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Mutação cultural e Catequese

Abril 16, 2009

Ouvi o Cardeal Patriarca falar, no contexto de um Encontro Nacional de Catequese, de que a Igreja ainda não encontrou a forma de se se adaptar à mutação cultural mas está a fazer tudo o que pode. Afirma também que o modelo do passado tem que ser corrigido. E que não pode ficar apenas a criticar a mutação cultural e passar a fazer parte da mesma. Outra ideia que partilhou, foi a de que se perdeu o hábito de reflectir sobre a vida. De seguida, uma responsável pelo SNEC (Secretariado Nacional da Educação Cristã) falou de que a catequese não pode ser um mero ensino, nem educar para moral. Que deve acompanhar a mutação cultural e que os novos catecismos são uma forma de o fazer.

Qual a minha ideia?
Concordo plenamente com o que disseram. Só acho que a Igreja não está a fazer tudo o que pode para se adaptar. Ainda está muito agarrada à tradição e ao esquema que dizem ultrapassado. O diálogo com outras ciências da educação não acontece. Se não há oportunidades é preciso cria-las. Temos tanto a aprender, como a ensinar. Lembro o espanto dos professores da Universidade de Aveiro, quando viram um padre a fazer mestrado em Multimédia em Educação. Nunca tinham pensado em aplicar as tecnologias em contexto de educação cristã. E agradeceram a oportunidade de reflectir sobre uma temática onde é difícil penetrar e dialogar. Ouvi, uma vez, um alto responsável da catequese dizer que não temos nada a aprender com eles. Eu, que tenho formação nas duas áreas, digo: temos e muito. E a Igreja não quer aproveitar esses conhecimentos. Talvez por provocarem algumas ideias irredutíveis e inquestionáveis sobre a pedagogia e a educação. Para se querer aprender, é preciso duvidar das nossas certezas.
Outra ideia que partilho: os catecismos actuais, mesmo depois da mudança, serão mesmo actuais? Será que reflectem a vida actual? Será que utilizam as novas possibilidades actuais, tanto pedagógicas como tecnológicas? Ou ainda pensamos que a inclusão de uns powerpoints será verdadeira mudança? Os catecismos não serão uma forma de cristalizar essa mutação cultural, ou de a ignorar, pois a mutação é contínua? Não podemos olhar para as crianças como um depósito passivo, pronto a receber, sem questionar, o que o catequista tem para ensinar. A catequese tem de envolver as crianças no processo de crescimento da fé e de consciencialização da vida.

Uma vez disseram-me: para se poder arrumar uma gaveta em condições, é preciso, em primeiro lugar, desarrumar. Urge uma verdadeira reforma, a começar na mentalidade das pessoas, para depois se chegar à operacionalização da metodologia. Deixemo-nos de maquilhagens superficiais. Neste blogue temos falado, de uma forma recorrente, de uma CATEQUESE 2.0, uma nova geração de catequese, para uma nova geração de cristãos e de crianças. Este é um caminho que deve ser percorrido com convicção, desejo de descoberta, sem medo de mudanças, de uma forma progressiva, em diálogo, e não com transmissões de certezas e com metodologias inquestionáveis.

Lanço um desafio às catequistas: exprimam a vossa opinião. Se querem que a catequese mude, não calem a vossa voz. Falem do que sentem, pensam e fazem… Que acham da catequese? Estaremos preparados para falar de Cristo à criança de hoje? Como falar a crianças hiperactivas? Que será preciso mudar? Os nossos catecismos estão adequados aos nossos dias? Que tipo de formação acham que precisam para falar de Cristo às nossas crianças?

2 comentários leave one →
  1. Abril 18, 2009 00:08

    Olá catequistas. Admiro o vosso trabalho e dedicação. Mas tenho ouvido falar de renovação, mas não vejo propostas, reflexões, pedidos concretos de formação. Aceita-se tudo com muita normalidade e ortodoxia. Viajo muito por diversos blogues e fóruns, e vejo tão pouca inquietação.
    Será que concordam com tudo o que está a ser feito. Será que confiamos no que os chamados “especialistas”, cegamente e sem questionamento? Será que não seria benéfico ouvir e ver o que é feito em outros âmbitos?
    Estamos a utilizar os catecismos novos. Anda-se há mais de 15 anos a renovar catecismos, e quando saem é a conta gotas e já desactualizados. Contentamo-nos em dizer: “são melhores do que aquilo que havia”. Mas será que os catecismos fazem mesmo falta? E se houvesse apenas um guia de apoio ao catequistas, com orientações? Será que poderemos chamar catequese à pura transmissão de doutrinas? Ousemos reflectir, questionar, inovar, recriar, ultrapassar limites e fronteiras… Exijam mais formação e diferente. Aprendi tanto no meu Mestrado… e os “especialistas” não querem ouvir e beneficiar do que as ciências da educação estudam e desenvolvem. Paramos no tempo. Lembram-se da história do rei vai nú? Temos muita coisa boa, é verdade, sobretudo a mensagem. Mas poderíamos estar muito melhor… na maneira de a apresentar e de envolver os catequizandos. Aprendamos a ousadia de Cristo e não o conformismo da Igreja.
    Estou a falar para as (os) catequistas, e não para as minhas catequistas.

  2. miná(Famalicão) permalink
    Abril 18, 2009 00:11

    Tem toda a razão o sr. P.Zé Carlos estar preocupado e inquieto com a passividade da igreja(superiores hierarquicos), que falam de «cátedra», e não descem ao terreno para ver o que se passa na sociedade em que a catequese se desenrola.
    Depois são as catequista, que na grande maioria dos casos(falo do que sinto e sei da minha paróquia), são pessoas que põem muitas resistências à mudança…Sou catequista há 20 anos e não é agora que vou mudar!…Ouvimos isto a todo o momento! Não posso aceitar uma coisa destas, ou então sou eu que estou fora « dos carretos»
    Há tanta coisa com que eu não concordo, mas que não sei como mudar!
    Depois é a pouca atenção que os párocos dão às catequistas, na medida em que nem as conhecem, ou apenas sabem que esta ou aquela senhora fazem catequese; mas como a fazem?com que meios?com que material? com que ajudas?
    Os párocos visitam os grupos de catequese?Só quando são solicitados!
    Mas a catequese não é, ou deverá ser o ponto «fulcral», deixem-me dizer assim, duma paroquia?, da evangelização do Povo de Deus?
    Se falarmos nos catecismos, então aí, eu até me calo…
    Há 3 anos que faço catequese com o 3ºano e cada vez acho mais desactualizado o catecismo; eu praticamente nem o uso.
    As catequistas precisam de formação sim, mas a todos os níveis e principalmente ideias, estratégias viáveis para lidar com as ditas crianças hiperactivas, que eu chamaria outra coisa, mas enfim…UM dia destes continuarei e aceito outras ideias, já sabem que este espaço seve para nos enriquecer, na multiplicidade de opiniões
    Precisamos de um suporte pedagógico, meios audiovisuais que despertem nos catequizandos gosto pelo que fazem e não pelo que são « obrigados a ouvir»

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