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Geração Copy/paste

Janeiro 31, 2010

Temos falado muito da utilização das tecnologias na catequese. Procuramos ver as potencialidades e irmos aprendendo com os desafios e adaptações que isso nos lança. Não “endemonizemos” estas ferramentas, para voltarmos aos velhos hábitos. No entanto, é preciso estarmos atentos, reconhecermos os riscos, para os minimizarmos, e até os convertermos em oportunidades de crescimento.

Na Revista do Jornal de Notícias, o “Notícias Magazine”, deste domingo 31 de Janeiro, vem publicado um artigo sobre esta temática. Podem ler o artigo neste link. Aqui partilho algumas ideias com as quais me identifico.

Nós Temos uma geração que maneja fluentemente as tecnologias, mas sem que isso signifique mais informação e melhor conhecimento. Existe um grande défice ao nível da pesquisa, selecção, tratamento e transformação da informação que seleccionam. Utilizam demasiado o Copy/Paste (copia e cola) com muita naturalidade.

“Pesquisar por um tema é muito mais do que fazer copy/paste. É procurar várias fontes de informação, é comparar, analisar, seleccionar, transformar. (…) Conhecimento é muito mais do que as duas ou três primeiras respostas oferecidas pelos motores de busca. (…)

Ao excelente apetrechamento e manuseamento tecnológico dos jovens não se alia um bom desempenho das competências e capacidade na busca e uso da informação. (…) Importa saber o que as pessoas buscam, como pesquisam, e também o tipo de necessidades que as levam a procurá-la e o modo como elas se relacionam com o meio envolvente. (…) Os jovens tendem a fazer um uso monolítico, unidireccionado da informação. (…) Copiar os textos oferecidos pelos primeiros resultados de busca, sem proceder à articulação  e validação crítica dos dados obtidos, nomeadamente cruzando-os com outras fontes, é uma prática corrente dos alunos.

A solução não deveria, então, procurar recuperar comportamentos perdidos, mas conduzir as potencialidades que estes jovens claramente detêm a patamares que os motivem a ‘exercitar as capacidades cognitivas e informativas com a informação que obtêm‘. (…) Urge uma reviravolta que dote os alunos de capacidades interpretativas e os torne progressivamente mais exigentes, críticos e reflexivos“.

Cada vez mais os jovens fazem inúmeras coisas em simultâneo: ouvir musica, jogar, ver televisão,  internet…. Mas isto acarreta uma maior dispersão e falta de concentração que tem consequência a nível académico mas também de personalidade. Eles sentem-se confiantes e auto-suficientes porque dominam o acesso e as condições de acesso tecnológico. Não significa, contudo, mais saber e maiores competências interpretativas.

Compete aos agentes educativos, esta atenção, reforçada com a literacia informacional, para motivar, orientar, interpelar, “meter sempre pauzinhos na engrenagem com novas perguntas”, alargando o campo de busca, a reflexão crítica, e o tratamento final.

22 comentários leave one →
  1. Manuel permalink
    Fevereiro 2, 2010 15:03

    Começo por dizer que corroboro com o texto “geração copy/paste”.

    Com a intensa exigência aos jovens de hoje (e não só a estes), a principal preocupação é colher e sorver o sumo sem tempo para o saborear. O principal objectivo é temporal e satisfazer a exigência mínima de quem coloca o problema. O ritmo imposto é de tal modo intenso que não há tempo para crescer.

    Este texto levantou-me uma questão, que julgo pertinente e dentro do que se tem falado no Partilhar sobre a forma de catequizar, que gostava de vos colocar:

    Como se sabe, a população portuguesa é maioritariamente Cristã, contudo, abunda nesta sociedade, já por si egoísta, atitudes de muita violenta, muita agressividade de simples provocatória e impaciência. Sem querer colar a Religião Católica a este fenómeno social, já que o seu fundamento não é esse, a questão que eu levanto é a seguinte:

    – A mensagem da Religião Católica sobre o Cristianismo, do ser e sentir-se Cristão, parece-me que não passou ou estar a passar. Será que somos, não só nos tempos actuais mas ao longo dos séculos, uma “GERAÇÃO COPY/PASTE”?

  2. Fevereiro 3, 2010 19:25

    Olá Manuel. A pergunta que faz também eu a faço. Evidentemente que não podemos generalizar, pois a mensagem passa em muitas situações. Em muitas é que parece não passar. E notamos, por parte da hierarquia da Igreja, alguma paragens nas formas e na linguagem. A mensagem continua actual. Apenas precisa de uma nova roupagem, de uma nova leitura e adaptação ao povo dos dias de hoje. Mas há sinais de esperança…

  3. Manuel permalink
    Fevereiro 4, 2010 00:35

    Felizmente há muitas pessoas que souberam e sabem saborear o sumo cristão. Pessoas de muita bondade, muita solidariedade, de muito dar.

    Preocupa-me este crescendo de violência, de intolerância, de falta de respeito, que se regista, não só no nosso meio, como praticamente em todo o mundo.

    Esta dicotomia de atitudes, em que bons e maus coabitam o mesmo espaço temporal, levou-me, mais uma vez, aos sermões do Padre António Vieira,Séc. XVII, em que ele exortava os pregadores a serem o sal da terra. Dizia no seu “Sermão de Santo António aos Peixes” que o efeito do sal é impedir a corrupção (violência) e levantava algumas questões sobre a contínua existência dessa violência, que de entre várias cito duas:

    – “ou porque o sal não salga” – em que o sal é sinónimo da mensagem Cristã;
    – “ou porque a terra não se deixa salgar”, em que a terra é sinónimo de seres humanos;

    “Perguntando… qual era a melhor terra do Mundo, respondeu que a mais deserta, porque tinha os homens mais longe”,nestas coisas, como disse o Padre José Sá, não devemos generalizar.

    Pelo menos que a sua terra se deixa salgar, padre José Carlos, é o que lhe desejo.

  4. Fevereiro 4, 2010 01:15

    Eu também Manuel. Mas não é fácil. Cada vez é mais difícil. Este artigo reflecte uma mentalidade, e tem consequências em todas as áreas da vida humana. Este problema é transversal. E torna-se muito difícil encontrar estratégias que motivem. Hoje as pessoas estão cheias, não sentem a necessidade, a fome. É muito difícil dar de beber a alguém que não sente necessidade de beber. Temos de tomar consciência dessa necessidade, para depois falarmos da bebida. Uma cultura em que prevalece o imperativo da superficialidade, do puro relativismo, de um espírito pouco critico, do “usa e deita fora”, é difícil falar de sentido, de profundidade das coisas, de relações, da própria vida. Tenho a convicção de que as pessoas não se conhecem a elas próprias: o porquê das suas reacções, os seus limites, as suas necessidades, os seus sonhos, os seus medos e competências. Por causa disso, as pessoas não aprendem a proteger as suas emoções. Não será por acaso que cada vez mais se fala em stress, depressões, esgotamentos.
    Estou a gostar deste debate de ideias. Mais alguém quer participar? Arrisque a expor as suas ideias. A sensação vai ser boa.

  5. Manuel permalink
    Fevereiro 5, 2010 01:32

    Apesar desta imensa quantidade de riqueza ao nosso dispor e de fácil acesso, continuamos pobres, em que a fartura nos enche de coisas de nada. Temos uma aprendizagem da facilidade que nos torna desinteressados.

    Antigamente o tempo passava e as pessoas iam ficando, olhando, aprendendo, conversando calmamente. Dizia-se que o faziam ao sabor do vento. Hoje, e permita-me esta brincadeira, passamos pelo tempo e nem tempo temos para falar do tempo.

    Mas será que a culpa é só da “terra que não se deixa salgar”? O Padre António Vieira levantava a hipótese da possibilidade de “os pregadores se pregarem a si e não a Cristo”.

    Parece-me, e obviamente excluído de culpa, o “sal” é de boa qualidade, pelo que me resta as outras duas hipóteses.

    Mas por agora fico-me por mais uma citação do Padre António Vieira e que diz: “a terra não se deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites”

    Continue, Padre José Sá, sendo o pregador que sabe salgar a terra que me parece ser de boa qualidade.

  6. Fevereiro 5, 2010 21:33

    Estar a dar de beber a quem não tem sede, parece ser um acto inútil. Posso considerar que a água possa fazer falta, mas se do outro lado não se sente a necessidade, não lhe vai dar o valor.
    Precisamos educar para a necessidade antes de darmos a bebida ou de dizermos que faz falta. É preciso espicaçar a mente, abalar as certezas irreflectidas, a fim de desenvolver um espírito crítico, capaz de reflectir e sistematizar ideias, princípios, certezas.

  7. Manuel permalink
    Fevereiro 6, 2010 01:06

    O problema é que os desidratados existem mas não se dão conta da necessidade de a eliminar. Sabem que a água da nascente é o alimento mais puro que melhor ajuda pode dar ao crescimento mas continuam a preferir as bebidas energéticas para saciar a sede.

    Sentem-se com energia, cheios de força, imbatíveis, que não precisam de mais nada para enfrentar o dia-a-dia mas…. continuam a não crescer.

    O problema é que permanece a amnésia, do não se lembrar que afinal a água da nascente é que dá o verdadeiro crescimento. O crescimento da solidariedade, do respeito pelo próximo, da amizade, do companheirismo, da família, dos valores morais…..

    Qual será então o passo que se poderá dar para alertar esses mal alimentados?

    Qual a formula a usar para dar a água da nascente?

    Como é que poderei chegar àqueles que julgam não ter sede?

  8. Manuel permalink
    Fevereiro 6, 2010 01:20

    O difícil à chegar a quem não quer ouvir e o grande problema é que já são muitos e cada vez há mais quem não queira ouvir.

    A dificuldade maior será a de eu saber como fazer para chegar áqueles que, simplesmente, não querem ouvir.

    Como é que os vou espicaçar?
    Como fazer para abalar as suas certezas?
    Como lhes vou dizer:-“bebe desta água?

  9. Fevereiro 6, 2010 11:43

    Esta reflexão fez-me lembrar o encontro de Jesus com a Samaritana. Jesus está interessado em meter conversa. Mas não vai directo ao assunto. Toma a iniciativa, mas não intimida. A estratégia dele é a sinceridade, a franqueza, ser igual a ele mesmo. Ele questiona (e quem me dera saber fazê-lo como Jesus. Ele utiliza os trocadilhos, para confundir, para questionar, para abalar as certezas desta mulher sedenta mas que ainda não descobriu a origem da sua inquietude. Eu acredito que aqueles que preferem as “bebidas energéticas” querem saciar a sua sede, só que não o querem fazer pelo caminho do encontro com eles, porque têm medo. Jesus faz a mulher encontrar-se com os seus limites, os seus fantasmas. E não a julga. O que ela estaria à espera. E isso surpreende-a. Jesus era um artista na arte da surpresa. Nunca agiu da forma como todos esperavam. Devemos aprender com Jesus a arte da surpresa, de saber criar expectativa e de surpreender.
    Só quando a mulher, sem mais por onde fugir, pede a água, então sim, Jesus oferece essa água, que já tinha começado a jorrar dentro dela. Porque quem prova da água da nascente, esquece logo as bebidas energéticas. Mas essa água reside na protecção das nossas emoções, na criação de uma mente saudável, equilibrada e livre, numa fé forte e esclarecida no Deus de Jesus Cristo e não no Deus fabricado pelas mãos dos homens, na opção de uma vida vida de forma consciente, alicerçada no presente, preparando e não antecipando o futuro.
    (Obrigado Manuel por esta partilha que permite afundar o meu poço interior, fazendo brotar ainda mais água. Que bom seria que este nosso diálogo tivesse mais intervenientes, não acha?)

  10. miná permalink
    Fevereiro 6, 2010 16:06

    Olá Manuel, olá P. Zé Carlos:
    Tenho lido as vossas conversas com bastante atenção e não serei capaz de dizer tudo o que penso a este respeito; direi que em alguns pontos concordo inteiramente, noutros nem tanto!
    Mas agora quero deter-me nesta frase do P. Zé Carlos« devemos aprender com Jesus a arte da surpresa, de saber criar expectativa e de surpreender», muito bem, concordo plenamente, mas pergunto: como conseguir despertar nos nossos catequizandos esse desejo da surpresa, numas crianças que parece que teêm tudo e já nada lhes desperta atenção e curiosidade!?Eu dou voltas à cabeça cada semana em que me vou encontrar com o grupo…
    Gostaria muito de participar nessa «catequese2.0»; fico à espera de ser admitida..
    Até sempre Manuel; gosto muito de saber das tuas opiniões,já que com o P. Zé Carlos tenho oportunidade de conversar sobre estes assuntos tão pertinentes.

  11. Manuel permalink
    Fevereiro 8, 2010 17:05

    Não tenho dúvidas que com a participação da Miná (obrigado pelas suas palavras e confesso-lhe que tem sido um prazer “escutar” os seus comentários), da Fátima, da Celina, da M.Céu e tantos outros, seria, de facto, uma belíssima e proveitosa “catequese”.

    “…Deus fabricado pelas mãos dos homens, …”. Curiosa esta sua observação. Intrigo-me se não será este Deus que “procuramos” quando sentimos necessidade. O tal Deus momentâneo, temporal?
    Fabricado (e/ou copiado) e colado às nossas solicitudes aflitivas (ou não)

  12. Fevereiro 8, 2010 17:32

    Na segunda leitura deste fim de semana, S. Paulo diz esta frase: “É pela graça de Deus que sou aquilo que sou”. Esta frase fez-me pensar. Efectivamente, corremos o risco de pensar que a Graça de Deus é algo exterior ao homem, que depende apenas de Deus. A Graça de Deus trabalha é no interior do ser humano. Diz Cury que as nossas crenças são o que nos define. E eu concordo.Aquilo que nos move, que nos apaixona, é que nos identifica. A imagem que fazemos de Deus vai identificar o tipo de relação que temos com Deus. Quando falo do meu Deus, eu falo baseando-me no Evangelho, que cada vez é para mim uma referência, os ensinamentos de Jesus, cheios de fé e de vida.
    Descubramos, nos Evangelhos, o Deus de Jesus. Deixemos que o Seu amor nos conquiste. E isso vai fazer de nós aquilo que somos.

  13. Ana permalink
    Fevereiro 8, 2010 22:27

    Tenho acompanhado este debate e acho interessante muitas opiniões que aqui têm surgido. Quanto ao último comentário que o Manuel deixou acho que em parte ele tem razão, isto porque nós buscamos um Deus da facilidade, e esse não existe . Isto porque, a maior parte da sociedade de hoje vive preocupada com o poder, a ambição de ser os melhores, vivem em torno do seu próprio “eu”, e esquecem Deus. Em parte isto deve-se também ao facto de muitas vezes a própria Igreja não se adaptar um pouco aos dias de hoje. No entanto, de uma coisa tenho a certeza: quando nós deixarmos que o amor de Deus nos conquiste, a nossa vida vai mudar. Pois o nosso interior ficará melhor, mais sereno , mais capaz e sobretudo, seremos mais felizes.

  14. Fevereiro 8, 2010 23:55

    Precisamos de falar com paixão de Deus. E isso só acontece quando o interiorizamos. A maioria das pessoas não conhece a Deus. E digo conhecer, não fisicamente, claro, mas a sua maneira de ser, o pensamento de Deus. Jesus foi a revelação plena de Deus. As pessoas falam e falam com um Deus que não conhecem pessoalmente. É preciso fazer a experiência pessoal do encontro com Deus. Também com Deus fazemos o copy/paste. Isto é, ouvi falar de Deus, mas ainda não o encontrei. E limitamo-nos a celebrar, acreditar e falar de um Deus de que apenas ouvimos falar. Efectivamente a Igreja, ao longo dos tempos, foi isso que, inconscientemente, ou não, promoveu. Mas também encontramos tantos exemplos positivos na Igreja. Vamos tentar aprender com os exemplos negativos, para não os repetirmos, mas vamos valorizar mais os positivos. Estamos a precisar de optimismo, de entusiasmo na evangelização.
    Obrigado às pessoas que estão a alimentar este debate. É tão bom.

  15. miná ( Famalicão) permalink
    Fevereiro 9, 2010 00:07

    Quanto mais eu conhecer Jesus mais conheço a Deus/Pai, mas esse desejo tem que partir de mim; penso que nos dá jeito às vezes « culpar» a Igreja, já estou um pouco cansada de ouvir isto. Eu sou Igreja, como tal, tenho que fazer algo para a valorizar e não atacar continuamente; não quero com isto dizer que não é verdade, mas estou de acordo com o p.Zé Carlos: peguemos nos pontos positivos e desvalorizemos os menos bons.

  16. Manuel permalink
    Fevereiro 9, 2010 01:11

    “A Graça de Deus trabalha é no interior do ser humano” – Este é o ponto fulcral e obrigado por partilhar esta frase.

    O Padre José Sá “não procura” o seu Deus, ele sabe que O tem. Que Deus está no seu interior. O que o Padre José Sá “procura” é conhecê-LO melhor através das Escrituras (corrija-me se estou enganado).

    O que faz de mim um ser humano verdadeiramente cristão são os actos e não os agradecimentos ou solicitações a Deus e, nesta matéria, a meu vêr, a Igreja tem muito trabalho pela frente.

  17. Fevereiro 9, 2010 02:23

    Uma coisa está ligada à outra. Numa pessoa equilibrada e madura, na fé e na vida, não dissocia o comportamento, do pensamento, dos agradecimentos, da celebração. São tudo partes diferentes e inter-relacionadas, que se exigem e completam reciprocamente. Uma sem a outra fica uma sensação de insatisfação. É a pessoa no seu todo que está envolvido.
    Quanto ao conhecer melhor a Deus através dos Evangelho, é verdade. E conhecendo melhor os evangelhos, melhor conheço a Deus. A minha visão de Deus é pautado pela fé e pela vida. Os evangelhos são constituídos pelo testemunho da vida de Jesus, onde podemos encontrar uma palavra de Fé, um relacionamento com Deus, e a aprender a vivermos melhor nesta vida, connosco, com Deus, com os outros e com a natureza.
    Deus não vem retirar nada. Mas melhorar o que temos de bom. E nesta dinâmica positiva, somos convidados a aprender com os nossos erros e a superar os nossos limites.

  18. Manuel permalink
    Fevereiro 10, 2010 00:28

    Concordo consigo, mas será que na vida e na fé há esse equilíbrio?

    Assisto a muitos agradecimentos e a demasiados pedidos a Deus, mas, em contrapartida, disponibilizam pouca ajuda, pouca compaixão, pouco companheirismo, egoísmo e muitíssima futilidade. Assisto a uma crescente e assustadora violência de uns sobre os outros.

    Sou de uma geração copy/paste no que respeita à fé. Fui “ensinado” a acreditar num Deus que estava no meio de nós mas que sempre o senti “distante”. Um Deus que não era “meu”. Um Deus que me ensinava valores sociais, morais, valores que ainda acredito, mas era administrado por homens e mulheres que “apenas ouviram falar n´Ele”. Eram, eles e elas, também, fruto de uma geração copy/paste, mas, já nessa altura, parada no tempo. Em determinado período da minha vida, mas só depois de ter participado num dos primeiros grupos de jovens criados em Santo Tirso, optei pelas “bebidas energéticas”. Filo com responsabilidade, porque sempre procurei agir de acordo com a “água da nascente” que brotava dentro de mim.

    Somos, afinal, produtores de sucessivas gerações copy/paste. É dever dos educadores, das catequistas, dos familiares, da sociedade civil em geral, alterar esta forma de “despachar” a palavra de Deus, este “vomitar” de uma “água de nascente” que merecia ser melhor disponibilizada.

    Só assim, as crianças de hoje, deixariam de pertencer a uma geração dos copy/past.

  19. Fevereiro 10, 2010 19:07

    Esse equilíbrio não é um estádio que se possa atingir de uma forma definitiva, mas algo que construímos e reconstruimos continuamente, por vezes em bonança, outras no meio de tormentas. Não podemos deixar que os aspectos negativos, ou considerados como tal, nos traumatizem e paralisem no busca de nós mesmos, de Deus e dos outros. A busca deste equilíbrio talvez não seja tanto exterior como interior. Será fácil? Não. Mas as desculpas impedem-nos de ver a realidade e de a superarmos. Por isso, temos de reflectir sobre o caminho a seguir e começar a caminhada, correndo os riscos. A vida é feita assim.

  20. Manuel permalink
    Fevereiro 11, 2010 00:33

    Quando iniciamos a nossa caminhada neste mundo, pensamos que a vida é como uma rosa. De pétalas sedosas, brilhantes e de cores alegres. À medida que crescemos reparamos que a bela flor, não está sozinha, junto dela, colado, tem um caule, só que, coberto de picos, que nos pode ferir. Afinal aquela flor tem o seu lado mau, pensamos. Que fazer? Não cortar e deixamos que ela morra naturalmente ou cortamos, eliminamos os picos e deixamos que ela ilumine as nossas casas.
    Uma coisa o tempo nos ensina: – seja qual for a solução encontrada, uma nova flor vai nascer naquele lugar e coladinho a ela virá o seu pé com picos, muitos picos.

    A vida é uma caminhada por ruelas cobertas de pedras de mil formas e tamanhos.
    Temos que saber ultrapassá-las com dignidade.

    Mas é complicado, quando diariamente nos chegam barbaridades cometidas por seres da espécie humana. È impossível ficar indiferente, é difícil hoje não ter medo, receando o dia de amanhã.

    Mas temos que continuar a pular e a avançar nesta estrada feita por todos e para todos nós.

  21. Fevereiro 11, 2010 01:52

    Eu gosto muito da imagem da cebola. Por debaixo da casca, ela está cheia de camadas. E é preciso ir descobrindo cada camada para se atingir o centro da cebola. Também, precisamos ir descobrindo as nossas camadas interiores, encobertas com a nossa capa exterior, o nosso escudo, preconceitos, etc. É no centro de nós mesmos que encontramos a razão de ser e de viver. É lá que Deus se esconde. É lá que encontramos a nossa protecção emocional para enfrentar essas intempéries emocionais com que nos deparamos. É difícil? É sim senhor. Tal como o descascar de uma cebola provoca lágrimas, também a descoberta do nosso interior, o confrontar-nos com os nossos fantasmas emocionais, também o pode causar. A diferença, é que os conheceremos e saberemos como lutar com eles.

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