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Se a Igreja…

Outubro 3, 2012
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Oh Jesus, tenho saudades da tua Igreja no tempo da sua infância. Tenho saudades da “Menina Igreja”, antes de se ter tornado numa senhora pesada de si própria, sentada na soleira da porta do Reino a remoer os seus vícios em fins de tarde solarengos em que conta e reconta as suas próprias histórias, sempre as mesmas, se gloria do seu passado, vezes demais pouco glorioso, e debita desencantada os conselhos do costume que só funcionariam num mundo que já não existe.

A infância da tua Igreja, Jesus…

A Igreja Menina nos tempos da sua rebeldia quando tudo nela era vida, alegria e espontaneidade… Que saudades tenho, oh Jesus, da Igreja Menina no tempo em que se pisgava à socapa da casa da Mãe Judaica porque tinha deixado de acreditar nos seus conselhos e não queria mais para si aquela maneira de viver.

Como esta Igreja Menina em cada escapadela corria apressada ao teu encontro, desejando-te com todo o ardor da idade dos amores para se entregar totalmente…

Tenho saudades da Igreja Menina que não se embrulhava em mil xailes de lã, escuros, bafientos, mas se vestia como se vestem as Meninas quando estão apaixonadas e corria descalça… Quem a via percebia que um mistério de Vida e Amor imenso a dominava! E ela estava sempre pronto a contar os segredos do seu encanto, sem nunca parar de caminhar… Por isso, quem lhe queria beber a beleza e a alegria tinha que pôr-se a Caminho com ela…

Que saudades tenho desta Igreja Menina que tinha o desplante de dizer que isso de “templos”, “cultos” e “livros sagrados” era coisa de pagãos!!! Dizia que não havia “lugares sagrados” e lembrava que tu tinhas dito que estarias sempre no mais íntimo de “Comunidades Consagradas” ao teu Nome, na Comunhão ao teu jeito, porque é na Comunhão que o dinamismo do Espírito circula e actua…

Dizia que o teu Pai e Pai de todos, Abba, não precisava de cultos nem sacrifícios porque não era vaidoso nem complicado! Dizia esta Igreja Menina, com toda a simplicidade de quem está apaixonado, que tu eras o Dom máximo do Amor do Abba, Dom que a Ruah, Espírito Santo, não mais cessava de fazer acontecer entre nós!

A Igreja Menina era apaixonada pela tua paixão: o Reino de Deus. Proclamava-o como Dom de Deus e Tarefa nossa, e celebrava esta Nova Aliança no Espírito Eucaristiando tudo isto, Agradecendo, porque sabia que a Graça é a linguagem de Abba e a Gratidão deve ser a linguagem dos Seus filhos!

A Igreja Menina levava dentro de si a vitalidade da Ruah, Espírito Santo de tantos nomes, e não se sentia escrava de nenhuma Lei nem Escritura porque sabia que a Palavra de Deus nunca pode estar encerrada nas verdades dos Homens. Sagrada, só a Verdade de Deus que se procura e resplandece na Dignidade de cada Ser Humano, a única imagem que Deus fez de Si mesmo!

Que saudades, Jesus… Que saudades da tua Igreja Menina, dos tempos do primeiro amor, do fogo de Pentecostes, quando ninguém te queria obrigar a ficares dentro de uma caixa com uma luzinha ao lado mas todos saíam contigo para a praça pública proclamando como Boa Notícia a certeza da tua Ressurreição porque Deus tomara partido por ti e te fizera causa de Salvação para todos!

Rui Santiago, in  http://derrotarmontanhas.blogspot.pt/2007/12/saudades.html

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