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Catequese para aprender?

Junho 16, 2009

Conversando com uma catequista, que não é da nossa paróquia, utilizava os termos “aprender” e “programa”. É preciso dar esta matéria (assunto/tema). Os meninos têm de saber.

Na catequese, ainda temos um programa para cumprir, fundamentado nuns catecismos que desconhecemos o programa a que obedecem, por quem foram feitos, para que público alvo, onde não parece haver articulação de objectivos, conteúdos e estratégias, ignorando que os catecismos são apenas materiais catequéticos. “O catecismo não pode ser considerado como meio indispensável de catequese”. “Vários catecismos tradicionais foram objecto de não poucas observações críticas: 1) são compêndios doutrinais abstractos e distantes da vida; 2) em geral reflectem uma concepção pedagógica e didáctica obsoleta; alguns deles revelam-se instrumentos inadequados e ineficazes” (Alberich).
Mas será que persistimos na ideia da criança depositária de saberes? Será que continuamos a defender a passividade e a ausência de pesquisa, análise e de auto-crítica? Diz Paulo Freire que a “cultura consiste em recriar e não em repetir”. Será que a vida da fé não irá pela mesma linha? Queremos imitadores, ou pessoas capazes de interpretar e de transformar a sua realidade, a sua vida, de uma forma consciente?!

Infelizmente educa-se para arquivar o que se deposita. Mas, curioso, o que é arquivado é o próprio indivíduo, que perde assim o seu poder de criar, se faz menos homem, converte-se numa peça. O destino do homem é ser criador, transformador do mundo, do seu mundo, exterior e interior, sendo sujeito da sua própria acção. A consciência “bancária” pensa que quanto mais se dá mais se sabe. Mas será essa a interpretação das palavras de Cristo: “E vós, quem dizeis que eu sou?”
Ninguém educa ninguém. O homem dever ser o objecto e sujeito da sua própria educação. Por isso, talvez a melhor forma de educar na fé, não seja o programa rígido, mas a elaboração de um projecto. Desta feita, o catequista deve conhecer e interpretar as situações iniciais do seu público alvo (crianças), elaborar um projecto concreto de acção, colocá-lo em prática e avaliá-lo, para o aperfeiçoar e reaplicá-lo posteriormente (cf. Alberich).

O projecto deve ter em consideração a interacção com o público alvo, envolvendo-o, para que ele chegue à compreensão da sua realidade, levante hipóteses sobre o desafio dessa realidade e procure soluções. O projecto não pode surgir da uma posição vertical, de cima para baixo, nem de fora para dentro. Deve surgir de dentro para fora. De dentro de cada membro, da sua realidade e interpretação pessoal, para o grupo. O papel do educador, catequista, é o de orientar e facilitar essa exposição, e a colocação das hipóteses. Desta forma, o projecto é dinâmico, progressivo e integrador.

A motivação é a força geradora de comportamentos é a que predispõe a pessoa para uma determinada actividade. Não se identifica com interesses espontâneos; está profundamente ligada às necessidades próprias de crescimento e desenvolvimento de cada indivíduo. Por isso, em catequese, devemos motivar para a vontade de aprender, de construir e partilhar experiências e conhecimentos. . O verdadeiro conhecimento exige uma presença curiosa do sujeito. Requer uma acção transformadora sobre a realidade. Exige uma busca constante. Implica uma invenção e reinvenção. Reclama uma reflexão crítica.

Aprende verdadeiramente aquela pessoa que se apropria do aprendido, transformando-o em conhecimento, e é capaz de o aplicar em situações existenciais concretas e diversificadas, num trabalho contínuo de readaptação. Aquele que é “enchido” por outro de conteúdos, não aprende. Isto pode, no máximo, constituir um dar-se conta e não conhecer. Domesticar as crianças, não é uma boa forma de fazer catequese, e uma avaliação idónea, comprova a ineficácia no nosso sistema catequético.
Por tudo o que foi escrito, será que a catequese é para aprender? É e não é. Não é, se convertemos a criança numa depósito de conteúdos. É, se esses saberes forem construídos num processo dinâmico, interactivo, orientado pela ideia do projecto, e que ajude o indivíduo a preparar-se para a vida, de uma forma consciente e autónoma.

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