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Os excluídos

Janeiro 10, 2009

Ainda este dias falei deste assunto, para muito considerado anátema, isto é, assunto proibido. Uma coisa são as pessoas que se auto-excluem da Igreja, outra os que a Igreja exclui. Estou a falar dos divorciados, dos que refazem a sua vida e dos ex-padres. Agradou-me ver a seguinte notícia, no site da ecclesia: “Esta será a primeira vez que representantes de divorciados – que para o magistério da Igreja Católica não podem receber a Comunhão se iniciarem um novo relacionamento – serão recebidos em audiência oficial no Vaticano. Na Sexta-feira, durante a apresentação do VI Encontro Mundial das Famílias, o Cardeal Ennio Antonelli ressaltara que o evento da Cidade do México será aberto a todos, pois a Igreja não exclui ninguém.“A Igreja é próxima e acolhedora também para os casais irregulares e convida-os a fazer todo o bem possível e a rezar, porque Deus os ajuda”, disse o Cardeal italiano respondendo a uma pergunta sobre divórcio e filhos gerados fora do casamento.O presidente do Conselho Pontifício para a Família, o Cardeal Ennio Antonelli receberá, no próximo dia 23 de Janeiro, o presidente da Associação das Famílias Separadas Cristãs, Ernesto Emanuele. A notícia é adiantada pela Rádio Vaticano, que cita fontes do referido Conselho.”

Na prática excluimos a classe de pessoas que atrás referi. Não podemos entrar num interpretação simplista e redutora sobre as situações dessas pessoas. Não chega falar de acolhimento e depois barrar todos os acessos: não pode comungar, não pode fazer leituras, não pode ser padrinho, e muitos padres nem aceitam baptizar os filhos de casais divorciados recasados. Olhamos para a situação e não para as pessoas. Colocamos tudo no mesmo rol, e reduzimos a solução da vida dos outros a pequenos preconceitos e ideias feitas.  Tantas pessoas nessa situação, e que são boas pessoas e bons cristãos, por ventura, melhor do que muitos socialmente e religiosamente  inseridos.

Pergunto: haverá alguém melhor preparado do que um ex-padre para fazer catequese, substituir um padre nas celebrações da palavra, e na distribuição da própria catequese? O facto de a pessoa procurar a felicidade em outra forma de vida, é assim tão grave que os afastemos de tudo e não os aproveitemos para o serviço eclesial? E na crise de vocações sacerdotais que existe, esta era uma boa solução a ponderar. Acolhamos essas pessoas, enquanto desejam pertencer à Igreja. Um dia, a Igreja vai querer, e serão eles a excluir a Igreja das suas opções.

Defender estas pessoas, não é sinal de defender o divórcio fácil, nem que agora tudo vale, como alguns pensam, talvez para justificar as suas opiniões, na falta de argumentos superiores.  Não acredito nisso, como já o referi em artigos anteriores. Devemos ver caso a caso, e não sermos redutores e simplistas, e excluir toda e qualquer pessoa.

É preciso coragem para mudar mentalidades, para mudar posturas, para mudar de doutrinas puritanas. Será que Deus rejeita essas pessoas ao ponto de não querer que elas comunguem? Não acredito. Esse Deus não é Pai, nem é Amor, nem Perdão, como Jesus O revelou. Não acredito nesse Deus fabricado pelas conveniencias puramente humanas, e modelado por doutrinas humanas. Acredito no Deus de Jesus Cristo, que nos desafia a sermos mais e a irmos mais longe, mas que está sempre connosco, porque nos ama incondicionalmente… mesmo quando fazemos asneiras e vamos por caminhos diferentes, mas de amor, de respeito.

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  1. Carla (Catequista 3º Ano) permalink
    Janeiro 13, 2009 09:40

    Olá, bom dia!!!!

    Eu estava na Eucaristia em que o Padre Carlos abordou este tema da exclusão na homilia….Disse-o no fim, que não poderia concordar mais com as suas palavras.Como eu, outras pessoas o disseram…Algumas até desconhecedoras dessa doutrina da Igreja; doutrina essa que na minha opinião é castradora da aproximação a Deus e à sua palavra, que sabemos ser de amor, perdão, uma palavra acolhedora e que não atira pedras…Acredito sem dúvida (pelos testemunhos do Evangelho), que Deus/Jesus não poriam de parte um homem ou uma mulher que não sendo felizes numa relação, a refizeram com um outro alguém (isto obviamente, sem banalizar e tratar de ânimo leve o sacramento do matrimónio)…não acredito que não deixariam abeirar-se de um altar, um ex-sacerdote, só porque este num determinado momento da sua vida achou que seria mais feliz se pudesse formar uma família ….pergunto: seria esse sarcedote menos válido, por se ter casado??? Duvido.
    Não penso ser uma questão fácil, mas julgo que tem de ser uma questão de bom senso por parte de quem dirige as paróquias, e uma vez que DE CIMA, parece custar muito decidir MUDAR, penso que terão se ser os párocos a embarcarem nessa mudança consciente, ainda que correndo o risco de irem contra essas ditas “leis” …
    Ao mesmo tempo, e agora a um nível mais baixo, e quando digo mais baixo, falo ao nível de nós paroquianos, membros de este ou daquele movimento da paróquia, também temos de tudo fazer para não sermos praticantes da exclusão…Não podemos exigir mudança a alto nível, se a fazemos nos movimentos de que fazemos parte, se não a praticamos no nosso dia a dia….Na catequese por exemplo: não podemos preferir este ou aquele menino só porque é filho ou filha do Dr. X ou da Engª Y….Não podemos simplesmente excluir membros de um movimento, só porque este tem uma opinião diferente da nossa…..Não podemos ser responsáveis por um movimento/grupo pastoral e não respeitar a diferença, simplesmente porque esta diferença não vai de encontro ao que eu quero….
    EXCLUIR acontece muitas vezes a este nível, ferindo, magoando sentimentos de pessoas, crianças, e muitas vezes acontece promovido por quem tem responsabilidades na paróquia (em movimentos da mesma)….Se acabarmos com esta EXCLUSÃO, teremos mais ânimo e alento para ir acabando com aquela mais difícil e de “mais alto nível”, que o Padre Carlos falou e que deu o mote para esta partilha.
    Deixo a minha reflexão: cada um de nós com responsabilidade na paróquia (e nas nossas famílias), pensemos bem antes de agir, antes de tomar este ou aquele partido, esta ou aquela decisão….Quem sabe não estaremos aos poucos a deixar a exclusão para trás???!!!

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