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Mundo mediatizado

Maio 1, 2009

Resumo de uma entrevista:

‘O processo de mediatização coloca-nos em outra ambiência social”. Entrevista especial com Pedro Gilberto Gomes

Ao contrário de nós, os mais velhos, que somos testemunhas do nascimento do digital, “as novas gerações já são nativas digitais. Elas nasceram já com as tecnologias perfeitamente desenvolvidas. E isso tem influência nos valores e hábitos da camada mais jovem.Há um processo, pode-se dizer, de superação da existência individual para o estabelecimento de um corpo colectivo.”

“Ela (a tecnologia), é um salto qualitativo porque representa um estágio superior do qual não há volta. Assim como a invenção do alfabeto foi um salto qualitativo com respeito à oralidade e a electricidade com respeito ao vapor, a tecnologia digital está colocando a humanidade num patamar distinto. Este patamar, muito embora tenha raízes no progresso anterior, representa a constituição de uma nova ambiência social.”

No universo académico, e porque não dizê-lo em relação à Igreja, o mundo digital “interfere de modo substancial, pois coloca o desafio de sua reinvenção. Isto é, depois de oito séculos, a universidade encontra-se na encruzilhada que lhe coloca diante da escolha: permanecer como está, fazendo modificações periféricas, ou se reinventar para dialogar com o mundo novo que está surgindo. A visão da academia ainda é sectorial, perdendo a dimensão da complexidade, do pensamento sistémico. Para se dimensionar correctamente a realidade de uma sociedade em mediatização, impõe-se a consideração sistémica da sociedade. Isso muda substancialmente a produção e reprodução do conhecimento. Implica em questionar o conceito de produção, de reprodução e de conhecimento.”

Evidentemente que não devemos ignorar as desvantagens. “Corremos o risco de desenvolver uma religião individualista, com um consumo a la carte. As pessoas criam laços de participação através do consumo. É uma religião da imagem, dos gestos, com grandes possibilidades de bloquear a introspecção, a dimensão do silêncio e da participação comunitária. Aqui está o paradoxo: unificação social, com o exacerbamento do individualismo religioso.” No entanto, estes risco, não podem ser a desculpa para a afastamento ou rejeição, mas um desafio para que encontremos soluções que os minimizem, criando novas oportunidades, socorrendo-nos precisamente da mediatização, e humanizando as tecnologias. É aqui que a Igreja desempenha um papel fundamental na criação de pontes entre o mundo digital e a humanização dos seus utilizadores.

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