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Casamento e Divórcio

Outubro 4, 2009

A liturgia deste fim de semana, coloca-nos diante da problemática do casamento e da realidade do divórcio. Sobre este assunto, partilho 4 ideias.

Primeira: O casamento deve começar a preparar-se desde o ventre da mãe. Um ambiente salutar entre pais durante a gestação de um filho, é fundamental para ajudar a estruturar a personalidade da criança. Como é evidente, essa estrutura tem de ser solidificada ou alterada com a educação para os valores, alicerces sólidos de um amor duradoiro. Falamos de valores como: entre-ajuda, solidariedade, gratuidade, tolerância, humildade, simplicidade, diálogo, capacidade de perdoar e pedir perdão, espirito critico, liberdade responsável…. Sem estes valores, não há amor que resista à rotina diária. O amor só por si mudará alguém? Coloco as minhas dúvidas. Será essencial, desde que haja vontade, carácter e esforço.

Segunda: Existe muitos casamentos celebrados na igreja que não deveriam ser realizados. O casamento na igreja deve ser celebrado por pessoas com fé enraizada, sabendo das implicações desse gesto, muito além de um contracto. No entanto, a principal razão não reside na fé, mas na tradição, no mais bonito, na vontade dos pais.

Terceira: Jesus revela-se contra o divórcio? Na minha opinião, não. O que Jesus defende é a dignidade da pessoa humana, homem ou mulher. Em que consistia o divórcio (certificado de repúdio)? A mulher não tinha qualquer importância social. Em solteira, era propriedade do pai, que mediante um dote, passaria a ser propriedade do marido. Se durante a coabitação, a mulher não correspondesse às expectativas, o marido poderia devolver a mulher, pedindo de volta o dote. A mulher era um objecto, sem vontade, negociada. Jesus ao estar contra este divórcio, estava a lutar pela dignidade da mulher. Por isso é que Jesus cita o livro do Génesis, querendo afirmar que homem e mulher são criatura de Deus, e que os dois são iguais em dignidade.  Infelizmente, hoje em dia, as coisas alteraram-se significativamente: se antes, a contestação do divórcio era para defender a dignidade da mulher, hoje, o divórcio é a forma de restituir a dignidade a muitos homens e mulheres, que vivem o pior dos pesadelos num casamento fracassado.

O matrimónio é um sinal do amor de Deus pela humanidade. Amor esse que não conhece rotura. Mas o sinal não é sinónimo de realidade. E se o sinal perder eficácia e for precisamente o contrário? Estamos a defender o divórcio? Não. Estamos a defender a restituição da dignidade do ser humano casado, que ainda continua a ser considerado propriedade de alguém.

Quarta: Aprendamos com Jesus a acolher as pessoas que vivem nesta situação. Ao contrário do que muita gente pensa, esta situação não é fácil. Não julguemos pelas aparências e facilmente. Não compreendo, dizem alguns. Quem é feliz no casamento, não entende. Sé vivendo a situação. Não temos o direito de condenar ninguém, nem que seja em nome da doutrina. Não rotulemos as pessoas e não pensemos que temos remédios milagrosos para situações que desconhecemos. Nunca esqueçamos, que o tempo e as oportunidade não voltam. E se deixamos que o amor se desgaste, é muito difícil recuperar e fazer de conta de que nada aconteceu. Por isso, não facilitemos… é preciso um empenho diário e contínuo.

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5 comentários leave one →
  1. miná ( Famalicão) permalink
    Outubro 6, 2009 10:11

    Retenho a última frase que considreo de extrema importanacia na vida dum casal «não facilitemos … é preciso um empepemho diário e contínuo»

  2. Outubro 6, 2009 12:57

    Muitas pessoas elegeram a rotina como desculpa favorita para justificar algumas teorias e comportamentos. Vale a pena ver a discussão no “conviveronline” sobre esta temática. Deixo aqui este comentário:
    Rotina não tem tanto a ver com planeamento e execução, com repetição de alguns gestos ou comportamentos, como uma atitude de espírito.
    Não se concentrem no exterior, mas no interior. Diz o Senhor no Evangelho, que a maldade não esta fora do homem mas no seu interior. Transformemos o nosso interior, o nosso pensamento, e terminamos com a rotina, mesmo repetindo os mesmos gestos.

    Quando paramos de crescer, em casal e individualmente, quando deixamos de dialogar em profundidade, quando não damos espaço a que cada um cresça individualmente como pessoa, quando sufocamos, manipulamos, mesmo que seja em nome do que se dia ser amor, estas atitudes desgastam e destroem a pessoa e o amor. E o amor destruído, nunca mais volta. Pode haver amizade, mas amor….

  3. Outubro 7, 2009 19:46

    Não é de minha autoria, mas subscrevo a citação:
    “Amar, não é olharem-se mutuamente, mas olharem ambos na mesma direcção.”
    E, a melhor relação, será a que persiste, com respeito um pelo outro.

  4. Miguel permalink
    Outubro 18, 2009 11:35

    Às vezes a vida provoca-nos imensas partidas, devido ao dinamismo da sociedade actual.
    Temos tanta coisa ao nosso alcance que deixamos de dar valor aquilo que temos ao nosso lado, e é preciso perdermos alguém pra perceber aquilo que gostamos, que queremos e ama-mos.
    Infelizmente não podemos voltar atrás no tempo, mas se acrededitar-mos em Deus e o amor for verdadeiro, ele vence sempre!

  5. JrMatos permalink
    Abril 24, 2010 21:01

    Quer participar do Ocasional? É uma rede de conteúdo, se quiser me manda um email ocasional85@yahoo.com.br, Abs

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