Skip to content

No termo do ano catequético

Junho 17, 2011

Ao terminar mais um ano de catequese, a primeira palavra é dirigida para todos os catequistas, que se empenharam neste trabalho essencial da pastoral da Igreja. No tempo em que a catequese é encarada como um ATL religioso, para se fazer a comunhão, é importante dirigir uma palavra de estima e apoio a todos os que se deixaram interpelar pela necessidade de evangelizar, de espalhar de viva voz a mensagem que nos aquece o coração, tal como aos discípulos de Emaús.

Ser catequista exige vontade, dedicação e empenho. Vontade de dizer sim. Vontade para despender tempo. Vontade para aguentar as criticas ignorantes e maledicentes de quem se diz cristão, mas que de discípulo de Cristo não tem nada. Tal como o açúcar no café precisa ser mexido, caso contrário é inútil a sua presença, o cristão tem de deixar mexer esta presença de Deus na sua vida, caso contrario, não haverá simbiose e transformação, sendo inútil tantos ritos exteriores de piedade aparente.

Ser catequista exige dedicação às crianças e adolescentes que lhe são confiados. Dedicação à causa de Jesus Cristo. Exige dedicação para a preparação remota das catequeses e para o crescimento pessoal.

Ser catequista exige empenho na sua formação contínua. Empenho na procura de novas linguagens que possam ir ao encontro das verdadeiras perguntas, ansiedades e vida dos catequizandos.

Há alguns anos atrás, fui tomando consciência de que algumas formas de linguagem, e dinâmicas pastorais estavam em falência. Isto é, não surtem qualquer efeito no crescimento da fé e da vida para quem era dirigida.  Esta convicção foi crescendo quando tive a oportunidade de contactar com outras formas de ver e entender a educação, no meu mestrado. Possuo a formação teológica e complementada com outras ciências. Procurei o diálogo e aprender com outras ciências educativas. Aprendi, reflecti, interiorizei, cresci, e adaptei.

Para a catequese foram feitos novos catecismos. Supostamente mais actuais. Que desilusão. “Não sabes o que dizes”, ouvi tantas vezes. Estes dias ouvi alguém dizer, que os catecismos não servem, são complicados, abstractos, desfasados da realidade. “É preciso repensar a catequese, os catecismos, os métodos”. Querem começar do zero, como se tivessem descoberto uma grande novidade.  Eles têm razão. Mas porque não reconhecer que já se perderam gerações de crianças. Porque não reconhecer o trabalho pioneiro dos catequistas que tentaram adaptar os catecismos a uma nova forma de catequizar. Não é perfeita. Claro que não. Estamos à descoberta. Mas esse é o risco de quem ousa pensar diferente e contrariar o sistema. Parece que em igreja não se aprende, ou só o que alguns considerados lideres é que são os iluminados.

Nas minhas paróquias, este trabalho tem vindo a ser feito e partilhado. Mas poderíamos ir mais longe. Tem de haver vontade, dedicação e empenho. Sei e reconheço o trabalho feito em outras paróquias, que procedem da mesma forma. Também para eles os parabéns e o obrigado pelo trabalho.

Termino com uma pequena ideia, de que me apercebi, e que será preciso reflectir: a nossa catequese é diferente, mais interactiva e assertiva. Mas corremos o risco de a esgotar apenas na formação. O desafio que lanço, é que pensemos um pouco em como celebrar em catequese. Não é a celebração naif proposta nos guias e na metodologia a que me refiro. Estou a pensar em proporcionar momentos de oração e reflexão, exclusivos, ao fim de cada módulo formativo. Em espaço diferente, ambiente apropriado. Porque não criar esse espaço físico, que poderá ser utilizado por todos? É preciso que a catequese não seja apenas fruto de um esforço mental e cognitivo, mas que encontre eco no coração e emoção de cada um. Desta forma, o que se aprende e é celebrado, será mais facilmente vivido no dia-a-dia.

4 comentários leave one →
  1. Miná permalink
    Junho 19, 2011 13:31

    Olá! da sua reflexão, muito oportuna no tempo e nas circunstâncias actuais, anotei três pontos: ser catequista, catecismos e a oração e celebração na catequese.Quanto ao primeiro, ser catequista tem que ser isso e muito mais( tempo disponível, aceitação por parte da família, muita persistência, lutar contra o desânimo…); dos catecismos cem por cento de acordo, mas também acrescentaria repetitivos, confusos ( em cada ano haverá um ou outro ponto interessante); pois aí está um ponto importante na catequese: celebrar e orar: esta é a parte que eu acho mais complicada, e que tenho descorado um pouco, aliás foi um ponto de análise em que me detive bastante na minha «avaliação»deste ano que agora terminou.
    Se me permitem só mais um íten: troca de ideias a nível interparoquial( os blogues), pois os blogues…é, ainda tenho muito caminho a percorrer, mas hei-de fazê-lo com a ajuda de todos.

  2. Junho 20, 2011 18:39

    Obrigado pela reflexão. Gostaria de ver mais comentários de outros catequistas. Todos temos responsabilidades no desenvolvimento da catequese. Seria bom que partilhássemos as experiências vividas por cada um, que falassem do seu projecto catequético, do feedback das crianças e adolescentes, etc etc.

  3. Miná permalink
    Junho 20, 2011 21:41

    Já que me é dado« tempo de antena», partilhava convosco, dentre muitas outras coisas; o resultado duma simples questão, que coloquei no último dia de catequese ( o grupo é basicamente o do ano passado, em que fiz catequese seguindo bastante o catecismo)- qual o tipo de catequese que mais gostastes no 7º ou no 8ºanos?Em uníssono: este ano, claro; não tem nada a ver…e porquê?’, perguntei de novo. Todos queriam responder: o catecismo era uma «seca»; este ano foi mais variado, mais interessante; os trabalhos de grupo; as pesquisas que fizemos; os filmes que vimos e os que nós elaborámos….oh catequista por favor!!!
    Haverá algum argumento que derrube este!?

  4. Fátima Fontes permalink
    Junho 21, 2011 10:22

    Na minha opinião temos muito para aprender, só depois podemos por em prática, vou ser muito sincera como sempre, muito directa, sei que não soa muito bem mas sou assim, nós catequistas temos que viver a catequese, temos que a sentir e acreditar mesmo no que estamos a dizer, e por vezes o que eu sinto e vejo não é nada disso. Será que não somos nós que não nos entregamos? Será que vale tudo? Sim temos que trabalhar muito neste campo, mais formação, nos catequista tirarmos mais tempo para nos reunirmos e nos ajudarmos umas as outras, sermos mais unidas mais fortes e menos: não posso, não dá, nem pensar, tenho muito para fazer. Enquanto isto acontecer nos estamos a perder muito, porque entre nos havia mais diálogo e mais dúvidas que se tiravam, mas não quero só falar do que esta mal, sei que muito se fez e se fará, mas quero dar a minha opinião e que me magoa.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: