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Voltar a Jesus

Maio 11, 2012
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O primeiro que se deve fazer é colocar a Jesus no centro do cristianismo. Tudo o resto virá depois. Que poderá haver de mais urgente e de mais necessário para os cristãos, do que despertar entre nós a paixão pela identidade de Jesus? É o melhor que temos na igreja. É o melhor que podemos oferecer e comunicar ao mundo de hoje.

E essencial aos cristãos confessar a Jesus Cristo como “Filho de Deus”, “Salvador do mundo” ou Redentor da humanidade”, mas sem reduzir a sua pessoa a uma “sublime abstracção”. Não quero acreditar num Cristo sem carne. Torna-se-me difícil alimentar a minha fé só de doutrina. Creio que não é possível viver hoje motivados somente por um conjunto de verdades acerca de Cristo. Temos necessidade de um contacto vivo com a sua pessoa. Temos necessidade de conhecer melhor a Jesus e de sintonizar vitalmente com ele.
Não encontro meio mais eficaz de reforçar e enriquecer a minha fé em Jesus Cristo, Filho de Deus, feito homem pela nossa salvação.

Todos corremos um certo risco de ver Cristo somente como um “objeto de culto”, uma espécie de ícone venerável, com um rosto extraordinariamente atraente e cheio de majestade, mas em que se apagaram, em grau maior ou menor, os traços daquele Profeta de fogo que percorreu a Galileia nos anos trinta. Não teremos hoje, nós, cristãos, necessidade, não somente de o conhecer de uma maneira mais viva e concreta, mas também de compreender melhor o seu projecto, de captar bem a sua intuição de fundo e de contagiarmo-nos da paixão que ele tinha por Deus e pelo ser humano?

Nós, cristãos, fazemos de Jesus imagens muito diferentes. Nem todas são coincidentes com aquela que faziam do seu querido Mestre os primeiros homens e as primeiras mulheres que o conheceram de perto e o seguiram. Cada um tem a sua ideia, a sua própria imagem de Jesus. Essa imagem, forjada ao longo dos anos, é aquela que actua como “mediação” da presença de Cristo na nossa vida. É a partir dessa imagem que lemos o evangelho, ouvimos o que nos pregam, alimentamos a nossa fé, celebramos os sacramentos e damos dimensão à nossa vida cristã. Se essa imagem de Jesus for pobre e parcial, a nossa fé será também pobre e parcial. Se ela estiver distorcida, é distorcidamente que viveremos a nossa experiência cristã. Entre nós, há cristãos bons, que crêem em Jesus e o amam sincera­mente. Mas, não precisarão muitos deles, de “mudar” e de purificar essa sua imagem de Jesus, a fim de descobrirem com maior júbilo a grandeza da fé radicada no seu coração?
(Pagola, in Jesus, uma abordagem histórica)

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