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João Paulo II e as mulheres

Julho 3, 2009
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As conversas reservadas entre o Pontífice e as ‘mulheres de gênio’
O “gênio feminino” inspirou João Paulo II a um dos documentos mais importantes do pontificado, a carta apostólica “Mulieris dignitatem”, fruto de um compromisso ininterrupto para tornar mais visível, também em postos de responsabilidade, o papel das mulheres.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no jornal La Stampa, 04-06-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Na origem, está a sensibilidade do Papa polonês para com a outra metade do céu testemunhada pela correspondência de 50 anos com a amiga da juventude, Wanda Poltawska, e atribuída, por Dom Adam Boniecki (desde 1964 estreito colaborador em Cracóvia e em Roma), também ao fato de que, “não tendo frequentado regularmente o seminário, a sua esfera sentimental e afetiva não foi sufocada”.

Circunstância pouco notada, Wojtyla teve uma série de encontros entre 1987 e 1988 com personalidades da cultura feminina e, particularmente, com um dos nomes de liderança da esquerda feminina pós-68, Maria Antonietta Macciocchi, deputada do Partido Comunista Italiano e parlamentar radical da União Européia, uma intelectual que provinha de praias distantes, as dos marxismo-leninismo. João Paulo II iniciou essas conversas no Palácio Apostólico com uma frase que se tornou um totem: “Creio no gênio das mulheres”. E acrescentou: “Deve ser promovida a autêntica emancipação feminina. Certa ciência se serve das mulheres como negócio para a mercantilização mais desenfreada e sem escrúpulos. É a mulher-negócio sobre a qual os bancos especializados calculam, como nos EUA”.

Uma solicitação, documentada também no relato de Marie-Claude Decamps, que deu voz também à “Carta a todas as mulheres do mundo”, enviada ao Congresso da ONU de Pequim. “Até nos períodos mais obscuros da história encontra-se o gênio das mulheres que é o fermento do progresso humano e da história – sustentava Wojtyla. Cristo fazia tudo o que estava ao seu alcance para que as mulheres reconhecessem no seu ensinamento e no seu agir a subjetividade e dignidade que lhes são próprias.”.

A “abertura” wojtyliana (“Que cada mulher possa expressar plenamente a riqueza da própria personalidade, a serviço da vida, da paz e do autêntico desenvolvimento humano”) apoiava-se na mensagem final do Concílio Vaticano II que anunciava: “Chegou a hora em que a mulher adquira no mundo uma influência, um alcance, um poder jamais alcançados até agora. Por isso, no momento em que a humanidade conhece uma mudança tão profunda, as mulheres iluminadas e vivificadas com o espírito do Evangelho, são elemento decisivo para que a humanidade não decaia”.

Para Wojtyla, a mulher “é chamada a fazer parte da estrutura viva e operante do cristianismo”. Também por isso ele elevou centenas de mulheres às honras dos altares, em grande parte missionárias no Terceiro Mundo.

http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=22937

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2 comentários leave one →
  1. miná ( Famalicão) permalink
    Julho 6, 2009 14:22

    Sinceramente que não vejo nada de especial,,melhor dizendo, vejo como sempre o Santo Padre a querer dignificar a mulher, como ela deve ser achada; porquê esta polémica?Afinal, Deus não criou homem e mulher à sua imagem e semelhança!?
    Qual o motivo que leva alguns « ilustres» pensadores a afirmar que a mulher não é digna disto ou daquilo?Que « mal» pode ter um Papa ter uma amiga ( mulher), como confidente? Será que as mulheres são criaturas a eliminar?E, já agora, uma mulher não poderá ter como amigo e até confidente um homem…!? Sim, porque não? Não são duas criaturas de Deus? Até é bom porque sendo diferentes, podem ajudar-se mutuamente, sem que nenhuma delas faça « nenhum pecado»…Irrita-me estes pensamentos maldizentes e maliciosos! Quem os tem, de certeza que é bem menos puro do que as pessoas em causa; diz o velho ditado: quem desconfia, não é fiel. Fico-me por aqui se não irrito-me a sério e eu não quero, mas gostava de conversar àcerca disto, quem quiser, faça favor de continuar o diálogo…

  2. Manuel permalink
    Julho 8, 2009 00:22

    Como se sabe, o cristianismo é, ainda hoje, uma religião absolutamente machista. Ao contrário do seu fundador, Jesus Cristo, que concedeu, à época, dignidade e voz às mulheres.

    “A mulher possui, sob todos os aspectos, menor valor do que o homem”.

    Este era o pensamento generalizado na antiguidade (a.C.), em que a mulher era vista de forma absolutamente negativa, em clara situação de inferioridade e de total submissão diante do homem.

    Jesus Cristo realiza uma completa subversão deste quadro.

    Jesus Cristo falava publicamente com as mulheres, possuindo inúmeras discípulas. Sua elevada consideração para com as mulheres foi motivo de escândalo entre os discípulos homens.

    No século III (d.C), a mulher já possui o estatuto de diaconisa, celebra a Eucaristia e inclui a Ceia do Senhor.

    No século V (d.C.), época de perseguições, um bispo foi condenado por ordenar mulheres como sacerdotes. Parece que a ordenação de mulheres era um fenómeno generalizado.

    Infelizmente, após a oficialização do cristianismo como religião oficial do Império Romano, a estrutura patriarcal e machista deste foi incorporada pela igreja. Deste período em diante, o papel da mulher dentro da igreja foi se restringindo à vida monástica.

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