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Celibato

Março 26, 2009

Alguns bispos, não em Portugal, começam a levantar a questão do celibato obrigatório.
“O celibato dos padres não é um preceito teológico”, afirma presidente da Conferência Episcopal Alemã. Segundo o arcebispo de Friburgo, “o celibato não é um preceito de direito divino mas eclesiástico”. As declarações do arcebispo foram dadas à revista Der Spiegel apresentando-se assim, poucos dias depois de ser eleito presidente da Conferência Episcopal Alemã, como muito progressista senão revolucionária.
O arcebispo afirma estar “contra a proibição de reflectir” sobre o abandono do celibato e explica:
Constatamos a diminuição das vocações, o desafio do Evangelho é difícil de ser transmitido. É óbvio que a ligação entre o ser padre e o celibato não é teologicamente necessário”. O arcebispo afirma estar consciente de que permitir o casamento dos padres “seria uma revolução que uma parte da Igreja não aceitaria” e por esta razão pensa que nada pode ser mudado sem a convocação de um Concílio “já que a abolição do celibato incidiria muito sobre a vida interna da Igreja”.

Faltando poucos dias para se aposentar, o cardeal e arcebispo da Arquidiocese de Nova York até o próximo dia 15 de Abril, Edward Egan, disse que a Igreja católica deveria rever o fim do celibato e permitir o casamento dos sacerdotes. “É uma discussão perfeitamente legítima”, afirmou o cardeal em Albany, a capital de Nova York, durante uma entrevista a uma emissora de rádio, a Talk 1300.

“Superar a dogmatização em torno do celibato obrigatório e da não ordenação de mulheres está entre os grandes desafios da Igreja na actualidade. Admitir essa necessidade é o primeiro e grande passo!”, escreve Dirceu Benincá, padre, doutorando em Ciências Sociais, PUC/SP. Em geral, a hierarquia tem séria resistência a tratar desse assunto, tomado quase sempre como doutrina certa, única e dogmática. Na Conferência de Aparecida, por exemplo, destacou-se o celibato como um dom (DA 196), o que não deixa de ser. Porém, há pessoas que não tem o dom do celibato, mas tem o dom da vocação sacerdotal. Por falta daquele, anula-se esse.
Artigo completo

Vale a pena lançar o debate. Será que o celibato deveria terminar? Justifica-se, hoje, a insistência da Igreja neste princípio puramente humano? Estarão os cristãos preparados para isso? (Todos dizer ser a favor, mas se algum deixa e casa, todos criticam e condenam a mulher)
E sobre a ordenação de mulheres? Que tem a mulher a menos, ou a mais, que os homens, que as impeçam de ser sacerdotisas? (Talvez a ideia, inconsciente, de mulher sinónimo de pecado, ainda enraizada na cultura da Igreja, por causa de Eva)

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14 comentários leave one →
  1. Ana permalink
    Março 26, 2009 18:43

    Este é um tema muito pertinente e complicado de discutir, as opiniões divergem mas muita vezes, as pessoas não distinguem bem as coisas.Eu sou totalmente a favor do casamento dos padres, são seres humanos como os outros e também eles têm direito a constituir familia , ficando o cargo de sacerdote como uma profissão como tantas outras.Acho que o preconceito é algo que não nos deixa ver as coisas como elas são. Estamos numa sociedade moderna , desenvolvida e cada vez mais “à frente “, sendo preciso “romper ” com dogmas fomentados pelos “antiquados “. O que é preciso é formar sacerdotes capazes de difundir a fé, capazes de atrair mais pessoas à Igreja ,pois, é disso que a Igreja necessita.Precisamos de alguém que nos faça crer que Deus nos ama e que está sempre ao nosso lado . Quanto às mulheres sacerdotisas ,também é uma boa ideia. Se nós mulheres reclamos tanto o mesmo direito de igualdade, porque não abraçar esta missão?

  2. miná(Famalicão) permalink
    Março 26, 2009 21:59

    Como disse a Ana, este é um assunto pertinente , mas também muito actual.É um tema bastante discutido e controverso; a minha opinião não é assim tão radical como a da Ana; não me choca nada que um dia os padres venham a casar,acho que deve ser uma opção de cada um.Agora que será uma grande revolução na igreja católica, disso não tenho dúvida nenhuma.Será que isso leva a um aumento de vocações sacerdotais?Não sei; se essa for a solução porque não? Parece-me(pelo que ouço a alguns sacerdotes), que há uma «má» formação nos nossos seminários,isto é, estes não preparam os futuros sacerdotes para uma vida que vão encontrar cá fora,nomeadamente a solidão a que estão predestinados, a incompreensão,etc, etc…
    Quanto as mulheres serem sacerdotisas, não tenho nada contra.
    Gostava mesmo de saber a opinião de outras pessoas.

  3. miná ( Famalicão) permalink
    Março 31, 2009 12:56

    Bem parece que a minha curiosidade não vai ser satisfeita, uma vez que mais ninguém deu a sua opinião.Não acredito que a não tenham, não se querem expor, por este ser um assunto polémico e delicado; mas este é um espaço de confronto de ideias e opiniões, não é?Mas , respeitemo-nos…

  4. Março 31, 2009 21:24

    Bem… efectivamente, muitas pessoas consideram a vida de padre boa. Não é boa, mas é bonita. Embora no seminário nos mentalizem para os benefícios da vida celibatária, na altura acreditamos. Mas uma coisa é ouvir falar, outra é sentir e viver essa realidade. Quem nos fala, são os que vivem no seminário, ou em outras comunidades. Quando vamos para o terreno, é muito dificil viver a solidão. Fazemos festa do dia do pai, e lamentamos não poder ter o carinho de um filho, e a quem dar o nosso carinho. Falam de comunidades sacerdotais. Impostas? Será que seremos obrigados a viver com alguém com quem não nos identificamos? Para além do que o seminário não nos educa para essa realidade.
    Vantagens do celibato? Para quem? Para os bispos, que fazem dos padres uma peça no tabuleiro das nomeações, para taparem buracos e satisfazerem a vontade de quem manda. Disponibilidade? Eu chamo andar de casa às costas, como o caracol, sem um lugar com que nos identificar, nem pessoas. Talvez por isso, os padres sejam, muitas vezes, um pouco brutos e insensíveis. Mas, muitas vezes, falta-lhe um pouco de equilíbrio e de carinho. Todos exigem e cobram, poucos compreendem e acarinham. Conheço o caso de um amigo, com alguma idade, que ao fim de alguns anos na paróquia, sem pais nem criada, com um irmão a morar numa paróquia perto, com amizade entre colegas, com pessoas amigas que tratam dele, da roupa, da casa, é convidado a sair, e nome da dita disponibilidade, para satisfazer a vontade do sr Bispo. Falou comigo e com outros colegas. “Não sejas tolo. O Bispo nem se preocupou como te sentias. E vais começar tudo de novo, sozinho? Quem vai cuidar da tua roupa? Para onde vais não conheces ninguém. Depois, tudo se comporia, mas no início, e na tua idade…?!!” E disse que não ao Bispo. Ainda foi maltratado.
    Uma coisa quero dizer: não somos carne para canhão. Somos seres humanos com sentimentos. E precisamos de ajuda para manter o nosso equilíbrio. Não quero que nos tratem como coitadinhos, nem que somos os que mais sofremos. Muitos casais sofrem do mesmo e pior. Apenas quero que nos tratem como seres humanos.

  5. Fátima fontes permalink
    Abril 1, 2009 10:23

    Quero começar por dizer que o celibato é expressão da liberdade humana, é a expressão de um grande amor apaixonado. Ou não é uma autêntica vivência de sentido no celibato. Porque, o celibato, em si mesmo, não tem sentido nenhum. Ele encontra sua razão de ser, sua causa e sua força em Jesus, no Evangelho. O celibato só tem sentido como expressão da liberdade humana. Quando o ser humano é capaz de fazer de sua existência uma grande, bela e forte história de amor a Deus, realizada em seu amor por esta humanidade e concretizada no “próximo”. Porque Deus é liberdade, amor, justiça, paz, crescimento humano na direcção do infinito de Deus… não quero dizer que não concorde com o casamento, concordo sim, mas entendo o celibato como uma prova de AMOR.

  6. Abril 1, 2009 15:16

    Completamente de acordo. Só nesse sentido se entende o celibato. O que se coloca aqui em questão é a possibilidade de escolha. Quando o celibato não faz tanto sentido, e se torna duro, um padre tem de enfrentar a possibilidade de abandonar o serviço para o qual dedicou a sua vida, muitos, desde tenra idade, e isso é custoso. Conheço alguns casos, e presenciei a sua angústia. Será que o constituir família é incompatível com a vida sacerdotal? Esta é a grande questão. Esses colegas, eram muito bons padres… porque não podem continuar a sê-lo? Será que o apelo natural a constituir família, vai reduzir o amor à causa, a Deus, à Igreja e ao povo? Então os leigos nunca se poderão amar plenamente a Deus e servir a Igreja só porque têm família.
    O casamento dos padres resolve todos os problemas? Acho que não. Mas o celibato também não. E cada vez é maior o número de sacerdotes que abandonam. Porque não aproveitar esses elementos tão válidos?!!

  7. Fátima Fontes permalink
    Abril 1, 2009 17:08

    Na verdade o construir família não será incompatível. O AMOR a DEUS será o mesmo essa nem é a questão, o que penso é que estarão, mais disponíveis para a sua missão. Mas como disse eu não tenho nada contra. Penso que cada pessoa devera tomar a decisão que achar melhor e ouvir o CORAÇAO e não as pessoas ter a certeza do que realmente querem para elas e o melhor. Deus ira entender porque melhor que ninguém nos conhece.

  8. Abril 1, 2009 18:58

    Este artigo serve, exclusivamente, para debater o tema, podendo as pessoas expor as suas opiniões. Não pretendo mostrar os padres como coitadinhos, e que não puderam escolher. Não pretendo dizer que o celibato não faz sentido. Apenas desejo mostrar o lado humano dos padres. E dizer que o facto de o padre ser casado não lhe retiraria nada, antes, poderia ajudar. Já vi muitos colegas sofrerem, e isso toca. Já vi a reacção da Igreja e dos cristãos diante de uma série de situações. Pensar não faz mal. É preciso uma certa dose de irreverência e coragem. É preciso não ter medo de falar e questionar, de reflectir e lançar o debate.

  9. miná(Famalicão) permalink
    Abril 1, 2009 20:19

    Concordo em pleno com o P.Zé Carlos ao falar da solidão,porque esse estado de espírito a mim assusta-me; tal como eu tive vocação para o casamento, ter filhos, enfim família que me dá carinho,amor,presença,etc, etc,também os padres podem sentir essa necessidade,porque não!?
    Acho sim que o celibato deveria ser uma opção e realização pessoal, como tantos homens e mulheres que não sendo padres, nem religiosas optam por esta situação e são felizes.

  10. Carla (Catequista 3º Ano) permalink
    Abril 2, 2009 11:11

    Subscrevo, Miná…
    O celibato tem de ser uma opção e não uma imposição para se poder seguir este ou aquele caminho, esta ou aquela vocação…É que não se trata do cliché comum: “não podes ver sangue não podes ser enfermeira”….Não, trata-se de uma imposição retrógrada (na minha opinião, note-se), em que uma pessoa que segue o sacerdócio tem de estar SÓ!!!
    Já questionei várias vezes esta teoria….atiraram-me com a tese da disponibilidade.
    Não concordo.
    Sou casada, tenho uma filha com 2 anos, marido…e onde está a minha disponibilidade???
    Procuro-a, arranjo-a, não a arranjo….tento!!! Não vejo porque um Padre teria mais ou menos disponibilidade para a paróquia só porque teria, SE ASSIM OPTASSE, uma esposa e filhos… Eu não tenho disponibilidade para o meu trabalho??? SE TENHO!!!
    Vejo tantas vezes a forma como os Padres conseguem chegar ao coração das crianças (sou catequista há já 18 anos!!), quando têm AQUELA palavra…porquê negar-lhes a opção de serem pais..???
    Enquanto escrevo, lembrei-me do Padre Zé, anterior Padre da minha paróquia. Quem é de Sequeirô, recorda-se dele e do seu carisma…Quando lhe fui dizer que ia casar (já o Padre Zé Carlos estava connosco), disse-me com o seu jeito de sempre:
    – Rapariga, pensa bem…Vai fazer um retiro (de freiras, note-se)..Tens tudo para seres uma MÃE muito MAIOR!!!
    Tinha razão, Padre Zé….O dia do nascimento da minha filha foi o mais feliz da minha vida, e se até ai já amava as minhas crianças da catequese, esse amor passou a ter outro sentido muito maior: o de Mãe…Costumo dizer que são os MEUS meninos…Digo-o, porque o sinto, e o ser Mãe faz-me olhar para eles de outro modo, compreende-los, ver quando estão carentes de afecto, de atenção, quando estão a ser “mauzinhos” só por ser….
    Sinto-me um MÃE MAIOR…
    O que não sentiriam os PADRES, com toda a “bagagem” de valores que trazem???

  11. O Alegre permalink
    Abril 4, 2009 14:51

    Penso que o tema em causa, nada tem a ver com o “SÓ”; é muito mais que isso.
    Sou casado e tenho filhos. Gostava que me respondessem se nunca se sentiram “SÒS”. Quantas vezes estamos rodeadas de gente e sentimo-nos SÓS. O SÒS é um estado do nosso “Interior”. Nós é que fazemos o nosso SÒS, e não vão ser os filhos, maridos ou esposas que vão modificar esse estado.
    Quanto ao Celibato
    Nada tenho a opor se houver mulheres sacerdotisas, agora penso que também não devem ser casadas, e passo a explicar: quando se toma uma decisão de ser Sacerdote, teve que haver algo no nosso interior que nos chamasse para isso, pois ser Sacerdote, não é uma profissão, mas sim um acto de muita Coragem e Amor para com os outros. A partir do momento que exista o casamento, a imparcialidade nos actos e pensamentos acaba, pois passam a existir dois Amores; a Família e a Igreja.
    Agora, no momento que o celibato não seja obrigatório, a Igreja vai estar muito mais exposta a criticas e comentários.

  12. Manuel permalink
    Abril 7, 2009 10:32

    Jesus não era casado…

    Todos sabemos que Ele foi enviado para realizar uma obra imensa. Em três anos Jesus teve que doutrinar os Apóstolos, pregar o Evangelho, curar os doentes e ainda preparar a sua morte e ressurreição, ou seja, a Salvação do homem e a restauração de todo o Universo em Deus.

    Assim sendo, Jesus “entendeu” que não deveria estar unido intimamente a uma única mulher, e sim a todos os homens e a todas as mulheres existentes.

    Francamente, penso que Ele não teria tempo nenhum para se dedicar à sua mulher e filhos.

    Tempo que sobra aos Padres (digo eu), que apesar de exercerem a sua acção na pessoa de Cristo, não vão exercer a Obra de Cristo, pois esta Ele já a fez e em perfeição.

    Todos nós precisamos, e muitas vezes procuramos, o equilíbrio emocional, que nos permita encarar o dia-a-dia melhor.

    È essa ajuda que, muitas vezes, nos coloca, de novo, no caminho certo da vida.

    E onde, normalmente, procuramos esse apoio?
    – Nos Amigos, nos Psicólogos, na Família, nos Padres da nossa paróquia!

    Será que a solidão não vai interferir no desempenho intelectual, a tal ponto que impossibilite acrescentar esse equilíbrio a quem nos procura?

    Eu não tenho dúvidas e entendo que é prejudicial àqueles que querem ajudar o próximo.

    A Igreja Católica (o Cristianismo), para além de ser o primeiro impulsionador, è o pilar principal da família, para que o individuo nasça e cresça no amparo e na força dos bons costumes cristãos.

    Deus criou o homem e a mulher, e disse: “O homem deixará o pai e a mãe, unir-se-á à sua mulher, e serão os dois um só!”

  13. Manuel permalink
    Abril 7, 2009 23:05

    “Que tem a mulher a menos, ou a mais, que os homens, que as impeçam de ser sacerdotisas?”

    Parece-me que a resposta está na própria pergunta.

    NADA!

  14. Abril 16, 2009 10:28

    http://www.edisal.salesianos.pt/j155/index.php?option=com_fireboard&Itemid=27&func=view&id=3410&catid=1&limit=6&limitstart=12#4674

    lilas


    Professores e catequistas há bons e maus, mas não podemos negar que as motivações e até o empenho são diferentes. Digo isto porquê? Porque tive maus professores de EMRC, maus exemplos de como se dá aulas por dar, será porque o testemunho compete a catequese e não a EMRC? Não sei, se calhar.
    Ainda há pouco tempo apareceu uma jovem na comunidade que muito raramente ia a missa, de repente voluntariou-se para dar catequese, muito empenhada em aprender com as outras catequistas. Passado esse ano desapareceu. Depois descobriu-se o motivo, estava a estudar para professora de EMRC e dava-lhe jeito dizer que dava catequese.

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