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Apenas a “outra” vida? E esta?!!…

Janeiro 10, 2010

Durante muitos anos, para se dar destaque à vida na eternidade, o Céu, exagerou-se a pregação nesta dimensão da nossa existência em detrimento da vida terrena. “Esta vida é para sofrer”… “Aguenta firme… é a tua cruz”…. estas e tantas outras frases eram ditas, com intenção de ajudar a pessoa a pensar na outra vida e na utilidade dessas sentenças, proferidas, muitas vezes, por quem nunca passou pelas mesmas situações. Formou-se as pessoas na base do medo a Deus, numa moral restritiva e casuística, com uma consciência hipersensível, em que tudo era pecado.

Efectivamente, a vida eterna é algo em que acredito, e não pode ser descurada em nome de viver melhor esta. Mas também não podemos esquecer esta nossa passagem pelo planeta terra em nome da outra vida. A Igreja ensina que a vida eterna é uma continuação da nossa existência, em moldes diferentes, mas não perdemos a nossa identidade com a morte biológica.

Ser cristão é ser seguidor dos passos de Jesus. Seguir os passos de alguém, é ter a certeza de pisar terreno sólido, num ambiente desconhecido. Num  mundo cheio de incertezas, dado que o tempo é curto, e breve os dias da nossa vida, não podemos dar-nos ao luxo de desperdiçar oportunidade. Muitas vezes, por falta de paragem para reflexão, com pressa de chegar, perdemos mais tempo colocando os pés em sítios desconhecidos, que muitas vezes são autênticas armadilhas, físicas, morais e psicológicas.

Jesus foi/é alguém que tem uma mensagem de fé: saber que a existência não se esgota com a última pancada do coração; saber que somos fruto de um desígnio de amor e não de um acaso da natureza; a conhecer, para depois aprendermos a amar, um Deus que é Pai e é Amor; aprender a relacionarmo-nos com Ele; a certeza de que não estamos sós e que o bem por nós feito tem consequências.

Jesus foi/é alguém que tem uma mensagem de vida: alguém que nos ensinou a superar os nossos limites e fraquezas; a querer crescer e ir mais longe; a saber proteger as nossas emoções; a ensinar-nos a olhar a vida e os outros de outra perspectiva, com outros olhos; a sermos fortes por dentro, não tendo medo de mostrar que também somos fracos. Os evangelhos são palavras de fé, mas igualmente palavras de vida, cheios de conselhos de uma densidade pratica e psicológica incomensurável. É preciso reaprender a ler os textos do evangelho em dupla perspectiva: fé e vida. A importância de uma não retira nada à outra.

Deus criou-nos para sermos felizes também nesta vida. Ensinou-nos a superar os sofrimentos, não só por causa da outra vida, mas para nos ensinar a sermos felizes nesta, mesmo quando as coisas não correm como desejamos. Aprendamos a ter força para aceitar o que não pode ser mudado, sem ser em prejuízo do discernimento e da coragem de mudar o que pode ser mudado. A moral deve ter em vista também no sentido de valorizarmos esta vida em si mesma, e não termos medo que isso ameasse a certeza da necessidade de não descurarmos a outra.

Neste blogue já fui aconselhando alguma bibliografia sobre esta temática: de Augusto Cury: O mestre dos mestres; O segredo do Pai nosso; A sabedoria nossa de cada dia; Maria, a maior educadora da história. E de Mark W. Balker: O maior psicólogo de todos os tempo. Ao apresentar estes livros, não descuro a leitura dos Evangelhos, e de outra bibliografia mais teológica, como sendo”Chave para a Bílbia” de W. Harrington, por exemplo.

Tenho tentado fazer deste espaço, um lugar de reflexão, tanto da doutrina como da assertividade da vida. Fico à espera do feedback desse lado.

Aprender a navegar nos mares agitados da vida exige uma aprendizagem persistente e dura. Não é fácil. Não percamos as oportunidade que Deus nos dá, porque a vida passa a correr, e corremos o risco de chegar ao fim dos nossos dias e não termos vivido. Vi esta frase num filme: “Posso optar por viver sem compromissos, sem me ligar a ninguém. É mais fácil e não sofremos tanto. Mas será que vivemos realmente?”. Nem sempre o mais fácil na hora, se revela o mais útil no futuro. Não podemos viver com a angústia da incerteza do dia de amanhã, mas não podemos esquecer que o amanhã é fruto do dia de hoje.

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One Comment leave one →
  1. Kapa permalink
    Janeiro 28, 2010 00:14

    Boa noite,

    Não é que ponha em causa os dogmas da Igreja nem que ponha em causa a vida eterna em que a igreja tanto se baseia.
    Acho sim que é a altura de os ensinamentos e pregações da Igreja sofrerem umas leves alterações.
    As crianças crescem a ouvir “Se não fizeres isto não vais para o céu”, “Se te portares mal não vais para o céu”. É certo que se dá uma conotação muito negativa a esta ideologia católica com estas palavras mas enfim, é o ensinamento que se deu ao longo de séculos.
    Por que não mudar a forma como se transmitem as realidades e em vez do tão apregoado “acreditar na vida eterna” dizer com mais convicção “Deus ajuda-te aqui na terra, luta para seres feliz, é nessa felicidade em Deus que vale a pena acreditar!”.
    Acho que está na altura de os cristãos criarem uma nova mentalidade, uma mentalidade menos dramática e menos negativa em relação à Igreja. Afinal, de que vale ter fé se a única coisa em que conseguem pensar é no castigo de Deus por cada eventual falha? Deus é muito mais que um chicote pronto a castigar. Deve ser, acima de tudo, fonte de inspiração e coragem e não um receio constante de castigo e punição. Para muitos, vale a pena pensar nisto!

    Um abraço ao padre José Carlos pelo conteúdo desta página.

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