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Repensar a pastoral

Setembro 13, 2010

O evangelho deste domingo fala-nos do pastor que deixa as 99 ovelhas no ardil, para ir à procura da que anda tresmalhada. Ao encontra-la, não a castiga, mas pega nela aos ombros e faz uma enorme festa. É este Deus que eu conheço, amo, sigo e sirvo.

Neste mesmo fim de semana, leio no jornal que a Conferência Episcopal Portuguesa, pretende repensar a prática pastoral, ouvindo as pessoas, para a adequar às novas realidades. Diz a agência ecclesia: “A Conferência Episcopal Portuguesa decidiu promover um caminho para “repensar a pastoral da Igreja em Portugal”, de modo a adequá-la melhor ao mandato recebido de Jesus e às circunstâncias actuais. Como ponto de partida, foi elaborado o documento “Formação para a missão – formação na missão”. Nele se aponta este objectivo: “encontrar uma compreensão comum a todas as Igrejas de Portugal dos caminhos da missão e enunciar prioridades de opções e dinâmicas de acção com as quais todas as Dioceses se comprometam”. E refere-se como método a leitura dos “sinais dos tempos”, segundo a perspectiva do Concílio Vaticano II (cf. GS 4 e 11).” “Neste caminho eclesial, procura-se atingir os seguintes objectivos específicos:

  1. Chegar à consciência clara do que realmente move a Igreja na acção pastoral e à convicção de que sem uma confiança firme e a comunhão profunda com Cristo e em Cristo nada se pode fazer (cf. Jo 15,5).
  2. Discernir os sinais de Deus na sociedade actual, como apelos e luz que permite à Igreja vislumbrar o horizonte para o qual se deve orientar.
  3. Identificar e acolher a ajuda actual de Deus, com a qual abre à Igreja novos caminhos ou possibilidades inovadoras em ordem à sua missão pastoral.”

Os Bispos de Portugal apontam alguns pontos concretos de reflexão e esforço de mudança: a formação cristã; o empenho criativo, ardente e frutuoso na nova evangelização, com um modo cristão e eclesial novo de estar e agir no mundo; reorganização das comunidades cristãs.

Para ajudar neste discernimento, a Conferência Episcopal irá fazer um estudo de opinião à população portuguesa. “A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) adopta, finalmente, um estilo mais democrático, deixando de definir tudo de cima para baixo”, diz o Jornal  de Notícias.

Que bom… mas… não será que a montanha irá parir um rato?! Espero sinceramente que não, mas…

Efectivamente, hoje, é preciso deixar a única ovelha que temos no redil e ir à procura das outras 99 que andam perdidas. Não podemos culpar só a sociedade, mas temos de olhar para as nossas práticas com humildade, e reconhecer a falência de algumas estratégias e práxis pastorais. É preciso criar pontes de diálogo com as outras ciências. Não se pode ir para esta renovação, ou esboço de renovação, com preconceitos e cheios de verdades absolutas. Será que a Igreja está preparada para mudanças profundas no seu seio, ou estaremos a falar de uma operação de pura maquilhagem? Não vai há muito tempo, que se proibia e amaldiçoava os sacerdotes que ousaram pensar livremente e faziam as celebrações penitenciais com absolvição colectiva. Nem sequer foram escutados. Fala-se da crise das confissões, mas não houve coragem para encontrar outras soluções.

Sou padre. Procuro pensar pela minha cabeça, dentro da igreja, interpretando e procurando ser fiel ao pensamento de Cristo. Não concordo com muitas práticas pastorais da Igreja e luto dentro. Sempre o assumi. Queira a nossa Igreja ser dócil à acção do Espírito Santo e por Ele se deixe iluminar, com coragem, para que, efectivamente, encontre caminhos novos, porventura diferentes dos actuais. Tenha ela coragem de escutar, com espírito aberto e disponível, as vozes consideradas irreverentes, sejam elas internas ou externas. Haja ousadia de despir a indumentária litúrgica e revestir-se da roupa dos comum dos mortais.

Esta minha reflexão não constitui uma critica descomprometida, mas um alegrar-se com tal iniciativa, se efectiva, e um compromisso pessoal com as renovações profundas espero e que eu próprio já tenho vindo a implementar, sozinho e com ventos contrários.

6 comentários leave one →
  1. Carvalho permalink
    Setembro 13, 2010 20:30

    É tudo muito bonito mas não passa de treta conversa fiada.

  2. Miná permalink
    Setembro 14, 2010 23:41

    O documento da CEP, está cheio de palavras«bonitas», mas pouco concreto no seu todo; está muito vago. porquê? Será que é mesmo para ser ambíguo e a maioria dos cristãos não entenderem nada? Ou será que sou eu muito pouco culta!….Na verdade o que pensa a hierarquia mudar?Anseio, sinceramente que alguma coisa mude depressa e bem, pois cada vez as pessoas se afastam mais da Igreja, das celebrações, dos sacramentos, da catequese…

  3. Setembro 16, 2010 22:55

    Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me.(Saint-Exupery)
    Esta é a chave “cativar”… foi isso que Cristo fez na sua vida terrena e continua a fazer através daqueles que o permitem….mas com muita pena sinto que é mesmo isto que falta à nossa Igreja (na qual me incluo)..não conseguimos cativar. Temos mensagens gastas que não trazem alegria nem esperança!
    Abraço e cativem-me!

  4. Setembro 17, 2010 15:24

    O Diário do Minho desta quinta-feira, dia 16 de Setembro, cita O Senhor Arcebispo: “O sacerdote é um anunciador de Cristo,
    e ministro da Palavra, mas terá de o fazer ao estilo do próprio Jesus Cristo”. Pois muito bem. Então, precisamos ser mais humanos, mais próximos, com uma linguagem mais actual e próxima da realidade das pessoas, se medo da tradição, mas com a ousadia e irreverência do próprio Cristo. Não ameaçou, não descriminou, não alienou a vida nem o pensamento das pessoas, não castigou, soube colocar-se no lugar das pessoas.
    A doutrina de Jesus Cristo é também uma filosofia de vida. Antes de conhecermos a sua doutrina, estudemos o Seu pensamento. Se nos deixarmos encantar pelo seu modo de pensar e ver a vida, aprender a usa doutrina é um privilégio. Um dos males da Igreja é pensar mais na doutrina que na pessoa de Cristo: pensamento, sentimentos e atitudes.
    É preciso fazer como Jesus fez com os discípulos de Emaús: ouvir primeiro. Mostrar interesse pelo sofrimento dos outros. E só depois, iluminar essa vida e esse sofrimento com a Palavra de Deus.

  5. Miná permalink
    Setembro 18, 2010 23:52

    Ainda a propósito da Igreja, que somos:é verdade temos que passar da palavra àcção , o que não é assim tão fácil, olhando para a sociedade em que vivemos: andamos preocupados com tudo e com todos, andamos absorvidos por tudo e mais alguma coisa…, precisamos parar para nos conhecermos, primeiro a nós próprios e depois aos outros!Hoje de tarde participei num encontro/ reflexão sobre a catequese, seus problemas e possíveis soluções!Não correu mal, mas também não trouxe de lá grandes expectativas…Os problemas estão identificados; e como minimizá-los!?De facto a Igreja Católica, tem que ser mais acolhedora, compreenssiva,alegre,actual, menos compartimentada, isto é , ao jeito de Jesus, como dizia o P. Zé Carlos…Vivo esta preocupação com alguma angustia e até desilusão, mas confiemos Nele e isto há tomar novo rumo, abramos o nosso coração e deixemos que o E. S. actue em cada um de nós

  6. Manuel permalink
    Setembro 20, 2010 23:33

    No passado dia 9 de Setembro, o acaso levou-me a visitar a Sé Catedral em Viseu.
    Aproveitei, porque a hora o permitiu, assistir à missa que ia começar.
    Confesso o meu deslumbramento perante aquele monumento nacional, mas, como sempre tive a tendência de olhar para quem me acompanha naqueles momentos, reparei que o rosto das 99 ovelhas no ardil era o mesmo rosto das outras 99 ovelhas que encontro nas missas que se realizam no Mosteiro Beneditino em Santo Tirso.
    Rostos sem luminosidade, rostos enfadados, rostos tristes,…
    Partilhar os ensinamentos de Deus não deveria ser um lugar de confraternização, de esperança, de alegria, de vida? Por acaso não seria assim que Jesus o fazia, com vivacidade, com uma boa nova que nos iria dar uma grandeza interior? Porquê então os semblantes tristes, sempre tristes?
    Que pessoas vão ser ouvidas pela CEP? As 99 ovelhas no ardil ou a tresmalhada?
    Será que é importante saber o porquê da ovelha ter fugido para melhor adequar à objectividade da mudança?
    Ou continua-se a perguntar à 99 ovelhas que estão dentro o que se deve fazer para adequar a prática religiosa às novas realidades?
    Parece-me, pelo evangelho, que Jesus procurou a ovelha tresmalhada.
    E o Bispos portugueses quem é que vão escolher?

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