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“Toma a tua cruz…”

Setembro 13, 2009

“Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”, termina assim o evangelho deste 24º domingo do tempo comum.

Quantas vezes esta frase de Jesus foi mal aplicada, injusta, causadora de sofrimentos e complexos, ao ser proferida a alguém em sofrimento, seja ele de saúde ou psicológico, conjugal ou pessoal. “É a tua cruz”. E alguns carregam um verdadeiro cruzeiro. Mas foi o que Jesus disse, dizem eles. Isso é verdade. Mas será que ele quereria dizer isso mesmo?!

Pelo conjunto da mensagem e postura de Jesus, esta frase não tinha qualquer sentido alienante e demagogo, mas muito prático e de uma enorme sabedoria e aplicabilidade psicológica e espiritual, potenciadora de uma vida mais feliz e em paz.

O processo de crescimento não anula a nossa memória e a nossa estrutura organizativa do pensamento. Continuamos a recordar-nos do passado, mesmo que façamos a nossa opção de não viver nele. Quando alguns falam em esquecer o passado, estão a falar de algo impossível, a não ser em caso de doença. As memórias não se apagam, apenas se substituem e são vistas de forma diferente. Por causa dessa memória, e das consequências, positivas ou negativas, temos tendência a reagir da maneira antiga. “Mais vale um pássaro na mão…” pensamos nós. Precisamos arriscar mais. Negar-nos a nós mesmo, é procurar substituir esses registos por outros novos, até que os antigos se desvaneçam na memória. Mas este crescimento é muito árduo e moroso.

Será que podemos mudar? Na opinião do psicólogo Mark Baker, não podemos mudar, mas podemos crescer. Aquilo que estabelecemos ao longo na nossa infância como principio organizador marca-nos para toda a vida. Se não podemos esses factos, podemos mudar a reacção em relação ao passado, a nossa reacção e interpretação, para evitar que a sensação estranha de retorno à infância nos impeça a abertura à novidade do presente. É preciso desenvolver a capacidade de reagir, de forma consciente, lúcida e objectiva.

O crescimento tem a ver com avançar para os bons sentimentos e não tentar fugir dos desagradáveis. Não podemos apagar as impressões do passado, mas podemos desenvolver novas impressões, novas abordagens, novas interpretações. Este processo de transformação espiritual é uma tarefa que precisa ser recomeçada continuamente. Ao convidar as pessoas a participarem activamente neste processo de crescimento, Jesus sabia que não era fácil, por isso indicou que é preciso “pegar na cruz”, pois implica muito trabalho e força de vontade. Uma vida melhor implica a difícil tarefa de seguir a Jesus de perto. A pessoa que está presa a si mesma, arrisca-se a não crescer. Liberta-te de ti, não te sintas preso no teu passado, trabalha, segue os princípios de Cristo e então terás a vida. Se te fechas em ti, com a ideia de te salvares, ficas sozinho, fechas-te ao amor, e morres vivendo.

Convido a reler a entrada anterior, “Já não tenho medo de ti, Senhor”. Quando descobrir esse Deus, como tudo se torna belo e motivador… e o único medo é o do não amar o suficiente… a mim, aos outros, a Deus.

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2 comentários leave one →
  1. miná(Famalicão permalink
    Setembro 13, 2009 15:56

    …o único medo é o do não amar o suficiente…a mim, aos outros, e a Deus

  2. miná ( Famalicão) permalink
    Setembro 14, 2009 22:25

    Será que ninguem comenta!?
    Ainda estão em férias?
    Vamos lá pôr em comum a vossa opinião..

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