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Juntar os grupos na catequese?

Dezembro 14, 2008

Muitas catequistas me têm perguntado a minha opinião acerca da prática metodológica em que as maiorias das catequistas foram formadas e que em muitas paróquias estão a concretizar. Estou a falar de, em paróquias com vários grupos do mesmo ano, os grupos fazerem o acolhimento e as actividades finais em grupo, enquanto o desenvolvimento da catequese (Experiência humana, Palavra de Deus, Expressão de Fé) serem feitas com todos os grupos reunidos.

A minha opinião dá-la-ei no fim deste artigo. Primeiro, é preciso pensar nas razões que fundamentam a nossa teoria e práxis pastoral. Qual o objectivo da catequese? Qual a melhor forma de os catequizandos aprenderem? Não adianta eu pensar que é a melhor. Tem de ser a melhor para eles e com eles.
Se o que se pretende na catequese é ter um público que ouça passivamente o que o mestre tem a dizer, sem ter em conta as suas experiências pessoais, sem os envolver no processo, em que o objectivo primário consiste na inculcação de valores, fazendo das crianças e jovens depositárias de teorias, então essa forma de fazer catequese está correcta.

Mas será isto fazer catequese? Nesses cursos ensinam que se deve dizer fazer catequese e não dar catequese. Mas na prática, ensina-se a dar catequese. Certo?
Então, como se faz catequese?
Em primeiro lugar, é preciso falar para e com a pessoa concreta, as suas experiências, os seus sentimentos, os conhecimentos prévios, compreendendo e aprofundando tudo o que acontece na sua vida e na sua mente. Se a catequese, tem de ter repercussões na vida real das crianças, ela precisa de ser significativa, isto é, que tenha a ver com a vida e a pessoa se sinta compreendida e escutada. Isso não será possível em grandes grupos.
Ensinam que há momentos para as crianças intervirem e outros em que tem de estar passiva. Um contracenso, porque, se a criança não estiver sempre envolvida, de forma activa, no processo educativo e formativo, ela desliga. Não é o que digo que importa, mas a forma como o público-alvo escuta e concretiza o que vivenciou. Para isso, precisa de interagir, de forma contínua, em toda a catequese. A criança só dará importância ao que estou a transmitir, se eu falar para ela, para a sua vida, e não de uma forma empírica e abstracta.
Como é possível interiorizar se a mensagem não foi dirigida a mim, pessoalmente? As pessoas precisam de saber que lhes falamos ao coração para que cheguemos à sua mente. As pessoas aprendem, não porque o catequista ensina, mas porque ela descobre, e se sente envolvida. Lembremos o episódia da Samaritana: no final, o povo diz: acreditamos, não porque nos tenhas dito, mas porque vivemos e sentimos, fazendo a nossa própria experiência. Dizer as coisas não é uma boa maneira de aprender Aprende-se fazendo: ou o fazemos pessoalmente, ou não aprendemos. Diz alguém o seguinte: “Diz-me algo e esquecerei. Mostra-me algor e recordarei. Envolve-me e eu aprenderei”. (Reler artigo sobre a Experiência humana)

Outra situação: explica-se que, na medida que a criança confiar no catequista, dará mais importância ao que diz. Além do mais, o acolhimento também serve para conhecer as crianças. Permitam-me a pergunta: de que serve estas ideias e o acolhimento, se o próprio catequista só fará a catequese, de vez em quando, quando chegar a sua vez?
Aponta-se como vantagem em juntar os grupos, o facto de facilitar a preparação da catequese e a escassez dos recursos materiais. Esta é uma realidade. Mas façamos uma avaliação e verifiquemos se isso se converte, efectivamente, numa prioridade? O que se perde não será mais do que o que se ganha?

Por esse motivo, não sou a favor dessa prática metodológica. Encontro mais desvantagens metodológicas que vantagens. Também fiz o curso de iniciação, fiz estágio, fui catequista e foi orientador de estágio, seguindo essa metodologia. Hoje, depois de estudar diferentes metodologias e formas de aprendizagem (Mestrado em Multimédia aplicada na aprendizagem), alterei a minha forma de pensar e agir pastoral.

Seria bom, que abríssemos a nossa mente à experiência das ciências da educação, e que interroguemos as nossas práticas tradicionais sobre a sua pertinência, eficácia e actualidade. Aprendamos uns com os outros, com humildade. O orgulho e a presunção não são bons conselheiros nem avaliadores. Não podemos defender uma teoria ou uma práxis apenas pela tradição e pelo consideramos correcto sem uma avaliação. É preciso fundamentar.
Gostaria de saber a vossa opinião acerca deste assunto. Apresentei a minha. Estou aberto a novas experiências significativas. Termino convicto de que todas as metodologias são válidas desde que cumpram os ojectivos essenciais. Mas perguntemo-nos: que objectivos?

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6 comentários leave one →
  1. miná ( Famalicão) permalink
    Dezembro 19, 2008 21:40

    Não é fácil argumentar seja o que for , quando o sr. apresenta tantos e tão convincentes.
    Apesar de tudo eu continuo a achar que em algumas circunstâncias, não por norma, é benéfico juntar grupos, depois de bem ponderado e estruturadas as sessões.

  2. fatima permalink
    Dezembro 21, 2008 21:47

    Para mim juntar grupos é uma forma de despejar conteúdos, impossível chamar-lhe FAZER catequese!
    Cada grupo tem a sua identidade própria, mesmo que os objectivos a concretizar sejam os mesmos (ou idênticos) é fundamental que o grupo desenvolva uma relação de confiança que leve ao diálogo, partilha, pois como o Padre José Sá diz “A catequese é essencialmente comunicação experiencial significativa”!
    Então eu pergunto:
    -Voltamos ao tempo das nossas avós? …
    Os miúdos decoram fórmulas, a vida alguns Santos e quem sabe talvez sejam capazes de dizer algumas coisas da “Historia da Salvação” depois terminam a caminhada catequética com o Crisma e adeus Igreja, adeus religião, adeus seca de catequese…

    Onde fica esse essencial?
    Claro que o essencial dá trabalho, obriga a um compromisso sério e muito empenho, é que o catequista tem que ter formação, uma formação contínua, o catequista, tem que investir em si mesmo, porque ser testemunha, “ ser mestre que ensina a fé”, e é-lhe indispensável “um conhecimento orgânico da mensagem cristã, articulada a partir do mistério central da fé, que é Jesus Cristo”. (DGC 240).
    Utilizando um método catequético que favoreça a confrontação entre as formulações da fé e as experiência de vida.

    Termino citando Frei Lopes Morgado
    “ …Tanta oportunidade perdida, por culpa de uma evangelização obcecada em converter as pessoas, sem primeiro se deixar acolher por elas ou aprender a acolhê-las, valorizar o que elas são, sabem, têm e podem, promover a confiança nelas mesmas e ganhar a sua amizade!”

  3. Dezembro 21, 2008 22:53

    Obrigado Fátima pelo seu lindo testemunho. Perguntaram-me se haveria alguma situação em que seria claramente vantajoso juntar os grupos. A frio, respondi que, talvez num momento celebrativo. Mas, mesmo nessa situação se será vantajoso. Será que os grupos têm a mesma formação, o mesmo ritmo, e a confiança necessária para que a celebração seja vivida com intensidade? A não ser que façamos celebração massivas, em que de celebração, por parte das crianças tem muito pouco. Mas se houver grupos similares, poderá ser vantajoso. Haja discernimento para encontrar a metodologia apropriada a cada situação.
    Existe uma situação em que, na minha opinião, é claramente vantajoso juntar: quando um grupo de catequese realizou algum trabalho (filme, dinâmica do tribunal, etc) em que convidam outro grupo a participar na sua apresentação, Cria-se interacção entre eles, e, com certeza, haverá um cuidado especial na preparação dos conteúdos e na sua apresentação. Porque não avançar com esta metodologia? Para que isto aconteça, teremos de repensar na forma de fazer catequese, e em planear, com os miúdos, a catequese e as actividades. Não façamos as coisas para, mas COM.

  4. miná ( Famalicão) permalink
    Dezembro 22, 2008 21:33

    Parece-me que eu e Fátima não estamos a falar da mesma coisa!!
    Caso contrário não mencionaria a forma de fazer catequese há 50 anos atrás! Por amor de Deus, não exageremos…Quando falo em juntar grupos, obviamente que não será de uma «forma inconsciente», de qualquer jeito e sem pretexto! Todos nós sabemos que fazer catequese não é «expor doutrina», é muito mais do que isso; até aqui parece que ninguém tem dúvidas. Trata-se de debater uma metodologia, que tem que ser bem pensada, analisada, discutida, ponderada e sei lá que mais…Os grupos é que nos darão essas directerizes, penso eu Sinceramente que não me parece « num pecado mortal», se se juntarem de vez em quando um ou outro grupo, depende de muitos factores.
    É bom que haja esta partilha de ideias, mas não sejamos tão radicalistas, ok?

  5. Dezembro 23, 2008 23:53

    Aqui não pretendemos dizer quem faz melhor ou pior. Queremos partilhar experiências pedagógicas, significativas e fundamentadas, para confrontarmos as diferentes teorias e pedagogias. Não se pretende absolutizar ideias, mas dialogarmos com dados concretos e reflectidos de forma crítica e aberta, sem dogmatismos.

  6. fatima permalink
    Dezembro 24, 2008 00:14

    Peço desculpa, de forma nenhuma queria pôr em causa os métodos utilizados por ninguém apenas dei a minha opinião quanto ao método, pensando nele a ser aplicado semanalmente.

    Porque se for em determinados encontros bem estruturados, com objectivos e estratégias bem definidos, por exemplo encontros vocacionais, retiros,…
    Creio que nestes casos é mesmo o melhor método, porque tem tempos de convívio, partilha e reflexão em conjunto e tempos de reflexão individual…

    Mas como diz Miná, o importante é a partilha.

    Vamos acolhe-LO e semear esta BOA NOVA!
    FELIZ NATAL!

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