mantê-la aberta; se a fecharmos, com medo de perder a areia, esta escapa-se por entre os nossos dedos, e quando abrirmos a mão, restam poucos grãos.

Uma das situações problemáticas, com que nos deparamos na sociedade actual, é as crianças fruto de famílias desagregadas. Estas, sem culpa, terão que faltar frequentemente à catequese, em virtude de terem de passar fins-de-semana, alternados, com os progenitores. Consequência: faltas contínuas à catequese, falta de acompanhamento, e consequente desmotivação e desvinculação. Não esquecendo a pseudo questão da justiça em relação aos outros que são assíduos.

Será que não podemos fazer nada que minimize esta situação? Será que vamos ficar impávidos e serenos, ou a apregoar contra esta situação, em vez de procurarmos soluções?

Dentro do espírito de uma nova metodologia, e tentando encontrar uma resposta a esta situação problemática e desafiante, a Internet reúne uma séria de potencialidades que podem e devem ser aproveitadas ao serviço da catequese.

Não diabolizemos a Internet, culpando-a de todos os males. Encontremos, antes, soluções motivadoras, capazes de atrair e apostando em bom conteúdo. Não falo da simples navegação na Internet, mas de aproveitar os diversos serviços e ferramentas que ela disponibiliza.

Para não me alongar mais, fico por aqui, mas deixo a porta aberta para o debate sobre estas e outras questões. Não pretendo oferecer soluções perfeitas, mas estimular o debate e a reflexão, com espírito aberto.

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8 comentários leave one →
  1. Agosto 29, 2008 21:34

    Esta é uma questão muito importante, pois mesmo na net lemos a preocupação de alguns catequistas:
    – o que fazer porque as crianças são cada vez mais difíceis…
    Soluções requerem mudanças na forma de fazer catequese…
    Reli a sua postagem dos “5s da catequese” é uma boa ajuda para iniciar a mudança.
    Obrigada por nos ajudar a reflectir.

  2. Agosto 29, 2008 22:22

    Em Igreja, precisamos ousar trilhar caminhos novos. Ousar encontrar novas linguagens, que os miúdos entendam. É urgente deixar os discursos derrotistas, pessimistas, a apregoar contra tudo e contra todos. Precisamos ver desafios onde antes se viam problemas. Precisamos de ouvir. Precisamos de reflectir. Não nos julgar conhecedores e detentores da única verdade. Precisamos melhorar o “embrulho” de tão grande presente, o Evangelho. Precisamos mudar de discurso. De que forma mostramos a beleza de Deus? O Deus que anunciamos, e vivemos, é “apetecível”? Ou será que pregamos o medo de Deus, em vez do amor? A vingança em vez do perdão?
    Juntos, vamos encontrar soluções, que se adaptem às realidade específicas de cada um. Não existem soluções universais. O começar a questionar, é muito bom. Vamos continuar. Obrigado pela colaboração.

  3. José Sá permalink*
    Agosto 31, 2008 21:41

    Para entendermos que a utilização da tecnologia não é apenas mudar a forma como se apresenta, mas pede-se mais. Vejam este filme no youtube.

  4. Marisa permalink
    Agosto 31, 2008 23:48

    Vi vídeo acho muito importante este alerta!
    Infelizmente o a realidade é muito parecida com o vídeo…a mudança é sempre difícil e se os secretariados da catequese não se empenharem nessa mudança será ainda pior…
    1º O Pároco muitas vezes tem várias paroquias e deixa a catequese um pouco…
    2º Quem está normalmente a coordenara catequese são catequistas que por várias razões não aceitam mudanças….
    3º Quando algum catequista assume a mudança(…) é visto como aquele que não segue o guia, quer ser diferente, aquilo não é catequese…
    Voltarei se não se importa

  5. José Sá permalink*
    Setembro 1, 2008 09:33

    “Dar o primeiro passo, proferir uma nova palavra, é o que as pessoas mais temem” (Dostoievski)
    O que dizes, Marisa, é bem verdade. Mas não podemos desistir. Devemos fazer das dificuldades um desafio. O mais importante não é o que as outras catequista pensam, mas se a catequese é significativa para as crianças. Infelizmente, na Igreja não se arrisca, não se adapta. Os documentos falam de novas linguagens, mas ninguém sabe como fazê-lo. E quando o fazem, é como se mostra no filme: nada muda. Mas em nome de Deus e por amor ás crianças, não podemos parar. Volta sempre que queiras ou precises. Estamos a construir a nossa comunidade virtual. Juntos, vamos aprender uns com os outros.

  6. fatima permalink
    Setembro 1, 2008 14:32

    Sou catequista de um grupo de adolescente, estamos juntos desde o 6º ano, vamos iniciar o 10º. Nós somos os rebeldes!…
    Começamos a mudar com simplicidade, mas de uma forma que eu considero eficaz (perdoe a falta de humildade) porque nós queremos uma catequese em que os principais intervenientes sejam os catequizandos (o guia serve de orientador)
    Jesus está vivo, está connosco, não foi embora está presente então como viver em família, na escola, na praia, mas festas…sentido a presença D’le? Esquecendo-O? Não acreditando? Fugindo?

    Questionam muito os dogmas, discutem, o catequista modera. (não é fácil)

    Eles adoram escrever e depois trocar as opiniões para lerem em voz alta, depois reflecte-se, analisa-se A Palavra cimenta a questão principal.

    Saímos muito, um lindo dia de sol é aproveitado para fazer a catequese ao ar livre (temos a sorte de ter uma mata perto)
    Dar graças a Deus por tudo o que nos dá (a sombra, os pássaros, está linda mata, a vontade de rir para todas as pessoas…)

    Privilegiamos a família os encontros com os pais, a partilha e a procura de soluções.
    Todos são assíduos aos sacramentos.

    Sei que a dificuldade vai aumentar muito este ano, mas já começamos a trocar sms e e-mails.
    Incentivamos a fotografia para construirmos os nossos filmes.
    No final do 7º ano fizemos um filme com fotos da caminhada catequética desde o 1º ano (fizemos uma recolha de fotos nos fotógrafos locais).
    Eu e o meu colega já fizemos meio século de vida há uns aninhos, mas quem tem Jesus no coração, é sempre jovem.
    Obrigada por esta oportunidade.
    Bem haja!

  7. miná ( Famalicão) permalink
    Setembro 1, 2008 15:30

    Cada ano catequético que se aproxima é um novo desafio que temos pela frente!
    Já há uns bons anos que eu acho os catecismos( a maioria) desactualizados e desenquadrados da realidade em que vivemos.
    Tal como a Fátima também o grupo com quem trabalhei nos 2 anos anteriores fizemos « uma revolução» nas catequeses que se nos apresentavam; falo do 3ºano, mas mesmo assim sintimos que há muita coisa a mudar, mas como?
    Com anos mais avançados é mais fácil fazer e estruturar sessões mais dinâmicas, mais diversificadas…
    Os « cursos e formações » que vão aparecendo, são tão técnicas, que saio de lá tão desiludida, acreditem!
    Quero este ano socorrer-me ainda mais das» dicas» do sr. padre Zé Carlos, ele é a minha tábua de salvação!
    Vou bater-lhe à porta mais vezes…
    Eu concordo com o que se disse, mas precisamos de coisas concretas; sei que não há « receitas feitas» porque cada grupo é diferente do outro, mas isto causa-me angústia

  8. Setembro 1, 2008 19:31

    Cada pessoa deve ir adaptando as ideias ao seu grupo. Certas coisas podem funcionar em alguns e não em outros. É muito relativo.
    Cito Augusto Cury, psicólogo, que nos diz o seguinte: “Quando os professores de História dão lições sobre escravidão, o terrorismo, o nazismo, as guerras, fornecendo apenas informações, sem teatralizar as suas aulas e sem fazer com que os alunos se coloquem no lugar dos que sofreram, eles não geram consciência crítica”. Isto aplica-se a todas as áreas da aprendizagem.
    Aprendamos a utilizar a arte da dúvida e da crítica para abrir o mundo das ideias dos nossos jovens. É preciso fazê-los pensar, e não pensarmos que somos os únicos a transmitir conhecimentos e certezas.
    Não nos podemos conformar com o estado actual. Diz-nos John Kennedy que “o conformismo é o carcereiro da liberdade, o inimigo do crescimento”.
    Quanto a ajudas concretas, vamos partilhando experiências. Acertamos umas, erramos outras. Mas é assim que que se faz caminho. Mas incluamos a opinião dos nossos catequizandos. Não os enfrentemos, mas façamos deles nossos aliados. Eu tenho algumas ideias, mas vamos expô-las aos poucos. Interessa que cada um pense um pouco, e não procure receitas feitas.

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