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Catequese: Palavra de Deus

Março 4, 2009

Já reflectimos sobre a importância do acolhimento e da experiência humana numa catequese de sucesso, capaz de envolver e e de ajudar as nossas crianças e adolescentes a encontrar soluções, ou hipóteses de soluções, para as questões que formulam, para as questões reais. É preciso aprender a desenvolver  esta capacidade reflexiva da vida, por forma a problematizar a vida pessoal, a fim de encontrar caminhos novos, na busca de um novo sentido. Esta vida, entretanto reflectida, precisa de ser apreciada também pelas lentes do Evangelho. A mensagem de Cristo é muito concreta, e transporta uma lição para a vida. A doutrina foi feita para o homem, e não o contrário. Isto é, a doutrina deve trazer uma mais valia para a vida concreta, e não ser algo abstracto que sentimos necessidade de impor, a qualquer custo, sem respeitar as experiências pessoais. A doutrina tem como objectivo melhorar as nossas relações com Deus e com os outros, fazendo aumentar o amor. Só assim seremos felizes. Não temos de ser bons para que Deus nos ame; porque Deus nos ama, é que Ele nos convida para sermos melhores. Só pela força do amor seremos capazes de mudar. Ninguém muda à força e pela negativa. Se queremos mudar comportamentos, mudemos a forma de pensar e as emoções.

Precisamos mostrar este Deus às crianças. O Jesus que disse “deixai vir a mim as criancinhas“, o contrário do que os apóstolo queriam fazer. Não levemos Jesus às crianças, como muitas vezes pretendemos fazer na catequese. Antes, levemos as crianças a Jesus.

A Palavra de Deus revela-se nas experiências de vida de cada criança. Por isso a valorizamos. Neste momento, desejamos que elas se encontrem com Deus, na sua vida, no seu dia-a-dia. Por isso, a Palavra de Deus deverá ser reflectida, em conjunto com as crianças. A mensagem será acolhida de forma distinta, em qualidade e intensidade, em cada pessoa que a escute. Não façamos das crianças uns meros ouvintes, num sistema depositário de informação, que tem de ser assimilada a todo o custo. Em nome da ortodoxia, da fidelidade à mensagem de Deus, de uma mensagem que não é nossa, mas da qual somos fieis transmissores, ou de um medo ao debate e à reflexão, por recear a ausência de respostas às perguntas realmente formuladas, afaste as crianças e adolescentes de Deus. Não se pode ser fiel a Deus se não formos fieis à humanidade. Citando Alberich: “O cristocentrismo da catequese não deve ser entendido dum sentido exclusivista, nem enquanto conteúdo, nem enquanto método. O anúncio de Cristo não é o único conteúdo da catequese, nem se deve entender o seu primado como itinerário obrigatório no desenvolvimento concreto de toda a catequese. Nem sempre é possível chegar ao anúncio explícito de Cristo, em razão de cicunstâncias particulares dos ambientes ou dos destinatários. (…) Mesmo que não se fale em  Cristo, também é catequese verdadeira”.

A Palavra de Deus é verdadeiramente uma palavra libertadora e uma chave de interpretação da vida e da história. A nossa preocupação de ser evangelizar e não sacramentalizar.  E esta evangelização só será efectiva e  significativa, se reflectida, e pela descoberta pessoal de uma mensagem, de um encontro e das emoções. Impor, apresentar, transmitir, apenas num sentido vertical, de cima para baixo, talvez não seja a forma mais eficaz de proclamar e interpretar a Palavra. Para isso, a mensagem deve ser revestida de uma roupagem atraente e actual (linguagem e apresentação), que as nossas crianças entendam e se mostrem receptivas. Utilizemos um discurso interpelativo, carregadas de densidade. Considero desactualizada a ideia de que a Palavra de Deus, na catequese, deva ser feita sem a intervenção das crianças, em que a interpretação é para elas ouvirem, simplesmente. Deixemos que Deus fale à criança e que a criança fale a Deus e de Deus, da mensagem que acolheu e da novidade que encontrou no confronto com a sua vida. “A dimensão personalista  deve permear os conteúdos da comunicação catequética, expressos em termos relacionais, como relações entre pessoas, não como ‘coisas’ ou ‘factos’ impessoais” (Alberich)

O catequista é aquela pessoa que vive o que acredita e acredita no que vive. Esta forma de pensar e estar irá revesti-lo das competências necessarias para ser testemunha da Boa Nova, e não simplesmente um transmissor impessoal.

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One Comment leave one →
  1. Miná - Famalicão permalink
    Março 4, 2009 22:47

    Fico sempre muito pensativa quando se fala de catequese e de ser catequista!
    Achei excelente a frase:« O catequista é aquela pessoa que vive o que acredita e acrdita no que vive»

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