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Pegadas na Areia

Outubro 29, 2009

Aproxima-se o dia de Todos os Santos e Fiéis Defuntos. Todos perdemos alguém de quem éramos próximos, a quem amávamos. Apesar da esperança na Vida, fruto do Amor de Deus, também existe a saudade. Miguel Torga dizia, no seu diário, ao ver regressar um idoso da missa: “Quem me dera ter-me levantado, ter ido à missa e regressado com a cara que trazia o meu vizinho. Quem me dera sentir-me ligado a um destino extra-biológico que não terminasse com a última pancada do coração”. Acreditamos que fomos criados para muito mais que desaparecer da vida.

Partilho um poema sobejamente conhecido, mas que constitui sempre um bálsamo para a saudade e a tristeza: pegadas na areia. Mas antes, a história deste poema, que é fruto de uma experiência concreta, e que encontrei na net:

Normalmente considerado anónimo, o que poucos sabem é que o autor, ou melhor, a autora de Pegadas na Areia tem nome e sobrenome. Trata-se da Canadiana Margaret Fishback Powers, que, além de ser uma crente convicta, mantém um ministério internacional voltado para a evangelização de crianças.
“Muita gente pensa que Pegadas na Areia é fruto apenas da minha criatividade. Porém, para mim, o poema foi uma experiência bem real, composto num momento de grandes expectativas e poucas certezas na minha vida”, diz a autora.
A história do poema começou quando Margaret foi para um retiro de jovens da igreja, auxiliando o então namorado Paul, um dos responsáveis pelo evento.
“Era o dia de Acção de Graças de 1964 e, ao chegarmos, fui dar uma volta na praia com ele”, recorda. O compromisso era recente – estavam juntos havia apenas seis semanas – e Paul acabara de pedi-la em casamento. Entretanto, o jovem casal tinha poucas esperanças de futuro. “Éramos muito diferentes um do outro. Paul tinha um passado marcado pela violência e drogas. Não tínhamos perspectivas profissionais ou financeiras pela frente e nem mesmo sabíamos se as nossas famílias e a igreja iriam apoiar-nos”, conta Margaret.

De volta do passeio, os dois notaram que as ondas apagaram algumas pegadas, deixando apenas um par visível.
“Talvez isso seja um prenúncio de que os nossos sonhos serão levados água abaixo”, sugeriu ela. “Não!”, protestou
Paul, para, então, tomá-la nos seus braços e concluir: “Teremos turbulências, mas seremos um só na caminhada. E o Senhor tomar-nos-á assim, em Seus braços, se confiarmos e tivermos fé n’Ele”. Aquelas palavras românticas ficaram marcadas no íntimo da jovem. Naquela noite, ela não conseguiu dormir e orou bastante. No dia seguinte, apresentou ao namorado não apenas a sua certeza em Deus do casamento e futuro dos dois, mas o poema que, anos depois, tanto
sucesso faria, ainda com o título «Eu tive um sonho».
Paul fez questão de declamá-lo a todos no encerramento do retiro. Margaret não podia mesmo ter a menor noção da proporção que tomariam os versos simples que acabara de escrever. Anos depois, já casada, ela reencontraria a sua obra de forma completamente inesperada. O seu marido sofreu um acidente e recuperava no hospital.
“Eu estava na UCI, e uma enfermeira, querendo consolar-me, segurou na minha mão e começou a recitar o poema”.

pegadas na areia

 

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4 comentários leave one →
  1. Outubro 29, 2009 21:15

    Não choremos por as coisas terminado e as pessoas terem desaparecido.
    Alegremo-nos por terem existido.

  2. Outubro 30, 2009 18:29

    “Se me amas, não chores”

    Se conheces o mistério intenso
    do Céu onde agora vivo,
    este horizonte sem fim, esta luz que tudo reveste e penetra,
    não chorarias, se me amas!
    Estou já absorvido no encanto de Deus,
    na sua infindável beleza.
    Permanece em mim o teu amor,
    uma enorme ternura
    que nem tu conaegues imaginar.
    Vivo numa alegria puríssima.
    Nas angústias do tempo, pensa nesta casa
    onde um dia estaremos reunidos
    para além da morte, matando a sede na fonte
    inesgotável da alegria e do amor infinito.
    Não chores, se verdadeiramente me mas!

    Autor: Santo Agostinho

  3. Cátia permalink
    Outubro 31, 2009 11:49

    palavras muito sábias SR Padre

  4. Outubro 31, 2009 13:57

    As vezes em que me é oportuno vir aqui, vou lendo os textos do Sr. Padre. Todos eles têm muito significado, tocando-me uns mais que outros.
    Este, em particular, tocou-me bastante, de tal modo que, a primeira reacção que tive ontem, foi de transcrever a oração de Santo Agostinho.
    Que a força que eu possa transmitir aos outros, possa ser a minha força um dia: “recordar os nossos falecidos, como se eles ainda vivessem”
    E… Ele, de facto, está quando mais necessitamos. É preciso mesmo, é ver os sinais.
    Obrigada Padre, pelo que nos vai transmitindo.

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