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Três olhares

Outubro 31, 2010
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Um encontro de 3 olhares. Três formas diferentes de olhar. A multidão, Zaqueu e Jesus.

Apreciemos o olhar da multidão. Para entendermos mais aprofundadamente este olhar, vamos ler o episódio imediatamente anterior ao episódio de Zaqueu. Jesus vai a caminho de Jericó, seguido pela multidão, e cura um cego (Lc 18, 35-43). Recordando o episódio: o cego, ao saber que é Jesus que passa, pede ajuda. Todos o mandam calar. Mas ele grita ainda mais alto. Jesus manda-o chamar e dá-se a cura. E termina o capítulo dizendo: “Todo o povo, vendo isto, ergueu a Deus o seu louvor”.  Logo de seguida, Jesus entre em Jericó, e ninguém repara em Zaqueu. Chefe de publicanos, considerado ladrão e amigo de romanos, não colhe nenhuma simpatia entre os seus conterrâneos.
A multidão, cega pelo preconceito, pelas ideias feitas, pelas certezas absolutas, apenas vê um homem ignóbil. Ninguém reparou em este homem procurava por mais, procurava um sentido para a vida. Não viram mais que as aparências. Não souberam ler o grito silencioso deste homem. Viram curar um cego, mas é quem tem os olhos abertos que está cego.

O olhar de Jesus.  Olhou para cima. Sitio onde raramente procuramos algo. Procuramos mais na linha do
nosso olhar, ou em baixo. Jesus vê Zaqueu. Não o vê fisicamente. Vê a pessoa que desejava conhecer Jesus. Que desejava ser encontrado. Vê uma pessoa perdida, à procur de um sentido para a vida. Não olhou para o pecado dele. Não o rotulou nem julgou. Não se importou com o julgamento da multidão, que não tardou em o criticar por ir comer a casa de um pecador. Toma a iniciativa de ir a casa dele. E não o repreende nem corrige. Jesus vê o invisivel.

Olhar de Zaqueu. Anda à procura de um sentido para a vida. Alguém que tem tudo para ter uma vida fácil e cómoda, mas falta-lhe algo. “Ele procurava ver quem era Jesus”, isto é, ver o interior de Jesus. Deixou que Jesus o olhasse. Recebe Jesus com alegria e dá-se a conhecer. Não como um homem rico, mas como se sente interiormente. Mostra as suas fragilidades e pecados ao Senhor. Mostra-se como é, sem disfarces, em verdade. Disposto a mudar, a desprender-se dos bens materiais, que não o satisfazem, e abraçar o projecto de Jesus.

Tão facilmente julgamos e colamos rótulos nos outros. Julgamos saber tudo, e julgamos superficialmente. É mais fácil do que imaginamos. Façamos este exercício. Peguem numa folha branca de papel e mostrem-na a alguém. Peçam que a descrevam. Que vêem?

Irão dizer que é uma folha branca. Certo? Agora peguem num lápis e façam um sarrabisco. Peçam à mesma pessoa que voltem a descrever.

Com certeza, irão dizer que estão a ver um sarrabisco. Certo? Vêm que já esqueceram a folha branca? Apenas reparamos no risco, que é apenas uma parte. Há mais folha branca que risco, mas apenas vemos o pequeno risco. Perguntem de seguida, o que fazer com aquela folha. Deve estar estragada. Já não serve. Tem um risco, um defeito.

Puxem pela criatividade, e façam desse risco um desenho. Verão que as pessoas já não verão o risco, mas um desenho.

É isto o que Jesus faz connosco. Ele não vê o nosso erro. Ao olhar com os olhos do coração, e diante da nossa consciência do erro, ele vê uma possibilidade de mudança e de aprendizagem, que conduz a uma renovação de atitude, de pensamento.

2 comentários leave one →
  1. Outubro 31, 2010 14:07

    Amor que liberta

    Os que me amam neste mundo
    fazem quanto podem para me deter;
    mas Tu não porcedes assim no Teu amor, que é o maior de todos,
    e deixas-me livre.

    Eles nunca se atrevem a deixar-me sozinho,
    com medo que os esqueça;
    mas passam dias e dias
    sem que Te deixes ver.

    E embora não chame por Ti nas minhas orações,
    embora nao Te guarde no coração,
    o Teu amor
    sepera sempre
    o meu amor.
    (Tagore, O coração da primavera)

  2. Miná permalink
    Novembro 4, 2010 00:48

    Este episódio de Zaqueu já tantas vezes lido e ouvido,traz-nos, aliás como toda a sagrada escritura,sempre coisas novas a descobrir;refiro-me, no meu caso, a este terceiro olhar: o da multidão; de facto « a multidão», que somos todos nós, cruel e dura no seu olhar…e estes olhares magoam e destróiem tanto e tanta gente!
    No silêncio da noite, peço-te Senhor que o meu olhar seja sempre de perdão, de ajuda, de partilha, de benevolência com todos os que se cruzam no caminho da minha vida.

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