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Faleceu o “Senso Comum”

Setembro 29, 2011

Encontrei este texto numa revista espanhola, que considero muito pertinente e ilustrativo do caminho que estamos a levar.

Hoje choramos a morte de um querido amigo, o “Senso Comum”, que viveu entre nós durante muitos anos.

A ciência não sabe quantos anos tinha, pois os dados sobre o seu nascimento perderam-se há muito nos meandros da burocracia.

 

Será recordado por ter sabido cultivar lições tão valiosas como: há que trabalhar para poder ter um teto próprio sobre a cabeça; que é preciso ler todos os dias um pouco; saber por que os pássaros que madrugam conseguem alimento; e, também, por reconhecer a validade de frases tais como “a vida nem sempre é justa” e “talvez tenho sido eu o culpado”.

Sentido Comum viveu sob simples e eficazes slogans (não gastes mais do que ganhas), e estratégias parentais confiáveis (os adultos são os responsáveis, não as crianças).

A sua saúde começou a detiorar-se rapidamente quando se aplicaram regras bem-intencionadas mas sem eficácia:

Relatórios a respeito de uma criança de seis anos acusada de abuso sexual por ter dado um beijo numa colega da escola, adolescentes que tiveram de ser transferidos de escola por terem denunciado um colega traficante de droga ou uma professora despedida por repreender um aluno indisciplinado, coisas que só fizeram piorar a sua condição de saúde.

O Senso Comum perdeu terreno quando os pais atacaram os professores, só por fazerem o trabalho em que eles falharam: disciplinar os filhos indisciplinados.

Piorou ainda mais quando as escolas começaram a precisar de uma autorização dos pais para administrar uma aspirina, por protector solar ou colocar uma tira num aluno.

Contudo, isso sim, não podiam informar os pais se uma aluna estava grávida e queria abortar.

O Senso Comum perdeu a vontade de viver quando os dez mandamentos se converteram em matéria de chacota, algumas igrejas em negócios e os criminosos começaram a receber melhor tratamento que as vítimas.

Para o Senso Comum foi um duro golpe quando alguns já não podiam defender-se contra um ladrão dentro da própria casa, mas o ladrão  pode processar-nos por agressão; e que se um polícia mata um ladrão, inclusive se este estava armado, seja imediatamente investigado por excesso de defesa, quando não é acusado de “gatilho fácil”. E assim, muitos outros casos da nossa vida terrena.

A morte do Senso Comum foi precedida pela dos seus pais Verdade e Confiança; a da sua esposa, discrição; da sua filha, Responsabilidade e do seu filho, Raciocínio.

Sobreviveram os seus três irmãos: “Conheço os Meus Direitos”, “O Outro Tem a Culpa” e “Sou Vítima da Sociedade”.

Não foi muita gente ao funeral, porque muito poucos se aperceberam de que ele tinha morrido. Se ainda te lembras dele, honra-o recordando a todas as boas pessoas que o conheceu e o apreciou. Caso contrário, junta-te à maioria e não faças nada…

Texto: Miguel A. Majo.

One Comment leave one →
  1. miná permalink
    Setembro 30, 2011 21:53

    Muito interessante esta reflexão! De facto pouca gente se terá apercebido deste acontecimento, lamentavelmente.

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