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Capitalismo consciente

Janeiro 27, 2011

Acabei de ver esta notícia na RTP, com este título. O conteúdo da notícia diz-nos que um especialista consultor, Roy Spence, defende que no futuro, só as empresas que tenham como propósito melhorar a vida das pessoas vão liderar o mercado. Caso contrário não irão sobreviver. O objectivo não pode ser a busca desenfreada do dinheiro, mas apreciar o projecto, valorizar as pessoas para quem o produto irá beneficiar, e os colaboradores. Mesmo no caso dos políticos, que tudo fazem para serem eleitos, devem repensar o processo, porque é quando se preocupam com o bem das pessoas que serão reeleitos.

O mesmo se aplica à Igreja. Deve preocupar-se com as pessoas, ser mais humanista, e as pessoas compreenderão a doutrina e o direito. Quando se insiste demasiado e prioritariamente na doutrina, no ritualismo e no direito canónico, perdemos as pessoas.

A pressão pelos resultados positivos pode tornar-se perigosa e prejudicial. Na educação, procuremos educar para o caminho, e não só para as metas. Procuremos educar para o encantamento das pequenas coisas, para o projecto, para o respeito de quem connosco caminha ou nos cruzamos. Dessa forma atingiremos os objectivos finais, com qualidade, mais enriquecidos, e com competências, conhecimentos e atitudes que nos fortalecem e amadurecem. Não eduquemos apenas para o sucesso. Eduquemos para o caminho que pode conduzir ao sucesso, de forma duradoira e significativa.

Permitam-me esta correcção: Esta ideia não é nova. Já Cristo falou dela na sua mensagem. Só que nunca ninguém a valorizou ao ponto de a aplicar ao contexto comercial. Até a própria Igreja parece, por vezes, esquecer-se disso. Com medo de perder, acaba mesmo por perder. Uma coisa eu sei: para se ter areia na palma da mão, não se pode ter aberta demais, nem fechada demais. Tem de estar semi-aberta.

Ver Noticia RTP

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9 comentários leave one →
  1. Fátima Fontes permalink
    Janeiro 27, 2011 22:00

    Concordo com tudo que disse, é verdade e temos que pensar! Quem somos? O que queremos para os nossos filhos? Que sociedade queremos para o futuro? Isso também me preocupa como educadora.

  2. Miná permalink
    Janeiro 29, 2011 00:34

    E há tanta coisa em que a Igreja fecha demasiado a mão…Ainda hoje numa reunião se abordou este assunto; fiquei surpresa, pela positiva, da forma com uma pessoa falou! Vai levar tempo, mas a Igreja começa a perceber que não é por este caminho, que as pessoas voltam para a mesma Igreja.Dá « pena» ver como as nossas igrejas estão a ficar cada vez mais vazia, sobretudo de gente jovem…Em que é que a minha geração falhou, para que os jovens se desencantassem tanto!? Preocupa-me e interrogo-me: que testemunho dei?Coloco todas estas angustias nas mãos do Senhor, ciente que algo mais temos que fazer, pois Ele nada fará naquilo que depende dos homens

  3. Manuel permalink
    Fevereiro 1, 2011 12:45

    Há um egoísmo invejoso evidente na humanidade que a impede de olhar para o outro como companheiro na viagem da vida. A raça humana procura evidenciar os sinais exteriores de riqueza buscando-a desenfreada e despudoradamente. O mais estranho, e de uma enorme imbecilidade, são esses os valores (materiais) que mais são relevados e invejados no sujeito. Permeia-se o indivíduo pela sua carreira profissional e muito pouco (ou quase nunca) pela sua carreira social em prol de uma sociedade mais fraterna, mais igual, mais dedicada. O homem sabe disso e não vai premiar o vizinho porque este lhe vai tirar protagonismo. Será esta, porventura, a lei da sobrevivência dos homens? Como respondeu o mergulhador (em ” Jesus=sinal+”) “É a mesma coisa que aqui na terra: o peixe graúdo a comer o miúdo”.
    Quem sabe se num futuro que se desejaria breve, muito breve, Roy Spence, não tenha razão, duvido mas quero acreditar que sim.

    De facto a Igreja não tem sabido acompanhar as mudanças da humanidade. Repugna-se, demonstrando, muitas vezes, uma retrógrada concepção das evidências sociais, o que provoca a sua perda de influência. Influência que tem medo de perder. O mais curioso é que muitas vezes alia-se às mudanças depois de tecer duras críticas e fomentar batalhas do contra. É uma Igreja que se complica, baralhando o pensamento dos seus fiéis, afungentando-os.
    A Igreja tem que dar o exemplo, não deve esperar para ver, deve procurar estar à frente, ser inovadora, para que todos possamos saborear, com prazer e inovação, a boa nova.
    Serão os Jovens uma das prioridades da Igreja? Os Jovens de hoje, têm um ritmo de vida diferente, têm outras necessidades, outros objectivos, mas continuam a ser o futuro de amanhã. A Igreja deve procurar ir ao encontro deles, caminhando ao ritmo deles e não esperar que sejam os Jovens a acompanhá-la. Só assim a profecia de Roy Spence, será uma realidade.

  4. Fevereiro 1, 2011 14:34

    Permito-me este aditamento ao meus post: Quando eu aponto algumas coisas, que eu considero falhas, não estou em rota de colisão com a Igreja. Apenas reconheço que ela, enquanto instituição gerida por homens, pode escolher caminhos e estratégias de que eu possa discordar, e pensar de forma diferente. Pretendo acrescentar temas ao debate e reflexão.
    A Igreja não é apenas o Papa, os Bispos e os padres. Em primeiro lugar, Jesus é a Igreja: a causa, o caminho, e o fim último de toda a acção. O modelo e a mensagem é a dele. Mas ao ser interpretada pelos homens, isso acontece segundo a sensibilidade e experiência individual.
    A Igreja somos todos nós. E temos a obrigação, de forma consciente, lutarmos dentro, por uma Igreja mais ai jeito de Jesus Cristo.

  5. Manuel permalink
    Fevereiro 2, 2011 16:24

    Amigo José Sá, permita-me dizer-lhe que tenho absorvido, os textos que coloca no Partilhar, com satisfação. Agrada-me a forma enigmática como muitas vezes nos obriga à reflexão. Obriga-me a pensar nas coisas do dia-a-dia, confesso que de outra forma e/ou pelo frenesim diário (talvez preguiça pessoal), possivelmente não me ocorreria meditar.
    Como já lhe tinha dito antes, este cantinho (Partilhar) é a minha catequese, muito diferente da outra que em menino me foi imposta. Só que agora permite-me crescer como ser humano livre, dialogante, partilhando emoções e pensamentos, sem medos (afinal Deus não é o papão que nos vai castigar se fizermos asneiras), que me ensina a estar mais próximo dos outros e para os outros. A si o devo e lhe agradeço humildemente.

    Não quero que fique com a ideia que os meus comentários sejam uma critica à Igreja no seu todo. Não o é de facto! Como o José Sá disse e muito bem, a Igreja é interpretada por homens e mulheres, que pela sua génese, se diferenciam na atitude, no pensamento, na dedicação… Somos naturalmente diferentes uns dos outros e ainda bem que assim é.
    Sei que na maioria dos meus comentários se intui uma critica à acção da Igreja. Culpa minha, confesso.
    A Igreja, de facto, tem coisas maravilhosas, únicas, que só enobrecem quem as proporciona. Ela está sempre presente nos momentos de maior dificuldade do ser humano. Em cenários de guerra, os diversos movimentos de solidariedade Cristã, estão lá para acolher, confortar, curar, alimentar, ajudar. Mas também a encontramos junto dos enfermos (muitos deles com patologias víricas graves como é o caso do HIV e Lepra); das crianças abandonadas e carenciadas; das mulheres violentadas; dos idosos; … dos mais necessitados.
    Esta é a Igreja em Cristo, a que me apaixona e que me faz acreditar no ser humano.

    Queria deixar uma discordância em relação ao seu comentário. Não creio que a Igreja seja uma luta só dos que estão dentro. A Igreja em Cristo, não é uma muralha de quatro paredes. Não é o hábito que faz o monge, mas a sua atitude para com os outros e isso cabe-nos a todos, independentemente do local onde estamos. Não será de certeza por culpa da Igreja que se instalou na sociedade esta crise de identidade, cheia de hipocrisia, mentiras e de falsas moralidades. Como diria o Padre António Vieira, possivelmente são os peixes que não querem ouvir.

  6. Fevereiro 2, 2011 20:06

    Manuel, agradeço o comentário. Este espaço procura ser um espaço aberto e reflexivo. E vai continuar a ser.
    A Igreja precisa mesmo de ser aberta, dialogante, mais atenta aos problemas dos tempos actuais, com uma linguagem renovada. Uma das lutas que considero importante é que todos descubramos a alegria de ser cristão, e não vermos na Igreja uma súmula de regras, burocracia, proibições. Todos precisamos de mudar: cristãos leigos e hierarquia.
    No meu comentários quis dizer exactamente o que referiu: a Igreja não é só de alguns, mas de todos. Existem alguns membros da Igreja que se afastaram, por um motivo ou por outro. Mas não deixaram de ser igreja. E pretendo dar-lhes vós, e ouvir as suas expectativas. Esses também estão dentro, mais do que imaginam.
    Jesus disse para deixar as 99 ovelhas no redil, e ir à procura da que anda tresmalhada. Hoje as coisas alteraram-se: precisamos de deixar a ovelha no redil e ir à procuras das 99 que andam perdidas, e que não deixaram de ser “ovelhas”.
    Manuel, os que lutam e reflectem, estão dentro da Igreja. Porque esses andam à procura da verdade. Outra coisa são aqueles que não querem saber, e só querem deitar a baixo. Mas até esses nos podem ajudar a reflectir.

  7. Manuel permalink
    Fevereiro 3, 2011 11:35

    José Sá, agradeço a sua intenção de manter o Partilhar como um local opinativo e reflexivo, mas essencialmente o meu agradecimento vai por este diálogo, tão raro e que tanta falta faz neste cantinho. Lembro-me que já em tempos o José Sá tinha feito um pedido neste sentido.
    Limitámo-nos, quase sempre, a opinar sobre o conteúdo dos textos que o José Sá nos coloca, mas muito raramente somos capazes de travar um diálogo. Às vezes é frustrante quando não há um “feedback” ao nosso comentário.
    A troca de opiniões é enriquecedora e parece-me ser o caminho com Sol suficiente para se encontrar a fórmula para se chegar às 99 ovelhas. Não me basta constatar o facto de no meu redil ter cada vez menos ovelhas, ou como diz a Miná “Dá pena ver como as nossas igrejas estão a ficar cada vez mais vazia…”.

    O tecelão vai todos os dias para o seu local de trabalho. Ele sabe que hoje vai colocar as canelas com os fios na máquina e que esta as irá entrelaçar e que do outro lado irá sair um pano. Ele sabe porque ontem fez a mesma coisa, como o fez à 15 dias, à um mês, à um ano. Ele sabe que irá fazer sempre a mesma coisa e que o pano que sai é sempre igual. Para o tecelão já não é o pano que conta, mas o que ele consegue ganhar ao fim do mês.
    Este é o problema dos processos repetitivos, enfadamo-nos do caminho, desinteressamo-nos da mensagem e procuramos arejar noutras paragens…

    Que fio é esse que colocais (e como o colocais) em cada missa, em cada catequese?
    Que pano vedes sair na “máquina”?

  8. Fevereiro 3, 2011 14:25

    Toda a gente pensa fazer o melhor. Mas quando estamos a presidir a uma assembleia, precisamos pensar também no que é melhor para ela, e como a fazer reflectir e crescer na fé. Para isso precisamos de ouvir. Mas os cristãos precisam igualmente de entender a Igreja, e não se contentar com um simples “é assim porque eu acho que é assim”. O diálogo é difícil, tanto por parte da hierarquia como por parte dos leigos. Quando estamos cheios das nossas certezas absolutas, torna-se difícil a interacção e enriquecimento mútuo.
    A grande dificuldade com que nos deparamos na presidência de uma assembleia litúrgica, reside na heterogeneidade da mesma. Cada pessoa é diferente, de origens diferentes, sensibilidades diferentes, experiência diversificadas, caminhada de vida e de fé muito dispares. Todos precisam de se abstrair um pouco do seu individualismo, e pensar a fé como comunidade, onde as inquietações individuais devem estar presentes.
    Qualquer celebração litúrgica deve ser uma festa. Devemos recuperar o encanto e a alegria de ser cristão. Devemos tornar Deus próximo e acessível. Ele quis estar perto do ser humano, do mais simples, do mais pobre. Quis ser tocado por todos, e a ninguém fechou as portas. “Mestre, onde moras? Vinde e vede”. Deus não faz acepção de pessoas, e acolhe a todos. Não podemos colocar Deus tão longe e tão puritano, que fique inacessível. Precisamos fazer como uma criança hoje fez, na audiência com o Papa. Ninguém chega até ele. Está inacessível. Uma criança, de 6 anos, ousa arriscar, e corre para ele. Por isso Jesus diz: “Sede como as crianças”. Elas pensam com o coração e ousam arriscar a aproximar-se de Deus.

  9. Manuel permalink
    Fevereiro 4, 2011 15:11

    A realidade é que a Igreja, de ano para ano, perde participantes na eucaristia e assiste ao abandono dos jovens depois da 1ª comunhão. A outra realidade é que a sociedade está a perder valores morais, de respeito pelos outros, de solidariedade, de compreensão…
    Que fazer então?

    Reconheço que a posição do José Sá, enquanto responsável pela paróquia, é de facto complicada. O velho dilema entre Gregos e Troianos, a qual agradar? Que fazer perante esta diversidade cultural de Cristãos? Será que aceitarão as alterações que eu faça? Será que criarei conflitos? Será que irei provocar a debanda dos meus paroquianos? Será que vou estragar tudo o que fiz até agora? Será….?

    Arrisque!
    Não foi isso que Jesus disse: “Sede como as crianças”. Faça como a criança de 6 anos. Quebre as barreiras, mude o ritual eucarístico, inove, sem medos, mas com convicções.

    Surpreenda!
    As pessoas normalmente são receptivas às novidades.
    Verá que ficará surpreendido com a recepção.

    José Sá, tenho um amigo, que foi colega de trabalho hoje já na reforma, que me dizia muitas vezes: “Manuel, podes ter uma ideia genial, bem pensada, bem planeada mas só vais saber se ela resulta depois de a colocares em prática.”

    Sabe o que o papa fez, quando a criança brasileira foi ao pé dele?
    SORRIU PARA ELA, ACARINHOU-A E FALOU COM ELA

    Quem sabe se não vai ser isso que também vai receber dos seus paroquianos.

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