Skip to content

Jesus, nosso redentor

Novembro 22, 2013
tags:

1. Diante de Jesus, percebemos que finalmente há um ser humano, homem real e verdadeiro como nós, com todas as suas consequências, que está submetido como nós às condições humanas e às estragações desumanas, que como nós experimenta a força da impotência diante do pecado e que, ao mesmo tempo, é todo este mesmo mistério de comunhão e unidade com Deus e com o seu Espírito. Por isso consegue encontrar em si a lucidez e a força para romper, a partir de dentro desta realidade, a nossa impotência, rasgar a blindagem do nosso pecado e abrir-se à possibilidade de uma realização infinita.

 O que está em causa é romper a fatalidade da impotência diante do mal, não pagar uma dívida devida a Deus! O que está em causa na vida de Jesus é abrir a possibilidade de uma realização plena para o ser humano, não pagar um castigo. O que está em causa é dar ao ser humano tudo o que Deus tem para nos dar como Graça, não dar a Deus tudo o que o ser humano lhe deveria dar como expiação.
 A Familiaridade Salvadora à qual a Redenção de Deus nos conduz consigo é uma comunhão de vida animada pelo Espírito Santo. O Projecto de Deus Redentor é sermos Um só com ele. E desse Projecto não desiste até que a Sua Vida e Felicidade, que já é tudo em Jesus, seja tudo em todos.
 Ireneu de Lyon, um dos maiores cristãos do séc. II, escreveu isto de maneira brilhante: “Deus fez-se Homem para que o Homem se torne Divino”.
2. Há uma coisa fundamental que nós, de cultura individualista, muitas vezes esquecemos: tudo o que Jesus viveu e tudo o que nele aconteceu, não vale somente para ele mas para todos. Por outras palavras: a Redenção que anunciamos não é uma teoria vaga, aérea, mas coincide com o mistério pessoal de Jesus de Nazaré e a acção de Deus nele. A Redenção não é uma “coisa” ou “ideia” mas uma pessoa, no processo concreto da sua existência. Por outras palavras ainda: a Redenção não é uma espécie de misticismo invisível mas, antes de tudo, a maneira concreta de Jesus viver!
 Na sua maneira concreta de existir, num mundo marcado pela impotência diante do mal e do sofrimento, Jesus viveu uma vida de abertura total a Deus e aos Homens, uma vida fraterna, leal e valente, capaz de derrotar dentro de si o ódio e o egoísmo. Fez da vida um processo totalmente baseado no amor e, por isso, viveu cheio de sentido, apesar de tudo… Na medida em que viveu tudo isso dessa maneira, faz possível que todo o ser humano, como ele finito e limitado, circunstanciado e malinado, assuma a existência como Hora de Salvação, como Acontecimento de Redenção e Graça. Na vida de Jesus, rasga-se o véu de alto a baixo que nos mantinha prisioneiros da fatalidade de sermos como somos… Com ele e como ele é possível viver uma vida resgatada, libertada do pecado e do poder do mal.
 3. É importante conhecer as duas palavras usadas no NT e que nós traduzimos normalmente sempre pela mesma: “pecado”. Usa-se Paraptôma, que é o pecado enquanto acto, transgressão… E Hamartia que é o pecado enquanto doença vital, mal que nos habita e habitua, fonte de tristeza e impotência… Pois é este que toma conta de nós e nos faz escravos! É daqui que precisamos ser resgatados para a “gloriosa liberdade dos filhos de Deus”.
 Quando o Evangelho nos anuncia um Jesus capaz de vencer todas as tentações, está a unir-nos à Possibilidade nova aberta por ele, a possibilidade de romper a impotência diante da Hamartia, a força de desobedecer à prepotência da Hamartia…
Em Jesus, já não há situação alguma na qual o ser humano se sinta forçosamente vencido pelo mal.
 Jesus, metido até à ponta dos cabelos neste mundo que é o nosso, mergulhado até ao pescoço nas experiencias e consequências do pecado, foi desatando, uma a uma, todas as impotências… foi libertando, uma a uma, todas as possibilidades… foi desmascarando, uma a uma, todas as fatalidades… e, no exacto momento de o fazer, Jesus estava a fazer tudo isso possível para todos!
 A Vida de Jesus é profundamente Redentora porque abre brechas incuráveis na carapaça do pecado. Rasga caminhos de vida no meio desta realidade concreta ainda habitada e habituada à Hamartia, inventa nesgas através das quais é capaz de entrar a Esperança em toda e qualquer situação, até nas mais injustas e incapacitantes.

4. E, ainda por cima, a vida de Jesus não é Redentora apenas pela força da lembrança de quem ele foi, mas pela Fé de que Deus quis que ele continuasse a ser assim e fazer assim para sempre e para todos! É por aí que vai a Boa Notícia da Ressurreição… para o anúncio de que aquele que foi assim há dois mil anos, continua a ser assim HOJE, vivo e activo no meio de nós porque um ReSuscitado é sempre nosso contemporâneo! E aquele que fazia aquelas coisas junto daquelas pessoas lá da Galileia, é o mesmo que está connosco, AQUI mesmo, para fazer exactamente o mesmo…

A Redenção não foi um veredicto que caiu sobre a cabeça de Jesus a nosso favor. A Redenção não foi um momento de sacrifício e sofrimento que agradou a Deus e nos salvou o coiro a nós… A Redenção é uma pessoa, Jesus mesmo, na sua tão concreta maneira de existir, que continua a fazer tudo o que está ao seu alcance para nos resgatar da Hamartia que habita ainda o nosso mundo, que nos habita a nós e que, pior que tudo, nos habitua de tal maneira que até nos esquecemos que somos escravos e há alguém a bater-nos à porta para nos levar a ser felizes.

(Rui Santiago, in http://derrotarmontanhas.blogspot.pt/2013/10/jesus-nosso-redentor.html)

No comments yet

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: