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Celebração na catequese

Março 11, 2009

Um terceiro momento na dinâmica da catequese, e que a distingue de uma aula de moral, é o momento celebrativo. Começamos com o acolhimento, sabendo receber, criar empatia, conhecer o nosso público-alvo, passamos para o momento de análise da vida. A Revelação de Deus acontece na história de cada pessoa, nas circunstâncias específicas do indivíduo. Esta experiência, esta história, esta presença de Deus na vida, deve ser reflectida criticamente, aprofundada, encontrando o sentido. A reflexão desta história individual e colectiva, não pode ser uma mera desculpa para a escuta da Palavra, mas manifestar real interesse. Esta vida deve, de seguida, ser apreciada pela ótica de Cristo. O que é que Cristo nos tem a dizer, que é que Ele nos ensina.  A escuta da Palavra, sua reflexão e consequente interiorização. Mas esta interização não deverá ser considerado um passo da catequese. Ela acontece na individualidade de cada ouvinte, no confronto com a sua história e a Palavra de Deus. Ou acontece naturalmente ou simplesmente não acontece. E não é por o catequista dizer “que bom”, que vai acontecer. Tal como nos discipulos de Emaús, Jesus nunca disse “que bom”. Primeiro meteu conversa. Depois ouviu, com interesse, utilizando perguntas abertas. Nunca se armou em sábio. Depois interpelou e confrontou com as Escrituras. Explicou o sentido das mesmas. E repondem eles, sem ninguém perguntar: “não nos ardia o coração enquanto Ele nos explicava?”. Depois Jesus, celebra com eles. Mas só o faz, porque houve um convite. Se o grupo não fez a caminhada, não interiorizou, fará sentido a celebração na catequese, porque é mais um passo a seguir, obrigatoriamente? O catequista deverá fazer como Jesus: fazer de conta que quer seguir viagem, para ser convidado a celebrar, fruto de uma interiorização. Esta, deve ser a consequência, e não a causa. É quase o culminar. É o auge. É a expressão mais intensa de um sentimento que despertou no íntimo de cada um. Por isso, demos ênfase, dinâmica, emoção, à celebração da catequese. E que ela esteja plenamente relacionada com a caminhada que foi feita. Não revistamos a celebração na catequese, ou fora dela, de um ritualismo vazio, numa imposição estéril.

Professar a fé é dar-se conta que o Pai chama, nomeia e torna a criatura humana partícipe da própria vida por meio de seu filho, no Espírito Santo. Professar a fé, celebando-a, é permitir que o Senhor transforme “um coração de pedra em um coração de carne” (cf. Ez 36, 26) em seu Espírito, para encontrar o amor do Pai. Celebrar a fé é agradecer. Celebrar a fé é viver imerso no amor e na paz de Deus, é saborear o colinho de Deus, é sentir o olhar amoroso de Deus, que nos embala e protege, com um sorriso nos lábios, e um olhar intenso e vidrado de emoção e orgulho.

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4 comentários leave one →
  1. miná ( Famalicão) permalink
    Março 13, 2009 23:25

    Não entendi muito bem, se quer falar no momento da Expressão de Fé nas sessões de catequese, ou nas celebrações festivas da catequese( Festa da Palavra, Festa da Vida….)
    Num ponto eu estou de acordo, só faz sentido celebrar se, há motivação, se há espontaniedade…; estou certa ou errada? Gostava, que me respondesse com mais clareza, pode ser?

  2. Março 14, 2009 01:49

    Estava a falar do momento da catequese em que celebramos. É um passo que faz parte da pedagogia. Toda a catequese, depois de termos sidos acolhidos pelo que somos, de tomar consciência da vida, reflectindo e descobrindo o sentido da mesma, depois de ouvirmos um Deus que nos compreende, no aceite, no ama, e que tem um conselho a dar-nos para a nossa felicidades, com o coração cheio de alegria e paz, só nos apetece fazer festa, festejar, celebrar. É isso o que deveria acontecer nas nossas catequeses: festa, alegria, celebração. Por isso, catequistas, vibrem com a catequese, coloquem emoção nas palavras, criem espaços e oportunidades de festa, paz e alegria, acreditem no que dizem, e mostrem-no ao dar vida às vossas palavras, aos vossos gestos, com a vossa presença. Falem com densidade, com clareza, olhos nos olhos das crianças. Falem com o coração e ao coração. Evitem tempos mortos. Aprendam a fazer perguntas abertas, que deixem as pessoas expressar os seus sentimentos e pensamentos livremente.

    Quanto às celebrações de que fala, são um tipo de catequese diferente. Sobre esse assunto, é melhor escrever um outro post. Mas se houver alguma sugestão, dúvida, inquietação, podem dizer aqui, que escreverei o artigo nesse sentido.

  3. miná(Famalicão) permalink
    Março 16, 2009 22:39

    Obrigada, fiquei esclarecida; era dessas celebrações que entendi que se referia, noentanto fiquei com dúvidas, mas está tudo bem claro.
    Já agora gostaria que desse a sua opinião sobre as celebrações a que eu me referi, ok?

  4. Celeste permalink
    Maio 8, 2011 00:16

    Gostei muito do post.
    Abraços!

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