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Porque celebrar missa pelos defuntos?

Novembro 3, 2008

A missa, seja celebrada numa igreja da aldeia ou na catedral, pelo bispo, tem um alcance universal. O que se faz presente, a saber, o sacrifício de Cristo oferecendo a sua vida ao Pai num extraordinário gesto de amor, é “por nós e por todos”. A Eucaristia, sacramento do amor, converte-nos em contemporâneos do sacrifício de Cristo ao Pai, a fim de nos podermos associar a este gesto de oferenda e participar na obra da nossa salvação e da salvação do mundo.
O alcance universal da celebração da Eucaristia permite, ao sacerdote, que a celebre por intenções particulares.
As intenções são diversas: afectam a vida das pessoas, os acontecimentos que as marcam, e também pelos fiéis defuntos.

A morte: ruptura das relações
A morte é sempre uma separação, uma ruptura da relação com o ser que amávamos.
S. Paulo exorta-nos a não nos deixarmos abater como aqueles que não têm nenhuma esperança. Ele não nos pede, e forma alguma, que neguemos o sofrimento, mas que o vivamos à luz da esperança oferecida pelo Ressuscitado, Jesus. Tendo oferecido a sua vida pela humanidade, Cristo abre-nos o acesso à Vida de Deus.
O núcleo da esperança do cristão está presente em cada Eucaristia: anunciamos a morte do Senhor Jesus e celebramos a sua ressurreição esperando a sua volta. Celebrar a Eucaristia é, de alguma maneira, situar-nos no ponto de passagem entre o nosso mundo e o Reino de amor e de felicidade que é a terra prometida de todos os que passam por Cristo. Ele disse-nos” Eu sou a porta” (Jo 10,99), “ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo 14,6). Cristo presente na Eucaristia reúne todos os que estão ainda a caminhar na terra e reconhecem n’Ele o seu Salvador, o Caminho, a Verdade e a Vida. Mas o Cristo que nos recebe na Eucaristia está também na comunhão com todos aqueles que já deixaram este mundo e partiram para a casa do Pai.

Restabelecer uma ligação na comunhão em Cristo
Quando confiamos uma intenção da missa por um defunto, vivemos em Cristo Ressuscitado um encontro misterioso com aquele ou aquela que já entrou na Vida. A Comunhão dos Santos, estabelecida em Cristo, faz viver em comunhão aos viventes na terra e aos viventes no céu. Unidos a Cristo na celebração da Eucaristia estamos em comunhão com os nossos defuntos. Rezamos a Cristo por eles e eles rezam por nós. A Eucaristia converte-se no espaço de um misterioso intercâmbio e de uma profunda comunhão de amor e de oração com aqueles que já viveram a sua páscoa decisiva para o Pai. Estamos muito além de uma simples recordação dolorosa, vivemos dentro de uma misteriosa presença entre uns e outros, no seio de uma comunhão estabelecida pelo dom do amor de Cristo e vivificado permanentemente pelo Espírito.
Pagamos a intenção da missa e não a missa. Não se trata de comprar a missa como se o mistério celebrado tivesse um valor comercial.
A antiga prática de confiar uma intenção pelos nossos defuntos, é um gesto de afecto e de vinculação com aqueles que já nos deixaram. Permite-nos viver a sua ausência e mantém a nossa esperança. Faz-nos comungar com o mistério de amor em Cristo que nos vincula uns aos outros (Jean-Luc Brunin, Bispo de Ajaccio, in Misa Dominical)

Devemos deixar de parte qualquer reminiscência de magia: mandar celebrar muitas missas levam, automaticamente, as almas para o céu. A missa tem um valor incomensurável. Na minha opinião, Deus não precisa que lhe peçamos para alguém ir para o céu. O Deus que eu acredito, é um Deus cheio de amor, é Pai, e está ansioso por nos receber no seu colo, para nos embalar com a sua doce voz e nos olha com toda a ternura, tal como a mãe que embala o seu bebé. A Eucaristia faz-nos estar ligados a este mistério de amor, a esta comunhão de vida, e à fraternidade entre os cristãos, que se fazem solidários entre si, rezando uns com os outros. Mais do que rezar pelos mortos, rezamos com eles. Será que Deus nos deixa a sofrer, como “vingança” de algumas falhas cometidas e que não quebraram a comunhão definitiva com Ele? Acho que não. O amor de Deus tudo purifica e a todos salva. É incondicional. Deus não ama. DEUS É O AMOR.

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2 comentários leave one →
  1. miná ( Famalicão) permalink
    Novembro 3, 2008 14:09

    Deus não ama, DEUS É AMOR; estamoos plenamente de acordo.Entendi tudo o que disse com muita clareza, mas fica-me sempre a dúvida: devo ou não «mandar celebrar» uma missa pelos meus pais? Sei que o valor da missa é inquantificável, mas então porquê ou para quê enunciar as intenções da misa?
    Por um lado entendo , mas por outro fico confusa.. , principalmente quando tento explicar isto ás pessoas, entende o que eu quero dizer?
    Penso que já falámos algumas vezes sobre este assunto, e eu acho que compreendo mas depois veem os porquês
    a sua exposição acho que vai fazer uito bem ás pessoas , mas a outras vai trazer muitas duvidas , porque é um assunto muito complexo e complicado

  2. José Sá permalink*
    Novembro 3, 2008 19:14

    Nem todas as pessoas estão preparadas para ouvir a verdade, porque, ou têm medo, ou porque andam à procura de uma desculpa para se afastarem. É preciso ser humilde e simples, como as crianças, para entender a mensagem de Deus. Isto não quer dizer que esta mensagem é para inocentes. É para pensadores, que procuram ver as coisas pelos olhos de Deus. É dessa perspectiva que as coisas devem ser vistas.
    Quanto à pergunta: não há interesse nenhum em dizer as intenções, a não ser pela vaidade humana de querer ouvir o nome. Caso contrário não vale (pura superstição). Há quem nomeie as intenções, por tradição. Nada contra. Mas também nada a favor.
    O celebrar a missa por intenções: é uma forma de entrarmos na comunhão dos santos, e com essas pessoas em concreto. Nada de superstição, mas uma comunhão de amor.
    Como em tudo, quando estamos marcados pela rotina, tudo o que a quebre é considerado estranho e visto como tal. Depois, a questão da morte e de Deus está muito envolta em superstições e medos. É preciso purificar a mente, e esclarecer a fé dos nossos cristãos.
    Não me alongo mais, aqui, porque poderei não ser bem interpretado. Mas relembro esta questão: durante muito tempo, a Igreja defendeu o limbo. O Vaticano II determinou o seu fim. E o ano passado, este papa declarou, oficialmente, a sua não existência. Termino com a frase de Jesus: “quem tem ouvidos, oiça”.

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