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Saber brincar

Junho 8, 2011

Brincar é saudável. Faz bem ao espírito. Fortalece laços. Espalha nuvens negras que estão sobre a nossa cabeça. Desenvolve a criatividade. Mas parece que a maioria das brincadeiras têm como consequência alguém terminar magoado. Terá que ser assim? Leiam esta história e reflictam.

Um estudante universitário saiu um dia a dar um passeio com um professor, a quem os alunos consideravam seu amigo devido à sua bondade para os que seguiam as suas instruções.

Enquanto caminhavam,  viram no seu caminho um par de sapatos velhos e calcularam que pertenciam a um homem que trabalhava no campo ao lado e que estava prestes a terminar o seu dia de trabalho.

O aluno disse ao professor: Vamos fazer-lhe uma brincadeira.  Vamos esconder-lhe os sapatos e escondemo-nos atrás dos arbustos para  ver a sua cara quando não os encontrar.

Meu querido amigo, disse o professor, nunca devemos divertir-nos à custa dos pobres.

Tu és rico e podes dar uma alegria a este homem. Coloca uma moeda em cada sapato e depois escondemo-nos para ver a sua reacção quando os encontrar.

Fez isso e ambos se esconderam no meio dos arbustos.
O pobre homem terminou as suas tarefas diárias e caminhou até aos sapatos, para voltar para casa. Ao chegar junto dos sapatos deslizou o pé no sapato, mas sentiu algo dentro deste.

Baixou-se para ver o que era e encontrou a moeda. Pasmado perguntou-se o que havia acontecido. Olhou a moeda e voltou-a e voltou a olhá-la.

Olhou à sua volta, para todos os lados, mas não via nada nem ninguém. Guardou-a no seu bolso e foi calçar o outro sapato. Sua surpresa foi ainda maior quando encontrou a outra moeda.

Seus sentimentos esmagaram-no. Pôs-se de joelhos, levantou o olhos ao céu, e em voz alta fez um enorme agradecimeto, falando de sua esposa doente e sem ajuda, e de seus filhos que não tinham pão e devido a uma mão desconhecida não morreriam de fome.

O estudante ficou profundamente emocionado e seus olhos ficaram cheios de lágrimas.

Agora, disse o professor, não está mais satisfeito com esta brincadeira?

O jovem respondeu: Você ensinou-me uma lição que jamais hei-de esquecer. Agora entendo algo que antes não entendia: é melhor dar que receber.

7 comentários leave one →
  1. Miná permalink
    Junho 12, 2011 22:31

    Eu não seria tão radical! Afirmo com toda a convicção: é tão bom dar, como receber! Gosto muito de oferecer pequenos presentes, oferecer o meu carinho, oferecer o meu entusiasmo, a minha dedicação, o meu bem querer, as minhas brincadeiras, o meu tempo, o meu saber; sinto-me tão feliz! e não me custa nada.
    Estou plenamente de acordo, padre Zé Carlos: é tão bom brincar,rir, divertirmo-nos…, eu alinho!

  2. Junho 13, 2011 23:58

    Eu já conhecia esta historia. Ela vai um pouco ao encontro daquilo que eu procuro fazer e que também transmito aos meus filhos. Que devemos sempre aceitar as pessoas como elas são, com as suas fraquesas as suas limitações e suas etnias, pois aquilo que elas representam para nós, pode ser o que reprentamos para ela, e nós também não gostamos que nos magoem.

  3. Manuel permalink
    Junho 16, 2011 09:33

    Certa vez, uma criança fez um desenho. Demorou muito tempo a terminá-lo e usou todos os lápis de cor que tinha. Depois, foi ter com a avó e mostrou-lho.
    — O que é isto? — perguntou à avó.
    — É um desenho muito bonito e cheio de cor — respondeu a avó.
    — Mas o que é? — insistiu.
    A avó não soube responder.
    A criança foi perguntar ao avô.
    — Isto é quase um Picasso — respondeu o avô a rir.
    — E o que é “quase um Picasso”? — perguntou a criança.
    — Um pintor — foi a resposta do avô.
    — Eu também sou pintor! — disse a criança.
    De seguida foi ter com a irmã mais velha.
    — Usaste mesmo as cores todas! — disse ela.
    — Pois foi. Mas o que é isto?
    — Uma gatafunhada colorida!
    A criança tirou-lhe o desenho e foi ter com a mãe que estava na cozinha a preparar o almoço. A criança pôs o desenho em cima da banca e não disse nada.
    — Oh! — disse o mãe. — Mas isto é um arco-íris todo colorido e muito bonito! Vai de uma ponta à outra. Vai de mim até ti!
    — Acertaste! — disse a criança.
    Em seguida, a criança e a mãe penduraram o desenho precisamente no local onde a luz do sol se reflectia na parede.

  4. Manuel permalink
    Junho 16, 2011 10:09

    Há tantas formas de brincar, tantas maneiras de nos divertirmos que nos tornamos ridículos quando o fazemos em relação aos outros em vez de o fazermos com os outros.
    Esta nossa passagem pela vida terrena (e que curta ela é) seria bem mais fácil se em todos os momentos partilhássemos emoções.
    E no final, é tão bom sentir que “cresci” brincando ao teu lado

  5. Junho 16, 2011 23:22

    Não foi preciso a criança dizer nada, para a mãe ver algo de belo no desenho. Que dera, que a maioria das mãe hoje em dia, abrandassem um pouco o seu ritmo para brincarem com os filhos e ajudalos a fezer coisas belas.

  6. Manuel permalink
    Junho 17, 2011 10:23

    O texto que vos coloquei “A história da criança e do desenho” é da autoria do alemão Rolf Krenzer, professor de ensino especial. O contacto diário com uma realidade difícil, levou-o a escrever livros, musicais e jogos para as crianças com dificuldade de aprendizagem.

    Neste – Saber Brincar -, em que “Brincar é saudável”… “Faz bem ao espírito”… “Fortalece laços”… “Espalha nuvens negras que estão sobre a nossa cabeça”… “Desenvolve a criatividade”, encontrei um paralelismo com “A história da criança e do desenho”.

    A criança numa saudável brincadeira fez um desenho com muitas cores e procurou partilhar, junto dos familiares, a sua criatividade. De facto a criança procurava a resposta para o seu desenho colorido e foi na mãe que a encontrou.

    Quem é que não se comove diante do afecto da mãe ou quando ela nos fala de um lindo “arco-iris” (palavra esta que só por si só já nos eleva para além das nuvens) que nos liga um ao outro, fortalecendo a nossa auto estima pelo elogio ao que fazemos, elevando o nosso espírito, protegendo-nos com a sua disponibilidade para continuar a olhar por nós e a brincar ao nosso lado.

  7. Junho 17, 2011 17:12

    Agora estive a recordar o início do livro do principezinho, de Saint Exupery: os adultos, cheios de certezas, mataram a criança dentro deles, e apenas querem ver coisas de adultos e como adultos. Perdem a magia, o dom, o prazer de se encantar com as coisas mais simples da vida. À procura da felicidade, passam por ela e não a reconhecem, porque ela se disfarça das coisas mas simples e naturais da vida. Porque ela encontra-se no interior de cada um, e só uma criança lá consegue chegar, porque os adultos racionalizam tudo, e desta força empobrecem.
    A verdadeira magia reside no coração de quem ama… ama a vida, ama as pessoas, ama ideais… e liberta a mente para se deixar interpelar e encantar.

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