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A perspectiva metodológica da catequese

Dezembro 5, 2008
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Existe muitas pessoas que desvalorizam e subestimam o método em relação ao conteúdo. Pensam que, no fundo, o que interessa à catequese é a mensagem a transmitir ao passo que as questões metodológicas (programação, escolha e articulação de conteúdos, linguagem, técnicas e subsídios práticos) são coisas secundárias, de importância relativa, problemas meramente práticos. E esta mentalidade reflecte-se na formação.

Insiste-se de tal maneira no carácter sobrenatural do crescimento da fé que se exclui, na prática, todo o recurso às mediações metodológicas humanas. Ou então invoca-se a “pedagogia de Deus”, a pedagogia divina, de modo a tornar sem eficácia todo o recurso a instâncias pedagógicas profanas.

Mas será que um invalida o outro? Será a questão metodológica um perigo a ameaçar a integridade e a ortodoxia da mensagem? Claro que não.

Na catequética, não se deve separar o estudo do objecto da fé da consideração das suas condições de enunciação, transmissão e apropriação no campo da comunicação humana e, portanto, da procura do melhor savoir faire comunicativo para garantir a comunicação da fé no interior de uma determina cultura. Diz Jacques Audinet: “é a articulação do saber e do saber-fazer que nos parece constituir a originalidade da reflexão catequética”.

É preciso superar a tensão conteúdo-método. Uma reflexão adequada sobre a identidade e as tarefas da catequese leva à superação de toda a contraposição artificial entre método e conteúdo. A catequese é essencialmente comunicação experiencial significativa, e enquanto tal tem como “conteúdo” a própria riqueza e complexidade da experiência cristã ao fazer-se presente em pessoas concretas no aqui e agora das situações. A Palavra de Deus, objecto da comunicação catequética, não existe em estado puro, mas sempre e necessariamente encarnada em uma história e em uma cultura. Nesse sentido, a linguagem e as outras mediações da comunicação não são o revestimento externo de um conteúdo preexistente, mas elementos constitutivos da própria comunicação. Se, por vezes, o conteúdo se vê falseado, não se deve ao método, mas a uma formulação incorrecta do problema metodológico.

A pedagogia divina tem alguns traços característicos: a encarnação, o carácter progressivo, a adequação às pessoas, a centralidade de Cristo, o primado da relação interpessoal, a pedagogia dos sinais, etc. Se existe uma pedagogia original da fé, isso não diminui o significado da mediação humana nem permite ignorar as indicações metodológicas das ciências da educação.

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