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A perfeição

Maio 21, 2010

Andamos tantas vezes inquietos à procura da perfeição fora de nós, seja em relação a nós mesmos seja em relação a outra pessoa ou situação. E quem a procura fora, dificilmente a encontrará. Jesus ensinou-nos que a perfeição está no sítio mais próximo, e ao mesmo tempo, mais difícil de alcançar: dentro de nós mesmos. A perfeição está na forma como vemos e interpretamos a vida. Isso vai capacitar-nos para aprendermos a saborear as coisas, nos pequenos gestos. Racionalizamos demais. Temos os olhos do coração entorpecidos. Que o Espírito de Sabedoria e de Luz nos encha e coração (Ef 1, 17-23), e nos faça ver a maravilha das pequenas coisas, do aprender a reciclar os nossos pensamentos, a proteger as nossas emoções. “Só se vê bem com o coração”. Aprendamos a ver com o coração, a ver para além. Que a paz que Cristo veio trazer nos invada o coração, e o faça arder dentro do peito.

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9 comentários leave one →
  1. Miná permalink
    Maio 21, 2010 19:47

    «Temos os olhos do coração entorpecidos»; frase tão curta mas que encerra um enorme significado e conteúdo; dá que pensar!Se calhar é assim que está muitas vezes o meu coração; vou estar mais atenta e desperta; obrigada pela reflexão

  2. Manuel permalink
    Maio 23, 2010 02:16

    Perto de minha casa tem um campo onde, normalmente, pastam 2 cavalos.
    De longe, parecem cavalos perfeitamente normais, mas, quando nos aproximamos percebemos que um deles é…. Cego.
    O dono dos cavalos não se desfez do que é cego e ainda lhe arranjou a companhia de um cavalo mais jovem.
    O cavalo jovem tem um Sino pendurado ao pescoço. Assim, o cavalo cego sabe onde está o seu amigo e vai ter com ele, seguindo-o para todo o lado.
    O cavalo jovem “sabe” porque tem o sino e, muitas vezes, fica parado à espera do seu amigo.
    O cavalo cego guia-se pelo som do sino, confiando que o outro cavalo o está a levar pelo bom caminho.

    Tal como o dono dos dois cavalos, Deus não se desfez de nós só porque não somos perfeitos ou porque temos problemas ou desafios.
    Ele cuida de nós e faz com que outras pessoas venham em nosso auxilio quando precisamos.
    Muitas vezes somos o cavalo cego guiado pelo som dos sinos daqueles que Deus coloca nas nossas vidas.
    Outras vezes, somos o cavalo que guia, ajudando os outros a encontrar o seu caminho.

    Assim são os bons amigos.
    Não precisamos de os ver, mas sabemos que eles estão lá

  3. Manuel permalink
    Maio 24, 2010 11:55

    Belo ou Feio
    Bom ou Mau
    Inteligente ou Idiota
    Doce ou Azedo
    Forte ou fraco
    Veloz ou Lento

    Passamos a vida a “pintar” os outros ou as outras coisas, tudo isso num espaço temporal, normalmente curto, onde o que hoje é belo amanhã pode não o ser.

    Não somos perfeitos!

    Deus criou-nos, propositadamente, imperfeitos. Contudo teve o cuidado de nos enriquecer com o privilégio da diferença.

    Mas Deus criou, dentro de cada um de nós, a capacidade da perfeição. E essa capacidade tem nome: S O L I D A R I E D A D E

    Os dois cavalos encontraram essa perfeição, saibamos nós encontrá-la e fazer bom uso dela.

  4. Fátima Fontes permalink
    Maio 27, 2010 00:03

    Olá Manuel, concordo com todo que dizes, só não concorda com essa parte em que dizes que Deus criou o homem imperfeito, Deus na minha opinião criou o homem a sua imagem e semelhança, Porém, o homem não obedeceu, e comeu do fruto proibido, passando a ter uma natureza “imperfeita” e dai sim, se tornou” imperfeito” seria livre para escolher o bem ou o mal. Perfeição é encontrada em Deus, e se ele nos criou a sua imagem e semelhança, a partida seria-mos como ele, se lhe tivéssemos obedecido certo?

  5. Manuel permalink
    Maio 31, 2010 00:01

    O que quer dizer: – “Deus fez o homem à Sua imagem e semelhança”?

    Será que a expressão “…à Sua imagem…” significa o mesmo que “…à Sua Semelhança”?
    Não será a referência à “imagem” uma observação física, ao aspecto exterior?
    Enquanto que a referência à “semelhança” ser uma observação interior, intelectual, moral, de alma?

    Obrigado Fátima pelo teu comentário, que não só me espevitou, como me confundiu, levando a colocar diversas questões das quais pedia (a quem souber) uma explicação.

    Confesso que já andei (e ainda ando) à procura de respostas. Apesar de ter encontrado várias, foi unânime uma certa confusão nas explicações, muito difusas, muito pouco claras.

    Quando falamos com Deus o que vemos? Normalmente idealizamos uma imagem transcendental, imortal, fisicamente inacessível mas com cabeça tronco e membros. Ou seja “vemos” uma figura humana.

    Mas quando agimos no nosso dia à dia, quando nos disponibilizamos perante os outros, quando nos solidarizamos, quando amamos o próximo, não será esta a busca da perfeição, aquilo que mais se assemelha a Deus, ao nosso caminho até Deus?

    Não será propositado o facto de não termos sido criados “iguais” a Deus mas tão só “semelhantes”?

  6. Junho 2, 2010 17:37

    A nossa condição humana é muito limitada. Ela é uma parte da realidade, não a realidade plena e absoluta. Temos muita dificuldade em nos abstrairmos. Temos muita dificuldade em confiar, em criar relações de confiança. As nossas entregas dificilmente serão totais e radicais. E quando falamos de alguma realidade que não testemunhamos, essa tendência sobe exponencialmente.
    Sermos criados à imagem e semelhança de Deus não tem nada a ver com o aspecto físico. Somos criados por amor, com amor e para amar. Essa é a imagem de Deus. Se fomos criados para amar, somos livres. Ser criado à imagem e semelhança não é sinónimo de sermos iguais. Deus é de natureza divina. O homem de natureza humana. Mas temos em nós, uma semente de divindade. Que fiz com ela?…..
    Quando falo com Deus, não procuro ver uma imagem física. Procuro olhar com os olhos do coração. “Só se vê bem com os olhos do coração” (Saint Exupery). Mas, por ventura, ninguém nos ensinou a olhar desta forma. O mais importante numa pessoa, não é o seu aspecto físico, mas o seu pensamento, as suas emoções, as suas acções. Quando penso em Deus, penso no legado que ele me deixou.
    As nossas limitações humanas não nos permitem açambarcar o absoluto. A parte não pode conter o todo, antes, o todos engloba a parte.
    Não julgo quem não tem este tipo de relação com Deus. Apenas partilho o meu testemunho. Mas tenho pena que essas pessoas estejam a desperdiçar uma oportunidade de serem ainda mais felizes, de terem uma vida ainda com mais sentido. Não é possível viver uma vida em plenitude, sem vida interior. Deus é aquele que está mais perto de nós que nós mesmos. Não de uma forma invasiva, mas acolhedora e desafiante.
    O que mais custa na vida não são as dificuldades. Mas a sensação de estarmos sós. Pois bem: não desesperemos. Disse Jesus: “Eu nunca te deixarei só. Nunca”.

  7. Manuel permalink
    Junho 4, 2010 12:11

    De facto somos desconfiados. Não nos entregamos completamente ao próximo. Reservamo-nos. Porque será? Nesta humanidade solidariamente isolada, queremos mais do que merecemos ou podemos, onde o egoísmo tutela o pensamento, onde o umbigo é soberano, como podemos confiar? Entrego-me completamente para quê? Para ser esmagado??!!!!

    Orgulho-me da realidade que testemunhei, que vivi e vivo! Sei que Deus e Seu Filho feito homem, também devem estar satisfeitos com o meu percurso nesta vida terrena. Nunca prejudiquei ninguém nesta caminhada pela vida, procurei sempre ajudar quem mais precisa, apoiar, solidarizar-me pelas causas em que acredito.
    Acredito na Paz, na Amizade, no Amor e na Solidariedade como solução para uma vida plena. Sou contra a maldade seja ela de que forma for. Sei que não sou menos Cristão só pelo simples facto de não invocar o “nome” de Deus e de Jesus a toda a hora e momento, nem pela necessidade de ir à missa todos os Domingos… e sou feliz assim!

    Sabe de quem eu tenho pena, que me repugna? São de todos aqueles que vão à missa, que comungam, são Catequistas e Escuteiros, mas quando se encontram fora desse meio se comportam maldosamente, sem qualquer pejo em prejudicar o próximo, só pela ânsia de alimentar o seu umbigo, a sua carteira, o seu poder, em ser bem visto para subir hierarquicamente na empresa. E eu conheço alguns, demasiados até.

    Neste dia de Corpo de Deus, tive o prazer da companhia de um “jovem” de 73 anos, cuja ânsia de conhecer mais e melhor o faz procurar, quase diariamente, a companhia e o saber daqueles que o acompanharam nos seus tempos de seminarista. Devo-lhe dizer que foi um dia proveitoso. Coloquei-lhe as minhas incertezas e dele recebi sem complexos de superioridade e de uma forma clara e simples as respostas que procurei. Foi um diálogo nem sempre em consonância, por ignorância minha, confesso, mas muito enriquecedor. Foi um Bom Dia.

    È isso que eu procuro no Partilhar. Um Bom Dia! Procuro obter respostas, conhecer mais e melhor, mesmo que as perguntas que faço possam parecer pejorativas para quem as lê. Simplesmente procuro satisfazer a minha curiosidade e nunca, mesmo nunca, alimentar a arrogância, a sobranceria, o ridículo, o oposto.

    Não julgo!

    Obrigado padre José Sá, pela explicação que deu à questão que coloquei neste post. Foi esclarecedor.

  8. Junho 4, 2010 13:13

    Olá Manuel. Uma vez um amigo meu disse-me que este espaço seria a minha terceira paróquia. Efectivamente, encaro-o como tal. É lógico que estamos a falar no campo virtual, em que falta a emoção, o contacto ocular, o conhecimento mínimo dos interlocutores. A limitação que a escrita por possibilita, a interpretação a que é sujeita. Não pretendo dar resposta absolutas. Procuro partilhar o que penso, sinto e acredito.
    Quando no meu comentário usei a palavra tenho pena, não é no sentido pejorativo. Como a questão da fé é essencial e marcante na minha vida, apesar dos meus defeitos, tenho pena que outras pessoas não encontrem, por opção ou por não terem tido as mesmas oportunidades que eu, na fé essa ajuda. Infelizmente há muitas pessoas que frequentam a igreja mas que não dão muito bom testemunho. Elas não devem constituir um obstáculo, mas um desafio a sublimar. O defeito não estão na fé, mas na forma como algumas pessoas a vivem e interiorizam, ou não. Eu já afirmei que o próprio Cristo teve 12 discipulos, perdeu um, e os outros fizeram de conta que o não conheciam. Mas com o tempo e o Seu amor, esses que o negaram, depois deram a vida por Ele. Dá que pensar. O Senhor não quer pessoas perfeitas, mas que lutam cada dia.

  9. Manuel permalink
    Junho 4, 2010 15:24

    Quantas vezes nos enganamos diante daqueles que julgamos conhecer bem? Quantas vezes já nos decepcionamos com quem se senta ao nosso lado no comboio da vida? Quantos diálogos se transformaram em discussões? Quantas vezes nos sentimos injustiçados, por julgarmos isentos de culpa?

    O Partilhar, a “minha Catequese” como às vezes lhe chamo, apesar das limitações, tem a vantagem de ser um espaço de monólogos. Um “fala” e o outro “escuta”, às vezes erradamente, mas há sempre a possibilidade de corrigir os próprios erros. È a vantagem do tempo que temos para retorquir no comentário, onde a meditação assume um papel primordial.

    Claro que ovelhas negras há em todo o lado e não são elas que me impedem de por lá caminhar. Se não estou “dentro” da igreja, devo-o ao meu tempo de jovem na catequese, muito por culpa minha, porque não soube ultrapassar as dificuldades, mas não isento de culpas aqueles ou aquelas que me transmitiram um Deus castigador, vigilante, de quem eu devia respeito, muitas vezes com medo.
    Mas estou cá, na sua catequese, não estou??!!!!

    Quero agradecer-lhe, padre Jose Sá, por ter dado a resposta que eu queria dar à Fátima.

    “O Senhor não quer pessoas perfeitas….”

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